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Está na hora de traduzir a imprensa dos dois lados da guerra neste dia 499 da invasão. E hoje começamos pela Rússia. É um trabalho, como é habitual, feito pelo jornalista Rui Casanova. Olá, Rui, boa tarde.

Olá, Miguel.

Contaste com a preciosa colaboração de Larissa Tovmazian. E Rui, começamos com as movimentações no terreno.

Os militares russos interromperam uma tentativa de ataque das Forças Armadas da Ucrânia na região de Orekhovsky, no sul da Rússia. É o que dá conta a agência estatal RIA, que cita fonte militar. Esta fonte explica que o inimigo avançou em grande número, mas foi parado. Os militares ucranianos tentaram romper com a linha de defesa russa, mas sofreram perdas significativas, foram forçados a dispersar e a fugir, recuaram depois para as posições originais e esconderam-se numa zona de floresta. É o relato desta fonte militar citada pela Agência RIA, que adianta ainda que as autoridades ucranianas não têm qualquer tipo de consideração pela vida dos militares, deixando-os para a morte certa em nome, e passo a citar, "dos interesses e ambições ocidentais".

Do terreno para a mesa de negociações. O Kremlin não afasta uma conversa entre Vladimir Putin e Recep Erdoğan.

Não afasta no dia em que Zelensky se vai encontrar precisamente com o presidente turco. O Kremlin afirma estar a acompanhar de perto este encontro que está previsto acontecer hoje na Turquia e que tem como tema principal o prolongamento do acordo de cereais do Mar Negro, que termina a 17 de julho. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi questionado esta manhã pelos jornalistas sobre este encontro. Admite que Vladimir Putin deve falar com Erdoğan em breve. Ainda não existe data marcada, mas Dmitry Peskov afirma que o Kremlin não afasta essa conversa. Diz também que Putin e Erdoğan comunicam com frequência e regularidade. Falta apenas o encontro cara a cara, diz Dmitry Peskov, que em breve vai informar à imprensa as datas desse mesmo encontro, que Peskov adianta que deve acontecer em breve entre Putin e Erdoğan.

A imprensa estatal russa destaca também o encontro de Zelensky com o presidente da República Checa.

No próximo episódio de Guerra Traduzida da Ucrânia, já vamos detalhar ao certo este périplo de Zelensky pela Europa. A imprensa estatal russa destaca aqui este encontro de Zelensky com o presidente da República Checa, porque o primeiro-ministro checo, Peter Fiala, deu uma garantia a Zelensky de que vai doar à Ucrânia mais helicópteros de ataque, munições de artilharia e a contribuição da República Checa na formação de pilotos ucranianos nos caças F-16 para se defender da invasão russa. Zelensky chegou a Praga ontem à noite, depois de uma visita surpresa à Bulgária e, como já dissemos, ainda hoje deve visitar a Turquia. O jornal estatal RBK destaca aqui este encontro de Zelensky na República Checa.

O canal Meduza deixou hoje um alerta: a guerra pode agravar ainda mais o problema da violência sexual na Rússia.

É. O canal Meduza, canal independente russo, preparou um guia para quem tem amigos ou familiares que sofreram violência sexual na sequência desta guerra. O canal Meduza é um longo artigo, tem aqui vários dados. Destaca dados da Procuradoria-Geral da Ucrânia, que diz que até março estava a investigar 171 casos de violência sexual por militares russos. De acordo com a Procuradoria-Geral da Ucrânia, entre estas vítimas há também homens e crianças. Diz também a Procuradoria-Geral ucraniana que as autoridades podem não estar cientes de outros casos, porque nem todas as pessoas estão dispostas ou capazes de falar sobre este tipo de violência sexual, uma experiência bastante traumática. E por isso mesmo o canal Meduza fez este artigo ao falar com psicólogos e deixou algumas sugestões, como por exemplo, conversar com cuidado com alguém que tenha sofrido este tipo de violência e tentar ajudar, oferecer ajuda, mas sem colocar demasiada pressão, até porque este tipo de violência, este tipo de trauma, é vivido com um outro trauma em fundo, a guerra na Ucrânia. O canal Meduza deixa também contactos e links de associações e ONGs que podem ajudar e têm experiência em lidar com vítimas deste tipo de violência sexual. O canal Meduza cita também dados da ONU, que remontam ao final do ano passado, e destaca que a idade das vítimas de violência sexual, violações por militares russos na Ucrânia, variava entre os quatro e os 82 anos, e que o maior número de casos na altura, no final de 2022, era registrado nas regiões de Kherson e Kiev. Portanto, aqui dados do canal independente Meduza sobre violações sexuais nesta guerra na Ucrânia.

Os horrores da guerra. É desta forma que terminamos este episódio de Guerra Traduzida, versão Rússia. Já a seguir vamos traduzir a guerra do lado ucraniano.