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Hoje, com o arranque da campanha na estrada, vamos ao Porto saber como o Metrobus entrou de repente na campanha. Vamos perceber o que é o votômetro e o que são os votômetros que "O Observador" está a lançar. Mas Miguel Viterbo Dias, para começar, vamos saber por onde vão andar os líderes partidários neste arranque oficial de campanha. Imagino que vão estar todos muito empenhados nessas duas semanas.

Sim, embora tenhamos aqui uma campanha, no que toca aos líderes, a três ou quatro velocidades, porque Luís Montenegro, que vai equiparando o fato de primeiro-ministro ao de líder do PSD, fará uma volta do líder mais curta do que José Luís Carneiro, por exemplo, que aposta todas as fichas nestas eleições autárquicas e por isso teremos aqui várias velocidades. O PSD vai usar uma estratégia de dividir a chamada volta nacional por várias figuras, ou seja, nem sempre estará Luís Montenegro. Por exemplo, nestes primeiros dois dias, o primeiro-ministro estará aqui na região de Lisboa, vai passar hoje por Almada e pela Amadora. Amanhã estará em Sintra, andará aqui pela zona, terá depois uma fase em que estará na região Norte do país também durante alguns dias, mas essa liderança do partido vai ser dividida também com Hugo Soares. Por exemplo, na quarta-feira, o PSD vai dedicar todo o dia ao Algarve e aí vai ser o Hugo Soares a marcar presença. Mas há também uma terceira figura que conquistou este espaço próprio dentro da volta nacional, que é Sebastião Bugalho, o eurodeputado que foi cabeça de lista do PSD nas últimas europeias. Ele tem estado em muitas apresentações de campanhas autárquicas e a verdade é que o PSD o integrou neste lote de pessoas que representam o partido na apresentação de candidaturas e nas ações de campanha que vão ser feitas até o dia 10 de outubro. Portanto, no PSD teremos uma liderança quase tripartida no que toca à presença do chamado líder nacional nas campanhas autárquicas, o que não acontece no PS, em que José Luís Carneiro está a colocar todo o seu empenho nestas eleições. Sabe que são importantes também para salvar, do ponto de vista eleitoral, o Partido Socialista. Ele hoje já disse que uma derrota nas autárquicas não será diretamente uma derrota do secretário-geral, mas sim de todo o partido, também aqui procurando salvaguardar algum resultado menos positivo. Mas José Luís Carneiro andará em praticamente todos os conselhos. Hoje, por exemplo, vai estar em Évora e Beja, mas está em todos, independentemente da dimensão, do mediatismo, das disputas eleitorais que aconteçam, da possibilidade de ganhar, de estar dividido ou não, José Luís Carneiro vai estar em muitos municípios. São mais de 200 aqueles que prevê estar durante esta campanha das eleições autárquicas.

Isso não total 308.

Exatamente. E os poucos que não vai é porque alega que foi nestes últimos meses e, portanto, já não consegue percorrer novamente esses quilómetros.

Mas Miguel, nós temos todos a percepção que André Ventura é um trunfo, mais do que um trunfo, é completamente indispensável o aparecimento dele ao lado dos candidatos do CHEGA para lhes dar esse impulso. E no caso de PSD e PS, os líderes nacionais são vistos como um trunfo ou por vezes a presença deles até será de alguma forma a evitar?

No caso do governo, para já, essa fase parece ser ainda de algum trunfo eleitoral de Luís Montenegro.

De lua de mel.

Exato. Embora do Porto, por exemplo, Pedro Duarte esteja constantemente a ouvir que está ali a representação do governo.

É o delegado, como disse.

