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A quatro dias das eleições, Mariana Mortágua entrou na campanha depois de ter embarcado na flotilha e algumas figuras nacionais vão aparecendo para dar o seu apoio a alguns candidatos. Miguel Viterbo Dias, bom dia. Carlos Moedas, o candidato do PSD, CDS e AL em Lisboa, é precisamente um dos beneficiários desses apoios de atuais ou ex-políticos no ativo.
Sim, beneficiários. Mas depois as contas finais é que é.
Eles pelo menos acham que sim. Todos.
Exatamente.
Quem apoia e quem é apoiado.
Ontem já contou com a presença de Paulo Portas, o antigo vice-primeiro-ministro, que veio dar até um input diferente daquilo que estava a ser a dinâmica da campanha, que estava a ser muito focada no ataque a Alexandra Leitão, ao PS e também às parcerias entre o PS e os restantes parceiros de coligação, o Bloco de Esquerda, o Livre e o PAN, sobretudo o Bloco de Esquerda. E Paulo Portas veio ontem fazer uma espécie de toque de rebate sobre o que aconteceu há quatro anos, sobre a derrota de Fernando Medina, para avisar que Carlos Moedas ganhou apenas com uma diferença de 0,9% dos votos, uma diferença de 3 mil votos e que, por isso, nada está ganho e é preciso mesmo a mobilização para ir votar. É aquele típico discurso de campanha que se começa a utilizar nos últimos dias, mas que aqui, na campanha de Carlos Moedas em Lisboa, ainda não tinha começado e que ontem Paulo Portas acabou por vir dar esse toque de que há quatro anos a vitória foi por uma margem muito curta. Resultou até, se formos recordar os dados, de uma perda maior de votos de Fernando Medina, que perdeu cerca de 3 mil votos face àqueles que Carlos Moedas conseguiu ganhar para o PSD. E por isso é preciso esta união, esta mobilização para ir votar e para não desperdiçar votos, sendo que aqui o desperdício de votos acontece sobretudo para o partido Chega. Embora o Chega consiga ir roubar um pouco a todos os partidos, aqui em Lisboa também consegue ir pescar na direita, não só ao PS e à CDU, como tradicionalmente acontece noutras zonas do país. Por isso, esse toque de rebate de Paulo Portas ontem na reta final desta campanha. Contou também Carlos Moedas com a presença de Sebastião Bugalho, o eurodeputado do PSD, que tem sido um verdadeiro globe trotter destas eleições autárquicas. Vai estar ao todo em cerca de 80 municípios. Tem sido quase uma sombra da direção nacional do partido. Já substituiu, inclusive, o presidente Luís Montenegro e o secretário-geral Hugo Soares num dos dias da chamada volta nacional, portanto, representando mesmo a direção do Partido Social-Democrata. E ontem marcou também presença na campanha de Carlos Moedas, também ao ataque a Alexandra Leitão, a dizer que a candidata do PS já quis ser um bocadinho tudo dentro do partido, nos cargos políticos e que Carlos Moedas está só dedicado à Câmara de Lisboa. Hoje e dentro de breves momentos, é isso que esperamos, estamos já aqui em Campo de Ourique, em Lisboa, onde se vai juntar o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, sendo que o dia de hoje ficará ainda também um pouco marcado pelas notícias que vieram ao lume ontem ao fim da tarde pela CNN e pela revista Sábado, sobre a intenção dos procuradores em abrir um inquérito formal ao caso Spinum Viva. Entretanto, a Procuradoria-Geral da República desmentiu que existisse uma decisão formal, mas o tema já marcou ontem as declarações de Luís Montenegro à noite em Albufeira e hoje o Hugo Soares, tendo também essa dimensão nacional e tendo também algum envolvimento, ainda que mais acessório, nesse dossiê, deverá também falar sobre as notícias que saíram sobre a empresa Spinum Viva. Junta-se a Carlos Moedas de manhã. À tarde, o presidente da Câmara e recandidato vai estar também noutro contacto com a população e amanhã prepara-se para fazer o grande encerramento. Do ponto de vista mediático, será aproveitado o dia de amanhã, porque sexta-feira já se mete aqui ao barulho também o orçamento do Estado. Haverá aquela tradicional descida do Chiado, mas amanhã o dia fecha com o comício com a presença de Luís Montenegro. Isso será o grande momento mediático final desta campanha, antes de se cumprir a tradição da sexta-feira.
