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Sejam bem-vindos. Que poder tem uma viagem? Que força nos dão os lugares que visitamos e as pessoas com quem nos cruzamos? A viajante desta semana tem resposta para estas perguntas. Em plena crise da Troika, partiu rumo às Américas durante seis meses e quando regressou, vinha cheia para recomeçar com a energia e o vigor próprios dos 20. Passa metade do ano a viajar, é produtora musical e líder de viagem. Olá, Carina Silva.

Olá, João. Muito obrigada por me receberes aí desse lado.

Honra é essa.

E estarmos aqui um bocadinho à conversa.

Muito bem. Carina, ainda te parece que foi ontem aquela viagem de 2010, durante seis meses pelas Américas?

Sim. Às vezes sim, outras vezes parece que já está lá muito distante.

Como se foi noutra vida.

Sim, porque é certo que eu muitas das vezes ainda vou nas minhas memórias buscar inspiração desses dias. Por outro lado, já tanta coisa aconteceu pelo meio, que já me dá mesmo a sensação que foi noutra vida.

Muito bem. 2010, Portugal estava em plena crise da Troika, tu decidiste largar tudo e partir à aventura. Foste rumo aos Estados Unidos, certo?

Sim. Eu na altura trabalhava numa agência de comunicação e decidi despedir-me, quatro meses depois de ter assinado contrato efetivo de trabalho.

Que loucura para aquela altura das nossas vidas, não é?

Sim, sinto que estava um bocadinho em contraciclo com o resto dos portugueses, mas eu sentia que aquele era o momento para tomar aquela decisão e se não a tomasse ali, acho que dificilmente teria coragem de o fazer depois. Então, às vezes há coisas que não podemos adiar e tem mesmo que ser, ainda que a conjuntura à nossa volta não seja a mais favorável, seja lá o que isso queira dizer.

O teu objetivo na altura era claramente ir fazer uma grande viagem e foi isso que fizeste durante seis meses. Então foste aqui para os Estados Unidos e depois? Ias à procura do quê, Carina?

Olha, parece aquele velho clichê do "vou à procura de me encontrar".

E encontraste?

Acho que sim. Acho que encontrei pelo menos a energia que eu precisava para tomar um passo muito importante depois. E portanto, sim, eu comecei por ir para os Estados Unidos um mês e de lá desci rumo ao Brasil. E a partir daí estive os outros cinco meses a vaguear pela América do Sul, essencialmente concentrado entre Brasil e Bolívia. Sou muito slow traveler. Não ia com planos nenhuns.

O que é uma slow traveler?

Eu olho assim às vezes para a malta que viaja e vejo-os a dizer: "Foi três semanas e estive em três países". E eu estive cinco meses na América do Sul e estive em dois. Por isso, acho que isso faz de mim uma slow traveler, no sentido que eu gosto de tomar o pulso à experiência, deixar que o imprevisto aconteça e que as coisas que eu muitas das vezes nem imaginava que fossem acontecer, venham ao meu encontro. E por isso a minha viagem no Brasil foi feita dessa forma. Foi feita em transportes públicos, sem grande planeamento. E tu sabes que no Brasil, de cada vez que te queres mover para um novo estado, são 24 horas dentro de um autocarro, portanto, é penoso. E quando chegava depois aos sítios, queria ter tempo de desfrutar daquilo, da natureza, das pessoas que conhecia, da cultura. E portanto, não fui com pressa nenhuma de carimbar passaporte noutros territórios e fui deixando absorver.

Muito bem, então começaste nos Estados Unidos, onde é que aterraste, Carina?

Nova Iorque.

Nova Iorque, muito bem. Big Apple.

Exatamente.

Já tinhas ido a Nova Iorque ou foi a tua estreia?

Não, nunca. Foi a minha estreia absoluta. Posso-te até dizer que foi a minha estreia absoluta fora da Europa, porque eu nunca tinha ido até essa viagem. Já tinha viajado imenso dentro da Europa, nem sequer a Marrocos, vê lá, só fiz depois.

Mas já conhecias bem a Europa, não é? Aí em 2010.

Sim, a Europa sim, já tinha viajado bastante aqui.

Então como é que foi a sensação de aterrar em Nova Iorque, sentir aquela grande metrópole? É um bocadinho assustador, não é ou não?

Para mim foi um bocadinho, só que ao mesmo tempo, como era a minha primeira paragem dentro daquilo que era um universo temporal de seis meses, eu acho que acabei por se calhar não tomar o melhor partido da cidade, exatamente porque ainda estava muito a aterrar. Se calhar se eu tivesse ido a Nova Iorque só para conhecer Nova Iorque, eu teria programado as coisas de outra forma, porque eu fiz muito couchsurfing, por exemplo, nessa viagem dos Estados Unidos e estupidamente não o fiz em Nova Iorque. E era o sítio para ter alguém anfitrião a receber-me e a mostrar-me a cidade, porque ela é de facto tão grande e tu logicamente não queres ficar estanque àquilo que é o mais turístico. Não queres ficar só nos pontos onde tu tens toda a gente de máquina em pulso a fotografar. E portanto, basicamente, eu sinto que a minha experiência não foi tão boa quanto poderia ter sido. E portanto, é uma cidade que eu guardo assim um sabor meio agridoce de ter de lá voltar.

