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Este é o Juventude da Rádio Observador com a Judite França, Helena Garrido e Pedro Benevides. Vamos falar do preço das casas, que ultrapassou os €2000 por metro quadrado pela primeira vez. Temos aí mais um candidato presidencial, desta vez um candidato apoiado pelo Livre, ainda a demissão da administração da Carris e o metro de Lisboa que corre o risco de perder o dinheiro do PRR previsto para a Linha Vermelha. Não sei se vamos ter tempo para falar de tudo isto, mas nós temos muita vontade de falar tudo isto. E temos, claro, um tema incontornável: a morte de Francisco Pinto Balsemão. Pedro Benevides, começamos por aí, até porque foste aluno dele e trabalhaste na SIC.
Sim. Por acaso, sabes que nestes dias em que morre alguém, há sempre a tendência, eu tenho visto isso muito nas redes sociais, de cada pessoa fazer a homenagem. Tu não percebes bem se a pessoa está a homenagear quem morreu ou se está a homenagear-se a si também.
Exato.
São só questões circunstanciais. De facto, fui aluno dele na universidade. Estava aqui a discutir com a Judite, não acho que guardemos as mesmas memórias. Acho que Francisco Balsemão foi um homem extraordinário em muitas coisas. Não guardo dele o facto de ter sido um professor universitário extraordinário, mas também eu não fui um aluno extraordinário, isso pode ter ajudado. Mas nas outras dimensões, sim. E o facto de ter trabalhado na SIC é apenas uma curiosidade, ou pelo menos uma coisa que eu vou guardar para mim, que é ter podido conviver com o Francisco Pinto Balsemão por breves segundos, quer dizer, se contabilizar o tempo todo. Mas aquilo que as pessoas contam dele passar nos corredores, tratar as pessoas pelo nome, fazer perguntas como se estivesse genuinamente interessado. Se a pessoa perdeu peso ou se aumentou de peso, ou se já não o via há muito tempo. Ele fazia isso, efetivamente, era uma das marcas dele. Ainda agora os filhos, quando lembraram o legado do pai, falaram disso porque, por exemplo, na SIC isso era uma coisa verdadeiramente importante. Nós estamos aqui no estúdio, estão a dar várias emissões de canais de notícias, eu estou a ver a emissão da SIC Notícias e imagino que muitos dos meus colegas que ali estão, estão genuinamente comovidos e emocionados com a morte de Francisco Pinto Balsemão, porque não era simplesmente uma figura que estava escondida num gabinete de administração ou era apenas o financiador daquele projeto. Era uma pessoa verdadeiramente marcante. E tanto marcou a SIC, como marcou o Expresso, como marcou outros projetos onde esteve envolvido, até antes disso, e marcou o jornalismo como é feito hoje em dia ainda, e marcou também a democracia como a temos. Ele deu corpo, às vezes em circunstâncias até desagradáveis para ele, porque ele chegou a ser primeiro-ministro e tinha um jornal que lhe era muitas vezes avesso. E ele deu corpo e sentiu no corpo as dificuldades que é ter de lidar com a liberdade de imprensa, mas ele defendeu-a sempre. O Expresso foi uma lufada de ar fresco num Portugal que estava em mudança muito rápida. E a SIC foi também uma lufada de ar fresco para aquilo que é o jornalismo televisivo e a televisão em geral. E, portanto, neste momento é muito importante que se lembre esse legado, que é extraordinário. Estamos a falar de uma pessoa que veio de uma família privilegiada e que podia muito simplesmente ter vivido à conta do privilégio. Não foi isso que ele fez. Há de haver uma frase que vai ser recordada por estes dias, que é ele dizer que sentia que tinha que deixar o mundo melhor. O mundo eu não sei se está melhor, mas o país ficou melhor porque ele existiu, porque ele fez o que fez e eu acho que muita gente se calhar não vai perceber isso, mas nós que estamos neste meio e que somos jornalistas e que estamos aqui neste estúdio a ter esta conversa livre e aberta e sem nenhuma restrição, acho que também lhe devemos isso a ele.
Helena Garrido.
É o último dos grandes empresários da comunicação social. Já não temos nenhum grande defensor do jornalismo de rigor, do jornalismo da objetividade, dos grandes valores do jornalismo e obviamente da liberdade de imprensa. Eu não fui aluna dele, a minha praia é mais a economia, mas todos nós jornalistas sabemos que lhe devemos muito. Ele ditou o ADN do jornalismo e será sempre uma referência para os jornalistas portugueses.
Já a Judite foi aluna.
