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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora mais um "Iuvenstoria" das manhãs 360 e hoje juntam-se a nós pra dar notas o José Manuel Fernandes e a Ana San-Les. E vamos começar pelo debate sobre a reforma laboral. Ana, depois do que aconteceu ontem, já sabemos como vai terminar hoje a votação no Parlamento?
Espera, são 08h39. A votação deve acontecer entre 12h e 13h, o que quer dizer que a posição de André Ventura ainda pode mudar três vezes até lá, portanto, não nos precipitemos.
Ainda é função tripla, não se arrisca.
Eu sei, aqui há uns meses estávamos certíssimos a dizer: "Não, isso não tem pernas pra andar, vai chumbar, é certíssimo". E agora-
Ventura arranjou umas pernas
...a clamar vitória na reforma laboral. Mas sim, acho que depois do debate de ontem, apesar de todas as reviravoltas que ainda podem acontecer, acho que nos restam poucas dúvidas de que o Chega vai mesmo viabilizar a reforma laboral, não só a reforma deixa as possibilidade, como julgo que será aprovada no fim. Ontem, quando ouvi o debate, questionei-me em certos momentos se estava a discutir uma proposta do governo ou do próprio Chega, com André Ventura a falar tanto de uma vitória e a defender com tanto fervor a reforma que parecia da sua autoria, isto vindo da mesma pessoa que há 15 dias dizia que a lei seria derrotada onde teria de ser derrotada, que era no Parlamento. Passar a reforma pondo meia dúzia de propostas do Chega não é uma derrota da proposta do governo, é uma vitória da proposta do governo, porque a reforma é do governo, é de Montenegro, é de Palma Ramalho, portanto, a vitória é de ambos e foi bastante suada. Nós vimos muitas coisas surreais ao longo dos últimos meses em torno deste dossiê da reforma laboral. Ontem vimos mais uma, fiquei pasmada, ainda tem esse condão com Ventura a dizer coisas como: "Vamos conseguir pros trabalhadores a maior vitória das últimas décadas". Isso é surreal. Eu sei que por um lado acaba por não surpreender, porque já todos aceitamos que esta postura escorregadia é o Chega e é o que define o Chega. Hoje diz uma coisa, amanhã diz outra, tendo em conta o que lhe for mais favorável, e consegue sempre sair por cima e com a taça na mão, mas aqui sai com meia dúzia de medidas numa reforma que não é popular, de certeza numa parte importante do seu eleitorado, e vamos ver no futuro se este casamento pode sair favorável ao Chega ou não. Pra já não há eleições à vista.
Claro, mas uma parte do eleitorado do Chega vem do PCP, por exemplo.
Exato. Que não terá ficado satisfeito com isto. Mas não estamos num momento em que se avistem eleições e a realidade é muito volátil e o que pode influenciar umas eleições pode mudar muito.
Pode virar completamente. Hoje há uma sondagem, mais uma vez.
Pois, hoje há uma sondagem que coloca o PS em primeiro, o Chega em segundo e a AD em terceiro. Terá alguma coisa a ver com isto? Talvez, porque eu até tinha aqui uma palavra pra dizer sobre o PS. O PS pôs-se logo de fora desta discussão, não sei se com uma excessiva solidariedade com o GT, mas deixou que o governo criasse com o Chega o que acaba por ser quase uma coligação, é o parceiro do governo a partir de agora, e o PS ajudou a tornar o Chega nesse parceiro credível, a dar-lhe esse estatuto, a dar-lhe esse peso. Mesmo durante o debate, é interessante que o PS escolheu dialogar com o Chega, esteve sempre em diálogo com o Chega, mais até do que com o governo. E vemos agora o PS em primeiro numa sondagem. Eu até acho que isto poderia ter ganhos futuros a médio prazo pro PS, se o partido conseguisse afirmar-se no tal espaço da moderação e aproveitar algum descontentamento que possa haver naquele eleitorado mais volátil que passa do PSD pro PS e que possa ter ficado descontente com isto e até afirmar-se como o verdadeiro defensor dos trabalhadores, até ganhar alguma rua, mas pra isso é preciso que o PS tenha talento, astúcia e se calhar até alguma malícia. Eu não sei se este PS tem essas qualidades. Portanto, acho que sim, não restam dúvidas, a reforma vai ser aprovada, o Chega vai ganhar, o governo vai ganhar, vai toda a gente ganhar.
Não, mas toda a gente ganhar, já agora, se me permite a colherada, eu quero saber é se o país vai pagar um preço por isto, e nomeadamente a questão concreta da idade da reforma. Não está esclarecido o que é que vai acontecer. Das duas, uma: ou o governo chuta pra canto e diz: "Ok, vamos criar um grupo de trabalho que vai analisar", e a coisa morre e acabou. Não seria a primeira nem a segunda vez que um governo em Portugal cria um grupo de estudos pra não fazer nada.
