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Futebol Clube do Porto continua na liderança isolada do campeonato. À décima ronda conseguiu mais uma vitória, agora frente ao Sporting de Braga, uma vitória com o golo a surgir perto do minuto 80 e com o Futebol Clube do Porto a garantir essa vitória por 2 x 1 frente aos bracarenses. É um dos temas em destaque nesta edição de "E o Campeão é". Eu sou Miguel Cordeiro, vou estar à conversa com o Augusto Inácio, Pedro Henriques e também com o Luís Pinto Coelho. Bem-vindos. Augusto Inácio, o que dizer desta vitória do Futebol Clube do Porto? O registo no campeonato vai sendo impressionante. Nove vitórias e um empate em 10 jogos. Ao final da décima jornada, soma 28 pontos. Ontem um jogo mais difícil, foi mais equilibrado frente a este Sporting Braga, mas acabou praticamente da mesma forma que todos os outros, com uma vitória dos Dragões.
Boa tarde a todos. Sim, mas não foi um jogo equilibrado, foi um jogo mais Braga. Um Braga muito personalizado, que mandou a maior parte do tempo de jogo, teve, salvo erro, 68% de posse de bola, mas isso vale o que vale. O que interessa é que são os gols e o Porto marcou dois, o Braga só marcou um. Mas diria que, ao contrário daquilo que o Farioli disse, que o Porto dominou o jogo, é só ver o que o Gabi Veiga disse, que o Porto foi feliz a ganhar, mas que há muita coisa para melhorar e que o Braga foi a equipe que mais problemas causou ao Futebol Clube do Porto em pleno Estádio do Dragão. Ora, os jogadores também sentem isso. Sentem que realmente o adversário foi poderoso, dominou, não teve muitas oportunidades. O Porto também não teve, só que o Porto foi mais eficaz. E costuma-se dizer que neste tipo de jogos, em que a equipe que ganha está por baixo e aquela que luta pelo título parece ter este linha de campeão. Mas diria que foi um Braga surpreendente pela maneira como jogou no Dragão, sem complexos, sem temores, a bola sempre bem colada aos pés uns dos outros. O Gorri foi, na minha opinião, o melhor jogador em campo, mas o Porto depois teve a sorte de ter um Borja Sánes que se antecipou a um defesa. A sorte e o mérito de antecipar o passe do Gabi Veiga, isolou-se e aos 83 minutos faz o 2 x 1, quando não se previa que realmente o Porto criaria essas oportunidades para marcar. Foi o Braga que esteve sempre a rondar mais perto da baliza do Porto. Não conseguiu, é verdade. Fran Navarro aos 71 minutos teve uma boa oportunidade de fazer o 2 x 1, não conseguiu e o Porto acaba por ser feliz. É uma vitória feliz do Porto, é um registo muito bom. Em 10 jogos, nove vitórias, um empate, é um registo muito bom, mas ontem, claramente, na minha opinião, o Braga foi superior ao Futebol Clube do Porto.
Luís Pinto Coelho, o que te parece? Também achas que foi o jogo em que o Futebol Clube do Porto sentiu mais dificuldades?
Olá, boa tarde. Sim, eu diria que sim. Fiquei muito impressionado com o Braga. Vi vários jogos do Braga, mas nunca tinha visto ao vivo a esta época. E ver ao vivo a gente acrescenta sempre outra visão da partida e fiquei muito impressionado com o Braga, uma equipe de autor, que joga como uma equipe grande e que desgastou o Porto imenso com posse de bola. O Porto teve que correr muito sempre, mas o Porto esta época tem duas coisas que não tinha na época passada: defende muito bem, mesmo ontem o Braga tendo muita posse, não criou grandes oportunidades, teve o controle, mas não conseguiu ser muito efetivo no último terço. O Porto defende sempre muito bem. E depois tem banco. Saiu do banco Gabriel Veiga e Borja Sáenz, e o Gabriel Veiga faz a assistência e o Borja Sáenz faz o gol. Na semana passada foi o Dani Djurgren que saiu do banco e fez o gol. Isso é uma diferença muito grande. O Porto consegue mexer na partida com jogadores com características diferentes e vai também levando o arca ao Porto. Mas dar mérito ao Braga, sim, acho que este Braga tem futuro, e o Porto continua sempre muito competitivo. Mesmo quando a nota artística não é alta, o Porto é sempre competitivo, e isso é uma imagem, marca de Farioli.