Eu fui aluna. Também não fui uma aluna brilhante. Aliás, se bem me recordo, ninguém conseguia tirar notas muito brilhantes, porque havia bastante rigor também. Além do jornalismo, também havia bastante rigor na sala de aula, mas lembro-me de algumas coisas que me marcaram, nomeadamente o facto de ser uma pessoa extremamente ocupada, obviamente. Parece mais ou menos óbvio. Mas a primeira coisa que fez quando chegou à primeira aula foi dizer os dias em que ia faltar e dizer os dias em que as aulas eram substituídas. Vamos supor, vou faltar no dia 18 de maio, que era dali sete meses, e a aula de substituição será no dia 20 de maio, de forma que não prejudicasse os alunos. Tendo em conta o horário daquela turma. Eu achava que isso era de alguém que se preocupava genuinamente com os alunos, preocupava genuinamente com a profissão de professor e podia ser, neste caso, ele era professor associado, mas podia ter o estatuto de professor convidado, porque era pela sua experiência profissional e pela sua carreira que lá estava e não pela sua carreira acadêmica. Dito isto, marcou-me como professor, foi a primeira vez que eu ouvi falar em pay-per-view. Isto foi há muitos anos, eu não vou dizer há quantos anos foi, mas foi há muitos anos E, portanto, aprendi coisas sobre, a cadeira chamava-se Mutação dos Media, e era exatamente sobre isso, porque ele, de facto, sabia muito sobre os media do ponto de vista não só empresarial, mas do ponto de vista mundial. E vou recordar isso garantidamente, assim como vou recordar, obviamente, o Expresso e a SIC do ponto de vista do utilizador.
E vamos avançar para um dos temas desta tarde, é uma notícia desta tarde: a demissão da administração da Carris, Judite.
Eu diria que vai tarde. Eu recordo, e acho que é justo dizer, que Pedro Brito Bogas apresentou a demissão logo naquele dia, ou no dia seguinte, pôs lugar à disposição. Isso é justo dizer. E na altura, Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, disse que ninguém saía, que ninguém fugia, que ninguém qualquer coisa do gênero. Mas era mais ou menos evidente que o cargo não ia passar desta administração e, portanto, esta administração iria chegar ao fim. E no dia seguinte, Carlos Moedas dizer que não iria dar posse de novo a esta administração. O mandato da administração acaba com o mandato do presidente da Câmara e, portanto, segue-se um novo executivo e um novo mandato, e faz esta renúncia agora, depois daquilo que foi conhecido do relatório do GIPAS. Não consigo dizer. Ontem o Alexandre Borges disse isso tão bem, mas eu não consigo.
Podemos gravar.
E usar.
Exato. Relatório preliminar.
Mas parece-me que depois daquele relatório não tinha qualquer hipótese de continuar.
Helena Garreta.
Sim, acho que era inevitável. Há aqui vários elementos. Podemos concordar ou não que não se tenha demitido antes. Carlos Moedas não geriu da melhor forma o processo, até de forma um bocadinho surpreendente, revelou alguns problemas de gestão e liderança em momentos de tensão e de crise. Independentemente de considerarmos o argumento de que não se demitia enquanto não forem apuradas as razões do acidente, obviamente que neste momento tornava-se muito difícil e insustentável esta manutenção da administração, até levando em consideração que vai ser, eu penso que ontem até foi o Alexandre Leitão que chamou a atenção para isto aqui no Observador, vai ser a própria Carris que vai fornecer alguns dados e a suspeita de que poderão estar a autoproteger-se seria significativa se ele se mantivesse no cargo.
O próprio gabinete, deixa-me só dizer isto, queixa-se no relatório que não teve acesso a todos os dados.
Exatamente.
O que é por si só lamentável.
Exatamente. E logo a transmitir essa suspeição de que não havia aqui disponibilidade, porque até pode ser só porque não há essa informação. Agora, com uma nova administração, não há razões para suspeitar, independentemente de ser justo ou injusto, até porque o presidente da Carris era e é uma pessoa bastante competente, conhecedora do setor, não é propriamente um novato.
Ou um paraquedista.
Um job, um paraquedista, um job for the boy, não é nada disso. Aconteceu-lhe este azar. Há toda uma história da Carris que não estava a funcionar, pelo que conhecemos hoje, e penso que era inevitável.
Pedro?
Eu acho que era inevitável a demissão, agora, sobretudo depois deste relatório, acho que era absolutamente inevitável. Acho que mesmo que não houvesse este relatório, é muito difícil que uma administração se mantenha em funções quando acontece uma tragédia daquelas sob a sua supervisão, se quisermos ser assim simplistas. E aqui não estou a assumir culpas nenhumas da administração propriamente dita, mas era difícil. Agora, depois de se conhecer este relatório, a situação tornou-se verdadeiramente insustentável, porque aquilo que dá a ideia, olhando para as revelações que lá vêm, e independentemente de sabermos se é aquilo que causou o acidente.
