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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o programa em que trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Eu sou o Miguel Gato, está conosco hoje a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.

Olá, Miguel. Boa tarde.

Começamos com as notícias da Rússia e com o artigo do "Izvestia": o secretário-geral da NATO nega quaisquer planos para fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia.

É um tema que não deverá ser discutido em Bruxelas. O fornecimento de mísseis de longo alcance e fabrico norte-americano está fora da agenda da reunião dos ministros da Defesa da NATO e também do grupo de contacto sobre a Ucrânia, na Bélgica. Foi o que adiantou Mark Rutte esta manhã antes do encontro. No entanto, o líder da Aliança Atlântica não descarta o anúncio de novos fornecimentos para Kiev, incluindo sistemas de defesa aérea.

E os tribunais das regiões ocupadas na Ucrânia já emitiram quase 200 condenações por traição e espionagem.

Notícia do "Moscow Times". Condenações essas proferidas desde a invasão em 2022. Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson foram as zonas mais problemáticas no que toca à cooperação confidencial com um Estado estrangeiro. A investigação é da iStories. Os cidadãos tidos sob essas acusações são pessoas que se opuseram à ocupação e foram sequestradas pelas forças de segurança russas. Cerca de dois terços das condenações são por espionagem na Rússia. Essa é uma acusação tipicamente usada contra estrangeiros. Nos territórios anexados, é aplicada a cidadãos ucranianos. A acusação de traição, por sua vez, tem como alvo pessoas que receberam passaportes russos à força. Grupos de direitos humanos afirmam que, na prática, até mesmo os ucranianos sem cidadania russa são acusados de traição, apesar de ser ilegal aos olhos da lei russa. Os ucranianos condenados por espionagem nos territórios ocupados recebem uma pena média de 13 anos de prisão, enquanto aqueles condenados por traição recebem cerca de 14 anos. Pelo menos duas pessoas foram condenadas, Miguel, à prisão perpétua. Mais de um quarto dos condenados são mulheres, pelo menos oito são adolescentes. Dados disponíveis ao público também mostraram que cinco pessoas foram processadas por essas acusações, pessoas que morreram em cativeiro.

E também o "Moscow Times" noticia que as forças russas atacaram caminhões de ajuda humanitária das Nações Unidas na região de Kherson.

Não há registro de vítimas. As Nações Unidas disseram que o comboio composto por quatro veículos foi atacado por drones e artilharia enquanto entregava ajuda humanitária à cidade de Bilogorka, na linha da frente. O coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia diz que ataques como estes são totalmente inaceitáveis e lembra que os trabalhadores humanitários são protegidos pelo direito internacional e nunca devem ser atacados. O Fundo de População das Nações Unidas acredita que o comboio transportava 800 pacotes com bens essenciais para idosos, mulheres e crianças. Moscovo ainda não comentou o ataque. A região de Kherson, que a Rússia alegou ter anexado em 2022, permanece dividida entre o controle russo e ucraniano.

O Reino Unido vai enviar instrutores militares pra Moldávia com o objetivo de ensinar técnicas para a neutralização de drones.

De acordo com o Ministério Britânico da Defesa, vai também ser confirmada a próxima mobilização de especialistas militares para Chisinau. Há ainda uma semana, a nova estratégia militar da Moldávia foi aprovada. A estratégia dos próximos 10 anos foi aprovada em reunião do governo, em que a Rússia e a força de paz da Transnístria foram apontadas como as principais ameaças à segurança do país. Um documento estratégico que também estabelece a meta de aumentar os gastos militares para pelo menos 1% do PIB. A assessoria de imprensa do Serviço de Informações da Rússia não descarta o envio de Forças Armadas de países da União Europeia ou da NATO para a Moldávia, por forma a manter o país alinhado com o sentimento antirrusso. Esta agência de Moscovo lembra que as provocações contra a Transnístria ou forças de paz da Rússia podem ser usadas como pretexto para o envio de tropas.

Voltamos já a seguir pra segunda parte, com os destaques da imprensa da Ucrânia.