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Está no ar a Guerra Traduzida, estamos na Rádio Observador e neste dia 20 de março, ao longo dos próximos minutos, vamos analisar a imprensa russa e ucraniana. Hoje vamos começar pela imprensa da Rússia com a jornalista Diana Rosa. Diana, as escolas russas começaram a disponibilizar aulas extracurriculares com matéria que se baseia na entrevista de Vladimir Putin ao norte-americano Tucker Carlson.
É isso mesmo, essa entrevista que deu tanto que falar, principalmente porque Tucker Carlson é um assumido apreciador das políticas de Putin. Já se sabia que essa entrevista ia servir como mote de novas matérias nas escolas, só não se sabia quando. Ora, desde a semana passada que a Rússia começou a testar este programa extracurricular que se chama "Da Rússia à Rússia".
Em que consistem estas aulas?
Depois de assistirem a parte da entrevista, os alunos participam numa competição em que respondem a perguntas sobre os motivos da invasão da Ucrânia pela Rússia, os acordos de Minsk e, por exemplo, as sanções aplicadas pelos Estados Unidos. Em algumas zonas do país, o programa foi disponibilizado apenas para alunos do ensino básico. Noutras, foi apresentado a alunos de todas as idades, desde o primeiro ao 11º ano.
E temos algum exemplo de perguntas que estão nestes questionários?
Sim, por exemplo, "o que é a reunificação da Rússia?" Ou "o que une os povos russo e ucraniano?" Sendo que, por exemplo, Miguel, à pergunta: "o que é um ucraniano?", as respostas disponíveis na lista são opções como: "é uma pessoa que vive no limite" ou "uma pessoa que vive na fronteira". É um artigo que pode ser lido com mais detalhe no jornal Meduza.
Seguimos com outras notícias em destaque na Rússia. Um ex-combatente do grupo Wagner baleou um homem num restaurante em São Petersburgo e depois continuou a refeição.
Sim, este homem em quem ele atirou era supostamente um parceiro de negócios. O homicídio foi registrado pelas câmeras de segurança do restaurante. As imagens divulgadas pela plataforma de notícias Bumaga mostram um homem a sacar de uma arma e a atirar na pessoa que estava sentada à frente. A vítima cai no chão, é baleada novamente, mais do que uma vez, e depois o atirador senta-se e retoma a refeição. O site de notícias Fontanka fez saber que o atirador é Alexei Isakov, um membro do grupo Wagner de 40 anos que estava preso por roubo antes de ir lutar para a Ucrânia.
Entretanto, falamos novamente das eleições, o ato eleitoral para as presidenciais russas do fim de semana. Os observadores estão a apontar para fraudes, violação de regras e repressão.
Sim, é assim que eles descrevem o ato eleitoral para estas presidenciais russas no fim de semana passado. Mais de uma dúzia de observadores entrevistados pelo Moscow Times relatam erros generalizados, incluindo falsificações de resultados e violação das regras eleitorais. Os especialistas sugerem que milhões de votos dados a Putin foram manipulados para garantir a vitória. Em Moscovo, por exemplo, dois dos observadores denunciam a falsificação de boletins nas assembleias de voto e garantem que as comissões locais colocaram resultados errados nos documentos finais. Só numa das assembleias foram retirados 70 votos a Davankov e acrescentados 88 a Vladimir Putin. Este observador que fez esta denúncia diz que pediu uma nova contagem dos votos, foi-lhe negada, chamou depois a polícia por várias vezes, só que a polícia não apareceu.
Estas eleições duraram três dias. Há relatos de violação dos cofres onde os votos ficaram guardados durante a noite.
Os cofres ficaram selados de uma maneira e no dia seguinte já tinham uma selagem diferente. Quando comparou as fotografias que tinham sido tiradas aos cofres no dia anterior, um dos observadores pediu explicações à Comissão de Eleições, mas foi ignorado. Pelo menos quatro observadores eleitorais dizem ainda ao Moscow Times que os eleitores que trabalham para a administração pública foram forçados a votar logo no primeiro dia e tiveram de tirar fotografias nas assembleias para mandar aos respectivos chefes. Estes são apenas alguns exemplos do que se terá passado nas eleições que deram a vitória a Vladimir Putin.
E seguimos pela imprensa independente russa desta quarta-feira, dia 20. Continuamos a falar de Vladimir Putin, que está furioso com o Comitê Olímpico Internacional, que o acusa de ser neonazi.
Neonazi acusa Putin ao Comitê Olímpico Internacional, neste caso, por quê? Porque há restrições aplicadas pelo comitê aos atletas russos para que possam participar nos Jogos Olímpicos que acontecem entre julho e agosto deste ano em Paris. Os atletas estão proibidos de participar na cerimônia de abertura, têm de usar uma bandeira neutra durante as competições, ou seja, a bandeira com os cinco anéis dos Jogos Olímpicos, e mais, estes atletas não podem manifestar qualquer apoio à invasão à Ucrânia. Para o Kremlin, estas condicionantes demonstram que o comitê se afastou dos valores tradicionais e caiu naquilo que diz ser racismo e neonazismo. Mas a fúria da Rússia não surge só por causa disto. Ontem, o Comitê Olímpico emitiu um comunicado a acusar o Kremlin de politizar o desporto ao planear a realização dos seus próprios Jogos da Amizade em Moscovo, na mesma altura em que decorrem os Jogos Olímpicos, e pediu aos países que rejeitem qualquer participação. Putin não gostou. Esta é uma notícia do Meduza.
Destaques da imprensa russa desta quarta-feira.