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Guerra traduzida na Rádio Observador. Estamos no dia 695 da invasão. Vamos olhar para a imprensa russa e ucraniana. Hoje vamos começar com os média da Ucrânia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, que já está aqui entre nós. Rui, boa tarde, bem-vindo.

Boa tarde.

E Rui, em destaque, um ataque da Ucrânia a um armazém de combustível na Rússia.

Um ataque com drones à cidade russa de Klintsy, na região de Briansk, uma localidade com cerca de 60 mil habitantes a 40 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. Este ataque deu origem a um incêndio. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o edifício, este armazém de combustível a arder, com uma enorme coluna de fumo negro. O anúncio do ataque foi feito por um representante do Ministério da Defesa da Ucrânia, em declarações a um canal de televisão ucraniano. É uma notícia em destaque em todos os órgãos de comunicação social de Kiev. As autoridades ucranianas afirmam que este ataque causou danos à infraestrutura de guerra da Rússia. Não há, até agora, registro de vítimas. É uma notícia que está também em destaque na imprensa russa. Já lá vamos no próximo episódio de Guerra Traduzida.

E agora, Rui, uma possibilidade: a Rússia pode estar a planear uma grande ofensiva na Ucrânia para este verão.

Os objetivos serão a captura total das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia. Está também em cima da mesa uma segunda tentativa de capturar Kharkiv e Kiev. É uma notícia avançada esta sexta-feira pelo Financial Times, que cita fontes ucranianas e que é replicada por vários jornais ucranianos. É o caso do RBK Ucrânia. Escreve ainda este jornal que o objetivo final do ditador russo Vladimir Putin na Ucrânia permanece inalterado. O regime do Kremlin quer dominar a Ucrânia e subjugar o povo. É o que se pode ler nesta notícia, que cita assim o Financial Times. A Rússia pode estar a planear uma grande ofensiva na Ucrânia já neste verão.

E há outra preocupação, Rui. A Alemanha alerta para um possível ataque da Rússia à NATO nos próximos cinco a oito anos.

É um alerta deixado pelo ministro da Defesa da Alemanha. Fala numa possível agressão russa contra um país membro da NATO dentro de alguns anos, cinco a oito. O jornal Pravda cita declarações de Boris Pistorius ao jornal alemão Bild. O ministro alemão da Defesa lembra que o Kremlin faz este tipo de ameaças quase todos os dias e, mais recentemente, em particular, contra os países bálticos. Também ontem, importa sublinhar, a NATO anunciou manobras militares em grande escala, os maiores exercícios na Europa em décadas, que vão durar vários meses e envolver cerca de 90 mil soldados da Aliança Atlântica.

O jornal online Kyiv Independent alerta para ameaças à liberdade de imprensa na Ucrânia.

Os jornalistas ucranianos estão preocupados com aquilo que alertam ser a crescente ameaça ao jornalismo de investigação no país. É o que escreve este jornal online, o Kyiv Independent. Recorda dois ataques recentes a jornalistas de investigação que aconteceram na semana passada. Um foi ameaçado em casa e outros estiveram sob vigilância dos serviços secretos. Dizem que são os casos mais recentes de uma série de campanha contra os média independentes da Ucrânia. O Kyiv Independent refere que os jornalistas ucranianos, desde o início da invasão, têm trabalhado num contexto muito difícil de pressão sobre a liberdade de imprensa por causa desta guerra. O jornal Kyiv Independent afirma que a guerra veio impor limites à cobertura dos jornais, dos média ucranianos. Também recentemente, várias organizações de comunicação social da Ucrânia e também internacionais pediram às autoridades para que investigassem estes ataques a jornalistas, ataques que o presidente Volodymyr Zelensky já veio dizer que são inaceitáveis. Agora temos esta notícia em destaque no jornal online Kyiv Independent.

E é com as preocupações em torno da liberdade de imprensa na Ucrânia que fechamos este episódio. Analisamos a imprensa ucraniana deste dia 19 de janeiro.