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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Esta segunda-feira falamos de salários desiguais, mudanças de nome, não vale tudo, mas, Paulo, começamos por empresas estratégicas.
É verdade. Já percebemos porque é que o governo diz que a TAP é estratégica.
Sim, o argumento do governo é que é essencial para a ligação com a diáspora e também pelo impacto económico que terá.
Pois, pode ser um pouquinho disso tudo, mas também há outra verdadeira razão, como se vê, a TAP é estratégica essencialmente para o governo. É estratégica para, por exemplo, poder agradar ao presidente da República e garantir alguma tranquilidade política na relação com o Blain, como foi estratégica na altura da zangãoça para agradar aos parceiros parlamentares, Bloco de Esquerda e PCP, que gostavam que a economia fosse em grande parte detida pelo Estado. A TAP era importante para a estratégia política de curto prazo do governo, mas parece que correu mal e agora pode passar a ser estratégica para a oposição pelos motivos politicamente simétricos.
E o voto democrático serve para tudo.
É através do voto que os portugueses elegem quem os governa, não é?
Vem isto a propósito da opinião de Santana Lopes, que foi dizer que António Costa deve tirar consequências dos mais recentes acontecimentos com a TAP, ou seja, explicitamente defender uma remodelação. Manuel Pizarro, ministro da Saúde, recentemente nomeado, precisamente numa remodelação, veio num espírito solidário com a equipa da qual faz parte, dizer que não faz sentido e que este governo foi eleito pelos portugueses. Fez bem o papel dele, mas o voto dos portugueses é de facto de confiança para que se governe bem. E isso não está a acontecer. O voto não serve de guarda-chuva para defender o que não tem defesa.
Dois anos e dois adiamentos depois, vem aí o novo SEF. Será que só vai mudar o nome?
A mudança foi aprovada na quinta-feira pelo governo. Agora vem a Agência Portuguesa para as Migrações e Asilo.
É, um novo nome para a entidade que vai ficar encarrega então da política de acolhimento, fica com essa função que estava no SEF, no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Incorpora também o Alto Comissariado para as Migrações, que já estava em funções há muitos anos. Aprovado diplomas em Conselho de Ministros é fácil. O difícil, como se tem visto, é fazer com que as instituições funcionem no terreno e respondam às necessidades de quem delas precisa. Vamos esperar que na nova entidade atendam telefones, que recebam os migrantes no espaço de dias e que se organizem para evitar aquela romaria obrigatória que demora meses pela Autoridade Tributária, Segurança Social e por todas as capelinhas da nossa burocracia.
Mundo global, salário desigual.
Era suposto ser diferente, não é, Júlio?
Era, mas não é. Não me queria estar a maçar com isto, mas tem que ser. É que nem é preciso ir ao mundo, basta percorrer trezentos quilómetros entre Lisboa e o Porto. O Semanário Express divulgou na edição deste fim de semana que as diferenças salariais nas várias áreas laborais e nos mesmos cargos chegam a 40% menos com prejuízo claro de quem está a norte. São muitos números reveladores de como Lisboa absorve todas as empresas e obriga a mobilidade constante ou deslocação definitiva para a capital. Como é que isto é possível no século XXI? E não vale a pena sequer fazer estudos sobre o mesmo tema comparando Lisboa e Porto com o resto do país. Triste cenário este de um país que está na União Europeia.
Júlio Magalhães e Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã uma nova edição.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.