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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" sobre o conflito no Médio Oriente. Nos próximos minutos olhamos para os destaques da imprensa do Médio Oriente e dos Estados Unidos, hoje com o jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, Martim.

São já dois dias sem ataques no Médio Oriente e há um comandante norte-americano a defender mesmo o fim dos bombardeamentos no Estreito de Ormuz.

É o almirante Brad Cooper quem recomenda a suspensão da campanha militar dos Estados Unidos em Ormuz. Este comandante de topo argumenta que a operação atingiu o limite da sua eficácia. O jornal Axios cita duas fontes familiarizadas com a posição de Cooper. Este jornal, que dá esta notícia, diz mesmo que outra avaliação do comandante Brad Cooper terá sido decisiva para que Donald Trump fizesse uma pausa nos ataques contra o Irão.

Pausa esta que dura desde sexta-feira. Nos Estados Unidos especulou-se que a Casa Branca estava com dificuldades na gestão do armamento militar, mas Donald Trump recusou essa ideia.

Sim, Trump garante que Washington não está a ficar sem munições. Diz mesmo que os Estados Unidos têm mais munições do que qualquer outro país no mundo. A notícia de um eventual problema com os stocks foi avançada pelo Wall Street Journal e dava conta de uma crescente preocupação na Casa Branca com a alegada diminuição dos stocks de mísseis Patriot. O cenário terá levado a que Trump fosse alertado para este problema, ainda que o presidente dos Estados Unidos tenha rejeitado a ideia. O certo é que os ataques pararam momentaneamente no estreito de Ormuz e para Mike Waltz, embaixador norte-americano nas Nações Unidas, este é um sinal de que Donald Trump está a dar uma oportunidade às negociações. Já do lado de Teerão, as autoridades do país dizem estar disponíveis para a suspensão dos ataques caso os Estados Unidos mantenham esta pausa. Ainda assim, o Irão continua a desconfiar das intenções de Trump e confirmou já hoje que não foi solicitado ou solicitada qualquer retoma das negociações. Esta garantia foi deixada por Ismail Baghai, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, que deixou ainda um aviso aos países do Golfo. Sem mencionar nomes, critica a cooperação de alguns destes países com os Estados Unidos.

E esta pausa já se reflete nos mercados internacionais. Os preços do petróleo começaram a semana com uma queda de 5%.

A informação é da agência Reuters e é de que o petróleo Brent, a referência para o mercado europeu, caiu para pouco mais de 91 dólares por barril. Nos Estados Unidos, o índice Texas está a ser negociado perto dos 84 dólares e meio, diz respeito a uma descida na casa dos 5,5%. Ainda assim, não é um alívio que se reflita para já nos preços dos combustíveis. Aliás, tanto a gasolina como o gasóleo voltaram hoje a subir em Portugal e ultrapassaram a barreira dos 2 € por litro.

Carlos, rumamos agora até Israel. O Jerusalem Post destaca as eleições em Tel Aviv, com o alegado envolvimento da Turquia, que quer interferir no processo.

Já está a tentar, diz este jornal israelita, que cita fontes do Departamento de Segurança do país. De acordo com as autoridades, são contas nas redes sociais que estão a tentar perturbar a campanha eleitoral e aprofundar as divisões na sociedade israelita. As eleições em Israel realizam-se no dia 27 de outubro e serão as primeiras desde o massacre de 7 de outubro de 2023. No futuro próximo, o chefe da Shin Bet, a agência de segurança de Israel, deve apresentar informações acerca de alegadas interferências nestas eleições ou pelo menos tentativas de interferência. Sendo assim, a Turquia coloca-se neste momento ao lado do Irão como suspeitos de interferirem nas eleições de Israel. O presidente do país, Isaac Herzog, já deixou alertas para a integridade do processo eleitoral. Diz que estas eleições são um teste à democracia do país e à coesão da sociedade israelita.

Vamos ainda à Cisjordânia, onde os conflitos entre israelitas e palestinianos têm aumentado.

A reportagem é da Al Jazeera, nas zonas ocupadas da Cisjordânia, aborda a operação militar em larga escala lançada por Benjamin Netanyahu, na sequência da morte de soldados das Forças de Defesa de Israel. Desde aí, relata a Al Jazeera, os colonos israelitas tornaram-se mais agressivos. São relatados ataques contra habitações e palestinianos, bem como a tentativa de incendiar mesquitas. Desde o ataque de 7 de outubro, já morreram quase 1200 palestinianos só na Cisjordânia ocupada. Pelo menos mais de 12 mil ficaram feridos e 24 mil palestinianos foram detidos. A Al Jazeera conta ainda que quase 10 mil palestinianos permanecem presos em Israel, sendo que mais de 3 mil não têm qualquer acusação formal. Esta recente onda de violência ocorre três meses antes das eleições gerais em Israel.

Ponto final no episódio de hoje da "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente, editado pelo jornalista Carlos Pedro.