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E cá estamos. Hoje é o último dia da campanha eleitoral das autárquicas. Daqui a pouco vamos a Aveiro, onde dois irmãos estão ombro a ombro para vencer a autarquia e aqueceu bastante a luta entre Alberto, pelo PS, e Luís Souto, pelo PSD. Mas antes disso, vamos saber quais são os últimos argumentos que estão a ser alinhados pelos líderes partidários dos dois principais partidos. João Gama, bom dia.

Bom dia, Paulo.

Hoje José Luís Carneiro estará em Lisboa. Qual é o plano de encerramento da campanha de Alexandre Leitão?

José Luís Carneiro vai dar um empurrão, primeiro em Sintra, depois em Lisboa, com Alexandre Leitão. Vai estar ali por volta das 11h30. Não será só com Alexandre Leitão, mas com todos os autarcas, candidatos a autarcas do Partido Socialista na área metropolitana de Lisboa. É lá onde estará, por exemplo, também Ricardo Leão, que tem causado algum desconforto dentro do Partido Socialista, o presidente da Câmara de Loures e recandidato. José Luís Carneiro vai assinar um compromisso autárquico dos candidatos à área metropolitana de Lisboa, isto às 11h30, na Gare do Oriente, no Parque das Nações. Depois, o momento-chave da campanha de Alexandre Leitão, que será às 15h, na descida do Chiado, onde vai ter, mais uma vez, a candidata da coligação Viver Lisboa, não apenas do PS. Lisboa vai ter José Luís Carneiro ao seu lado, Rui Tavares, que tem sido uma presença muito recorrente na campanha de socialistas, esteve conosco, com Alexandre Leitão ontem e também durante o início desta semana, e também vai ter Inês de Sousa Real. Acho que será a primeira vez que Inês de Sousa Real vem dar um empurrãozinho à campanha de Alexandre Leitão. Portanto, 15h, descida do Chiado. Tudo muito bem cronometrado pra não descer o Chiado perto da hora de Carlos Moedas.

Da hora de ponta. Aí desce a Moedas também, não é?

De Carlos Moedas, João Ferreira. O Chiado hoje vai estar cheio de candidatos.

O que é um clássico também, de últimos dias de campanha em Lisboa.

Exatamente. E acaba Alexandre Leitão com um convívio final de campanha em Carnide, às 18h30. Não é para ser entendido como um comício, é o que nos disse a comunicação da campanha, que é apenas um momento para umas últimas perguntas dos jornalistas. Talvez aqui algum repique de algumas críticas que possam ser feitas por Carlos Moedas durante a sua descida do Chiado. Portanto, assim um momento mais descontraído e não propriamente um grande comício de encerramento. Isto será mais tarde, às 18h30.

Ou seja, para esse último momento, no fundo, também é um aviso para que não se façam leituras de adesão de simpatizantes, de acordo com essa classificação de comício, não é?

Exatamente. Ontem tivemos também essa curiosidade, que estava marcado um comício pras 19h30, no Largo do Intendente, em Arroios, que depois a campanha de Alexandre Leitão dizia se era ou se não era um comício, porque foi uma concentração de poucas dezenas de pessoas. Não queriam dar a entender também que seria um grande comício de encerramento para não ser avaliada pela quantidade de pessoas que lá estavam. E esta tem sido, na verdade, Paulo, uma das tônicas de campanha de Alexandre Leitão. Tem tido mobilização QB, nunca teve uma ação com menos de 50 apoiantes, quer sejam do Partido Socialista ou dos outros partidos que integram esta coligação, mas não tem de fato conseguido nenhuma enchente de ruas. Portanto, vamos ficar à espera dessa descida do Chiado pra contar as espingardas e ver quantas pessoas é que Alexandre Leitão consegue trazer com ela à rua.

Claro, e com a comparação que podemos fazer depois também com a comitiva de Carlos Moedas. João Gama, bom último dia de campanha. Vamos precisamente agora olhar. Miguel Vitero Dias, bom dia, bem-vindo também, para os planos para estas últimas horas de campanha de Carlos Moedas.

