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Segunda parte da Guerra Traduzida na Rádio Observador com o jornalista Miguel Gato. Falamos agora dos destaques da imprensa ucraniana. Começamos com o The Kyiv Independent. Escreve que os líderes da União Europeia garantiram a Volodymyr Zelensky que vai ser a Europa, e não os Estados Unidos, a decidir o que fazer relativamente aos ativos russos congelados.

Líderes como o chanceler alemão Friedrich Merz, ou o presidente francês Emmanuel Macron, ou a própria presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enfatizaram repetidamente que a Europa está a avançar com o chamado empréstimo de reparações e que a Europa é precisamente a única responsável pelas decisões relativas aos ativos russos congelados. É uma transcrição à qual o jornal The Kyiv Independent teve acesso. Isto apesar da administração Trump estar alegadamente a pressionar vários países europeus a bloquearem estes planos de empréstimo do dinheiro congelado dos assets russos à Ucrânia. No total, a União Europeia quer disponibilizar cerca de 210 mil milhões de euros de ativos russos congelados para ajudar precisamente a reconstruir a Ucrânia e também a fim de manter as finanças do país em funcionamento.

Vamos agora à notícia em destaque no Kyiv Post. Os Estados Unidos prometem reforçar o fornecimento de armas à Ucrânia antes do Natal, Miguel.

Reforçando assim, Rita, a intenção de Washington de manter Kiev armada, mesmo enquanto reformula a divisão de responsabilidades internas da NATO. Um alto funcionário da União Europeia diz a este jornal, o Kyiv Post, que o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia vai manter-se, mas a Europa deve estar preparada para uma NATO na qual os norte-americanos não sejam os primeiros a responder. Isto porque hoje a administração Trump informou os aliados europeus, em privado, de que tem a intenção que os Estados Unidos deixem de ser o principal financiador da Aliança Atlântica e que esse papel tem de passar precisamente para a Europa. Este desenvolvimento, escreve o Kyiv Post, marca uma mudança drástica que coloca a Europa numa contagem regressiva rigorosa enquanto a guerra assola a Ucrânia e a incerteza paira sobre a segurança transatlântica.

E esta decisão norte-americana acontece numa altura em que, Miguel, os combates no terreno continuam.

Segundo a atualização de guerra em destaque no Ukrinform, são mais de 170 os confrontos na linha da frente, com especial destaque para a região de Pokrovsk. As forças russas realizaram no dia de ontem mais de 60 ataques aéreos, mais de 6600 ataques de artilharia, incluindo também mais de 150 ataques com sistemas de lançamento múltiplo de foguetes e as forças de defesa russa utilizaram quase 5000 drones kamikaze. São informações divulgadas no Telegram pelas Forças Armadas Ucranianas.

E agora uma história no Ukrainska Pravda. Os soldados russos matam a tiro um militar da Ucrânia enquanto se rendia.

Aconteceu este mês. Um militar das Forças Armadas Russas descobriu um soldado ucraniano que estava escondido num anexo de uma propriedade parcialmente destruída. Isto numa operação militar na região de Siversk. "O inimigo", assim o descreve o Ukrainska Pravda, viu o soldado ucraniano a sair do edifício de mãos erguidas, em sinal de rendição, e acabou por atingi-lo a tiro traiçoeiramente. É o que escreve precisamente este jornal. Este episódio levou o Ministério Público da região de Donetsk a instaurar um inquérito pré-processual de crime de guerra. Estão em andamento investigações e buscas urgentes para apurar todas as circunstâncias do incidente e também para identificar o militar russo que é responsável por este incidente.

E foi a Guerra Traduzida com o jornalista Miguel Gato. Regressamos para a semana.