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Direto à campanha, dia quatro. Ontem foi dia de Pedro Passos Coelho, o aparecido, para outros o desejado. Houve nova sondagem em Lisboa e no Porto, o médico e candidato Manuel Pizarro receitou um Xanax ao seu oponente Pedro Duarte. Mariana Lima Cunha, bom dia. Pedro Duarte já foi aviar esta receita ou não?

Bom dia, Paulo. Eu penso que ainda não, porque o tom da campanha de Pedro Duarte não mudou muito. E eu penso que Manuel Pizarro podia estar a referir a dois aspectos. O primeiro, e ele falou de uma guerra partidária que diz que Pedro Duarte está a querer abrir, é que de fato Pedro Duarte tem estado a subir o tom e a perceber que tem de polarizar esta campanha entre as duas candidaturas principais, portanto, entre ele e Manuel Pizarro, que tem aparecido praticamente sempre em empate técnico nas sondagens e portanto, ele tem notoriamente nos últimos dias começado a virar o seu discurso para uma crítica permanente a Manuel Pizarro, tem encontrado defeitos no mandato de Manuel Pizarro como vereador de Rui Moreira. Mesmo quando não critica o próprio Rui Moreira, ele poupa muito nas críticas ao presidente da Câmara, mas critica este seu antigo vereador, seja por Manuel Pizarro ter feito parte do governo de António Costa ou de José Sócrates. E, por outro lado, eu diria que a referência ao Xanax de Manuel Pizarro pode ser ao discurso, ao tópico que está a marcar de fato muito a campanha de Pedro Duarte e esse é a segurança. Eu não quero ser repetitiva, sei que já falámos disto aqui.

Mas se elas se repetem.

Exatamente. Eu até gostaria de falar de outro tópico hoje, Paulo, mas realmente o que tem acontecido é, no acompanhamento das ações de Pedro Duarte, repetidamente, o candidato volta proativamente ao tema. Já esteve com vários bairros municipais, os ditos bairros sociais, que são uma escolha de Pedro Duarte, evidentemente, para visitar, em que ele faz essa ligação, sobretudo aos problemas de pequena criminalidade e toxicodependência derivados desses problemas. E ainda ontem estávamos no bairro do Aleixo e Pedro Duarte, eu diria que agravou o tom sobre a questão da segurança, porque ouvimo-lo a dizer que o politicamente correto não está a permitir que haja problemas que se resolvem. Ouvimo-lo dizer também que a polícia tem de ser mais musculada e que questionado sobre o que a polícia pode fazer em casos de consumo e não tráfico de drogas, ou seja, em casos que não são criminalizáveis, ele foi sempre defendendo que a polícia pode atuar. Chegou, aliás, a dar um exemplo. Ele disse: "Se eu saltar aqui num tejadilho de um carro no meio da rua e a polícia me vir, vai ter de atuar, são comportamentos que não são adequados." E portanto, ele tem estado sempre neste espírito de endurecimento da ação da polícia e da Câmara. Diz que toda a atitude sobre segurança vai ter de mudar. E ontem não foi só no Aleixo, nas ações da tarde repetiu o discurso, fala de mulheres que têm medo de sair à rua, idosos que têm medo de sair à rua, faz um retrato do Porto, fala muito sobre casos de toxicodependência, em que há pessoas a consumir droga na via pública, à frente de crianças, etc. E portanto, tem ido também, sobretudo, muito a zonas do Porto em que esse problema se pode sentir e se pode verificar e em que encontra moradores que de fato estão insatisfeitos com a proximidade de pessoas com vícios e que têm esses pequenos crimes associados, para pintar uma imagem do Porto com que os outros candidatos não concordam.

E não estão a acompanhar. Claro.

Acho que o Xanax podia vir desse discurso mais musculado.

Foi nessa referência. E não sabemos se Pedro Duarte precisa ou não de Xanax, mas pela tua voz, Mariana, tu precisas de umas boas pastilhas para a garganta e esta campanha ainda vai a meio.

Só os que eu não estou a acompanhar a campanha de Manuel Pizarro, que é médico e portanto isso está a notar-se na minha voz.

Dá sempre jeito ter um médico por perto nestes casos.

Exatamente.

Mas abreviando, Mariana, e também para poder descansar a voz, Pedro Duarte é reconhecido na rua? Como é que é a notoriedade sentida?

