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Guerra traduzida na Rádio Observador, o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Olá, José.
Olá, Maria.
Vamos começar com a imprensa ucraniana, José, e com o ataque russo a uma barragem.
Considerada uma infraestrutura crítica, é o que escreve o Kyiv Independent. As forças russas terão utilizado bombas guiadas para atingir a barragem de Peschany, um ponto essencial para o abastecimento de água de Kharkiv e dos arredores. A informação é dada pelo governo da região, que fala numa notificação que recebeu por parte das forças militares. Segundo o governante de Kharkiv, o objetivo russo era atacar a barragem, que está perto da capacidade máxima, com o intuito de provocar uma brecha, o que resultaria em inundações graves na zona de Kharkiv. A imprensa ucraniana aponta ainda desinformação do lado russo. Falam em imprensa regional que aponta não um ataque, mas problemas na manutenção da barragem. Dizem também que estava a ser preparada uma história para ocultar esse ataque por parte da Rússia e falar apenas numa descarga de emergência que iria correr mal por parte dos funcionários da barragem na Ucrânia. São acusações que chegam na imprensa ucraniana que aparentemente não têm fundamento, uma vez que não existe qualquer referência à tal barragem na imprensa russa. Em termos de danos, não se verifica a tal brecha, diz a imprensa ucraniana, e para já não há risco de inundações em Kharkiv.
A imprensa ucraniana que, José, destaca ainda o acordo de cooperação entre a Alemanha e a Ucrânia.
É uma notícia que está presente em praticamente todos os jornais ucranianos, com lugar de destaque em grande parte deles. Os artigos dão conta desse entendimento entre os dois países, entre Alemanha e a Ucrânia, que inclui compromissos reforçados nas áreas da defesa aérea, das armas de longo alcance, de drones e também de munições, bem como um memorando de entendimento sobre a troca eletrónica de dados militares. O chanceler alemão Friedrich Merz declarou que ambos os países querem aprender um com o outro e confirmou a assinatura de vários acordos adicionais de cooperação na mesma data. Segundo a imprensa ucraniana, este entendimento insere-se numa ofensiva diplomática mais ampla que Kiev tem para tentar expandir parcerias de defesa e melhorar a indústria nacional de armamento. A imprensa local lembra ainda que nas últimas três semanas, a Ucrânia assinou acordos semelhantes com três países do Golfo e em março assinou também um acordo de segurança de 10 anos com a Bulgária.
A imprensa da Ucrânia tem ainda um artigo sobre a economia russa, a dar conta de uma recessão, José.
O jornal The New Voice of Ukraine avança com essa notícia. Cita um relatório do Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia, que diz que a economia russa entrou oficialmente em recessão no primeiro trimestre de 2026. O Instituto de Previsão Económica da Academia de Ciências da Rússia, uma fonte interna russa, registou uma contração do PIB de 1,5%. É o pior resultado desde a imposição de sanções à Rússia em 2022, altura em que começou a guerra na Ucrânia. A previsão para o ano inteiro foi revista em baixa. O jornal detalha que o sector da construção lidera a queda com recuos de 16% em janeiro e 14% em fevereiro, enquanto a indústria transformadora contraiu 2,9% nos dois primeiros meses do ano, com tendências negativas em 20 dos 24 ramos. O investimento em capital também terá caído na Rússia 5,3% no quarto trimestre de 2025, tendência que se mantém este ano. O jornal escreve que isto é efeito das sanções e do esforço financeiro da Rússia com a guerra, que é manchete nesta imprensa ucraniana.
Falamos ainda de Zelenskyy, José, que não quer uma entrada parcial na União Europeia.
É a manchete do Pravda Ucraniano, que destacou esta terça-feira as declarações do presidente Volodymyr Zelenskyy na conferência de imprensa conjunta que fez com o chanceler alemão. Já aqui falámos desse acordo, mas o Pravda optou por ir por um caminho diferente para destacar a ideia de que Volodymyr Zelenskyy rejeita categoricamente a ideia de uma adesão parcial ou em velocidade baixa à União Europeia. Esse é o modelo que está em discussão em Bruxelas, que permitiria à Ucrânia aderir formalmente à União Europeia, mas ter poderes de decisão muito limitados. A rejeição foi expressa com uma analogia direta de Zelenskyy: "Assim como ninguém quer um exército ucraniano light, também não queremos uma União Europeia light". São as palavras do presidente ucraniano, citadas pelo Pravda. Zelenskyy sublinha ainda que a Ucrânia deve ser um parceiro pleno e forte. Ainda assim, o chanceler alemão também é visado pelas declarações em que defende que a entrada da Ucrânia na União Europeia não pode ser imediata. O foco deste artigo não é o acordo entre a Alemanha e a Ucrânia. Contudo, há várias referências ao entendimento que foi assinado em Berlim.
Está feita a revista de imprensa dos destaques ucranianos. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.