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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E começa agora mais um Ainda Bem que Faz Essa Pergunta. Paulo Ferreira e Júlio Magalhães. Hoje falamos da Nossa Senhora da Vacinação, fracos argumentos políticos, mas começamos, claro, pelo assunto do que todos falam, Júlio.
É verdade. Bom dia. É surpreendente esta detenção de Luís Filipe Vieira, Paulo.
Já havia por aí muitos sinais que vinham detrás.
Sim, Luís Filipe Vieira há pelo menos três anos que divide a presidência do Benfica com problemas judiciais, tem a ver com os seus negócios pessoais. Mas tal, dizia, como aconteceu com Joe Berardo, a audição no Parlamento foi decisiva. A forma como estes protagonistas se prepararam ou não prepararam para responderem ou não responderem às perguntas dos deputados, sobretudo a atitude na linha de outros que não se lembravam e não conseguiam explicar movimentos de milhões, foram fatais para estes protagonistas. Ainda assim, para já, só diligências e nada provado.
Exatamente. Nada provado. Isto ainda está a começar, não é? Vamos ver no que isto vai dar.
E este será um processo que vai beliscar o Benfica?
Diria que é difícil que não. Luís Filipe Vieira é o presidente do clube.
Sem dúvida, o presidente do Benfica tem tentado sempre separar o Benfica da sua atividade pessoal e disse mesmo que se algum dia se provasse alguma penalização a si próprio, ele seria o primeiro a deixar o Benfica. Mas para já, o caso é só que o Benfica tem a sua imagem em causa. A nível internacional é o facto de ser presidente do Benfica que a notícia tem tanto impacto. Presidente, sendo que a pressão da oposição também já se faz sentir. Mas como se disse em cima, Vieira só está a ser alvo de buscas e diligências e ainda nada está provado pelo que tem direito à sua inocência e também à sua defesa.
Sem dúvida. E mudando de assunto, o melhor que Eduardo Cabrita tem para apresentar é o baixo nível de criminalidade em plena pandemia?
Dá a ideia que sim, pelo menos foi essa a bandeira do ministro ontem no Parlamento, Paulo.
É verdade, mas é uma bandeira fraca, não é? E até digamos que é muito pouco honesta como argumento político. Claro que com as pessoas fechadas em casa durante meses, sem turistas nas ruas, com lojas fechadas, discotecas e bares encerrados, a criminalidade não tinha como não cair. Esquecer este contexto para valorizar esta estatística só ajuda-nos a classificar quem o faz e tenta usar esta evolução como grande feito político. Mas foi isso que Eduardo Cabrita fez. Por mais boa vontade que se tenha, de facto, não há forma de conseguir ver um aspecto positivo na ação do ministro da Administração Interna.
Enquanto isso, continuamos às voltas com a pandemia e o aumento de casos.
É verdade. Quando é que nós vamos todos acender mais uma velinha à Nossa Senhora da Vacinação?
Bem merece. Portugal tem batido recordes nos últimos dias.
Recordes de pessoas vacinadas, entenda-se, em termos proporcionais. Isso, de facto, é a única coisa que está a correr bem no combate à pandemia e a evitar que tudo volte a ficar depois nos ombros da última linha dos hospitais, médicos e enfermeiros. A comunicação sobre a pandemia, a comunicação oficial sai cada vez pior, as medidas são erráticas, a testagem e controle das cadeias de contacto continuam também a falhar. Valha-nos então a vacinação, que vai evitando males maiores e que se regresse a níveis de internamento e a óbitos como os que tivemos no início do ano. Do mal o menos, então, é com isto que temos que viver. Paulo Ferreira e o Júlio Magalhães a partir do Porto com as perguntas que marcam a atualidade na Rádio Observador, em podcast e também sempre no nosso site.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
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