Exato. Possa não ter o mesmo efeito, mas Luís Montenegro, para já, vai sendo esse trunfo eleitoral, até porque há um por maior nestas eleições, que é a apresentação do orçamento de Estado até sexta-feira, o último dia de campanha, dia 10 de outubro. E portanto, dependendo das novidades que esse orçamento trouxer, e serão quase garantidamente adiantadas algumas novidades durante todos estes dias de campanha, dependendo dessas novidades que o orçamento trouxer, Luís Montenegro conseguirá acrescentar ainda mais pontos a esse trunfo eleitoral que leva aos municípios. Sendo que o primeiro-ministro pode ser considerado um grande trunfo em municípios mais pequenos, mas apostará, ao que tudo indica, apenas nos maiores e naqueles que estão eleitoralmente divididos. Portanto, onde o PSD pode ganhar ou perder, aí é que Luís Montenegro fará esse esforço para meter as fichas e para marcar presença, para dar esse sinal de que o autarca do PSD tem o apoio e a facilidade de ligação ao governo, que é sempre uma boa coisa para se dizer em campanha eleitoral.

Miguel, temos nesta campanha o caso do Bloco de Esquerda, porque Mariana Mortágua, a líder do partido, está fora. Sabemos, está na flotilha que vai a caminho de Gaza. Quem é que neste caso vai fazer as honras eleitorais da casa?

Vai ser Marisa Matias. Ela já é muito experiente em campanhas eleitorais, fez duas presidenciais e portanto sabe o que é estar no centro da agenda. Vai ser ela a substituir Mariana Mortágua em campanha, isto depois da líder do Bloco ter sido já substituída na Assembleia da República e da deputada que a substituiu ter já participado no debate quinzenal com o primeiro-ministro. Na estrada, vai ser Marisa Matias a substituí-la. A antiga eurodeputada foi o nome escolhido pelo partido para substituir isto, porque também dos ativos eleitorais que o Bloco poderá ter, outros já estão ocupados. Por exemplo, Catarina Martins já terá que se dedicar mais às presidenciais a seguir a 12 de outubro e, portanto, não terá essa disponibilidade para fazer esta campanha. Deixa-me só recuar um bocadinho, porque há pouco o Bruno referiu o CHEGA e eu não falei, seria estranho não falar do partido que tem a segunda maior bancada hoje em dia. André Ventura já está presente em todos os cartazes, portanto um bocadinho de André Ventura já está em todos os municípios do país, mas o líder do CHEGA aproveitará também para estar em muitos conselhos. Hoje arranca aqui também na região, em Alenquer, isto porque hoje e amanhã ainda há trabalhos na Assembleia da República

Mas estará também um pouco por todo o país, até numa lógica de preparação da rota para as eleições presidenciais que lhe vão ocupar o tempo a seguir a 12 de outubro. Portanto, André Ventura andará aqui ocupado não só até às autárquicas, mas depois das autárquicas até janeiro para as presidenciais.

No caso dele é quase um dois em um, em termos de campanhas eleitorais. E pela rota dos líderes também se vai percebendo quais são as apostas ou quais são os concelhos onde acham que podem ter maior vantagem eleitoral. O Observador acaba de lançar o votómetro de Lisboa, o do Porto está disponível já desde a semana passada. Jorge Fernandes é o coordenador científico do votómetro do Observador, além de ser politólogo e membro do painel Fora de Baralho. Jorge, bom dia, bem-vindo também a este Direto à Campanha. Antes de mais, para quem ainda é novo nestas coisas, o que é mesmo um votómetro?