Pedro Henriques, o que te parece este encontro e mais esta vitória do Futebol Clube do Porto?
Bom dia. Sete pontos de análise de forma rápida. Em primeiro lugar, os números, que eu gosto sempre de ver. Só relembrar que o Porto teve 31% de posse de bola. Eu sei que isso não é nada, mas é estranho ver o Porto a jogar em casa com 31% de posse de bola. Pontapé de canto, foram poucos, mas mesmo assim dois para o Porto, três para o Braga. E se olharmos para os remates, o Braga também ganhou 10 x 9. Se bem que o Porto teve mais remates enquadrados do que o Braga, isso é mais importante. Destacaria, para mim, como o melhor jogador em campo, o homem que acaba por decidir o jogo, o Borja Sáenz. O Borja Sáenz em 14 jogos, foi titular em 12. Há dois jogos que não é titular, ontem foi um deles. Mesmo assim, faz aquilo que eu acho que é muito importante, que é um jogador habituadíssimo a ser titular, sai do banco e joga com a mesma vontade e empenhamento. Eu acho que isso diz muito da atitude, da postura. Mas para mim, se é o melhor jogador em campo, Rodrigo Salazar foi claramente a figura do jogo e agarrando naquilo que um político disse que era preciso para Portugal três Salazares, eu acho que ontem o Braga com três Salazares, se calhar podia ter tido outro resultado, porque realmente para mim foi a figura do jogo, tal a importância que tem este jogador na equipe do Braga. Termino com João Moutinho aplaudido. Não deixa de ser engraçado pelo sentido positivo, algum reconhecimento, não muito, do que o Moutinho fez também enquanto jogador do Futebol Clube do Porto. Isso é sempre bonito e importante ver quando vem das bancadas esse aplauso. Algum cuidado e preocupação em relação àquilo que é o banco do Futebol Clube do Porto. Parece que de repente estamos a voltar a uns tempos em que o Porto tinha lá o diretor de comunicação, etc. O diretor técnico, mais concretamente. Ontem tivemos a expulsão do Henrique Monteiro, o Fariol a levar cartão amarelo e ainda por cima uma expulsão por causa de um lançamento inatural, que até o árbitro acerta, tinha razão. Podia não ter, mas tinha razão. Isso acho que não faz muito sentido. E depois, em termos de arbitragem, o gol do Porto é bem anulado. Mesmo que não queiram a falta, o Fariol estava em fora de jogo, não sei se perceberam disso. Saiu da linha de baliza, embora tivesse também um jogador do Braga fora, estaria sempre em fora de jogo. O gol do Braga não há falta, porque o Costa também está a agarrar o jogador do Braga e está a ser agarrado. E a tal mão do Alan Varela na área, que não é pênalti, porque é a bola que vai ao braço depois desviada do Frán Navarro. Portanto, uma arbitragem claramente positiva, não obstante muito assumiu e muita crítica, inclusivamente do próprio treinador, que acho que não está no bom caminho quando diz: "Há qualquer falta é amarelo". Vejam lá quantos amarelos é que houve e se os amarelos não foram todos bem mostrados.
Muito bem, vamos falar aqui de outros temas também, até porque o campeonato agora vai ter uma pausa de uma semana por causa da paragem para os jogos internacionais. Benfica, Sporting Futebol Clube Porto e Sporting Braga vão ter encontros durante esta semana para acompanhar aqui na Rádio Observador. Mas por Inglaterra temos mais um treinador português em destaque, mas pela negativa, Vítor Pereira deixa o Wolves. É um cenário muito complicado, Luís Pinto Coelho. Vítor Pereira teve o ano passado uma história muito bonita com este Wolves e conseguiu garantir a manutenção do clube, mas agora estava na última posição, tinha apenas dois pontos, ainda não tinha conseguido vencer nesta temporada em 10 encontros. Um desfecho que seria de esperar para Vítor Pereira?
