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Dia 448 da Guerra na Ucrânia, 17 de maio de 2023. Vamos olhar pra imprensa ucraniana de hoje, quarta-feira, em mais um episódio de "Guerra Traduzida", um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olinek. Rui, começamos com ataques da Rússia à Ucrânia nesta manhã.
É o grande destaque da imprensa ucraniana das últimas horas. Os militares russos atacaram um hospital em Beryslav e um prédio de vários andares em Kherson. A informação é confirmada pelas autoridades ucranianas, que adiantam que ninguém ficou ferido, mas certo é que os dois edifícios em causa ficaram muito danificados, o tal hospital e um prédio residencial de vários andares. O jornal "Pravda" divulga fotografias destes edifícios com paredes completamente destruídas depois destes bombardeamentos. As autoridades estão no local para perceber exatamente o que se passou, mas aqui o grande destaque é que não há registro de vítimas, pelo menos até o momento.
Entretanto, Kiev afirma que, desde o início da guerra, as forças de Moscou já perderam 200 mil soldados.
Sim, são dados do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, afirma que desde o início da guerra, a Federação Russa perdeu mais de 200 mil dos soldados que enviou para a linha de frente. Só nas últimas 24 horas, e de acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, a Rússia perdeu cerca de 600 militares, duas defesas antiaéreas, nove tanques, 16 sistemas de artilharia e 17 veículos blindados de combate. São dados, como disse, do exército da Ucrânia e que estão em destaque no jornal "Pravda". Também há aqui mais detalhes sobre dados e números desde o início da guerra. De acordo com o Estado-Maior General das Forças Armadas da Ucrânia, a Rússia perdeu cerca de 3700 tanques, mais de 7 mil veículos de combate blindados, 3166 sistemas de artilharia e também 18 navios. Portanto, aqui as autoridades ucranianas com números exatos das perdas do lado da Rússia desde o início da guerra, sendo que a Rússia também costuma divulgar esse tipo de informações através da imprensa estatal.
E falamos agora de ajudas de outros países à Ucrânia. Pode receber até 7 mil milhões de euros em empréstimos da Coreia do Sul.
Sim, os dois países assinaram um acordo de cooperação no âmbito o qual está prevista a Ucrânia receber até 7 mil milhões de euros em fundos de crédito para trabalhos de reconstrução do país por causa da guerra. A informação é confirmada pelo Ministério da Economia da Ucrânia, que é aqui citado pela seção de economia do jornal "Pravda", que se tem sempre esse tipo de informações ao nível de empréstimos, de cooperação econômica entre a Ucrânia e outros países. Este tipo de notícias na imprensa ucraniana é diária. Aqui o grande destaque é este valor avultado, 7 mil milhões de euros por parte da Coreia do Sul para a reconstrução da Ucrânia, sendo que a primeira parcela deste valor deverá estar disponível dentro de três a quatro meses. A assinatura da segunda etapa do acordo, de acordo com o Ministério da Economia da Ucrânia, está prevista para daqui a um mês.
E Rui, fechamos este episódio com a história de um homem que foi de Londres a Lviv, na Ucrânia, de bicicleta. Que história é esta?
Sim, é uma história aqui trazida pelo canal ucraniano TCN. Falamos de um cidadão britânico, Tom Hamachi, tem 35 anos e foi de bicicleta de Londres até Lviv para juntar dinheiro para os trabalhos de desminagem da Ucrânia. Como sabemos, desde o início da guerra há minas que não explodem, ficam perdidas no terreno e podem sempre explodir. E tem sido, ao longo destes meses, notícia vítimas na sequência dessas explosões acidentais. Ora, este britânico percorreu quase 2 mil km em 11 dias de bicicleta. Pelo caminho, sofreu um acidente na Alemanha. Esteve mesmo no hospital, mas não desistiu e continuou o caminho até à Ucrânia, o que escreve o canal TCN. Passo a citar o que o próprio cidadão britânico diz ao TCN: "Foram 11 dias de ciclismo, um dia no hospital, dois dias de recuperação e mais dois dias de descanso". Ora, o Tom Hamachi não desistiu porque queria chamar a atenção para o que está a passar na Ucrânia e queria juntar dinheiro para a desminagem. Afirma que pessoas de todo o mundo doaram para uma conta especialmente aberta para este efeito. Tom Hamachi anda de bicicleta todos os dias e há muitos anos, por isso ele próprio explica que não custou muito fazer esta viagem, apesar de terem sido 2 mil km. Ainda assim, a namorada, Catalina, estava preocupada, foi com ele, mas foi de carro e diz que tudo o que ele precisava, ela estava logo ali ao lado de carro para lhe dar.
Tal como nas grandes voltas.
Exato, Volta à França. Comida ou medicamentos, ela estava logo ali de carro ao lado. Diz que estava muito preocupada e por isso acompanhou nesta viagem de 11 dias.
E já agora, sabemos quanto dinheiro é que ele conseguiu angariar?
Sim, graças a esta viagem de bicicleta, Tom Hamachi conseguiu arrecadar até agora cerca de 25 mil euros e as doações, diz ao canal TCN, continuam a chegar.
E é assim, com esta história de persistência e solidariedade, que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, versão Ucrânia. Estamos de volta amanhã, como sempre, todos os dias aqui na Rádio Observador. Traduzimos a guerra dos dois lados, do lado ucraniano e do lado russo.