Miguel, nestas últimas semanas, achas que houve aqui uma alteração do estado de espírito na campanha de Carlos Moedas e uma preocupação também maior por parte do PSD a nível nacional com a eleição, com a corrida à Câmara de Lisboa? Ouvimos também no outro dia José Luís Carneiro dizer que ganhar Lisboa é ganhar o país. Aqui passou-se da ideia de que seria, não digo um passeio no parque, mas uma vitória mais ou menos garantida, ao contrário do que tinha acontecido há quatro anos, para uma disputa muito renhida em que o PS ainda pode ganhar a Câmara?
Sim, as sondagens foram dando essa motivação extra à campanha de Alexandra Leitão e do Partido Socialista, de que era possível lá chegar, de que é possível lá chegar. Isso obrigou também a mobilizar as bases do PSD e da direita aqui em Lisboa. Notou-se uma diferença com o decorrer da campanha ao nível da mobilização dos militantes, dos apoiantes. Têm aparecido mais nas ações de campanha. Os contactos com a população têm estado bastante preenchidos depois daquele arranque meio em falso no comício no Centro de Congressos de Lisboa. Agora essa mobilização é maior. Há muita gente a acompanhar Carlos Moedas, mas há ainda esta preocupação de que a reeleição não está garantida. A sensação que corre na campanha é que não havendo erros, não havendo nenhuma surpresa de última hora, Carlos Moedas conseguirá ser reeleito. Mas há também essa nuvem que paira há quatro anos do Fernando Medina de que não se pode dar por garantida a reeleição e que o facto de estar no cargo e estar ainda num primeiro mandato não garante automaticamente a renovação do contrato, digamos assim. E por isso há essa preocupação. E é também importante, e isso vai ser possível de percebermos também, não só hoje com o Hugo Soares, mas amanhã com Luís Montenegro, também a importância de Lisboa. Como referiste, José Luís Carneiro, no comício em Lisboa com a Alexandra Leitão, disse que ganhar Lisboa é ganhar o país, o que nos dá margem para interpretar que vencendo Lisboa, José Luís Carneiro considera que o PS já vai sair bem destas autárquicas Aqui no PSD o objetivo é ganhar a Associação Nacional de Municípios, portanto, vencer o maior número de câmaras, mas importa também perceber se mesmo vencendo o maior número de câmaras e perdendo Lisboa, se isso é uma noite vitoriosa. Isso será também uma das questões a marcar o dia de hoje e o de amanhã, aproveitando aqui a presença de Hugo Soares e também de Luís Montenegro, neste caso, amanhã.
Miguel, já voltamos a ti, até para olhar para esses últimos dias de campanha. Vamos agora para um conselho limítrofe de Lisboa, Oeiras. Diana Rosa está neste momento numa ação de campanha de Rui Tavares e Mariana Mortágua. Diana, a líder do bloco regressou ontem à campanha eleitoral, depois de ter embarcado na flotilha, e hoje volta a estar então no terreno.
