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"E o Vencedor É..." na Rádio Observador. Calma, agora sim. Na Rádio Observador, com Judite França, António Costa e Nuno Gonçalo Poças. Hoje falamos de debates passados e vindouros, e também de candidatos pop que nunca chegam ao fim das candidaturas. Ainda vamos ter tempo para falar da TAP e da Ryanair. Este "E o Vencedor É?" vespertino já era bom, agora ainda é melhor porque temos vídeo. É possível ver tudo o que se passa aqui no estúdio, no YouTube e nas redes sociais da Rádio Observador e do Observador. Estamos a transmitir também este "E o Vencedor É?" em direto em vídeo. Mas vamos começar pelo debate desta quinta-feira entre Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo. Nuno, quem é que tu achas que ganhou ou perdeu votos neste debate?
Eu não fui.
Não foste?
Não. Tive pena. Eu devo confessar que eu não estou a adorar os debates. Não adoro este modelo curto. Como é que se diz?
Os long forms.
Exatamente. Não gosto desta coisa muito rápida. E ontem acho que foi o segundo debate que me aborreceu um bocadinho.
Só houve três, não é?
Sim. O primeiro não, porque o André Ventura dá sempre aquele que uma pessoa não consegue dormir com ele, está sempre aos gritos. Aquilo torna-se difícil. Mas olhando bem para aquilo, eu comecei a ver já ao final de cinco minutos e quando mudei de canal, surpreendeu-me, em primeiro lugar, a gravata do João Cotrim Figueiredo. Não estava nada à espera.
Uma gravata muito conservadora, verde e vermelha.
Era a cor da República e para alguém que quer ser presidente da República, o meu primeiro instinto foi olhar para aquilo e dizer: "O homem está cheio dele próprio". Mas depois achei que aquilo teve um momento um bocadinho mais aceso ao início, por causa daquelas coisas todas da maçonaria. "Diga lá que eu não tenho idoneidade", ou uma coisa qualquer assim, ou que não sou independente. "Diga lá que eu não sou independente ou que sou um cavalo de Troia". E o outro disse: "Eu não acho que seja independente". E depois aquilo lá se apagou. O João Cotrim Figueiredo afirmou ali um ideário que é mais ou menos conhecido, e o almirante afirmou aquilo que é mais ou menos conhecido também.
Mas aguentaste até ao fim ou não?
Dolorosamente, sim.
Está pouco tempo. Foi só meia hora.
Tinha que ficar hoje, sim. Eu já expliquei aqui, eu sou mais fã dos comentários.
Então em face dos comentários, o que tu avaliaste?
Acho que foi tudo bastante-
Ontem estava um comentador espetacular numa das televisões.
É, diz que sim. O que eu perdi?
O António Costa.
Diz que sim.
Mas afinal tu não gostas tanto de comentar.
Eu se calhar não vi todos. Eu se calhar não vi esse.
No Canal 11 não se comenta os debates.
Não, porque eu pus no Now e estava à espera de ver um candidato presidencial a dançar enquanto comentava o anúncio.
Deixa-me aqui relembrar que o António publicou no Eco um texto em que elenca uma série de-
Sim, de princípios
...princípios para a análise dos debates.
Como é que isso está a correr?
Não é fácil seguir aqueles princípios. Eles são um bocadinho desordenados, os candidatos, eles próprios. Mas enfim, eu acho que os debates, de facto, não têm acrescentado grande coisa a cada um deles. Isto é, cada um dos debatentes não tem saído nestes três debates, os primeiros. Eu também acho que apesar de tudo podem ganhar ritmo, porque os primeiros são um bocadinho condicionantes, eles autocondicionam-se por serem os primeiros e, portanto, admito que o ritmo possa trazer outras coisas. Atualidade, seguramente, também. Mas os debates não têm acrescentado grande coisa aos seus mercados-alvo, digamos assim. Não creio que saiam, nos três casos, com mais intenções de voto do que aquelas com que entraram. No caso de ontem, em particular, eu mesmo tentando seguir, obviamente, o princípio definido daqueles cinco critérios como referência para análise, acho que há debates em que há vencedores e vencidos. Por quê? Porque disputam o mesmo eleitorado e, portanto, retiram eleitorado um ao outro e nesse sentido, quem sai melhor potencialmente rouba eleitorado e, portanto, vence debates. Eu creio que o caso de ontem não era esse. Isto é, não estou a ver assim tanta gente a pensar com os seus botões: "Vou votar em Gouveia e Melo ou vou votar em João Cotrim Figueiredo". Não me parece. Acho que havia seguramente aqui dois. Diria, os outros três candidatos fortes nestas eleições, portanto, Luís Marques Mendes, António José Seguro e André Ventura, foram seguramente os mais beneficiados por um subdesempenho de Gouveia e Melo. Isto é, de facto, Gouveia e Melo percebia-se que era o primeiro debate. Não sei se nos tempos da faculdade fez algum debate, se calhar debates internos lá na Marinha, se calhar terá tido alguns, mas com esta pressão, com este mediatismo, com esta exigência. Percebeu-se isso. Não nos surpreendeu, tens razão.