Sim, eu acho que a equipe entrou ali num ciclo negativo e na Premier League muitas vezes é difícil depois de contrariar esses ciclos. O campeonato é extremamente competitivo. Eu acho que há aqui dois fatores a ter em conta. E se a gente for analisar o número de pontos que a equipe perdeu nos últimos minutos, é assustador. Quer estar a ganhar e deixar-se empatar nos dois empates que teve, quer em derrota, estar empatado e sofre gols nos últimos minutos. Isso mostra muito da intranquilidade da equipe, não estava a conseguir fazer pontos e depois as coisas ainda vão sempre piorando. E depois a questão do mercado. Saíram alguns dos melhores jogadores do Wolverhampton e os reforços que chegaram ainda não estão nem de perto, nem de longe ao nível dos que saíram. Era sempre difícil o Wolverhampton estar num nível alto. Acho que podiam ter mais alguns pontos, com um pouco de sorte, mas o Vítor Pereira é um bom treinador. Agora, na Premier League, se calhar, perdeu aqui uma oportunidade. Se ele fizesse mais uma época completa, se calhar, depois tinha portas para outros clubes. Sendo assim, o ano passado teve impacto, é verdade, conseguiu a manutenção e bem, que teve um impacto grande quando chegou, mas esta época a correr mal, se calhar as portas da Premier League vão-se fechar.
Muito bem. Augustinás, o que te parece esta aventura de Vítor Pereira na Premier League, a forma como chega ao fim nesta aventura no Wolves?
Pois, o sucesso às vezes traz problemas. E o que eu quero dizer com isto? Porque as pessoas do Wolverhampton olharam para o Vítor Pereira e disseram assim: "Pronto, temos aqui um treinador que nos salvou esta época de não descer a divisão e com ele vamos fazer um campeonato tranquilo, independentemente dos jogadores que a gente tiver". Ora, o treinador sozinho também não faz nada, tem que ter jogadores. E o Luís Pinto Coelho disse bem, saíram ali figuras do Wolverhampton que não foram colmatadas com a mesma qualidade. E nesse sentido, os responsáveis do Wolverhampton estavam à espera que o Vítor Pereira agora fizesse milagres e continuasse a fazer os mesmos resultados que fez no ano passado. E depois é aquela coisa, as coisas correm bem, até bebes cervejas com os adeptos e continuas a beber uma imperial com os adeptos, mas os adeptos depois também querem é vitórias. Isso é tudo muito bonito enquanto se está a ganhar. Quando não se está a ganhar, as coisas enrolam-se um bocadinho mais. Eu diria que tive pena, e tenho pena, que realmente o Vítor Pereira não tivesse mais sequência neste clube. Eu acho que ele tem condições para treinar bons clubes em Inglaterra. É natural que agora com este despedimento, as coisas esfriem um bocadinho mais, mas que o Vítor Pereira não perca aquilo que é o seu valor. Ele tem muito valor e correu mal agora, mas no futuro isso não quer dizer que corra mal. Já tinha feito um milagre, fazer dois milagres seguidos é muito complicado.
Pedro Henriques, também achas que já seria difícil para esta temporada ainda pensar no milagre? É que basta olhar aqui para sair da linha de água, já vão oito pontos de diferença. É óbvio que ainda há muito por jogar, mas 10 jornadas e nenhuma vitória para o Wolves.
Eu relembro que no verão, o Vítor Pereira esteve para sair, porque na altura a questão foi, além de não se conseguir contratar os tais alvos pré-definidos, aliado àquela que foi a saída do Matheus Cunha e do Rayan Ait-Nour, deixou a equipa praticamente sem aqueles recursos que se pensava que eram essenciais à partida para poder lutar por outros voos. Portanto, há aqui problema que não é só do Vítor Pereira, é a perda de dois jogadores essenciais e não ir buscar os tais alvos pré-definidos. E daí que estas 10 derrotas, sete gols marcados e 22 sofridos, e uma média de pontos inferior a todos os que lá tiveram, portanto a média de pontos é 1.24, até o Lopetegui fez 1.30 e 1.29 do Bruno Lage quando lá passou e 1.68 do Nuno Espírito Santo, a média de pontos era mais baixa do que todos os antecessores. E, portanto, tu passas exatamente de beber cervejas com os adeptos, a levares com o copo da cerveja na cabeça, porque o futebol é mesmo assim em todos, é treinadores, é com árbitros, é com jogadores, é com tudo. Hoje és levado ao colo, amanhã deixam-te cair do colo e, portanto, faz parte. Eu acho que o Vítor Pereira sabe isso, o Augustínás melhor do que qualquer um de nós, sabe como é que é a vida de treinador, do céu ao inferno, do besta ao bestial. E repare, e termino com isto, vê o que aconteceu com o Abel Ferreira. Fizeram resumo muito interessante depois do 3 a 0, as reações nas mais diversas redes, cadeias de televisão, adeptos. Matavam o homem, despediram o homem, é já no balneário e por aí fora. A seguir, até promessas fizeram, não sei se viram isso, até promessas de rapar o cabelo se dessem a volta, porque pensavam que era impensável, outro disse que se mandava de paraquedas, e agora estão todos a cumprir as promessas e alguns bem arrependidos, porque foi possível dar a volta. Mas se não fosse possível dar a volta, ou seja, se tivessem despedido o Abel Ferreira no primeiro instinto, se calhar não tinham ganho agora e quase estavam na final. O futebol é muito isto e quem anda no futebol, não é preciso andar, vê-se por fora, mas quem anda, quem andou e quem vê futebol todos os dias sabe que isto é muito fácil de passar de besta ao bestial E o Vítor Pereira está mais preparado para isso e outro projeto há de surgir, certeza.