Tens que lá voltar, não é?

Sim, seguramente.

Olha, nessa viagem de seis meses, aterraste nos Estados Unidos, foste ao Burning Man, aquele festival de contracultura que decorre todos os anos no Black Rock Desert, no Nevada. Queres nos explicar o que é que foste fazer ao Burning Man?

Olha, antes de mais, fui lá perder um neurónio ou dois. Ou se calhar mais. Porque o Burning Man é uma experiência muito diferente de tudo que eu já fiz. Como tu disseste e bem no início, eu trabalho com cultura, portanto festivais eu já fiz imensos, dos mais pequenos e alternativos aos mais mainstream. Só que logo para começar, o Burning Man não é um festival musical, é um festival artístico e que cobre, aliás, muitas facetas da arte. Tu tens desde a escultura às instalações.

Estamos a falar de um festival que decorre num deserto, com milhares de pessoas. No ano em que tu lá estiveste, eu fui ver, em 2010, foram 51 mil pessoas. É muita gente.

Sim, é muita gente.

Num lugar imenso, que aquilo é gigante, aquele deserto.

É imenso e logo por aí a organização, em termos mesmo territoriais, é inacreditável. De certeza já viste fotografias de drone.

Vi.

É incrível tu olhares para um

Olhares pessoas todas arrumadinhas num semicírculo à volta.

Totalmente arrumadinhas.

Em torno de um fenómeno que acontece, que é: naquele festival constrói-se uma espécie de uma estátua. Depois, no último dia do festival, pegam fogo à estátua. Um homem. Daí se chamar Burning Man.

Na última noite.

Na última noite.

Exatamente. Essa ideia do colocar o Man em chamas é uma espécie de uma metáfora de tu poderes, naquele dia, naquela noite, queimar tudo aquilo. É uma purga daquilo que tu tiveste ao longo do teu ano, todos os preconceitos que tu tiveste ao teu redor, as próprias amarras que tu tens e que são impostas pela sociedade. Tu naquele dia libertas-te disso tudo.

E tu fizeste essa introspeção pessoal também? Também queimaste coisas do teu passado?

Claro.

Também queimaste coisas do teu passado, foi, Carina?

Até porque mais do que nunca, eu estava num momento de viragem da minha vida.

Verdade.

Portanto, aquele era o momento pra eu fazer essa purga e pra me limpar dessas energias velhas que tinham que ser repostas.

Muito bem. Olha, e o que é que viste e o que é que fizeste no festival Burning Man, no deserto do Nevada?

Ok, esta é a parte em que se fosse em televisão, se colocava uma bolinha vermelha.

Ui, então vê lá o que é que vais dizer.

Sim. Então, porque o Burning Man é muita gente, e depois é muita gente de vários contextos que tu ali encontras. Tu tens desde malta que é até famosa e tem cargos superimportantes e que de repente está ali e é uma semana de loucura, como tens alguém como eu, perfeitamente anônima, e que foi curtir a experiência. E portanto, toda essa loucura, que às vezes está ali amarrada durante o resto do ano, explode naqueles dias. E portanto, obviamente, tu vês de tudo e acontece de tudo o que tu possas imaginar.

Quando dizes tudo, é mesmo tudo, não é? Porque li que até há festas onde toda a gente anda nua.

Sim, inclusivamente, há a Naked Party, que é bem oficial, e que obviamente eu também quis fazer a experiência. Tens, por exemplo, o Kissing Booths, que são uma espécie de portagem, em que tu estás a caminhar no recinto do festival e de repente alguém te diz: "Para continuares o caminho, tu tens que beijar todas estas pessoas que estão aqui." Portanto, fazes parte também da experiência.

Muita liberdade.

Muita liberdade. Sim, tu tens a Main Playa, que é aquela zona do semicírculo que não está ocupada por caravanas e tendas, que é onde tu tens os veículos mutantes, são basicamente veículos adaptados com rodas, que pode ser desde um sofá a literalmente um iate, e que estão a vaguear por ali com música, cada um deles, e tu vais apanhando boleia de cada um desses veículos que por ali anda.

Promovendo quase uma espécie de festas ambulantes, é isso?

Sim. Imagina o conceito da Expo 98, que cada pavilhão tem um tema. Aquilo é uma Expo 98 ao ar livre, em que os pavilhões são os veículos mutantes e cada um deles tem um tema, e é literalmente entrares num planeta diferente.

À exceção de que ali não é pra famílias.

Há imensas.

Há imensas famílias?

Há imensas. Olha, eu tive uma experiência maravilhosa.

