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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos, como sempre, os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana, hoje com o jornalista José Rafael Lopes. Começamos, José, pela imprensa russa e com a grande entrevista de Vladimir Putin.
Entrevista concedida à agência TASS que, sem surpresas, faz eco em toda a imprensa russa. Não há um único jornal russo que não tenha uma referência a esta entrevista de Putin. É publicada no dia em que a invasão da Ucrânia cumpre o quarto aniversário e estamos agora oficialmente no quinto ano de guerra. Vamos centrar então no artigo da TASS, a origem destas declarações. Esta grande entrevista aborda uma larga série de temas, a começar pelo título que dá à agência TASS, que é a questão nuclear. Diz Vladimir Putin que a Rússia é uma superpotência ofensiva, mas também defensiva. E diz o presidente russo que há meios avançados, tão avançados que nem sequer são conhecidos ainda do público, no que diz respeito a ações militares por parte da Rússia. Putin abordou ainda as atividades do FSB, a polícia política russa, para dizer que são decisivos na manutenção da paz, da segurança e da soberania russa. Assegura ainda Putin que está a ser preparado um investimento maior no FSB para que possam continuar a trabalhar na máxima força na defesa do Estado russo. O presidente Vladimir Putin falou ainda sobre terrorismo para defender que há cada vez mais atenção por parte das autoridades nesse sentido. Putin admite que o número de ataques tem aumentado no último ano e aponta já um culpado: é a Ucrânia. Sobre os desenvolvimentos russos, diz Vladimir Putin que são promissores na área da defesa e no setor civil. Fala em conquistas significativas que são compreensíveis para todos. Abordou ainda a proteção das fronteiras. Diz o líder russo que a fronteira russa precisa de ser mais fortificada. Há ainda uma referência a contra-espionagem nesta longa entrevista de Vladimir Putin, onde o presidente russo defende que é preciso reforçar o trabalho de contrainteligência na Rússia. Isto para identificar e suprimir de forma mais ativa as atividades de elementos dos serviços secretos estrangeiros, ponto que encaixa no combate à corrupção. É uma longa entrevista, está em destaque em toda a imprensa russa.
Mas para além dessa entrevista, José, há mais referências a Putin na imprensa do país.
Neste caso, na RIA, que tem um artigo com avisos do presidente russo precisamente ao FSB. Em cima da mesa, os gasodutos Turkish Stream e Blue Stream. A imprensa russa avança que há um plano para os tentar sabotar e que o FSB está a investigar. É a notícia da RIA, que diz que Vladimir Putin está a pressionar para ter bons resultados. Isto numa altura em que ganha força a teoria de um possível ataque nessas infraestruturas, um ataque explosivo, é o que se pode ler na RIA, que ao mesmo tempo enfatiza que as probabilidades de tal acontecer, ataques ao Turkish Stream e ao Blue Stream, são extremamente baixas.
E para além do presidente russo, na imprensa russa, José, há ainda a referência a um português.
É António Costa, o presidente do Conselho Europeu, está em manchete no Izvestia, devido às declarações que proferiu na visita a Kiev no quarto aniversário da guerra na Ucrânia. O que é destacado é a ideia de que o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, pediu que se impeça o sucesso da Rússia nas negociações com a Ucrânia. O artigo é bastante negativo para António Costa, com várias insinuações que colocam o lugar do português em causa. A imprensa russa acusa o antigo primeiro-ministro de ser parcial e de procurar, de todas as formas, que a Rússia tenha uma derrota. O artigo já tem também uma reação por parte da Rússia. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirma que as palavras de António Costa são política imprudente.
E ainda sobre notícias que estão a ser veiculadas pelos meios russos, foi identificado o suspeito principal no caso da explosão numa estação de comboios.
É o que se pode ler também na RIA. O comitê de investigação russo identificou o suspeito de ter provocado uma explosão na estação Sevelovsky, uma estação de comboios em Moscovo. É suspeito de ter detonado um engenho perto de uma viatura da Polícia de Trânsito nesta estação de comboios em Moscovo. Trata-se de um jovem de 22 anos, natural da Udmurtia, que morreu no lugar do atentado. Segundo a investigação, Petrenko, é o nome deste jovem russo de 22 anos, saiu de São Petersburgo rumo a Moscovo de comboio, já com a intenção de provocar este ataque, sendo que as motivações do jovem de 22 anos ainda estão a ser investigadas.
E está feita a "Guerra Traduzida" com as notícias da imprensa russa. Fica como sempre disponível em podcast em observador.pt e também nas plataformas habituais.