Pra ficar na gaveta.
Pra ficar na gaveta. Já agora, eu gostava de saber o que é que vai acontecer ao grupo que já está constituído por este governo para estudar a reforma da Ação Social.
Será pra próxima legislatura.
Certo.
Portanto, lá está, mais uma coisa. Podes mandar pra frente.
Mas está a trabalhar com que base? Quer dizer, há um grupo, o líder é o Jorge Bravo.
Jorge Bravo.
Que tem um pensamento muito concreto sobre ação social e entretanto ele começa a trabalhar no tema e aparece um governo que depois toma medidas que vão
Seguramente são contrárias àquilo que é o caminho, há condições para 讨 论 , não sei. Eu acho que isso é um tema a seguir e, portanto, a história do ganham todos, eu quero saber se o país, a economia e a Segurança Social vão ou não pagar um preço, e que preço é que vão pagar por este acordo. Eu acho que só discutir o tema da redução da idade da reforma já é perverso, é dar completamente o sinal errado, ao contrário daquilo que o país precisa neste momento em termos de segurança.
A idade da reforma não é laboral, é uma discussão à parte.
Que o Chega se lembrou, porque não há sequer uma linha sobre isso no programa eleitoral e de governo do Chega.
E ontem não houve referência a isso, mas nós não sabemos nos bastidores o que se passou.
Porque houve ranhões entre os dois.
Eu acho que o André Ventura nunca esperou, nem está à espera que isso seja debatido realmente, a questão da diminuição. Já conseguiu o que queria, lançando o tema para cima da mesa.
Achas que é isso o mais importante? O que sai do debate de ontem? Porque ontem a questão foi discutida, hoje é a votação, mas ontem foi discutida no Parlamento.
Bom, deixando aqui em aberto sempre a possibilidade de haver um volte face, um golpe de teatro, porque com o Chega nunca se sabe. Aconteceu aquilo que já se estava à espera, a partir do momento em que se percebeu que ia haver aqui um entendimento entre o governo.
Como a Ana recordava há pouco tempo, achávamos que a partir do momento em que esta proposta de lei ia para o Parlamento, morria.
Morria, ia morrer.
PS e Chega a dizer que não a votariam.
Pois, mas quando discutisse a saída da ministra, porque aquela ideia, se isso é o grande tema da ministra e morre, a ministra não tem condições para continuar. E é precisamente sobre a ministra que eu quero falar, mas em relação ainda ao Chega, a partir desse momento em que se percebeu que havia uma mudança e uma aproximação e que o Chega iria viabilizar, vamos ver se vai viabilizar, mas a partir desse momento percebeu-se claramente que André Ventura ia apresentar isto como uma vitória. É o que faz André Ventura. Tudo é uma vitória para ele.
Tudo ele consegue. Ele tem essa virtude, essa capacidade de transformar tudo numa vitória para o Chega.
Amazing.
Eu ontem falei aqui da negociação à Trump, do Ventura, que é mandar coisas impossíveis para cima da mesa e depois com o que sobrar, compôs-se ali um discurso, uma narrativa de vitória. E André Ventura, uma vez mais, fez isso. Ontem falou-se também muito da questão do eleitorado André Ventura, se o eleitorado André Ventura é a favor ou contra esta reforma laboral. Uns dizem que há aquela parte do eleitorado que é composta por pequenos e médios empresários que será a favor, e depois há aquele eleitorado mais conservador, até do ponto de vista econômico e social, aquele eleitorado que virá da esquerda para o Chega. Mas eu acho que há um eleitorado que até engloba, de alguma forma, estes dois, que é o eleitorado venturista, que é o que diz André Ventura está certo, e aí esta estratégia não me parece que vá render grandes prejuízos ao Chega, independentemente desta alteração. Em relação à ministra, de facto, ontem percebeu-se que a ministra pôs muito do seu crédito político em toda esta discussão da reforma laboral, e percebeu-se isso na forma como atacou os partidos à esquerda. Eu acho que foi um discurso marcadamente ideológico, até surpreendentemente para mim ideológico. Disse coisas como que os partidos à esquerda tinham tiques ideológicos de empobrecimento, falou de tiques de fascínio pela luta de classes, até de marxismo a leninismo. Disse que cheirou o perfume à geringonça, que o PS estava no seu habitat neomarxista. Disse que se verificou uma ideologia do empobrecimento do PCP ao lado da flotilha do Bloco de Esquerda e do trincheirismo belicista do LIVRE. Portanto, uma ministra muito política e menos técnica, do que podíamos pensar.
