Durante a campanha eleitoral predominou a discussão sobre economia, habitação e migração, deixando em segundo plano questões críticas como a saúde, essencial para o bem-estar dos quase 450 milhões de cidadãos europeus. Nota-se uma lacuna na clarificação das estratégias europeias para a saúde e seu impacto em Portugal, com uma ausência de debate e propostas concretas sobre como melhorar a prestação de cuidados de saúde e diminuir as desigualdades entre os países membros.

A saúde é identificada como um dos setores que mais preocupa os portugueses. De forma surpreendente, independentemente da orientação política, houve uma falta de esforço em elucidar os eleitores sobre as políticas europeias de saúde de cada partido e as suas repercussões no território português. Este assunto não foi discutido nas ruas, debates ou mesmo nos programas eleitorais de forma significativa. Apesar das inúmeras publicações nas redes sociais por parte dos candidatos, é necessária uma busca detalhada para vislumbrar menções relacionadas com este tema. Não se dialogou, não se apresentaram propostas e, sobretudo, não se percebeu o que é que os futuros deputados europeus vão fazer para alcançarmos melhor prestação de cuidados de saúde para todos e, sobretudo, atenuar as profundas desigualdades entre cada um dos países membros.

A União Europeia da Saúde é fundamental, dado o impacto significativo das decisões europeias na política de cada estado-membro, através da incorporação de diretivas europeias nas legislações nacionais e da adesão a programas específicos.

O futuro do projeto europeu também depende do acesso à saúde e ao bem-estar dos que habitam no seu território. A pandemia da COVID-19, apesar de parecer já ter acontecido noutro século, mostrou-nos da forma mais cruel a veracidade desta afirmação, tendo reforçado, por outro lado, a importância do diálogo e da colaboração estreita e solidária entre os diferentes países do velho continente.

Se a saúde é reconhecida como pilar central do projeto europeu, pois tratemo-la como tal e a não a releguemos para plano secundário. Discutamos os problemas emergentes do aumento e envelhecimento da população, das doenças crónicas e dos direitos dos doentes a cuidados de saúde transfronteiriços.

Desenvolvamos de forma mais democrática a partilha de dados, de informação, de conhecimento com a ajuda de uma maior interoperabilidade da saúde digital no Espaço Europeu dos Dados de Saúde. Abracemos as novas tecnologias, como a telessaúde ou a Inteligência Artificial, investindo em investigação e inovação na área do medicamento, vacinas e dispositivos médicos. Ofereçamos aos nossos médicos e profissionais de saúde condições dignas de trabalho e de progressão na sua carreira, premissa essencial para o desenvolvimento dos sistemas de saúde.

Reconheçamos a mais-valia da abordagem One-Health, com a atenção pela saúde humana, animal e ambiental, para lidar com os riscos e desafios que a saúde no séc. XXI acarreta, como é a emergência climática.

Trabalhemos para mitigar, as atuais dificuldades e o efeito de futuras crises sanitárias, numa Europa unida na saúde, com processos e equipamentos prontos a responder às exigências cada vez maiores. Apostemos na literacia, na promoção e na prevenção das doenças de forma coordenada entre Estados.

A consolidação de uma verdadeira União Europeia da Saúde é imprescindível, pois sem ela, os outros objetivos perdem todo o seu significado.