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Estamos no dia 433 da invasão. Estamos também em mais um episódio de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos agora olhar para a imprensa ucraniana. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olynyk. Rui, quais são os destaques dos jornais ucranianos de hoje?
Começamos com o Parlamento Ucraniano, que aprovou a extensão da lei marcial e a mobilização geral no país até o dia 18 de agosto. A medida foi aprovada por unanimidade. Foi a sétima votação desde o início da guerra. A lei marcial está em vigor na Ucrânia desde o início da guerra, 24 de fevereiro do ano passado. A última vez tinha sido prolongada até 20 de maio. Ontem, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apresentou ao Parlamento Ucraniano um projeto de lei sobre a continuação e prolongamento da lei marcial e de mobilização geral na Ucrânia. É agora prolongada oficialmente até meio de agosto. É uma notícia em destaque no jornal ucraniano Pravda.
Amanhã voltamos às negociações em torno do acordo para a exportação de cereais ucranianos.
Sim, o tal acordo assinado no verão do ano passado, em julho, entre Rússia e Ucrânia, com a mediação da Turquia e ONU, que permite a exportação de milhões de toneladas de cereais que estavam retidos nos portos ucranianos através do Mar Negro, com destino majoritariamente a países mais pobres, como por exemplo em África, evitando assim uma crise alimentar global. Este acordo tem estado um pouco instável. Agora um alto funcionário ucraniano adianta à agência Reuters que estão marcadas para amanhã novas reuniões com a participação de todas as partes envolvidas neste acordo. O jornal Pravda divulga também esta notícia, cita a agência Reuters. Lembra que a Rússia já avisou recentemente que não quer prolongar o acordo além de 18 de maio, portanto está quase a acabar, isto porque Moscovo considera que as medidas contidas neste acordo não estão a ser respeitadas pela Ucrânia.
Saltamos da mesa das negociações para o terreno. O comandante das Forças Terrestres das Forças Armadas da Ucrânia visitou os soldados em Bakhmut.
Oleksandr Syrskyi dá conta dessa mesma visita na rede social Telegram, explica que visitou e conversou com os combatentes que mantêm a defesa de Bakhmut, cidade do leste da Ucrânia, palco de violentos confrontos ao longo dos últimos meses. O comandante afirma que é graças à dedicação e profissionalismo dos militares que Bakhmut ainda resiste.
"Успішно виконання завдань, і головне, щоб після їх виконання повертались свої підрозділи живими і неушкодженими. Слава Україні! Героям слава!"
Ouvimos o comandante das Forças Terrestres das Forças Armadas da Ucrânia dirigir palavras aos militares, que o ouvem atentamente e no final, como ouvimos, gritam: "Glória à Ucrânia". Oleksandr Syrskyi expressa ainda gratidão aos soldados por aquilo que descreve como resiliência, coragem e heroísmo. Distribuiu também distinções a estes militares que estão a lutar pela defesa de Bakhmut contra a Rússia.
A Ucrânia, Rui, lançou um registo de pessoas desaparecidas durante a guerra.
Chama-se Registo Unificado de Pessoas Desaparecidas. Este registo tem como objetivo reunir e centralizar os dados das pessoas que estão desaparecidas no âmbito desta guerra. Reúne assim, por exemplo, informações como o nome da pessoa em causa, o local e data de nascimento, estado civil, o território onde foi dado como desaparecido e as circunstâncias desse mesmo desaparecimento. O registo também vai incluir informações sobre a presença ou ausência de uma decisão judicial para reconhecer as pessoas como de fato dadas como desaparecidas ou declaradas mortas. Um mês depois deste registo ser oficial, os familiares dessas pessoas vão poder receber um extrato que vai confirmar a situação da pessoa dada como desaparecida. Com base nestas informações, os familiares podem pedir um fundo de pensões, uma pensão de sobrevivência para familiares com pessoas dadas como desaparecidas ou mortas. O governo da Ucrânia faz o anúncio deste registo, o lançamento deste serviço, e adianta que desde o início da guerra foram dadas como oficialmente desaparecidas na guerra cerca de 23 mil pessoas na Ucrânia.
E é desta forma que chegamos ao fim de mais um episódio de Guerra Traduzida, trazida pelo Rui Casanova, em colaboração com a Tânia Olynyk. Estamos de regresso amanhã. Traduzimos a guerra dos dois lados do conflito, todos os dias, aqui na Rádio Observador.