Muito. A mim surpreendeu-me. Agora, isso mostra para já, imagino o que terão sido as negociações, mesmo com o UGT. Sabemos que a CGTP não esteve incluída, mas mesmo com o UGT, de duas, uma: ou a ministra já partiu com este discurso para essas negociações, sabemos que são mais técnicas, mas pelo menos neste quadro mental.
Evoluiu.
Não, aquilo que resultou dessa negociação, da tensão dessa negociação, foi este discurso claramente ideológico, eu diria, belicista, por parte da ministra, que me surpreendeu.
Vamos dar então uma nota e avançando.
Sim, eu vou dar uma nota à ministra. Eu fiquei surpreendido com este discurso menos técnico e claramente mais ideológico, mais político da ministra, o que revela algum desgaste e também uma sensação de alívio por, à partida, ter garantido a aprovação deste pacote laboral. Não estava à espera deste discurso, então vou lhe dar um nove.
Um nove. E tu, Ana, vais dar nota cá?
Sim, dou à ministra, ao governo, a Luís Montenegro, uns pontinhos a mais, porque conseguiram. Portanto, dou 11.
E nesse aspecto, sem dúvida, conseguiram o seu objetivo. A reação da ministra, e a minha nota vai para a reação da ministra.
Ficou claro, deste aqui exemplos. José Manuel, vamos ao teu tema, e que tem a ver com um estudo do Banco de Portugal sobre habitação. Percebemos que há uma relação direta entre imigração e mercado de habitação.
O Boletim Econômico do Banco de Portugal, que já saiu há uns dias, tem um estudo longo sobre o mercado de habitação, que é muito útil de consultar Que tem muitos dados que eu considero interessantes. Primeiro que tudo, faz uma análise detalhada sobre o que foi o déficit de construção nos últimos anos, por comparação com aquele que foi o aumento do número de famílias, de habitantes, de pessoas que procuram casa. E aqui é um dado que é virtualmente extraordinário, que é: o ano passado, portanto, 2025, já se registou um saldo positivo entre a produção de habitação nova e a dinâmica demográfica, o que em boa parte pode ser explicado por ter diminuído o afluxo de estrangeiros, devido a uma nova política de imigração. Acabaram as portas abertas, digamos assim, e também houve aumento da oferta de habitação, mas não muito significativo. Este aspecto é importante por duas razões básicas. Porque durante a última década, o Banco de Portugal estima que se tenham construído menos 300 mil casas do que aquelas que seriam necessárias para encaixar a dinâmica demográfica, o aumento do número de habitantes, e que isso é, porventura, o elemento fundamental para perceber o que se passou no mercado da habitação e não as ficções que temos andado a alimentar durante este tempo todo. O relatório tem muitos aspetos relevantes. Por exemplo, a explicação do aumento de custo não vem só da especulação, que é também outra explicação fácil para o que está a acontecer. O relatório permite perceber que os custos da construção, só em materiais e mão de obra, há outros custos associados, aumentou 35% nos últimos cinco anos. 35%.
Desde a pandemia disparou completamente.
Desde a pandemia é um aumento brutal. O custo dos materiais subiu logo a seguir à pandemia e agora é o custo da mão de obra que está a subir também muito rapidamente. Se o custo da construção sobe, as casas têm que subir, não há milagres. E também refere que havendo, naturalmente, impacto do alojamento local no mercado, os dados não permitem chegar a conclusões, sobretudo em zonas mais densas. No entanto, é relativamente pequeno comparando com outros custos e a maioria das casas que estão no alojamento local são casas que foram recuperadas. Portanto, não são propriamente casas que tenham sido transformadas.
Retiradas, isto é, não estavam ao serviço ao mercado da habitação.
Algumas sim, mas não é o grosso. Há pouca construção de raiz para habitação local, é apenas 10% do mercado de habitação local, mas o grosso são casas que estavam inabitáveis, portanto, é recuperação urbana. Tudo isto é relevante. Há muito mais elementos neste estudo sobre a procura da habitação, mas isto cruza com outra notícia de hoje, que também é das últimas horas, que é: aparentemente há sinais positivos da evolução do mercado. O preço das rendas no Porto já estará a baixar, na cidade do Porto, em Lisboa estabilizou, o que talvez tenha uma relação direta, estou apenas a especular, com o facto de a oferta começar a superar a procura, ou melhor, a oferta de habitação superará a procura no que diz respeito à dinâmica demográfica. Evidentemente que há muitos outros fatores na procura, mas isto parece que é um dos fatores mais importantes e que menos se falou. Repare, quando nós ouvimos falar do debate da habitação, quase nunca ouvimos falar disto, da dinâmica demográfica, e ela foi muito importante. E também poucas vezes ouvimos falar da falta de construção de casas. Às vezes falar no ar e falar de impressões dá votos, dá audiências.