Que ainda não se sabe.
Que ainda não se sabe, é que aquela empresa está ao desgoverno absoluto. Aquilo está a ser gerido de uma forma que não cabe na cabeça de ninguém. Não é possível que uma empresa com aquela responsabilidade, com meios de transporte, que apesar de tudo, ainda por cima são estruturais para uma certa imagem da cidade, não há postal de Lisboa que não tenha o elétrico a passar ou que não tenha o elevador na imagem, e aquilo é gerido como nós estamos a perceber que aquilo está a ser gerido, independentemente do acidente. E portanto, não é responsabilidade desta administração só, é responsabilidade de várias administrações que permitiram que depois em vários departamentos, porque consta que alguns problemas foram identificados informalmente, tudo aquilo dá a ideia que é tudo muito informal, desde a forma como se colocam os cabos, até como se comunicam problemas.
Basta ver como se transmite o conhecimento.
Exatamente.
Não há normas escritas.
É uma coisa bonita.
É de pai pra filho. É quase de pai pra filho.
Quer dizer que a gestão daquilo que é feito todos os dias, ninguém tem noção do que está a passar naquela empresa. E portanto, eu acho que esta demissão era inevitável. Aquilo que eu gostava, a partir de agora, é que quem vier a seguir revolucione por completo aquilo que se está a passar, porque não é possível fazer parte da administração de uma empresa destas e não ter conhecimento de como é que a empresa efetivamente está a ser gerida no dia a dia, nos mais pequenos pormenores.
Além da desconfiança que causa em todos os termos, em relação a todo o resto.
A Carris tem, evidentemente, um problema enorme, que é recuperar a confiança dos consumidores, dos utilizadores, dos clientes.
E não só de utilizadores dos elevadores.
Não, em geral.
Dos elétricos.
Exatamente, em geral. Isto é uma crise que afeta a imagem da empresa. Agora, é importante que isto não fique com aquela coisa que em Portugal se gosta muito, que é: há um problema, demite-se alguém e já está. É importante que quem vier venha com um mandato muito claro sobre o que vai ter de fazer na Carris. Doe a quem doer e vai ter de ser duro.
Há notas? Judite?
Em relação à admissão, eu vou lhe dar um 12, porque acho que era aquilo que era expectável fazer e fez aquilo que era expectável fazer.
Helena?
É um neutro, um 12.
Pedro?
Eu vou dar um 20 a Francisco Pinto Balsemão, que é o tema que trouxe aqui. Relativamente a isto, desde a própria forma como o presidente da Câmara de Lisboa geriu este processo até ao fim, porque ontem ele apenas anunciou que não ia reconduzir a administração perante aquele relatório, podia ter anunciado que ia demitir, mas não quis fazer.
E Judite França, sem demoras, há um novo recorde no preço das casas, pela primeira vez passaram os 2000 €/m². É isso?
É verdade. É um valor absolutamente inacreditável, tendo em conta que os preços das casas em Portugal já são os mais sobrevalorizados da União Europeia. E portanto, isto é subir em cima de subir.
Mas tem cache.
Tem muito cache. Estamos a falar de uma taxa de variação de 19%, que é imenso. Independentemente disso, e também por isso, também por causa deste aumento de preço, é que tivemos mais de 41 mil casas vendidas só num trimestre e é dos mais elevados de que há registro. Portanto, ultrapassar a fasquia de 2000 €/m² é o mais alto que há registro nas sequências do INE, desde 2019, que é esta sequência do INE. E depois temos 41 mil casas vendidas, que também é um dos valores mais elevados. Há imenso dinheiro para comprar casas, só não há dinheiro nas pessoas que nós conhecemos.
Eu não sei quem são as pessoas que vocês conhecem. Eu dou-me com pessoas para quem isso é normal.
Ou seja, de facto, há uma classe média que não tem acesso à habitação, pura e simplesmente.
Helena, há um dado aqui também interessante, que é seguramente já não estamos a falar só de Lisboa e Porto. Estamos a falar de Gaia, Coimbra.
Amadora.
Generalizado.
Algarve. Na verdade, a comparação é Lisboa e Algarve, que são as zonas mais caras e estão até bastante longe desse valor dos 2000 €.
Mas um dos sítios onde se viu mais foi no Baixo Alentejo. Portanto, depois também abre uma nova vez.