Conta.

Estive num dos dias, a tarde inteira a falar com um casal, em que eles estavam ambos nus integralmente, os putos também andavam lá a brincar, e eu por acaso não estava, porque estava a passear lá na Main Playa e acabei por me sentar ali ouvir um concertozinho de blues e fiquei à conversa com eles a tarde inteira. Portanto, eu vestida, eles nus, todos nus praticamente à minha volta. E estávamos a ter uma conversa espetacular. Eles eram americanos.

Sobre?

Estávamos a falar sobre as diferenças sociais que existem entre os Estados Unidos e Portugal e a questão da educação. Ou seja, uma conversa até muito séria. E depois, claro, quem estivesse a ver de fora, aquilo era assim um bocadinho surreal. Não quem estivesse a ver de fora lá no Burning Man, porque honestamente ninguém quer saber, mas se houvesse, por exemplo, uma fotografia desse momento, aquilo seria assim um bocadinho surreal. Mas sei lá, tive um velhote que também me pediu pra tirar uma fotografia. Ele também estava todo nu e tiramos uma fotografia juntos. Enfim, há imensa coisa que acontece ali. É mesmo deixares-te levar, esqueceres tudo. Aliás, eles têm, à semelhança de Las Vegas, que diz: "O que acontece no Burning Man, fica no Burning Man." E é um bocado isso. Eu experimentei tudo, fiz tudo o que tinha direito.

Qual foi a coisa mais radical que fizeste no festival Burning Man, Carina? Podes partilhar connosco ou fica no deserto de Nevada? Não queres trazer pra aqui.

Sim, acho que é melhor ficar lá.

Muito bem. Então, se calhar uma pergunta mais genérica: o que se aprende num festival de contracultura como o Burning Man?

Eu não sei se ainda funciona desta forma, na altura sim. Mas no Burning Man não há dinheiro. Tu não podes comprar nem vender rigorosamente nada. Portanto, tudo aquilo de que tu vais necessitar para o período em que tu estás no festival, tens que levar e a partir da ideia que tu leves em excesso para poderes partilhar, porque os outros vão fazer o mesmo contigo ao longo do festival. E há quem leve aquilo muito a sério. Há malta que está lá literalmente a dar banhos ao pessoal, com aquelas máquinas de sulfatar.

Sim.

E está o dia inteiro a dar banho ao pessoal. Há malta, por exemplo, que é cabeleireira e que está lá em permanência a cortar cabelo. Há médicos que estabelecem lá o seu consultório, por causa dos pós que andam no ar, então há sempre pessoal que começa a ter problemas respiratórios. E ele está lá o tempo inteiro a dar consultas gratuitas. Portanto, há muito esse espírito de partilha. E isso pra mim é um twist incrível naquela experiência, porque a maior parte dos festivais tem sempre um âmbito comercial, o objetivo é fazer lucro e portanto, tu estás constantemente a ser inundado de marcas e ativações de marcas. Então é muito esse lado da publicidade à tua volta e ali não existe de todo. E isso faz com que a experiência que tu tenhas com as pessoas seja também muito mais autêntica, porque ninguém está lá pra te vender nada, ninguém está lá pra te evangelizar de nada, nem o contrário.

É partilha.

É partilha pura e dura. Eu lembro-me, por exemplo, que num dos dias fui fazer um workshop de ioga e acabei por conhecer um freak jamaicano de rastas. Começamos na conversa e já estávamos na conversa há duas horas e dissemos: "Olha, vamos caminhar um bocadinho só pra desanuviar." E à medida que íamos no caminho, íamos sendo abordados e havia abordagens muito engraçadas. Havia malta que dizia: "Olha, quente ou frio?" E tu: "É pá, sei lá, frio." E o frio era tequila e o quente era saquê. E tu, pimba, agora um shot. Andavas mais um bocadinho. "Olha, sim, não, talvez." E era outra coisa qualquer. Então essa partilha existia a toda hora.

Deduzo que dessa viagem de um mês pelos Estados Unidos tenha sido a experiência mais intensa, ou não?