Sim, bom dia. E vai ser o primeiro dia em que Mariana Mortágua vai partilhar o palco com outros líderes. Primeiro com Rui Tavares em Miraflores, e ao almoço com Alexandra Leitão. É, de resto, a primeira vez que as duas aparecem em público nesta campanha eleitoral, depois de Mariana Mortágua ter embarcado na flotilha, que foi até criticada pelo fato de ter interrompido a campanha eleitoral para essa ação humanitária. A líder do Bloco de Esquerda tem sido criticada, em particular por Carlos Moedas, que tem aproveitado essa situação para usar o argumento de que mais gosta, que é acusar a coligação de esquerda de ser radical. Ora, sobre esse tema, Alexandra Leitão, que encabeça esta coligação à Câmara de Lisboa, já disse que o tema da Palestina não é um tema de campanha, embora todos saibam a posição que tem relativamente ao reconhecimento do Estado da Palestina, um reconhecimento que apoia, mas não quer meter esse assunto no meio da campanha às autárquicas. Carlos Moedas faz ouvidos moucos a esse argumento, diz que Mariana Mortágua está a ser escondida das ações de campanha da coligação de esquerda. Mariana Mortágua esteve apenas um dia ausente depois de regressar a Portugal, vinda de Israel. Alexandra Leitão, na altura, disse que tinha enviado uma mensagem, que sabia que ela estava a recuperar dessa viagem. Ontem, Mariana Mortágua reapareceu em Leiria, ao lado de Isabel Mendes Lopes, uma vez que há até uma coligação com o LIVRE naquela cidade, e disse mesmo, e passo a citar: "Lamento, estou de volta". Chegou discreta ontem, com Marisa Matias a acompanhá-la. Marisa Matias que a tem substituído durante a ausência e deixou claro a Carlos Moedas, a Mariana Mortágua, diz que ele não tem que se preocupar, que vai vê-la em Lisboa muito em breve. Pois cá está ela, hoje mesmo, em Lisboa, mais logo nesse almoço que tem marcado com Alexandra Leitão.
Mas há o risco de Mariana Mortágua, de alguma forma eclipsar as candidaturas. Sempre que aparece, é normal que se continue a falar da questão da flotilha, até porque ontem o governo notificou os repatriados que terão de pagar a viagem, o que motivou também uma reação de Mariana Mortágua.
Sim, há esse risco. Mariana Mortágua já deu entrevistas desde que regressou, já explicou algumas das situações que se passaram ao longo dessa viagem. No entanto, também continua a ser atacada por outros dirigentes partidários e, nomeadamente, como disse, por Carlos Moedas. Portanto, é natural que até os jornalistas continuem a fazer questões sobre esse tema. Relativamente a esse anúncio do governo.
De passar a fatura aos ativistas que foram repatriados.
Mariana Mortágua considera que não só Israel não devia impedir os ativistas de chegarem a Gaza e entregarem a ajuda humanitária, como diz que esta detenção foi ilegal por ter acontecido alegadamente em águas internacionais e, por isso, quanto ao governo, Mariana Mortágua, que já se tinha queixado de Paulo Rangel, do Ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que ele tinha pouco pulso no que toca à ação israelita, agora diz que sim, paga a viagem de regresso a Lisboa, mas isso devia ser assegurado por Israel, que decidiu deter estes ativistas e extraditá-los. Há aqui uma tensão permanente com as decisões e a forma como Paulo Rangel tem abordado esta questão. Isso vai naturalmente ser questionado aqui agora durante a manhã. Aliás, vai também ser questionado se ela eventualmente já sabe quanto é que vai ter que pagar por essa viagem, por esse regresso de Israel a Lisboa. E deixem-me dizer-vos que acaba de chegar aqui a Mariana Mortágua. A esta ação de campanha, veio sozinha, cumprimentou aqui os jornalistas e vai também cumprimentando aqui as cerca de duas dezenas de pessoas que estão aqui reunidas para apoiá-la, até porque há aqui algum atraso. Já passaram 25 minutos desde a hora marcada. Falta também chegar Rui Tavares e depois nessa altura, então, os dois irão prestar declarações aos jornalistas. Vamos dar conta disso mesmo, depois mais à frente ao longo desta manhã.