Olá, bom dia, Paulo. Olá, Bruno. O votómetro é uma ferramenta que permite às pessoas projectarem espacialmente a sua posição no espaço de competição político ou eleitoral e perceberem a sua proximidade aos partidos políticos. Trocado por miúdos, o que isso significa? Sabemos que na ciência política e até naquilo que falamos no dia a dia, a maneira como as pessoas se expressam sobre política, há sempre uma dimensão espacial envolvida em toda esta conversa. Basta dizermos quando falamos de esquerda, direita, isso necessariamente tem uma componente espacial em si mesmo. E no fundo, as pessoas quando pensam na política, nas suas próprias posições, dizemos que alguém está mais perto ou mais longe de alguém. Portanto, toda a gente, mesmo muitas vezes não percebendo ou não estando consciente da maneira científica de pensar em tudo isto, quase intuitivamente, é a maneira como todos nós falamos de política. Alguém está mais à esquerda, outra pessoa está mais à direita, alguém está mais próximo de outra pessoa ou está em aproximação de outra pessoa. O que o votómetro faz é uma coisa muito simples: através de um conjunto de perguntas, permite, em primeiro lugar, projetar os partidos neste espaço e as pessoas perceberem o quão próximos ou distantes os partidos estão uns dos outros. E ao mesmo tempo, permite também colocar a pessoa que está a responder ao questionário neste mesmo espaço e no fundo, a pessoa consegue olhar para si própria e consegue olhar para os partidos que estão em seu redor e perceber o quão longe ou perto essa pessoa está dos respectivos partidos. Aquilo que nós fazemos no votómetro, seguindo as melhores práticas e aquilo que nós sabemos hoje da ciência política, é que durante décadas ou séculos mesmo, este espaço era meramente alicerçado numa dimensão esquerda-direita, no fundo, ser de esquerda ou ser de direita, portanto, as velhas clivagens de mais Estado, menos Estado, mais mercado, menos mercado. Neste momento, aquilo que sabemos pela evolução das próprias sociedades modernas europeias, é que o espaço não só tem esta dimensão esquerda-direita, mas há uma segunda dimensão que é ortogonal a esta dimensão, que é uma dimensão que reflete os valores, isto é, aquelas questões políticas que podemos chamar de pós-materiais. Estes valores são depois alicerçados em conservadorismo, liberalismo, cosmopolitismo, nacionalismo e existe uma segunda dimensão que é ortogonal à primeira e que permite captar aquelas questões de política que não são necessariamente ligadas à esquerda e à direita.

Jorge, e aqui no caso das eleições autárquicas, ao contrário do que acontece nas legislativas, em que também já temos tido os votómetros, há uma complexificação, porque se trata muitas vezes de eleições muito personalizadas e em que as marcas ideológicas estão um pouco mais esbatidas. O votómetro tem isso em consideração, este para as autárquicas e em particular para de Lisboa e Porto?

Sim. Eu já vou classificar aquilo que tu disseste, que está correto, mas eu acho que no caso de Lisboa, até posso começar por aí. No caso de Lisboa, eu diria que é talvez devido à importância da cidade, à dimensão, até à capacidade que Lisboa enquanto espaço político, tem de moldar aquilo que é a conversa do país sobre política em geral. Eu diria que Lisboa é talvez a corrida eleitoral onde as dimensões clássicas de competição eleitoral, que utilizamos, por exemplo, quando temos eleições legislativas, onde haverá uma proximidade maior entre o que é o espaço de competição em Lisboa, nas autárquicas e toda a campanha nacional que existe, pelos motivos absolutamente evidentes. Dito isto, não significa que em Lisboa também não haja um cunho pessoal e da importância dos candidatos neste tipo de instrumentos. E obviamente que o votómetro teve isso em consideração e foi por isso que na feitura do votómetro tivemos em atenção e fundamentalmente utilizámos ou declarações prestadas pelos candidatos Alexandra Leitão, Carlos Moreira, João Ferreira ou Bruno Mascarenhas, ou então procuramos sempre fontes ligadas diretamente à campanha ou aos programas eleitorais relacionados diretamente com Lisboa. Tivemos sempre essa atenção na feitura deste votômetro, em não utilizar, por exemplo, declarações de Luís Montenegro ou declarações de José Luís Carneiro.

Dos líderes partidários.

Que apesar de tudo, poderiam enviesar a maneira como os próprios candidatos, nos respetivos partidos, se querem colocar. E tivemos sempre essa atenção, sem naturalmente deixar sempre de considerar que aqueles candidatos são do Chega, do PSD, do PS, do CDU. Sabemos sempre isso, essa informação está sempre lá. Na verdade, neste contexto em que estamos, não temos nenhum candidato, na minha opinião, que esteja excessivamente longe daquilo que seria... Poderá haver uma outra questão, mas todos os candidatos são candidatos que estão muito alinhados com aquilo que é a posição do respectivo partido.

No caso do Porto, Jorge, em que há uma pulverização de candidatos, tornou tudo mais difícil ou não?

