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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Então, Bruno, a greve vai ser geral?
A greve vai ser geral, mas mesmo que seja parcial, vai ser muito intensa, isto a julgar pelas últimas declarações. Pelo menos irá contar com a participação dos médicos, de acordo também com a decisão da FNAM. A FNAM quer o governo a sentar-se à mesa de forma séria e transparente e a negociar medidas para que haja mais médicos no SNS. Mas isto é o que todos querem. O problema é saber como é que isso se consegue quando o Estado, lembrando aqui um facto de há alguns meses, nem sequer pergunta aos médicos que saem do SNS por que o fazem, o que os leva a sair do SNS. Neste caso concreto dos médicos, as críticas ao pacote laboral parecem mais um pretexto para a continuação da luta contra esta ministra. Está tudo bem com isso. Agora, só não se espere que para esse problema em concreto, se vá encontrar uma bala de prata no meio da greve geral ou parcial.
Mas ainda sobre a greve geral, a UGT agora sobe a parada, Paulo, está a admitir parar dois dias.
É verdade, a ameaça está feita por Mário Mourão, líder da UGT. Ou o governo recua nalguns pontos essenciais, ou então a greve geral pode passar de um para dois dias. De facto, isto é um tabuleiro de jogo complexo e vai muito para além da alteração das regras laborais. Joga-se também a relevância e influência do mundo sindical. A área onde a CGTP tem sempre posições muito claras, está sempre ou quase sempre contra tudo o que os governos vão propondo. A UGT já assinou vários acordos no passado, em nome de alguma paz social e até em momentos críticos. Lembramos do acordo feito durante o tempo da Troika. Portanto, não é fácil equilibrar a responsabilidade com a negociação dura e a defesa dos interesses com a relevância no mundo laboral. Isto também é uma competição entre a CGTP e a UGT. No fundo, parece que há aqui uma corrida: "Eu sou mais duro com o governo do que tu és." Vamos ver como é que isto acaba.
Entretanto, o que parece é que os criminosos aproveitaram as portas abertas.
Não para sair da prisão, também já aconteceu anteriormente, já vimos casos desses, mas para entrar em Portugal, isso é o que acontece sempre que há grandes fluxos migratórios no meio de uma vastíssima maioria de imigrantes que vêm para trabalhar e melhorar as condições de vida, também vêm elementos indesejáveis de redes de crime organizado, por exemplo. Tem sido notícia nos últimos tempos a presença desses elementos em Portugal, vindos, por exemplo, do Brasil, e que também chegam para melhorar as condições de vida ou para aproveitar as oportunidades de negócio. Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária deteve um indivíduo brasileiro, considerado pelas autoridades brasileiras, onde já tinha sido condenado, um dos maiores traficantes do país. Igor Daniel Zago, conhecido como Hulk, entrou em Portugal em maio. Entretanto, já se tinha dedicado a uma outra atividade, também ela criminosa, a adulteração de combustível com o metanol. A PJ estava alertada para a presença deste Hulk, que não é um super-herói, em Portugal. Na sexta-feira avançou para a detenção, cumprindo um mandado de detenção internacional emitido pelo Brasil. E este é o novo mundo globalizado, tem desvantagens, tem vantagens. A entrada de imigrantes é benéfica para a economia, ao mesmo tempo cria novos desafios. Habituemo-nos.
Olha, vamos ter é que nos habituar, porque começam hoje os debates presidenciais, não é, Paulo? Vai ser assim durante o mês de janeiro.
E não são poucos.
Não são poucos.
É para esfregar as mãos.
Mas serão demais? A grande questão é essa.
Essa é a grande questão, se vai haver fadiga eleitoral ou fadiga de debates. E de facto, a maratona dos 28 debates a dois começa hoje. São a dois entre os principais candidatos. Aliás, nem estão considerados nenhum deles daqueles ou que já são candidatos, só que dizem que querem ser candidatos. São na casa dos 20 e tal candidatos.
Já são 20 e tal pré-candidatos.
Já anda por aí. Nós estamos também perante a eleição presidencial mais imprevisível desde 1986, que opôs-
Ou a mais foga, como diz o podcast.
Ou a mais foga, o podcast, que já foi divulgado o último episódio, não já?
Já.
O duelo entre-
Podemos dizer que há mais umas semanas.
Por múmia negra, mas ganha.
Sim, spoiler.
O final do podcast é fantástico.
É maravilhoso.
Não sei se vocês ouviram, mas é maravilhoso. Mas fica para ouvir. Mas de facto, desde essa altura que não há uma eleição presidencial tão imprevisível quanto esta. Desde então, e no fundo, em cada eleição, os favoritos eram óbvios de alguma maneira. O resultado nunca surpreendeu. Prova disso é que nunca foi necessária uma segunda volta. E agora penso que ninguém aposta.
Nem os próprios candidatos.
Nem os próprios acham que isto vai ser resolvido à primeira. Por isso, desta vez é diferente, é difícil saber quem vai vencer e até quem são os dois. É difícil logo à partida perceber quem serão os dois que passam à segunda volta. Marques Mendes, António José Seguro, Vera Emelo, André Ventura, João Cotrim Figueiredo, que está a tentar intrometer-se nesta corrida também. Certo é que esta primeira corrida da primeira volta pode ser decidida por muito poucos votos, uma vez que temos uma repartição muito grande nos habituais blocos da esquerda e da direita e, portanto, pode haver ali um ponto, um ponto e meio percentual que dita a passagem à segunda volta. E neste contexto, os debates ganham ainda mais relevância e qualquer deslize pode ser fatal. E pronto, calendário na mão. O primeiro debate é hoje, é na TVI e vai opor António José Seguro a André Ventura.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.