Sim, de forma geral, claro que foi a mais intensa, até porque foi onde eu estive mais tempo. Eu estive oito dias no festival e conheci muita gente diferente. Desde logo no dia em que eu cheguei. Eu não fazia ideia que o Burning Man tem uma organização à parte da organização pra questão das caravanas. Então supostamente tu tinhas que te registrar pra saber onde é que tu podias estacionar a caravana. Eu não fazia lá ideia que isso existia. Portanto, eu quando cheguei à bontuga, fui com a caravana, tipo: "Olha, aqui tá fixe, vou estacionar aqui." E lembro-me que vieram ter os meus vizinhos comigo e disseram: "Tu não podes estacionar aqui". Mas depois lá ficamos na conversa. Eles: "Pronto, olha, deixa aí, não há problema, ficas aí, passas a ser nossa vizinha." E a dada altura, eu estava com um amigo meu, o Francisco, e esses rapazes eram judeus e estavam assim bastante flower power pra coisa. E eu percebi que provavelmente eles eram gays e que estavam com uma conversa muito virada pro Francisco. Estava a sentir que estava a ser negligenciada ali naquela conversa. E dei-lhe a dica do gênero: "Não quero estar aqui a fazer intriga, mas eu acho que estás a ser altamente assediado." E ele: "Não, achas que sim?" Então eles convidaram-nos pra uma festa, que ia haver nesse primeiro dia à noite. E quando nós lá chegamos, porque no Burning Man aquilo funciona como latitude e longitude. Tens A Atenas, B Beirute, C Cairo, D Detroit, por aí afora, e depois são as horas, tipo 13h, 13h30, 14h. Então o encontro era às 16h30 Detroit, nunca mais me esqueço. E quando lá chegamos, havia uma tenda onde nós achávamos que seria a festa, e lembro-me que entramos e eu literalmente parecia que tinha aterrado nas gravações de um videoclipe dos Village People. Porque era malta com calças de napa, sem as nádegas e chapéus de marinheiro.

Ok. E o que é que ia acontecer?

Claramente aquilo tinha sido um convite pro Francisco, eu fui a outro lado. E quando chegamos lá, o Francisco só me dizia: "Não é aqui, isto não é aqui, de certeza. Vamos à nossa vida." E eu: "Não, não, Francisco, é aqui." E ele: "Nada, vamos embora."

Era mais uma festa ou algo mais do que isso?

Era sim uma festa com um caráter um bocadinho diferente das festas musicais bar.

Com caráter particular. Muito bem.

Caráter particular.

Muito bem. Estamos quase aqui a chegar ao final da primeira parte. Já vamos regressar ao continente americano e essa viagem de seis meses, porque há mais pra falar, sobretudo no Brasil e na Bolívia, e conhecer um pouco também do teu percurso como viajante. Mas como é hábito, abrimos o álbum de viagem. Carina, qual é o objeto, relíquia, que tu guardas, que tenhas trazido das tuas viagens e guardas aí em casa com especial zelo e dedicação? Tens algum?

Eu não costumo trazer assim muitas coisas das viagens, mas se calhar uma das recordações que eu tenho, que me lembro muitas vezes e me rio, foi um anel que eu comprei na Índia, que supostamente era um anel caríssimo. Eu tenho olho pras coisas caras, então quando olhei pra aquilo, disse: "É este o anel." Mas tentei justificar-me a mim mesma que aquilo era uma prenda pra minha mãe. Então eu disse: "Não, é caro, mas é pra minha mãe." Conclusão, a minha mãe nunca o usou e eu tenho em casa e passo a vida com ele.

Muito bem. Caro? Quão caro?

Para os meus níveis de caro, deve ter custado €40.

Muito bem.

Mas para um anel na Índia que tu compras a €10, para mim foi caro.

Muito bem. Carina Silva é a viajante desta semana nas conversas do "Fim do Mundo". Carina, depois dos Estados Unidos, foste para a Bolívia e Brasil. Por que não aproveitaste mais tempo, já que estavas do outro lado do Atlântico, para conhecer mais da América do Sul e da América Latina? Por quê? Por que tu focaste nestes dois países?

Sim, antes de mais, porque sou uma slow traveler total. E como não fiz planos absolutamente nenhuns para a viagem de seis meses.

Go with the flow.

Fui literalmente go with the flow. Eu na altura até tinha um blog que era a Camomila ao Vento e expressa muito bem este sentimento de eu vou quando o vento estiver a soprar.

Ok.

E portanto, na altura eu tinha a oportunidade de ir para o Brasil. Havia um amigo meu que tinha uma casa lá e que podia ser a minha base para eu deixar ficar coisas. E então pensei: "Olha, por que não aproveitar e ir?" Ainda por cima era no estado da Bahia e eu fazia capoeira há muitos anos, então para mim era uma oportunidade também de descobrir um bocadinho mais das raízes da capoeira e que no fundo, ir buscar as letras que falavam da Lagoa do Abaeté, do Mar de Itapuã. Eu tinha muitas referências, o Pelourinho.

Então foste ver esses sítios, foi?

Fui ver esses sítios, sim. Esse foi o meu objetivo de ir para o Brasil. E depois percebi que o Brasil, afinal, é maravilhoso e é muito diferente da ideia que nós temos da praia do Rio de Janeiro. Isso não era minimamente aquilo que eu ia à procura.

O que é que ias à procura para além da capoeira?

Esse foi o principal foco, mas depois a partir do momento em que lá cheguei, foi essencialmente o contacto com as vilas mais pequeninas, as aldeias, porque é maravilhoso o ambiente que tu ali vives, a atmosfera que tu tens. E depois todo o lado natureza. Quer dizer, para mim estar num sítio como a Chapada da Diamantina foi incrível.