Sim, numa altura em que o candidato do PSD, e atual presidente da Câmara, já está aqui a tomar café na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa, está acompanhado pelo antigo presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, e agora candidato presidencial. Será Cotrim de Figueiredo a fazer companhia a Carlos Moedas nesta primeira de três iniciativas públicas neste último dia de campanha. Carlos Moedas já tinha recebido também Mariana Leitão numa iniciativa, recebe agora João Cotrim de Figueiredo. Depois desta iniciativa de contacto tradicional de mais uma arruada, aliás, terá um almoço com pessoas do setor da cultura, um almoço que vai decorrer no Parque Mayer e termina depois, tal como o João Gama também já fez referência do lado do Partido Socialista, termina com a tradicional descida do Chiado, sendo que da parte de Carlos Moedas já sabe que não contará com a presença do presidente do partido, Luís Montenegro, que a essa hora já estará na região Norte. É lá que Luís Montenegro termina esta campanha eleitoral. Termina precisamente em casa, em Espinho, onde a eleição está renhida e por isso vai também colocar as fichas no encerramento em Espinho. Foi uma aposta pessoal do primeiro-ministro nesse município. Aqui em Lisboa, Carlos Moedas terá que descer o Chiado sem a presença do presidente do partido, que esteve ontem num comício de encerramento.

Anteciparam para ontem o grande comício, ou pelo menos o comício mais simbólico de encerramento.

Exatamente. Foi como o Orçamento Estado, anteciparam em 24 horas.

No dia exato.

E um comício onde Luís Montenegro deixou ali um presente que pode ser envenenado pra Carlos Moedas ao pedir uma maioria absoluta. O candidato do PSD tem evitado, tem fugido a sete pés de utilizar essa expressão. Diz apenas que quer mais votos. Ontem fez um trocadilho dizendo que quer mais Moedas para os próximos quatro anos, mas Luís Montenegro, sem meias-palavras, disse que Carlos Moedas devia ganhar com maioria absoluta, elevando assim a fasquia para o candidato.

Exato. Isso significa o quê? Por regra, os políticos não gostam de se comprometer com esse pedido de alguma maneira, porque no dia das eleições, perante o resultado, vão ser confrontados com isso. Esse pedido explícito de Luís Montenegro, de uma maioria absoluta, significa que há muita confiança nesta candidatura de Carlos Moedas?

Há várias extrapolações que se podem fazer. Uma, e que também já tem sido a sensação dos últimos dias, é que existirão dados que dão confiança à candidatura de Carlos Moedas e isso notou-se também no ambiente desta campanha nos últimos três, quatro dias. Uma outra é que Carlos Moedas é uma das figuras de proa do partido e que Luís Montenegro vai também tentando controlar no que toca às ambições e que, por isso, essa exigência de uma maioria absoluta é também um aviso da obrigação que Carlos Moedas tem, depois de ter liderado uma autarquia durante quatro anos, de agora reforçar, e muito, essa votação. Sendo que para o PSD, claro está, é muito importante também vencer a capital, porque acaba por ser, como disse ontem Montenegro, uma referência para o resto do país. Do outro lado, José Luís Carneiro também avisou que vencer Lisboa é ganhar o país. Aqui o PSD não vai tão longe, mas ainda assim, claro que reconhece uma importância maior, até porque na noite de domingo, ganhar Lisboa marcará sempre o discurso político de quem ganha e de quem perde.

Miguel, podemos olhar também um pouco, em jeito de balanço, para esta campanha de Carlos Moedas em Lisboa. Foi mobilizadora, não foi? Que balanço é que se pode fazer disso?

Foi em crescendo, porque arrancou com alguma falta de mobilização naquele primeiro comício com Isabel Dias ไ Auzo. Depois foi ganhando alguma dinâmica, não só no que toca à mobilização de apoiantes, mas também no que toca às iniciativas públicas de campanha. Carlos Moedas fez muita campanha sem comunicar à imprensa, estando no contacto porta a porta, diz que isso facilitava o contato com as pessoas. Apostou muito nesse tipo de iniciativas, mas o número de ações de campanha públicas foram depois também aumentando ao longo dos dias e revelando uma capacidade de mobilização superior face ao arranque. E por isso também esta dinâmica de que os dados que foram surgindo durante estas duas semanas serem muito provavelmente mais positivos, embora as sondagens públicas conhecidas apontam para um empate técnico, uma proximidade entre PSD e PS e, por isso, mantêm todos os sinais de alerta ligados.