É o sítio onde tem os valores mais baixos, mas que proporcionalmente subiu. Mas em Lisboa, como estavas a dizer, este preço mediano, que na prática significa que metade das casas estão acima desse valor, que é os 3400 €/m², isto significa que uma casa de 100 m² custa 340 mil € e significa que metade das casas têm valores superiores a esse valor. A Grande Lisboa e o Algarve são os que têm os valores mais elevados e na Grande Lisboa o aumento foi 21%. Continuamos com este problema. Além disso, nestes últimos dias, reforçou-se a expectativa de que a União Europeia venha a entrar neste tema, teme-se o pior, pelo menos da minha perspetiva, porque a União Europeia está com uma tendência de se meter em tudo. Ursula von der Leyen falou na simplificação, se for para simplificar, já não é mau.
Na simplificação da burocracia.
Exato. Agora António Costa fala em fundos europeus. Ora, nós verificamos que não é por falta de fundos que nós não fazemos casas em Portugal. Não é por falta de dinheiro que não se faz casas. E penso que o governo, no caso de António Costa, que esteve 17 anos no poder, entre estar na Câmara Municipal de Lisboa e no governo, e agora vai nos resolver o problema da habitação a partir de Bruxelas, esperemos que não agravem a situação. O que eu diria é que vale a pena o governo fazer alguma reflexão, porque as medidas há três ou quatro anos, desde António Costa, primeiro com o Mais Habitação, que era Menos Habitação, é que acesso à habitação, os preços sobem, portanto, todas as medidas parecem, não podemos dizer que são elas que agravam, mas pelo menos não resolvem o problema. Vale a pena perceber o que é que se faz. Adotar medidas que façam, de facto, mexer o ponteiro.
Parece-me mais ou menos evidente que as medidas de apoio aos jovens fizeram subir os preços.
A correlação é direta.
E Pedro, temos um novo candidato presidencial.
Eu ficava aqui mais um bocadinho de tempo, por que estás com tanta pressa? Não queres a minha opinião sobre os preços da habitação?
Quero, mas eu ainda tenho de ir ao supermercado.
Pronto, então vá, respeitando a conciliação entre a vida profissional e a vida pessoal, eu vou passar então ao candidato presidencial. Conta-me lá, quem é o candidato presidencial?
Deixa-me ver, é um candidato apoiado pelo livro.
Aí está, eu acho que isto explica exatamente do que estamos a falar.
Não, e tudo isto foi um pequeno teatrinho. É o Jorge Pinto.
Um pequeno teatrinho, nós também somos pessoas do teatrinho, não é só reflexões profundas sobre as matérias que estão na atualidade.
Aí vem Jorge Pinto.
Sim, segurança. Aí vem Jorge Pinto. Eu acho que o país, se o almirante já nos deixou ali uma comoção nacional, eu acho que agora a chegada de Jorge Pinto vai deixar o país verdadeiramente ansioso pelas eleições para ver o que vem aí. Eu, honestamente, admito que seja ignorância minha, eu não consigo perceber qual é a necessidade desta profusão de candidatos presidenciais. Sempre achei isso estranho, mesmo até Pessoas que avançavam sozinhas, nada de mal, acho lindamente.
Mas essas que avançam sozinhas fazem mais sentido do que estas de cada partido pôr um candidato.
É que eu achava que às vezes víamos algumas figuras que tinham percursos respeitáveis e que de repente queriam entrar numa corrida que parecia logo em direção a uma parede. Mas queriam ser presidentes e faziam e assumiam o que tivessem que assumir para fazer isso.
Isto não parece aquilo que diz o almirante, que é uma réplica das legislativas.
Parece uma réplica das legislativas.
Só falta o JPP. Neste momento.
Fala baixo, por favor. Nós não sabemos. O JPP...
A Rádio Observador é ouvida na Madeira Online.
Isto são candidaturas.
Vamos passar à frente.
Isto são eleições legislativas, claramente.
Mas qual é o propósito disto? Qual é o objetivo disto?
Não parece ser neutralizar os três grandes, cada um está a tentar neutralizar.
Sim, e depois qual é o efeito prático disso? Vais para uma segunda volta e depois fazes o quê? Não fazes nada. Quer dizer, apoias um dos candidatos, mas podes correr o risco de, dos dois candidatos que te sobram, tu não gostares de nenhum. Portanto, a minha dúvida é: qual é o objetivo? Porque isto, apesar de tudo, tem um risco e de investimento considerável, porque as campanhas não são baratas e se não tiverem o mínimo de votos, e não estou aqui a vaticinar um insucesso eleitoral para o senhor Jorge Pinto. Não estou a vaticinar um insucesso, mas pode acontecer, não ter sequer o mínimo de votos necessário para ter a sua convenção. Portanto, eu acho que isto é uma coisa que não faz muito sentido.