Explica-nos o que é a Chapada da Diamantina.

A Chapada da Diamantina é um parque natural, acho eu, não sei se natural se nacional, que está repleto de cascatas, de trilhos. Tens, por exemplo, o Morro dos Cristais, que tens um trilho para lá chegar e quando lá chegas, está repleto de cristais que tu podes, obviamente, muita gente o faz e por isso depois não é suposto que aconteça dessa forma, mas muita gente recolhe esses cristais até para depois fazer macramê, etc. E tu estás completamente a absorver diferentes paisagens pelo caminho. Aliás, eu num dos trilhos que fiz, que era o trilho das Águas Claras, eu comecei a paisagem com um verde muito carregado e depois cheguei a uma altura que tinha havido um incêndio e eu lembro-me que até que a expressão que usei foi: "Parece que estou às portas de Mordor." Sabes a referência?

Mordor, do "Senhor dos Anéis"?

Sim. Porque estava tudo preto, tudo completamente chamuscado pelo fogo que tinha passado por ali e à medida que continuei a caminhar, foi um renascimento, porque de repente tu vês aquele verde explosivo que só o Brasil consegue ter, com aquela terra vermelha e aquele sol. Então de repente tu tinhas um verde a explodir, a renascer do preto chamuscado. Então era muito bonito veres, no fundo, a natureza a voltar a tomar conta do seu terreno. E lá está, esse tipo de experiências que eu fui tendo, como por exemplo, em Mato Grosso do Sul, que tu tens o contato com um lado mais tropical, mais próximo daquilo que é a Amazônia, com muitos répteis. Então todo esse lado, por exemplo, a zona do rio.

É um regalo para os sentidos, não é?

É, totalmente. E para quem gosta de natureza, é uma reconexão. Por isso, no fundo, o que eu tiro do Brasil não é o Rio de Janeiro, não é a experiência de Salvador da Bahia. O que eu retiro do Brasil é essencialmente as pessoas, as experiências que eu tive nesse lado mais natureza e, por exemplo, o Vale do Capão, que está lá na Chapada da Diamantina, permitiu-me estar em contacto, por exemplo, com a permacultura, que é uma coisa que eu quero explorar mais, e tomar consciência de que, de facto, o Brasil é um território muito multifacetado e à parte todo esse glamour que às vezes nos pintam nas telenovelas, é realmente um país com essa diversidade cultural e que vale muito pena explorar.

Muito bem. E por que a Bolívia integrada nessa viagem de seis meses pelas Américas, Carina?

Então, a Bolívia, mais ou menos. Lá está, como te digo, eu não fui com planos e as coisas foram vindo ao meu encontro.

O vento empurrou-te.

Totalmente. Então, quando eu estava ainda nos Estados Unidos, num meeting de couchsurfing na praia de Santa Mônica, eu conheci um rapaz que é o Shin, que se tornou meu amigo também, e lembro-me que ele estava a falar de um deserto de sal que existia na América do Sul e que era o maior espelho d'água do mundo, e eu nunca tinha ouvido falar do Uyuni. E aquele foi o meu primeiro contacto com o Uyuni. E então quando eu vi a imagem, pensei: "Eu vou para a América do Sul, eu tenho que ir aqui." E portanto, eu fui percorrendo o Brasil em direção à fronteira com a Bolívia, fiz o famoso Trem da Morte para Santa Cruz de la Sierra, e já aí a minha meta era ir ao Uyuni. Claro que pelo caminho eu fui me apaixonando por cada uma das cidades, por cada um dos sítios por onde eu passei na Bolívia, muito pela sua ligação à terra, à Pachamama, também pelo fato de ser uma população tão indígena, ainda muito ligada às tradições, aos rituais, às plantas medicinais. E portanto, foi mesmo amor à primeira vista. Eu desde que aterrei em Santa Cruz até que regressei, fui me deixando levar por todas as experiências.

Quanto tempo estiveste na Bolívia, Carina?

Eu estive na Bolívia quase dois meses. Um mês e três semanas, mais ou menos.

Então chegaste mesmo a ir ao Salar de Uyuni?

Sim.

Espetacular.

É lindo.

Tiveste a oportunidade de acordar lá? Acordaste lá?

Sim, claro. Eu estive lá os três dias, fiz essa primeira experiência e agora, como sou líder de viagens e faço a Bolívia como destino, tenho o privilégio, mais que tudo, de lá voltar duas vezes por ano, tanto na altura em que está o espelho d'água, como na altura da época seca, em que ele assume aqueles exágunos todos. Portanto, sou uma privilegiada por voltar uma e outra vez a um sítio onde fui tão feliz.

Muito bem. Dizias há minutos que fizeste o trilho, trail de "la muerte"?

O Caminito de la Muerte.

Caminito de la Muerte. ¿Qué es eso, Carina?

Caminito de la Muerte é um caminho que é normalmente feito de bicicleta, que é uma aventura um bocadinho radical, mas super aconselhável.

