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Guerra traduzida na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques dos jornais russos com o José Rafael Lopes e começamos com a reação da Rússia aos ataques ucranianos.
Essa ofensiva que atingiu a Crimeia e Krasnodar, a imprensa russa destaca em força os ataques ucranianos durante a noite contra dois destinos muito populares no verão. Segundo as autoridades locais, o inimigo executou um ataque noturno contra o que a Rússia considera ser a República da Crimeia, que provocou a morte de três pessoas e deixou ainda vários feridos. Na região de Krasnodar, destroços de um drone caíram numa localidade, mataram três pessoas, 13 outras ficaram feridas, incluindo crianças. Ambas as notícias citam informações dadas pelos governadores das regiões da Crimeia e de Krasnodar. Em paralelo, o Ministério da Defesa russo informa que durante a noite, as defesas aéreas interceptaram e destruíram 131 drones ucranianos. Como é habitual, a imprensa russa apresenta estes dados como prova da eficácia da defesa antiaérea e da escalada da ofensiva ucraniana contra civis.
E ligado a este tema, a imprensa russa sublinha também o esforço da defesa antiaérea.
De novo, com base em informações do Ministério da Defesa, dão conta desses mais de 130 drones que foram abatidos quando estavam a caminho de alvos russos. De acordo com esse balanço, durante a última noite foram interceptados e destruídos 131 drones ucranianos de nova geração. Estes números são repetidos em vários órgãos de comunicação social da Rússia como demonstração da capacidade de resposta das forças russas perante o que é descrito como uma ofensiva massiva com uso de drones. Alguns meios dizem também que, segundo o Ministério da Defesa, as forças russas continuam a atacar infraestruturas de transporte na Ucrânia que estarão a ser utilizadas em benefício das Forças Armadas Ucranianas e que são um dos pontos de ataque da Ucrânia a território russo. Esta narrativa é apresentada como parte de uma guerra de atrito, em que Moscovo procura, ao mesmo tempo, neutralizar drones que entram no espaço aéreo russo e atingir a logística ucraniana além-fronteiras.
E a Rússia reclama ter conquistado mais território ucraniano.
A imprensa local dá conta de avanços das tropas russas na Ucrânia. Falam mesmo num recorde de território libertado em julho. É o termo utilizado na imprensa russa, território libertado. O Kommersant escreve que os exércitos russos, em julho deste ano, libertaram mais de 728 km² de território na zona da operação militar especial, o termo que a Rússia utiliza para dar conta da guerra na Ucrânia, e que este resultado é o melhor desde outubro de 2024. Noutros meios é mencionado que as forças russas capturaram povoações na região de Kharkiv, um dos pontos onde mais se tem combatido nesta guerra. O foco é colocado na ideia de que a operação está a ganhar terreno, em contraste com as notícias de que os ataques ucranianos em território russo estão a compor um quadro em que Moscovo está fragilizada. Este é um cenário rejeitado pela imprensa local da Rússia.
E há também outro tema em destaque, a explosão num restaurante em Moscovo, que está a ser tratada como um ataque terrorista.
E não como uma ofensiva levada a cabo pelas forças ucranianas. A explosão num restaurante em Moscovo ocupa também lugar central nos meios de comunicação da Rússia. O presidente da Câmara da capital russa classificou este incidente num restaurante italiano como um ataque terrorista e vários órgãos referem que pelo menos três pessoas morreram e 21 ficaram feridas após a explosão. De acordo com a versão divulgada pelas autoridades, esta explosão terá sido provocada por uma mulher que tentou entrar num evento privado. Estava munida de um artefato explosivo improvisado. Segundo o Comitê Nacional Antiterrorismo, a alegada autora do ataque, um segurança e um cliente morreram de imediato quando a explosão se deu. A imprensa russa realça que as investigações ao que está a ser tratado como um ataque terrorista ainda estão em curso.
E fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida, hoje com o José Rafael Lopes. Está de regresso amanhã. Fica disponível, como sempre, em podcast.