Vamos aguardar então essas declarações sobre este tema lateral que se intromete na campanha eleitoral, a questão da flotilha e a viagem de Mariana Mortágua nessa ação. Vamos olhar para os últimos dias. Miguel Viterbo Dias, de novo, por onde vão andar os líderes neste forcing final? Com este, faltam três dias de campanha eleitoral.
Sim, portanto, é a altura de começar a escolher as principais prioridades do que é para conquistar, daquilo que ainda é possível conquistar e que é preciso fazer esse forcing. Luís Montenegro, por exemplo, vai dar um sinal particularmente interessante. O primeiro-ministro vai acabar a campanha autárquica no Porto, na cidade do Porto, ao lado de Pedro Duarte. Há uma sondagem muito recente, que foi divulgada ontem, que continua a dar um empate técnico com ligeira vantagem para Manuel Pizarro no Porto, e por isso será aí que Luís Montenegro vai pôr as fichas finais. Lá está, acreditando que em Lisboa a manutenção do poder será mais fácil.
Aliás, Miguel, a noite eleitoral no domingo do PSD vai ser feita precisamente no Porto
Exatamente. Ia acrescentar ainda que Luís Montenegro estará não só no encerramento, mas também na própria noite eleitoral. Portanto, com vitória ou não de Carlos Moedas, não estará em Lisboa para dar esse abraço ao presidente da Câmara de Lisboa. Quanto aos restantes líderes, André Ventura e José Luís Carneiro, enquanto Luís Montenegro está agora a vir mais para cidades do litoral e cidades mais populosas, José Luís Carneiro e André Ventura continuam também em muitos locais do interior. O Chega tem apostas em muitos municípios, em regiões mais desertificadas, com menos população e em que a revolta das populações tem sido maior e vai tentando explorar aí as possibilidades eleitorais. André Ventura, por exemplo, não tem marcado muita presença na campanha de Lisboa ao lado de Bruno Mascarenhas, ainda que as sondagens apontem também para um bom resultado do Chega na cidade, mas não tem sido alvo de muita dedicação ou atenção por parte do líder do partido, que tem preferido estar em localidades de menor dimensão. José Luís Carneiro, que é dos líderes nacionais, aquele que tem mais quilômetros acumulados nas pernas, vai também continuando, por exemplo, nas regiões de Castelo Branco, também muito ainda no interior do país. O PS é o partido que tem ainda o maior número de câmaras municipais e por isso há também alguns centros de poder que importa manter depois de 12 de outubro. E José Luís Carneiro quer também procurar estancar aí uma eventual sangria de votos ou uma eventual revolta com o Partido Socialista para que possa manter alguns núcleos de poder, ainda que de menor dimensão. Luís Montenegro fará o contrário, estará nas cidades mais populosas. Estará amanhã em Lisboa, como já referi há pouco, estará também ao final da tarde, por exemplo, em Sintra, onde hoje há também mais um apoio de peso. Pedro Passos Coelho já esteve ontem com Marco Almeida em Sintra e vai voltar a estar hoje no jantar. Portanto, há uma forte aposta em Sintra, até porque o PSD, mantendo Lisboa e conseguindo reganhar Sintra e Gaia, que são duas cidades muito populosas, consegue aqui um balão de oxigênio que permite depois estancar eventuais perdas noutras cidades que estão, ao dia de hoje, mais em risco. Por exemplo, Aveiro e Braga estão com eleições disputadas e por isso o PSD procura aqui também garantir ganhos de um lado para precaver eventuais derrotas noutro, que acontecem sempre algumas surpresas. Ainda ontem Pedro Passos Coelho dizia isso, mesmo em 2013, quando as autárquicas foram difíceis para o PSD, ganharam câmaras que nunca esperaram ganhar e perderam outras que também foram surpreendidos. E é, sobretudo, o tentar evitar surpresas que Luís Montenegro vai querer nesta reta final.
Contas que vão todos fazer no domingo, mas até lá ainda voltamos amanhã para mais um direto à campanha. Nesta edição, participaram Miguel Viterbo Dias e a Diana Rosa.