Um taco a taco, como dizem as sondagens em Lisboa. Miguel, há pouco fizeste referência ao facto de Luís Montenegro deixar este último dia de campanha para fechar em Espinho, a sua terra. Sabemos que há uma aposta importante também no Porto, onde o PSD vai instalar o seu quartel-general de noite eleitoral. Abrindo um pouco a lente agora, quais são as expectativas do PSD e de Luís Montenegro para esta eleição?

A aposta final vai ser na cidade do Porto. É uma autarquia que está há 12 anos nas mãos do independente Rui Moreira, mas que tem até alguma proximidade com o PSD. Luís Montenegro escolheu terminar a campanha na cidade do Porto e também a noite eleitoral de domingo. Portanto, estará bem próximo o presidente do PSD de Pedro Duarte, quer seja para festejar a vitória, quer seja para dar um abraço solidário em caso de derrota eleitoral. No Porto também tudo em aberto. Luís Montenegro passou estes últimos dias em regiões mais do interior e depois também aqui na região de Lisboa. Fez também questão ontem, ainda depois do comício de Carlos Moedas, que já foi ao início da noite, de ainda ir a Sintra apoiar Marco Almeida, que é também um concelho tido como importante nestas contas finais. É um concelho muito populoso que o PSD pode recuperar depois de 12 anos de governação do Partido Socialista e de Basílio Horta. Mas agora o foco está no Norte e está nas terras que estão muito divididas e onde existiram apostas pessoais da direção do partido, leia-se Luís Montenegro ou Diogo Soares. Neste caso, Luís Montenegro vai estar não só em Espinho, onde o candidato é um assessor do seu gabinete, vai estar também em Aveiro, onde a escolha foi feita diretamente por Luís Montenegro, que é Luís Souto Miranda, e em que os dados também apontam que a manutenção da autarquia para as mãos do PSD pode estar em causa e, portanto, apostará nesses concelhos que estão mais tremidos, tentando usar este trunfo de primeiro-ministro e de primeiro-ministro com o orçamento do Estado debaixo do braço para apresentar ao país.

Muito bem, e resultados só no domingo. De Espinho, vamos descer um pouco no mapa, vamos até Aveiro, onde dois irmãos estão ombro a ombro para vencer a autarquia. Pedro Jorge Castro, estiveste em Aveiro precisamente a conhecer bem esta história.

E com os dois.

E com os dois, que aliás, é uma história que está neste momento bem em destaque no site do Observador. Como é que nós chegamos a este ponto de termos dois irmãos candidatos à mesma Câmara?

É uma ótima pergunta e, mais do que isso, não advém só da curiosidade, que por exemplo, fosse natural. Há aqui quase uma questão de interesse público que nos legitima esta entrada pela vida mais restrita e familiar destes dois candidatos, que é na avaliação do caráter dos candidatos. São os eleitores que fazem essa pergunta aos próprios. E perguntam: "Mas como é que é isso, dois irmãos? Como é que se candidata contra o seu irmão?" Eles na rua estão a distribuir os sacos e os folhetos de campanha e há pessoas que lhes perguntam isso. E imagina, as pessoas são tímidas. Portanto, se calhar, muitas delas também terão essa curiosidade e não lhes fazem a pergunta.

Alberto pelo PS, Luís Souto pelo PSD.

Exatamente. Alberto Souto, que foi presidente da Câmara entre 1997 e 2005, primeiro como independente, depois foi eleito pelo Partido Socialista. Luís Souto, do PSD. Luís Souto foi presidente da Assembleia Municipal nos últimos oito anos, na equipa de Ribau Esteves, e teve logo um azar, que foi quando foi finalmente escolhido, depois de um processo muito turbulento, que envolveu outros três nomes para se decidir quem é que seria, e foi Luís Montenegro que decidiu que seria Luís Souto, teve Ribau Esteves, o atual presidente da Câmara, a dizer que ele não tinha condições para o cargo Que é algo que por muitas voltas que se dê, agora claro que o Ribau Esteves está na campanha e a apoiá-lo e a dizer que ele é o melhor dos nove, mas depois de um primeiro ataque destes, é muito difícil. Mas então é precisamente este processo de escolha que acaba por complicar isto tudo. A dada altura, ambos disseram que não queriam, ambos quiseram, depois nenhum desistiu quando percebeu que o outro avançou. Isso também é muito curioso. Um deles, o Luís Souto, mostrou primeiro a disponibilidade para vir a ser e acha que a partir desse momento mais ninguém devia entrar nisto. Sendo que ele depois, como o processo de escolha do candidato dentro do PSD foi turbulento, a uma dada altura convenceu-se que já não teria hipóteses e o irmão Alberto pega nisso para dizer que acabou por decidir depois disso. Que ele primeiro também não queria e depois mudou de ideias, sentiu o entusiasmo e o bichinho da política depois de lançar um livro com ideias para Aveiro. Toda essa história, essa avaliação de caráter de cada um deles, na verdade, é importante para alguns eleitores e isso leva a que seja de interesse público tentar perceber o que aconteceu aqui e como é que isto surgiu. Estamos a falar também de uma família muito higiénica.