Nem sempre. Ele tem tido um bom trabalho dos presidentes de junta, os candidatos a presidentes de junta que o acompanham e que costumam liderar as ações e conduzi-lo um bocadinho aos sítios, às pessoas que convém cumprimentar e que provavelmente lhe darão uma boa receção. Mas ainda assim, Pedro Duarte também não é a pessoa que estende mais as conversas quando está a entrar num café, numa loja, ou seja, no sítio onde for, ele é breve. Mantém as conversas rápidas e sei que sempre ele passa acelerado e, portanto, isso também não permite ter conversas particularmente aprofundadas sobre o estado da cidade, o sentido de voto das pessoas. Mas realmente, há alguns problemas de reconhecimento de Pedro Duarte. Há algumas pessoas que depois de interagirem com o candidato, confessam aos jornalistas que não sabiam quem era ou não sabem identificar qual é o partido. E ele ontem admitiu isso mesmo, dizia que é um problema de reconhecimento. Ele tinha uma maneira de virar o argumento para a positiva, que era dizer: "É porque é uma candidatura nova e fresca, se fosse repetente, como Manuel Pizarro, que já se candidatou três vezes, naturalmente seria mais reconhecido." Mas ele vira sempre esse argumento para dizer que o que sente é um crescendo de uma candidatura nova, que quanto mais as pessoas o ouvem, mais aderem. Agora, eu diria que de fato, as conversas são muito curtinhas e pouco aprofundadas à volta do programa e se isso acontecesse mais, talvez fosse mais fácil as pessoas irem de fato aderindo. Mas é sempre um argumento contra o repetente Manuel Pizarro, que de fato nunca conseguiu ganhar a Câmara, nem roubá-la a Rui Moreira.

Certo, e está a tentar novamente, agora tendo então este oponente Pedro Duarte. Mariana, um bom descanso para a voz, um chá e pastilhas, e bom trabalho durante mais este dia de campanha. E do Porto vamos para a Amadora, na região da Grande Lisboa, onde ontem apareceu Pedro Passos Coelho. João Gama, bom dia. Diz que foi uma vez sem exemplo, não?

Não garantiu que nunca mais iria aparecer numa ação de campanha do PSD. Disse que como vive em Sintra, que pode eventualmente juntar-se a uma ação de campanha do PSD da autarquia, onde o próprio Pedro Passos Coelho é munícipe, mas garantiu, isso sim, Paulo, que a visita a Susana Garcia, a campanha do PSD na Amadora era simbólica e não seria recorrente, não iria andar por aí na campanha dos sociais-democratas. Justificou isso dizendo numas breves declarações aos jornalistas, falou perto de dois minutos antes de entrar no restaurante Mineiro da Brandoa ontem à noite, que estava fora da vida política ativa e que vinha dar um empurrão, por assim dizer, a Susana Garcia para ser um amuleto a Pedro Passos Coelho. Nas perguntas que lhe fizemos, lembrámos que tinha tido um dos melhores resultados sempre do PSD na Amadora. Quando fizemos essa pergunta, fomos prontamente interrompidos por Susana Garcia para nos garantir que tinha sido o melhor resultado sempre do PSD em Lisboa e que a própria Susana Garcia-

Na Amadora.

Precisamente, desculpa, na Amadora, em 1997, quando foi eleito vereador, e que Susana Garcia tinha tido o segundo melhor na Amadora e que por isso-

Há quatro anos.

Exatamente, há quatro anos, em 2021, e que Pedro Passos Coelho vinha tentar ser assim um amuleto para esta candidatura em particular e não fez grandes leituras nacionais. Disse que não tinha nenhuma bola de cristal até para adivinhar o que poderia vir aí no próximo dia 12 de outubro.

De resto, Pedro Passos Coelho usou da palavra, discursou, como era praxe também nesses eventos de campanha. Alguma linha mais forte no discurso que ele fez?

Alguns recados políticos, se calhar, porque Pedro Passos Coelho discursou, Susana Garcia também e também Manuel Luís Goucha. Aliás, Manuel Luís Goucha, no seu discurso, até arranjou um cognome para Pedro Passos Coelho. Disse que se o antigo primeiro-ministro tivesse um cognome, seria o Desejado. Foi uma das intervenções mais aplaudidas. A sala tinha perto de 300 pessoas, talvez um pouco mais, e apenas fez um silêncio absoluto quando entrou Pedro Passos Coelho.

Cheia.

