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Boa moeda, má moeda esta manhã com a Helena Garrido, comentadora de economia da Rádio Observador e participante regular no Contracorrente e no Eu Venço Horé, da tarde política. Bom dia, Helena, muito bem-vinda.
Olá, bom dia, João.
Bom dia, vamos a isto. Hoje falamos da falta de chips que está a ameaçar a produção da Autoeuropa, assim como a indústria automóvel. O que se está a passar aqui?
João, até ao momento, a Autoeuropa ainda não foi afetada e esta semana tem a produção garantida, mas de facto existe um problema no fornecimento de chips por parte de uma empresa que se chama Nexperia e que pode afetar toda a produção automóvel europeia, nomeadamente a Volkswagen e a BMW. O que está em causa? É um conflito entre o governo dos Países Baixos e a China. O que aconteceu foi que os Países Baixos assumiram o controle da Nexperia por suspeitas de violação da propriedade intelectual e esta Nexperia pertence à empresa chinesa Wingtech e a partir daí os chineses, Pequim, proibiu a exportação de chips para a Europa. O primeiro-ministro dos Países Baixos já veio dizer ou garantir que não há um problema com a China, mas sim com o diretor-executivo desonesto da empresa e que estão a tentar resolver o problema o mais depressa possível. Isto em Portugal significa que é um dos maiores exportadores, que emprega 4800 trabalhadores, a Autoeuropa, e tudo isto revela como a Europa, apesar de tudo, de toda a experiência, até que vem desde não ter máscaras no tempo da pandemia, continua muito dependente da China, como o mundo em geral, dependente dos chips chineses.
E é por isso uma má moeda, neste caso, tendo em conta esta dependência.
Exatamente, uma má moeda. Enquanto não conseguirmos autonomizar-nos, continuará a ser um problema de má moeda.
Helena, nós hoje já te ouvimos na história do dia, precisamente a falar sobre o Orçamento do Estado, em dia de início do debate desta proposta para 2026. O que podem esperar os pensionistas?
João, à partida, mesmo sem que mais nada aconteça, há óbvias boas notícias, muito relacionadas com a lei em vigor, mas para já há boas notícias para boa parte dos pensionistas. A ministra do Trabalho apresentou algumas dessas estimativas no Parlamento e o que nos diz é que as pensões até 1045 € vão ter um aumento superior à inflação. As pensões de 1045 € a 3135 deverão manter o poder de compra. E a própria ministra reconhece que as pensões acima de 3135 € deverão perder poder de compra. Os números, João, só serão fechados no fim do ano, quando se souberem os valores da inflação e do crescimento económico, de acordo com a lei, esta atualização das pensões é calculada levando em consideração a inflação e o crescimento económico, de acordo com uma fórmula. Só no fim do ano é que se tem a certeza, mas para já, a margem é muito próxima do que disse a ministra. E também, obviamente, só vamos ter a certeza de tudo depois de o Orçamento do Estado ser aprovado na Assembleia da República. Começa hoje o debate.
Sim, ainda vai durar um bocadinho, não é?
Exato, lá mais para finais de novembro, entre a generalidade e a especialidade. E o que sabemos é que o PS quer que exista um aumento extraordinário das pensões, mas isso aumenta a ocorrer ou vai acontecer só em março, porque vai depender do excedente da Segurança Social ser ou não superior àquele que o governo está a prever. É uma meia boa moeda, má moeda.
Pois era isso que eu ia perguntar, é assim difícil de quantificar, não é?
Exatamente. Porque sim, é bom para os pensionistas este aumento, não, vamos ter cuidado, porque lá porque o excedente da Segurança Social é maior, não significa que não o devíamos guardar para mais tarde.
Helena Garrido e o Boa Moeda, Má Moeda. Helena, boa semana. Muito obrigado por ter estado connosco.
Boa semana. Até à próxima.
Obrigado.