Sim, é um bocadinho mais difícil. E a questão do Porto é que tivemos que tomar algumas decisões relativamente a quais os candidatos que foram incluídos no votômetro do Porto. No fundo, aquilo que nós utilizamos como critério foi muito simples: os candidatos que representam forças políticas que vêm das eleições anteriores, que em 2021 tiveram uma votação suficientemente grande para entrarem, no caso, na Assembleia Municipal. Ou então candidatos que se não cumprissem esse critério, poderiam estar nas sondagens com uma força muito elevada. As duas coisas acabaram por coincidir um bocadinho. Por exemplo, isto acabou por levar à eliminação do votômetro de Nuno Cardoso, que apesar de já ter sido uma figura importante na política do Porto, porque já foi presidente da Câmara do Porto, os mais novos provavelmente não se lembram disso, mas Nuno Cardoso foi presidente da Câmara do Porto há 20 e muitos anos, de facto nas sondagens ele aparece com 1%. Nós considerámos que a sua relevância política neste momento, nas eleições de 2025, não se justificava. E ele também não vem de nenhuma força política. Sendo independente, não representa nenhuma força política que tivesse sido eleita. Ao contrário, por exemplo, de Filipe Araújo, que é um independente, mas que foi e é vice-presidente de Rui Moreira e acaba, sendo uma pessoa diferente, por representar de alguma maneira o incumbente. Ele no fundo é o herdeiro da administração do Rui Moreira, que teve durante três mandatos seguidos na Câmara Municipal do Porto.

Muito bem. Então aí temos o votômetro de Lisboa, que acaba de estrear. Já tivemos o votômetro do Porto em estreia e devem continuar os ouvintes e eleitores a fazer o seu teste, se quiserem. Porto, para onde vamos agora. Maria Rego, bom dia. O Metrobus tornou-se claramente o tema central desta campanha no Porto.

Bom dia, tem sido um dos temas quentes aqui na cidade do Porto. Tem marcado em muito este arranque das campanhas e acaba por ser um assunto que não parece ser terra de ninguém. Há candidatos que querem parar todo o gás a obra, há quem queira rever e quem só queira ver a obra em andamento. Pedro Duarte, da coligação PSD, CDS e Iniciativa Liberal, já apontou vários defeitos a esta obra. Lançou inclusive uma petição contra a concretização da segunda fase do Metrobus, que entretanto já começou na semana passada. Pedro Duarte atira como principal culpado o Partido Socialista e descreve o processo como sendo de irresponsabilidade. Mas do lado do PS, Manuel Pizarro também não assume responsabilidades, nem que gosta da obra. Para o candidato socialista, a culpa está no governo do qual Pedro Duarte era ministro. Para Manuel Pizarro, a decisão que considera razoável é pôr por isso o Metrobus a funcionar.

Ia dizer que pelo menos há um desconforto generalizado com a obra, não é?

Exatamente. E acaba por ser um bocado transversal a todos os candidatos e por isso mesmo ia agora referir também a posição do candidato do Chega, Miguel Corte-Real, que acaba por dividir as culpas, que aponta o dedo tanto, e cito: "à trapalhada começada pelo PS como à continuada pelo PSD." Neste momento, Miguel Corte-Real defende que o projeto deve ser revertido na totalidade e que o investimento público deve ser reembolsado à cidade. Filipe Araújo, atual vice-presidente da Câmara pelo Movimento Independente, junta vários problemas associados ao Metrobus. Refere por isso que o Metrobus, a VCI e a circunvalação são tudo farinha do mesmo saco e acaba por defender também que o Metrobus deve andar o quanto antes. Esta mesma opinião é defendida também por Diana Ferreira, da CDU, do Metrobus ter que começar a andar. Já Sérgio Aires, do Bloco de Esquerda, diz que está na altura de acabar com esta telenovela. São de facto muitas visões, muitas opiniões para uma obra que parece nunca mais arrancar, mesmo com algumas obras já concluídas.

Muito bem, uma campanha no Porto que parece que vai de metro desta vez. Maria Rego, Jorge Fernandes, Miguel Viterbo Dias. Lançamos assim, ou estreamos assim o direto à campanha desta campanha autárquica. Amanhã voltamos com novas voltas pelo país.