Cheia. E uma sala relativamente distraída durante os discursos, quer de Susana Garcia, com alguns problemas técnicos à mistura, Susana Garcia que tentou mostrar um vídeo daquilo que seria a Cova da Moura se ela ganhasse as eleições, um empreendimento futurístico, sem as barracas que já nos habituamos a ver. Isso foi uma altura ainda meio conturbada nesta ação de campanha, nesta noite, com alguns problemas técnicos, com muitas pessoas a conversar sobre a parte, Susana Garcia ligeiramente irritada com isso. Manuel Luís Goucha também com uns apartes, mas um silêncio absoluto quando foi a vez de Pedro Passos Coelho, que deixou alguns recados, fez quase uma lição histórica, falou de Napoleão, por exemplo, disse que um político tem que ter ideias, tem que ter crenças, tem que saber para onde quer levar os seus objetivos, para onde quer levar o país. Deixou assim vários conselhos a Susana Garcia e alguns recados. Disse, por exemplo, que o PSD precisava de ser um partido mais unido, que Susana Garcia nem sempre precisava, não era por termos um governo agora do PSD que Susana Garcia precisava de mudar o discurso ou de agir sempre conforme as políticas do governo, devia seguir o seu próprio caminho e para o PSD, disse que para quem está nas trincheiras, que as ruas mais largas são sempre melhores, é sempre melhor ter mais pessoas conosco, é preciso um partido unido, com mais pessoas possível para conseguir melhores resultados eleitorais. Portanto, foi assim um discurso de 10, 15 minutos, onde reinava silêncio, muito aplaudido. Passos Coelho foi aplaudido de pé a entrar, a sair, fartou-se de tirar fotografias com os mais jovens da Amadora que estavam a assistir àquele discurso. Foi assim uma entrada em grande de Pedro Passos Coelho na campanha, que fez essa ressalva de que não será mais habitual vermo-lo em campanha autárquica.

Muito bem, então, sala cheia ontem ao jantar para ouvir Pedro Passos Coelho a apoiar a candidatura de Susana Garcia pelo PSD na Amadora. Em Lisboa, ao lado da Amadora, ontem foi dia de mais um debate, um debate a nove na RTP. Houve nova sondagem também. Miguel Vitero Dias, bom dia. Uma sondagem que reforça a ideia de taco a taco, ombro a ombro entre Carlos Moedas e Alexandra Leitão.

É, e que por isso poderá até nem ser mau quer pra um quer pra outro candidato, até para Carlos Moedas, que apesar de surgir pela primeira vez num hipotético segundo lugar, acaba por ter aqui uma desculpa para realmente mobilizar as tropas e para obrigar todos a mobilizarem-se à volta desta candidatura. Carlos Moedas já sabia que o sonho da maioria absoluta tinha ficado mais distante desde a questão do acidente do elevador da Glória, que essa maioria absoluta deixou até de ser vocalmente pedida e que os números começaram a apontar para uma dificuldade em lá chegar. E agora, aqui acendem-se algumas luzes vermelhas com esta sondagem da RTP que o coloca no segundo lugar, embora dentro da tal margem de erro que permite tanto a Alexandra Leitão como a Carlos Moedas vencer. O que é certo é que mesmo antes da divulgação dessa sondagem da RTP, Carlos Moedas deu aqui um sinal. Eu já tinha dito que a campanha do presidente da Câmara de Lisboa estava um bocadinho a meio gás, com poucos eventos. Ontem não existiu nenhuma ação pública de campanha. Para hoje também não estava prevista, mas entretanto, a meio da tarde de ontem, a campanha de Carlos Moedas deu conta da marcação de duas iniciativas que, na verdade, já estavam marcadas, mas que não tinham sido comunicadas aos jornalistas e, portanto, passaram a ser assim ações públicas. Acrescentou um contacto com a população na zona do Campo Pequeno, em Lisboa, e depois à tarde uma festa da juventude, onde estará, entre outras figuras, o antigo deputado da Iniciativa Liberal Bernardo Blanco, sendo que também neste contacto com a população ao final da manhã estará a presidente dos liberais, Mariana Leitão. Portanto, é um dia de pescar de olho a um eleitorado mais liberal na cidade de Lisboa, até porque esse é o parceiro de coligação mais recente e é uma fatia de eleitorado que convém ir convencendo, porque por vezes não basta só ter o nome também no boletim de voto. Mas há aqui uma tentativa de acrescentar dinâmica. Carlos Moedas estava a ter muitas iniciativas apenas para os apoiantes, sem a presença de comunicação social. Há aqui uma ligeira mudança, porque dois dos eventos que tinha marcados para hoje passou a torná-los públicos e passou a convocar os jornalistas para o acompanharem, sinal de que é preciso dar também outro tipo de dinâmica a esta campanha.

Exato, aumentar o ritmo, talvez. Apressar o passo, talvez.