Deixa-me só acrescentar que isto foi um comunicado enviado à Agência Lusa logo ontem, teve uma pontaria monumental, porque deixou de ser notícia. Ontem deixou de ser notícia.
Mas hoje ia ser uma notícia daquelas.
Ia. Mas o Livre acredita que o Parlamento, e agora vou ler: "Está marcado por uma maioria de direita com a extrema-direita." Isto fui eu a ler. Portanto, para o Livre, o melhor é fragmentar a ala esquerda. Para que seja mais fácil a direita ganhar? Eu acho que isto do ponto de vista estratégico, para o Livre não faz sentido absolutamente nenhum. Para a esquerda em si não faz sentido.
Há aqui um mistério, porque de facto é quase analisar candidato a candidato, destes candidatos mais pequenos e perceber: este vai prejudicar quem?
Exato.
O objetivo das candidaturas parece ser esse, prejudicar uns e beneficiar outros. O raciocínio é quase agarrar um a um e dizer: este prejudica este, beneficia aquele.
E é desvirtuar um bocadinho o exercício.
Completamente, é pela negativa, não é pela positiva. São candidaturas unipessoais. Antigamente as eleições presidenciais não eram isto, eram outra coisa. Não me lembro de eleições presidenciais assim.
Agora, por exemplo, estou a ver a Ana Gomes na televisão a falar agora no velório de Francisco Pinto Balsemão. Ela corporizou uma candidatura e foi aí frente isto.
É verdade, mas tu tiveste uma cisão dentro do Partido Socialista, foi uma coisa completamente diferente e eles avançaram sozinhos.
Mas nem era uma candidatura incompreensível. E a verdade é que tu não achavas que ela estava ali a fazer esta matemática de se eu for, eu prejudico aquele. Não, ela estava aí a representar alguma coisa e havia eleitorado que se revia naquilo que ela fazia.
Tanto que ficou em segundo lugar.
Exatamente.
Exatamente.
Isto que nós estamos a assistir agora é uma coisa que eu, honestamente, não consigo compreender.
Tenho a certeza absoluta que vamos voltar a isto noutras edições de "O Vencedor É". Agora temos que apanhar o metro num instante, porque a expansão da Linha Vermelha do metro de Lisboa, que é a linha que serve o aeroporto, e a ideia era estender a linha de São Sebastião até Alcântara, passando pelas Amoreiras, Campo Lido, Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara. Ora, Helena Garrido, tudo isto pode ficar em águas de bacalhau, porque nos atrasamos.
Era o papel.
Falta um papel.
Era por causa do papel.
Qual papel?
Este caso é bem exemplificativo das restrições e dos estrangulamentos à nossa capacidade de execução. O concurso foi aberto e o contrato assinado em dezembro de 2023. Estamos em outubro de 2025. Um dos concorrentes recorreu, como também costuma ser hábito, para tudo. E o resultado aconteceu só em maio de 25, é que houve a decisão judicial. O Tribunal de Contas só deu visto em março e os projetos de segurança contra incêndios só foram aprovados em agosto e portanto passaram mais de dois anos e não aconteceu nada. A obra não começou.
Isto também parece um teatrinho, mas não é, lamentavelmente. Esse é que é o problema. Mas parece um teatrinho.
Parece absurdo. Parece um alinhamento absurdo.
Cá no Burgo é perfeitamente plausível.
Não, é o papel do Ricardo Araújo Pereira. É o papel durante dois anos e tal que tivemos aqui a tratar dos papéis. E na sequência de tratarmos dos papéis, vai ter de ser pelo menos parcialmente retirado dos fundos do PRR e só uma parte do projeto é que vai ser financiado e depois a pergunta é se teremos nós dinheiro para completar o projeto.
Helena, quase que me dá vontade de te perguntar, para uma resposta em 15 segundos, se nem para gastar dinheiro nós servimos.
Nem para gastar dinheiro parece que servimos.
Pronto, é com esta nota de esperança.
É com isto que acabamos o programa?
É um dos maiores projetos na mobilidade sustentável do PRR.
Já tinha sido cancelado um, não é? Da Linha Violeta.
Obrigado a todos.
Nada, Ricardo. Boa ao teu supermercado.
Continuamos?
Tenho, porque a pata de porco está a um preço apetecível.
Tu sim sabes gastar dinheiro. Para não estar à frente dos projetos do metro.
Isso vão ver. Carruagens alcatifadas para toda a gente. Obrigado a todos. O "Vencedor É" regressa amanhã, às manhãs, 360 depois das 8h30.