Radical, por quê? Porque está muito quente e é muito comprido?

Não, basta escreveres no YouTube "estradas mais perigosas do mundo" que vai lá aparecer o Caminito de la Muerte.

Já sei. É um caminho, uma estrada tortuosa pela montanha, é isso?

Sim, sem raios de proteção, sem nada.

E tu fizeste como? De bicicleta ou transportes?

Nessa primeira experiência, abrindo um pouco as portas a uma experiência que lá tive, eu fui experimentar mescalina. Surgiu a oportunidade.

Uma droga psicadélica.

Eu não lhe chamo droga, eu chamo de uma planta.

Uma substância psicadélica.

Uma planta psicadélica que te abre as portas pra uma experiência inacreditável. E eu tive a oportunidade de conhecer um uruguaio, que tinha uma cabana lá enfiada no meio da selva dos Yungas, porque quando tu fazes o caminho de La Muerte, é com direção a Coroico, e essa é a região dos Yungas. E então eu fui lá com esse propósito, fiz o caminho primeiro de van, depois de táxi, depois a pé.

E sentiste que estavas numa das estradas mais perigosas do mundo?

Senti, claramente.

A estrada fez questão de te mostrar isso.

Sim. Tu vê lá que a dada altura, havia o Nacho El Poderoso. Eu nunca mais me esqueço do e-mail dele quando lhe pedi, ele disse: "nachoelpoderoso@gmail.com". Então o Nacho, que era esse uruguaio que tinha lá a cabana. Ele, basicamente, a caminho de lá, ia com uma viola e vinha sempre a cantar qualquer coisa como: "Vou tomar San Pedro". San Pedro é o nome que se dá aos catos de mescalina na zona da América do Sul. Então ele vinha sempre a entoar essa mantra do: "Vou tomar San Pedro". E eu vinha atrás, no banco atrás dele, e ao início eu vinha a admirar a paisagem, a dada altura deixei-me deslizar no banco, porque eu estava a ficar tão em pânico de olhar para baixo e só ver ribanceira, ver um precipício, que pensava: "Eu, se continuar a olhar pra aquilo, daqui a pouco tenho um ataque cardíaco". Porque depois vêm autocarros, vêm camiões em sentido contrário, tu vês o cara encostar-se cada vez mais à margem, e tu estás tipo: "Eu, se sobrevivo a isso, sobrevivo a tudo".

Mas olha, dizias há pouco que experimentaste mescalina e que tinha sido uma experiência... Que experiência é essa? Explica-nos.

Olha, foi só a experiência mais linda que eu já tive em toda a minha vida com estados alterados. Por isso é que eu te dizia que não é uma droga. Eu olho pra mescalina como uma planta medicinal, que serve essencialmente para tu tomares consciência do teu todo. Porque eu quando experimentei, era de noite ainda, e nós tivemos todo o processo de retira, ou seja, de pelar o cato, tirar as várias partes que não interessam e ficar só com aquilo que é necessário. Cozinhamos aquela papa que dali resulta.

Mas conta, como é que é do ponto de vista mental? O que se sente, o que se vê, o que se descobre sobre nós mesmos?

A primeira coisa que tu tens é vomitar. O primeiro estágio é esse, porque tu tens que limpar o teu corpo de toxinas para te preparares pra experiência.

Ok, e a seguir?

Depois, a seguir a isso, tu começas a ter, e não é logo, tu começas a ter, a dada altura, uma sensação de tu olhares pras coisas e elas começam a fazer um bocadinho mais de sentido e começam, sobretudo, por ser uma experiência visual, não uma experiência visual tipo tu olhar pra aqui, isto é azul e de repente ficou amarelo, não é isso.

Fica tudo mais vívido, é isso?

Ficas com todos os teus sentidos mais alerta, mais conscientes.

Muito bem.

Então tu consegues, por exemplo, ver. Eu lembro-me do despertar do dia, em que tu parecia que estavas a ver as plantas a desabrochar em slow motion, quase como quando estás a ver o BBC Vida Selvagem. É mesmo, é sério, é lindo.

E isso é uma coisa que dura quanto tempo?

Olha, eu não te consigo dizer quando é que acabou, porque eu sinto que aí três dias depois eu ainda estava imbuída desse feeling. É muito bom.

Muito bem. Olha, essa viagem durou seis meses, já disseste as circunstâncias em que ela se fez na tua vida, tu despediste pra ir viajar e te ires encontrar. Depois, quando regressaste, vinhas cheia, revigorada, isso foi uma viagem transformadora na tua vida, Carina?