Sim, porque existiu aquele evento de pontapé de saída que tentou mobilizar as bases para começarem a acelerar o ritmo logo no início da semana. Só que as coisas não correram assim tão bem e depois desde aí, Carlos Moedas tinha tido apenas um almoço. Aquele tipo de campanha sentada à porta fechada quase, e não tinha tido ações de rua, iniciativas com pessoas, com militantes, com apoiantes. Isso ainda não tinha acontecido. Vai acontecer hoje também pela primeira vez, e pode significar que o presidente da Câmara de Lisboa e recandidato sente esta necessidade de dar um novo ritmo às ações que tem tido e também de mobilizar em cada freguesia, porque isso nas autárquicas é muito importante, de mobilizar em cada freguesia os candidatos a presidentes de junta, para que eles próprios também consigam aumentar aquele tipo de campanha mais tradicional porta a porta, de convencer os eleitores. E sabemos que os presidentes de junta e os candidatos têm aqui alguma facilidade maior ou diferente em contactar cada um ou as pessoas mais relevantes da freguesia, os chamados quase líderes de bairro, para que se comecem a mobilizar.

Sim, Miguel, temos ainda aqui três minutinhos para olhar para esta que é a última semana. Começa hoje a última semana de campanha, termina precisamente hoje há uma semana. Conseguimos olhar agora abrindo um pouco a lente para aquilo que é a estratégia dos líderes partidários.

Sim, deixa-me só recuar um bocadinho, só porque Alexandra Leitão passou aqui ao lado, a líder do PS. Naturalmente quem vai correr atrás do prejuízo tem sempre que mostrar mais dinâmica e mais ritmo. Mas esta sondagem também não deixa de ser boa para Alexandra Leitão, porque mostra dentro do partido e dentro daqueles que estão a acompanhá-la que é possível, e por isso acaba também por ajudá-los a pôr o pé no acelerador para uma semana final de campanha que terá que ser de tudo ou nada. Quanto aos líderes, que também terão certamente intervenção na campanha de Lisboa, porque é um município muito relevante nas contas finais no dia 12 de outubro. Quanto aos líderes, vão ter um fim de semana muito intenso. José Luís Carneiro está hoje nas regiões autónomas. Amanhã regressa ao continente para estar na zona centro. Estará na Lourinhã e em Santarém. Já Luís Montenegro tem hoje quatro contactos com a população, aquilo que tradicionalmente chamamos de arruadas. Vai começar na Nazaré, segue depois para norte, onde terá vários contactos com a população e termina com um jantar em Gondomar. Luís Montenegro, que tem aqui uma questão adicional nesta semana final de campanha, que o orçamento do Estado terá que ser entregue necessariamente até à próxima sexta-feira. Estamos a uma semana até essa entrega. E tu até saberás isso melhor do que eu, Paulo, mas é natural que durante a próxima semana comecem a surgir algumas medidas, alguns detalhes do que vai entrar no orçamento de Estado, e isso vai também necessariamente marcar a campanha. Há aqui alguma expectativa do lado do Partido Socialista para perceber se há medidas que vão ser divulgadas ou construídas a pensar neste ato eleitoral mais próximo. Nós sabemos bem, por exemplo, como o PSD tem tentado recuperar a confiança com o eleitorado mais velho, com os pensionistas. O PS teme mais iniciativas nessa fatia do eleitorado, porque é um eleitorado que ainda vai conseguindo segurar e por isso há também essa expectativa sobre como é que o orçamento do Estado entrará ou não nesta campanha, sendo que, no limite, vai marcar o último dia de campanha eleitoral, porque é o dia em que tem que ser obrigatoriamente entregue na Assembleia da República. Portanto, há aqui também esta dinâmica nacional que o governo tem nas mãos, esta feliz coincidência que conseguiu ter desta conjugação de datas e que levará, ao que tudo indica, Luís Montenegro também a marcar presença praticamente todos os dias na campanha, ainda que de forma mais pontual. Apostando sobretudo em municípios que estão divididos e em que pode a vitória cair quer para o PSD, quer para o PS, ou nalguns casos até poderemos incluir também o Chega Aí, mas Luís Montenegro apostará sobretudo nestes municípios divididos e em que é preciso ir dar um forcingzinho, aquela palavra de que o governo está atento à terra X ou Y para resolver o problema A ou B. E esse sinal vai ser dado também pelo líder do PSD, que tem a vantagem do fato de primeiro-ministro.

E cá estaremos durante a próxima semana, de facto, a dar conta disso tudo e também do orçamento de Estado, como é evidente. Foi o Direto à Campanha de hoje com Miguel Viterbo Dias, o João Gama e a Mariana Lima Cunha.