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Dia 10 de março, dia 411 da invasão, mais um episódio de "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos começar por olhar pra imprensa ucraniana, um trabalho do Rui Casanova, com a colaboração da Tânia Olynyk. E começamos pela divulgação de documentos secretos do Pentágono, que levou a Ucrânia a ter que alterar os planos militares, Rui.

Exatamente. Boa tarde. Importa recordar que a notícia foi avançada pela imprensa norte-americana na semana passada. Os documentos ultrassecretos foram divulgados em redes sociais como Twitter e Telegram. Alegadamente, estes documentos contêm detalhes sobre o envio de armas dos Estados Unidos para a Ucrânia e outro tipo de informações confidenciais. Ora, o Pentágono já veio anunciar que está a avaliar os riscos para a segurança interna dos Estados Unidos na sequência da divulgação destes documentos. E precisamente é neste âmbito que a Ucrânia decide alterar os planos militares no terreno. A notícia foi avançada nas últimas horas pela CNN Internacional, que cita uma fonte próxima do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O canal ucraniano TCN também cita esta notícia. Não são, no entanto, reveladas quais as mudanças concretas no terreno, o que é que vai alterar no curso da guerra na sequência desta informação. Uma informação que, como vamos ver já a seguir, vai ser também um tema em destaque no próximo episódio da "Guerra Traduzida".

E também em destaque na imprensa ucraniana está o encontro entre o presidente da Bielorrússia e o Ministro da Defesa da Rússia.

Sim, um encontro que surgiu esta manhã. Alexander Lukashenko, o líder bielorrusso, recebeu em Minsk, capital do país, o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu. De acordo com a imprensa estatal bielorrussa, este foi um encontro convocado pelo próprio Alexander Lukashenko, isto para tentar obter garantias de que a Rússia vai defender a Bielorrússia como se tratasse do próprio território de Moscovo, caso o país venha a ser alvo de alguma agressão. Importa aqui também recordar que no último mês, em março, a Rússia colocou armas nucleares táticas em território bielorrusso, colocando-as assim mais perto do centro da Europa. Ora, a Bielorrússia teme que esta medida coloque em perigo Minsk e por isso Lukashenko recebeu Sergei Shoigu para receber garantias de que a Rússia vai defender a Bielorrússia em caso de agressão. A imprensa ucraniana dá destaque a este encontro e divulga algumas fotografias de Lukashenko e Sergei Shoigu juntos aqui nesta recepção de Lukashenko a Shoigu.

E Rui, a questão do rapto e deportação de crianças ucranianas continua a ser um tema forte na imprensa.

Sim. A Ucrânia vai acolher uma reunião internacional sobre crianças deportadas. Será em abril. É uma notícia do jornal Pravda. Uma reunião que vai contar com a participação do presidente Volodymyr Zelensky, também do primeiro-ministro da Polônia e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. É o que escreve o jornal Pravda, que cita uma fonte da Comissão Europeia. A mesma fonte adianta que os detalhes exatos desta reunião ainda não foram divulgados por razões de segurança, mas garante que um dos temas em cima da mesa vai ser, sem dúvida, a questão do rapto e das deportações ilegais de crianças ucranianas para a Rússia. Recordar que, em fevereiro, a Comissão Europeia já tinha anunciado que está, em conjunto com a Polônia, a preparar uma iniciativa sobre este tema. Isto com o objetivo de levar de volta as crianças ucranianas da Rússia para os países de origem, neste caso para a Ucrânia, e também levar à justiça os responsáveis. Vamos ver o que sai desta reunião internacional na Ucrânia, que vai decorrer este mês.

E terminamos esta edição com a história da ex-mulher de Vladimir Putin, que ficou rica com a guerra na Ucrânia.

Sim, falamos de Lyudmila Aleksandrovna Ocheretnaya, espero ter dito bem o nome. Esteve casada com Vladimir Putin entre 1983 e 2013 e o canal TCN divulga esta manhã a notícia de que a organização de microcrédito que ela detém aumentou o lucro em quase 140 milhões de rublos ao longo do último ano. Traduzido para euros, falamos de cerca de 1 milhão e 500 mil euros. Ora, o TCN explica que durante o último ano de guerra na Ucrânia, o endividamento dos cidadãos russos atingiu um nível recorde e que as empresas financeiras também emitiram empréstimos em níveis recorde. E, por isso, a antiga mulher de Vladimir Putin, Lyudmila, enriqueceu precisamente com as dívidas dos cidadãos russos. Importa também explicar que uma empresa em seu nome, a CarMoney, que emite empréstimos garantidos por carros, teve também valores recordes e o lucro líquido da empresa em geral mais do que duplicou. Nos últimos meses, também já tinha sido notícia de que a ex-mulher de Vladimir Putin estava a tentar vender várias mansões um pouco por toda a Europa, devido às sanções de Bruxelas.

E é com esta notícia que fechamos este episódio da "Guerra Traduzida". Já a seguir passamos em revista a imprensa russa sobre a invasão neste dia 411 da guerra.