Totalmente, eu lembro-me até do momento em que aterro, de olhar à minha volta e das pessoas estarem cinzentas. E de eu não estar a perceber muito bem o porquê. Primeiro, porque eu tinha estado muito alheia do que eram as notícias e, portanto, sabia mais ou menos o que estava a acontecer, obviamente, mas não tinha a noção do impacto, até porque não era bombardeada todos os dias pelas notícias à volta do tema. E por isso, quando cheguei, sim, eu queria fazer as coisas acontecerem. Tinha ideias pra muita coisa. Eu cheguei e montei, pra além de ter aberto a minha empresa, a Media Sounds, que está no ativo desde essa altura e que está ligada ao setor cultural, produção, road management, assessoria de imprensa. Pra além disso, eu até uma marca de roupa fiz.

Olha!

Eu criei uma marca que era a Self Made. Durante muito tempo ia a feiras e vendia em lojas de autor. E mesmo a própria Media Sounds, eu ia às reuniões e facilmente eu fechava os contratos.

Era atitude, era isso? Sentiam em ti uma atitude diferente, uma frescura?

Sim, muito otimista.

Boa. É esse o poder da viagem, não é, também?

É. O poder da viagem é que, de repente, tu tomas consciência de quem és, da tua força, tomas consciência também da tua segurança enquanto ser intelectual. E depois tu absorves tanto do que está a acontecer à tua volta, as pessoas que tu conheceste, as experiências que tu tiveste, que isso tudo te ajuda a fortalecer o teu ser individual.

Torna-te forte. Olha, o tempo voa, não é? Portanto, estamos a ficar com pouco tempo. Eu gostava só de perceber, Carina, antes de irmos ao checkout, quando é que tu começaste a viajar? Diz-me rapidamente quando é que começaste, o que é que andavas à procura, por onde é que tens andado nestes últimos anos, porque tens viajado imenso. Aliás, passas metade do ano a viajar. Vamos lá, Carina.

A minha primeira viagem fora de Portugal foi com 17 anos, num Interrail, ali na zona de Hungria, República Checa, Polónia, Áustria. E como te dizia, eu comecei a partir dessa altura a viajar muito dentro da Europa, aquelas viagens mais curtas para aproveitar para visitar amigos, para visitar família. Mas antes ainda de dar o passo fora de Portugal, eu viajei imenso em Portugal, com amigos, com os escuteiros. Portanto, orgulho-me de dizer que conheço bastante bem o meu país.

Muito bem.

E por isso é que depois a dada altura senti necessidade também de explorar mais. Neste momento, a Europa não me diz muito, porque sinto que já está tão globalizado que não há grandes diferenças. Uma das últimas viagens que fiz aqui na Europa e que gostei imenso foi à Albânia.

Albânia?

Que está repleta de histórias de início ao fim, também foi uma viagem com muito a acontecer, mas que por ser se calhar uma espécie de um retrato de Portugal pré-revolução, porque é uma democracia ainda muito recente, muito jovem, com tudo o que isso implica. Também é um país que ainda só agora começa a dar os primeiros passos na sua modernização, na criação de infraestruturas, na própria abertura ao turismo, e por isso gostei imenso. Mas eu neste momento procuro experiências um bocadinho mais fora do meu contexto cultural.

E aí é possível ver-te a viajar para onde, Carina?

Olha, eu nos últimos dois anos estive a procurar mais coisas em África, porque era um continente que eu ainda não tinha explorado muito e que cada vez quero explorar mais. E nesse aspecto, a minha última viagem foi no Quénia, em novembro, dezembro do ano passado. Depois, também muito Ásia, obviamente, é um continente com muita diversidade.

Obviamente, por quê?

Porque normalmente, sobretudo mulheres, quando viajam sozinhas, tendem a escolher o Sudeste Asiático, por ser muito fácil de viajar, muito low budget, com todas as infraestruturas necessárias. Então eu digo, obviamente, porque seria o destino mais óbvio para uma mulher viajar. E como eu já tinha falado da América do Sul, à partida seria para ali. E aí tenho viajado também bastante.

E Índia também, não é? Também já tiveste a Índia.

Sim, pré-pandemia, as minhas duas viagens quase seguidas foram precisamente a Índia e as Filipinas, onde eu voltei mesmo às portas de começarem os confinamentos em todo lado.

Índia, fascinante, claro.

Claro. Eu tive uma resistência grande à Índia durante muito tempo.

Então, por quê? Ninguém diria, quem te ouviu ao longo dos últimos minutos não diria isso.

A razão é exatamente a mesma que para a África. Eu não sabia se iria ter capacidade de lidar com a pobreza extrema e com as diferenças culturais que a Índia obviamente tem pelo sistema de castas e que África também tem pela quantidade absurda de corrupção que existe naqueles países todos. E eu não sabia se tinha capacidade mental para absorver aquilo, que eu sou muito emocional, sou muito sensível, então às vezes há coisas que depois eu não consigo processar muito bem.

E conseguiste processar, no caso dos sítios onde já estiveste em África e na Índia, conseguiste processar isso?

