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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos olhar para a forma como os jornais da Rússia e da Ucrânia noticiam a guerra em curso. Eu sou o Miguel Gato e está conosco esta tarde a jornalista Diana Rosa. Diana, começamos.

Olá, Miguel.

Boa tarde. Começamos com as notícias da Ucrânia. O Kyiv Independent tem destaque para as ameaças do Kremlin à Moldávia.

Ameaças que partiram do porta-voz de Putin, alertou Chisinau, que é preciso ter cuidado para não sofrer o mesmo destino da Ucrânia. Em declarações poucas semanas depois de uma eleição que viu o Partido de Ação e Solidariedade pró-europeu garantir a maioria parlamentar, garantiu mais de 50% dos votos. Depois disso, o governo do país aprovou uma nova estratégia militar que designa a Rússia como a principal ameaça à segurança do país, alertando que a guerra na Ucrânia pode espalhar-se mesmo para a Moldávia. Dmitry Peskov critica a posição do país, diz que é um Estado antagônico à Rússia, que está numa linha bastante conflituosa e hostil. O porta-voz do Kremlin acrescenta que Chisinau está a cometer erros graves, diz que há outro país que cometeu o mesmo erro e a coisa não acabou bem. Certo é que assim como a Ucrânia, a Moldávia não faz parte da aliança militar da NATO. Chisinau apresentou o pedido de adesão à União Europeia dias depois do início da invasão russa à Ucrânia.

E a Agência Internacional de Energia Atômica está a pressionar a Ucrânia e também a Rússia a aceitarem um cessar-fogo na zona da central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia.

O objetivo é restaurar o fornecimento de energia. A Agência das Nações Unidas propõe restaurar a energia externa para a central em duas fases. Na primeira fase, seria restabelecida uma zona de cessar-fogo com um raio de 1,5 km para permitir a reparação da linha de 750 quilovolts de Dniprovska, que foi danificada numa área sob controle russo. E numa segunda fase, seria estabelecida uma segunda zona de cessar-fogo para reparar a linha de reserva de 330 quilovolts de Ferrosplavna, que se encontra numa área sob controle da Ucrânia. Os especialistas da Agência Internacional estariam presentes para monitorizar as reparações, que foram originalmente propostas para acontecer até a próxima sexta-feira. Uma notícia do Kyiv Post.

A Comissão Europeia disponibilizou € 100 milhões em garantias para atrair investimento na recuperação da Ucrânia.

Em conjunto com a Sociedade Financeira Internacional. O acordo foi assinado ontem com vista à obtenção desses € 100 milhões, noticia o Ukrinform. De acordo com o comunicado do Ministério do Desenvolvimento das Comunidades e Territórios ucraniano, as garantias vão ser direcionadas para o fundo Amber Dragon, que investe em transportes, mas também em logística, em energia e telecomunicações. São setores-chave para a recuperação e o crescimento econômico e sustentável da Ucrânia.

E Diana, as chuvas de outono na Ucrânia estão a prejudicar a defesa aérea de Kiev.

Chuva e nuvens que ocultam os drones russos do tipo Shahed. O próprio presidente ucraniano disse recentemente que a defesa aérea do país viu a eficácia cair entre 20% a 30% como resultado do tempo nublado. Significa que há cada vez mais drones russos a conseguir passar, acabando por atingir cidades ucranianas. Em terra, membros de grupos aéreos móveis ucranianos concordam que o mau tempo representa um desafio. Muitas unidades utilizam tecnologia antiaérea rudimentar, como metralhadoras Browning montadas em pickups, só que precisam de ser capazes de avistar os alvos para serem eficazes. Aqui está um fator importante, Miguel, que se calhar às vezes nem sequer nos lembramos, é que as condições climatéricas também podem ter influência no decurso da guerra. Outras soluções locais, mais especializadas, incluem uma nova geração de drones de interceção. Um dos mais proeminentes é o Sting, é um drone com visão em primeira pessoa, desenvolvido para perseguir e neutralizar drones russos. Desde o início do mês, já foram eliminados cerca de 600. Condições climatéricas adversas, como baixa cobertura de nuvens, chuva, neve e neblina, interferem na visualização de alvos, mesmo com o uso de câmeras termográficas.

Ficamos com os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir para a segunda parte, com os destaques da imprensa da Rússia.