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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida para acompanharmos toda a situação no Irão. Nos próximos minutos vamos passar em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente, bem como dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Miguel Pina Andrade. Boa tarde, Miguel.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
Vamos começar com a conferência de imprensa do porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros. Os 12 mil milhões de dólares de fundos iranianos descongelados vão poder ser usados com absoluta liberdade.
Isto depois de ter sido alcançado um acordo para a libertação imediata dos fundos iranianos congelados. Esmaíl Baghaei diz que o Irão não enfrenta qualquer restrição à forma como canaliza os fundos, é o que cita a Al Jazeera. Estas declarações surgem depois de Donald Trump sugerir que o dinheiro só poderia ser usado para a aquisição de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Em resposta, o porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros afirma que a verdadeira razão por trás da guerra era exterminar a civilização iraniana, mas agora o objetivo transformou-se em proporcionar aos agricultores norte-americanos receitas avultadas com os ativos congelados.
Miguel, durante esta conferência, Esmaíl Baghaei também abordou as inspeções às instalações nucleares iranianas e deixou algumas críticas ao posicionamento europeu durante a guerra.
O chefe da diplomacia iraniana diz que ainda não há um calendário claro para os inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica visitarem as instalações que foram atacadas pelos Estados Unidos e Israel. A Al Jazeera avança que durante a ronda de negociações na Suíça, a delegação iraniana não se encontrou com Rafael Grossi, líder da IEA. Na conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros acusa a Europa de se comportar de forma irresponsável durante o conflito no Médio Oriente. Em declarações citadas pelo canal de televisão árabe, Esmaíl Baghaei considera que durante as duas guerras contra o Irão, a Europa teve posições inapropriadas e que o mundo testemunhou esse mesmo comportamento.
E entretanto arranca hoje uma nova ronda de conversações entre o Líbano e Israel e tem lugar em Washington.
É já quinta-feira e deverá prolongar-se ao longo de três dias. A delegação libanesa insiste em negociações cara a cara, consideram que são a única forma de assegurar um fim para o confronto que dura há três meses. Em declarações à agência Reuters, um dos responsáveis do Líbano mostrou-se cético face à possibilidade de avançar desenvolvimentos relevantes após quatro rondas sem sucesso. Diz que continua a existir um problema fundamental de confiança entre Beirute e Telavive nas negociações. Isto numa altura em que o líder adjunto do Conselho Político do Hezbollah alerta que o grupo está preparado para responder a qualquer tipo de violação do cessar-fogo por parte de Israel. Mahmoud Qamatti diz que o Hezbollah está em alerta máximo, com o dedo no gatilho, pronto a responder. Esta afirmação foi avançada pela Press TV e citada pela Al Jazeera. Segundo a televisão árabe, o embaixador do Irão nas Nações Unidas alerta que o país vai responder se Israel violar o memorando de entendimento, seja em que formato for, o que inclui os ataques ao Hezbollah no Líbano.
Olhamos também para as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão. Teerão anuncia que chegaram ao fim e garante também, Miguel, que correram bem.
Mais uma fase de negociações terminada com a criação de quatro grupos de trabalho. Estão focados na suspensão das sanções, no programa nuclear, na reconstrução e desenvolvimento económico e também no acompanhamento e implementação do acordo de paz. As futuras negociações vão ser conduzidas sob a supervisão de um comitê de alto nível, com a participação do presidente da Assembleia Consultiva Islâmica, do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, do vice-presidente dos Estados Unidos e ainda dos primeiros-ministros do Qatar e do Paquistão. São declarações do vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência estatal IRNA. Kazem Gharibabadi não avançou, no entanto, com uma data concreta para futuras negociações.
No entanto, o presidente iraniano diz que a eficácia destas conversações está dependente de um compromisso total com o que foi acordado.
E é assim que o progresso no caminho para a paz será avaliado com base no cumprimento efetivo das responsabilidades assumidas. No X, Massud Pezeshkian refere ainda que afirmações feitas fora do texto acordado não ajudam a avançar nas negociações. O presidente do Irão, Ricardo, não especifica a que afirmações se refere.
Ainda temos tempo, Miguel, para olhar para o conflito entre Israel e a Palestina, porque a ONU acusa Israel de atacar deliberadamente crianças na Faixa de Gaza.
Mais concretamente, uma comissão internacional de inquérito mandatada pelas Nações Unidas diz que Telavive teve como alvo crianças palestinianas no enclave. Atribui as intenções genocidas, é assim que escreve, às tropas das Forças de Defesa de Israel. O mais recente relatório centra-se especificamente na situação das crianças. A comissão de inquérito sublinha que os ataques deliberados são um dos elementos-chave para estabelecer a intenção genocida, tanto das autoridades como as forças de segurança israelitas, de destruir os palestinianos em Gaza. Em comunicado, o presidente da Comissão Internacional, Srinarayan Muralidhar, afirma que ao atacar crianças, Israel está a atacar a própria capacidade do povo palestiniano de existir e determinar o futuro. Israel, entretanto, condenou o relatório como difamatório, acusa os autores de ignorar as táticas brutais do grupo islamita palestiniano Hamas, diz que ataca impiedosamente crianças israelitas e usa crianças palestinianas como escudos humanos.
É o ponto final em mais um episódio da Guerra Traduzida Irão. Hoje esteve com o jornalista Miguel Pina Andrade, está de regresso já amanhã.