Vamos às nossas notas de campeão, mas, Augusto Inácio, vou começar desse lado. Queres também pontuar o Mundial de Sub-17, que arranca com participação portuguesa. Já joga hoje às 15h15.
É verdade. Vou dar nota 18 para nós termos uma força grande, depois de ganharmos o Campeonato da Europa na Albânia, 22 anos depois, nós voltamos a um mundial e Portugal joga hoje com a Nova Caledónia e depois joga com Marrocos e com o Japão. Por isso é para desejar sorte, muita força e que Portugal consiga fazer um grande mundial. Mas também queria dar a nota 17 para o voleibol do Sporting. Ganhou ontem 3 x 0, no Pavilhão da Luz ao Benfica. Grande vitória, uma vitória fantástica com grandes exibições coletivas do Sporting. Mas também queria dar nota 16. O Porto não jogou bem, é verdade. Ganhou, foi essencial. Dez jogos, nove vitórias, um empate, nota 16 para o Porto, porque a sua combatividade, a sua união e a sua forma de acreditar que é possível sempre ganhar esteve bem patente ontem, por isso, nota 16 para o futebol clube do Porto.
Pedro Henriques, campeão do dia.
Eu vou dar uma nota negativa de oito, em termos genéricos, pegando naquilo que aconteceu com o Vítor Pereira, mas também com o que aconteceu com o João Pereira, que após a derrota de 3 x 5 com o Estrela da Amadora, acaba por ser despedido ou rescindido, como queiram dizer, porque no fundo é um bocadinho a vida, neste caso concreto, dos treinadores e das direções e dos clubes. Eu sei que quando as coisas não funcionam, há que tentar dar a volta, eu percebo isso. Mas se o projeto é bom, se o treinador tem o tal perfil à partida que foi estudado, foi pensado, não faz muito sentido que sejam só os resultados a ditarem esta questão da continuidade ou não. E, portanto, este despedimento de Vítor Pereira, despedimento do João Pereira e outros despedimentos que se irão seguir, com certeza, revelam muito mais da incapacidade dos clubes de serem profissionais no seu verdadeiro sentido, de se organizarem e terem perfis definidos e projetos, do que propriamente da culpa, entre aspas, dos treinadores e das suas competências e resultados. Portanto, nota negativa para esta forma muito amadora que os clubes têm e, sobretudo, têm de resolver os assuntos. Portanto, o elo muitas vezes mais fraco. Primeiro ataca-se a arbitragem, quando já não resulta, a seguir é o treinador que vai para a rua.
Luís Pinto Coelho, para fechar.
Já que estamos nos treinadores, vou dar aqui três notas altas, três 17 para três treinadores. Carlos Vinicius, acho que este Braga tem futuro, fiquei muito impressionado. O Braga joga muito futebol. O Farioli, porque mesmo sem grande norte artístico, o Porto é supercompetitivo, sempre. E para Abel Ferreira, porque depois daquela reviravolta, a equipa podia perder um bocadinho o foco e entrar em euforias. E ontem ganhou novamente e está na frente isolado do Brasileirão e pode fazer história se conquistar os dois troféus.
Muito bem, está feita esta edição de "E o Campeão É?". Estamos de regresso amanhã, por volta da 12h30.