Sim. Com alguma dificuldade nalgumas coisas, mas depois tu no rescaldo da viagem, fazes sempre aquele balanço. Colocas tudo para fazer o peso de um meio de outro, chegas à conclusão que obviamente vale sempre muito a pena por tudo o que tu viveste, sobretudo por todas as lições que tu aprendeste naquele caminho.

Estamos já na reta final do nosso programa, vamos fazer o habitual checkout. Então vou pedir-te para completares as seguintes frases: na minha mala vai sempre...

Na minha mala vai sempre um bloco de notas.

Um bloco de notas.

Eu gosto muito de tirar apontamentos, de apontar os gastos que tenho. Sei lá, escrever os contactos das pessoas. Eu sou assim um bocadinho old school, eu gosto de fazer as coisas à mão.

Caneta e papel. A viagem com mais peripécias, qual foi, Carina?

Tenho que me levar aqui à Bolívia, porque como já lá fui tantas vezes, há sempre coisas a acontecer. Ainda agora eu voltei de lá em fevereiro e imagina, eu estou com um grupo, chego a Santa Cruz e Santa Cruz está com uma paralisação geral de transportes e eu não só tinha que ir do aeroporto para o hotel, como ainda tinha que fazer teste PCR no caminho para voarmos para o Chile.

Então como é que isso se resolveu?

Olha, com muitos amigos. Com muitos amigos que me fazem sempre sentir muito bem ali.

Muito bem.

E foram eles que me safaram de tudo, arranjaram-me transportes. Eu já tinha até familiares de amigos a disponibilizarem-se para virem com carros buscar-me a mim.

Muito bem. Os amigos servem mesmo para as ocasiões, não é?

Sem dúvida.

Olha, o carimbo de passaporte mais difícil de obter até hoje, qual é que foi?

Eu não tenho nenhuma história especial, tipo fui presa.

Muito bem.

Mas eu acho que o mais difícil foi o do Irão, porque de facto implica alguma logística, alguma burocracia. E eu lembro-me que tinha que ir à embaixada, mas tinha tido um aniversário no dia anterior e acabei por não descansar praticamente e fui de direta para a embaixada. E quando lá cheguei percebi que não tinha aquelas fotos tipo passe. Tinha-me esquecido daquilo. E então fui ali ao Restelo, a uma lojita rápida fazer as fotografias. Só que como estava com um ar tão acabado, direta, com o cabelo literalmente a minha fotografia de obvisto, eu pareço uma recruta do exército com duas faixas na cara.

Um fugido.

Completamente. Não sei como é que me deram o visto com aquelas duas fotografias.

A recordação de viagem mais cara, onde é que perdeste a cabeça?

Lá está, volto um bocadinho àquela coisa de há bocado.

O anel, o fatal anel.

Sim, ou então se calhar, sei lá, no Brasil, toda a gente me dizia que os biquínis eram muito baratos e eu perdi a cabeça e comprei um biquíni supercaro, porque na altura o euro estava o dobro do real, quando agora está um sexto do real daquilo que é o euro.

Muito bem.

Portanto, para mim foi uma loucura.

A refeição mais estranha?

A refeição mais estranha foi ali na fronteira entre o Brasil e a Bolívia.

Ali, ali. A piada é essa. Mas o que é que foi? O que é que comeste?

Foi em Corumbá. E era uma sopa de piranha, que foi feita por uma senhora que era cozinheira naqueles barcos-hotéis que fazem o rio Amazonas. E ela albergou-me na casa dela e foi superquerida e então cozinhou a sopa de piranha.

Sabe bem? É bom?

Tem um travo picante que tem o seu lado interessante.

Muito bem. E gostavas de viajar com quem, Carina?

Gostava de levar o meu pai à Guiné-Bissau, porque ele esteve lá na altura do Ultramar, infelizmente.

Ok, foi combatente, é isso?

Sim. E sei que é um destino que ele gostava muito de voltar. Era suposto ter ido lá em 2020, não aconteceu. O ano passado, ele também ainda não se sentia muito confortável, portanto está na calha para acontecer a qualquer momento.

Muito bem. Oxalá. E assim chegamos ao final do nosso programa. Que música trouxeste para fechar a conversa do "Fim do Mundo", Carina?

Muito bem. Passou tão rápido.

Pois passa.

Quando se fala de viagens é sempre assim, não é? Trouxe um tema chamado "Jardines", jardins em português, que é de um DJ produtor argentino chamado Chan Chavía Circuito e que traz aqui na voz a Lidu Pimenta, que é uma cantora colombiana. Portanto, vou encher-vos de ritmos sul-americanos, latinos, para vos transportar até à minha querida Bolívia.

Muito bem, fantástico. Carina Silva, muito obrigado. Foi um gosto.

Obrigada eu, foi um prazer mesmo. Muito obrigada.

"Jardines" do argentino Chan Chavía Circuito, a fechar a conversa do "Fim do Mundo". Regressamos na próxima semana, neste horário. Até de hoje a oito dias, sejam bons e boas viagens.