Pois, e a perguntar, de facto, como é que se gere uma corrida eleitoral onde tem que haver críticas aos adversários de alguma maneira, com a coesão familiar.

Isto é uma família muito peculiar, a família Souto. Eles tiveram um avô que foi presidente da câmara entre 1957 e 1961 e quase que foram preparados desde pequenos para serem também presidentes de câmara, que é uma coisa que se calhar não acontece em todo lado.

É quase monárquica.

Sendo que o outro avô deles era monárquico e um destes candidatos, o Luís Souto, ainda fez as primeiras campanhas do PPM. O pai deles era o líder do PPM no distrito, o que tem essa graça adicional. Mas o que eles contam é que de facto em casa sempre discutiram muito, porque este irmão mais novo, o Luís Souto, desde cedo se tornou fascinado por Sá Carneiro e pelo PSD, enquanto os outros eram mais à esquerda e mais de área socialista. E que estão habituados desde sempre a discutir em casa, discussões bastante violentas e intensas.

É o calor das discussões políticas.

E portanto ninguém deve ficar surpreendido com nada disto, porque isto é aquilo que acontece em casa. Isto é uma tentativa de relativizar ou aligeirar o peso e o constrangimento que qualquer pessoa sente com isto, porque as pessoas imaginam: "Caramba, eu alguma vez concorria contra um irmão meu a uma câmara municipal e estava ali a trocar argumentos desta forma com eles em público". E o argumento em parte é: um dos candidatos diz que não o teria feito, o Alberto Souto diz que se soubesse que o irmão já estivesse na corrida, não seria candidato e queixa-se que o irmão avançou sem sequer lhe dizer nada, que soube pelos jornais que ele ia avançar e que isso então é lá assim decente. O mínimo era ter lhe pegado no telefone uns minutos antes de ser anunciado para contar. E claro que depois ninguém se sente muito confortável a falar disto em público, mas também não podem não o fazer precisamente por causa das perguntas que as pessoas vão fazendo. E não é possível fingir que não há este tema. Eles tentaram depois dar o exemplo de manter uma campanha com elevação e tentaram suavizar ataques. Não se referiam diretamente ao irmão durante a campanha, diziam a outra candidatura ou a candidatura do partido tal, mas depois a seguir isso vem: a candidatura tal devia ter vergonha. Isto fica assim um bocadinho complicado. Não vale a pena não dizer o irmão para depois a seguir vir uma coisa destas. Combinaram, por exemplo, evitar frente a frente só os dois. Eles foram convidados por duas televisões e recusaram porque perceberam que ia ser muito explorado essencialmente o espetáculo de ter dois irmãos a digladiarem-se.

Que até agora não seria inédito na política portuguesa.

Sim, houve um caso, Miguel Portas e Paulo Portas em 2001.

Exatamente.

Mas estes dois, de facto, são quem tem hipótese de ganhar a câmara aí, apesar de tudo. Não era esse o objetivo.

Sem dúvida. Isso tira muito peso à questão. Pedro, para fechar, estão taco a taco, de facto, estes dois irmãos nas sondagens?

A sondagem dá Alberto Souto à frente de Luís Souto, o que indicia que há a hipótese de o PSD perder a câmara. E também há o Chega à espreita. O Chega de facto tem aqui em Aveiro este brinde, que estão sempre a dizer que a culpa é de PS e PSD, que PS e PSD governaram isto. E aqui são irmãos. Imaginem o que é esta família a tomar conta dos destinos de Aveiro e a decidir à mesa de Natal como é que vão governar e dividir a cidade.

Presta-se a isso, claro. Muito bem, este foco agora em Aveiro, dois irmãos ombro a ombro para disputar a Câmara Municipal. Uma história que está em destaque neste momento no site do Observador e que serve para fechar o último direto à campanha destas autárquicas.