Fica mais fácil.
Fica mais fácil, mas quando se tem um estudo na mão, quando se tem dados.
E agora perdemos a rede, mas estava aqui um dos nossos. Quando se tem dados. Agora ficamos sem os dados.
Os dados de Emanuela acabaram.
Se ele conseguir, vai dar-nos ainda a nota. Calculamos que seja em relação ao estudo propriamente do Banco de Portugal sobre habitação.
Eu estou de novo cá.
Sim, então a tua nota.
Está?
Sim. Agora já estás de novo. Só falta a tua nota.
Foi aqui um problema nas comunicações. A minha nota é: eu gosto imenso de estudos, gosto imenso de trabalhar com dados e, portanto, dou um 15 ao Banco de Portugal.
Ao Banco de Portugal e a este estudo. Paulo, vamos ao teu tema e explica.
Na quarta-feira à tarde, vi uma publicação de André Ventura na sua conta do Twitter, em que ele publicava muito indignado um enunciado de um teste e dizia que aquilo era pura doutrinação política. Eu li, de facto, esse enunciado de um teste. Já agora, é um teste de Direito do Trabalho 1, do curso de Gestão de Recursos Humanos da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal. Portanto, uma entidade pública, um instituto politécnico, entidade pública, aqui num teste de Direito. André Ventura muito indignado, dizia que aquilo era pura doutrinação política. Lendo aquilo, claramente, ele tinha razão. Primeiro pensamento: de facto, isto é inadmissível. Meu segundo pensamento: calma, que isto pode ser mentira. É André Ventura que está a partilhar e, portanto, nunca sabemos. Aqui é aquela história do menino e do lobo. Tantas vezes eles partilham coisas erradas que às vezes quando é verdade, já estamos de pé atrás. Mas a SIC depois fez-nos o favor de fazer o fact-check ao assunto e de concluir que, de facto, aquele enunciado é verdadeiro. Aliás, a peça da SIC cita inclusivamente Rodrigo Lourenço, que é vice-presidente do Instituto Politécnico de Setúbal para o ensino e aprendizagem. Ele diz que sim, confirma, diz que é muito infeliz aquele enunciado e diz ainda que o instituto já abriu um processo interno de averiguação e diz que não se revê naquele tipo de enunciado. E recorda mesmo que há regras para os docentes e não docentes, há regulamentos exigentes. O professor da cadeira, o que aparece lá no enunciado, é Tiago Araújo E vamos então saber qual era esse enunciado. Estamos num teste de Direito. É dado um daqueles casos fictícios, obviamente, que diz o seguinte: Beatriz, 16 anos, é uma jovem rebelde e militante do partido de extrema-direita Cheguei Chegando. Sabendo da sua adoração pelo partido, André Aventuras, 19 anos, decide vender-lhe uma pistola Glock para que Beatriz pudesse erradicar todos os imigrantes que se cruzassem com ela na escola que frequentava. Beatriz, toda feliz e achando que seria a nova moranguete do partido, decide aceitar o negócio e adquirir a referida pistola a André Aventuras. É este o enunciado. Para quem quiser tirar conclusões. Depois partia para as perguntas, para saber se o negócio que estava em causa era ou não ilícito, a personalidade jurídica dos envolvidos, etc. Mas cá temos o professor Tiago Araújo, que deve achar que isto é a melhor forma de combater politicamente o Chega, fazendo um enunciado destes. Ele deve ter convertido ao Chega meia dúzia de alunos dele, seguramente, que não suportam isto. E eu acho que André Ventura, neste caso concreto, tem toda a razão da indignação. Isto é doutrinação política numa instituição pública, ainda por cima de uma forma descarada, que pretende ter piada, talvez. Não sei se isto era suposto ter piada. Mete pistolas, mete erradicar imigrantes, etc. E eu acho que se o Chega vai tendo sucesso, deve-se a estes Tiagos Araújos da vida, mas também a Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva, quando estavam no Parlamento, este tipo de combate ao Chega, que é absolutamente primário e que dá razão. E eu acho que André Ventura tem, neste caso, toda a razão.
Nota para André Ventura.
Dou-lhe um 14 daqui à doutrinação política, o que dá razão ao Chega quando luta contra a doutrinação política nas escolas, seja ela mais ou menos legítima. E cá está um caso concreto disto. Vamos ver o que acontece a este professor Tiago Araújo, do Instituto Politécnico de Setúbal.
Um 14 no fim de "O Vencedor É". Mais logo regressa na tarde política. Numa versão alargada que começa, como sempre, a seguir ao jornal das 18h. Esta tarde as notas vão ser dadas pela Judite França, a Raquel Abecasis e o Anselmo Crespo.