No caso, eu pensei que já estivesse um bocadinho melhor.
É difícil, nós sabemos.
O media training é demorado. Tu às coisas olha para o papel e diz: "Agora pera lá, que eu agora tinha aqui uma frase mesmo boa. Onde é que está?"
Acho que lhe corresse mal ao ponto de sair dali já derrotado. Também não é isso. Mas apesar de tudo, foi até há uma semana o líder de todas as sondagens. Agora já está um bocadinho atrás, mas ainda são sondagens diferentes, com critérios diferentes.
Mas o VML pode ter perdido votos.
Pode ter perdido alguma coisa face a André Ventura, por um lado, e a Marques Mendes, por outro. O que sugeri para esta nossa conversa de hoje é que eu acho que, apesar de tudo, e notando até com sorriso as observações do Nuno sobre João Cotrim Figueiredo, é mesmo o underdog que está a surpreender. Eu diria mais pelo estilo, não é pelo discurso, que provavelmente não houve em relação à sua avaliação. O que é que os dois ontem, por exemplo, foram claros sobre não ultrapassarem o que são as competências presidenciais, isto é, no exercício do que é a exigência do Presidente da República, nenhum deles chegou a um debate para dizer que fazia, que acontecia. Foram cuidadosos. Aliás, foi talvez o ponto mais difícil de João Cotrim Figueiredo, quando foi confrontado com uma proposta de revisão constitucional que tem um ano.
Essa foi complicada.
Foi mais difícil para João Cotrim Figueiredo. Mas apesar de tudo, eu devo dizer que dos cinco, é claramente o que as sondagens dizem. Mesmo com as margens de erro, com menos probabilidade de passar à segunda volta. Vamos pôr as coisas nestes termos. Vamos ver como é que corre o resto da campanha, mas é o que surpreende mais e é o que traz alguma coisa de novo. Talvez por isso, porque não é o que se espera, não tem o calculismo de quem está a jogar tudo para a segunda volta e portanto está mais à vontade para ser a surpresa deste debate, desta campanha.
Eu estava à espera que o VML não estivesse literalmente a ler dos papéis.
Até usou óculos por causa disso.
Talvez tenha sido.
As lentes progressivas ajudam a ler ao perto. Eu uso lentes progressivas.
Eu também.
Sem óculos, não.
Demorei muito, mas pronto. Não vamos falar disso.
Agora, acho que Cotrim Figueiredo entrou a todo vapor e a dada altura até se refreou um pouco, porque não valia a pena estar com aquele fulgor todo, quando do outro lado estava alguém que estava muito tímido, não articulava muito. Achei, de facto, que o VML foi pouco preparado para este debate.
À procura de uma frase.
E de um tema. À procura de uma resposta.
Cria uma agenda, cria um tema.
Já tinha dito no arranque dos debates. Era a mesma frase.
A dada altura, para fugir a um tema, foi buscar um tema que não tinha rigorosamente nada a ver, mas que devia estar escrito, que era a violência doméstica. Portanto, leu uma coisa de violência doméstica que não tinha rigorosamente nada a ver com o que estava a ser debatido. E depois, sobre a questão do código laboral, foi para lá sem dizer se promulgava ou se não promulgava como está.
Quer flexibilidade.
Mas a pergunta é: como está? Promulgava ou não promulgava? Como está agora, não é como vai ficar, é como está agora.
João Cotrim Figueiredo aí foi muito claro.
Foi muito claro.
Onde eles concordaram, e apesar de tudo, as notícias das últimas horas vieram contrariar as informações iniciais, foi sobre justiça. Pedindo explicações, e aí foram os dois muito consistentes.
Sim, mas é que a notícia estava quente.
A notícia tinha acabado de sair. O Nuno Gonçalves Poças também quer falar de um eterno candidato que nunca chega ao fim da sua candidatura, o homem que promete demitir-se caso seja eleito e ao catifar Portugal, Manuel João Vieira.
E não só. Eu tenho que confessar uma coisa. Eu sou, não só um grande fã do Manuel João Vieira.
Que é vocalista dos Enapá 2000.
E dos Irmãos Catita e dos Corações de Atum. Eu sou um grande fã e um grande colecionador de toda a discografia, todas estas bandas. Já recolhi assinaturas para o Manuel João Vieira, pelo menos em 2005.
Onde é que está a ser gravado?
No Bairro da Bica. Eu não tenho vergonha destas coisas.
Não tenho vergonha do meu passado.
Eu não tenho ambições.
Há coisas piores.
Estavas lá tu?
Não, não tenho.
Há 20 anos era um jovem.
Podes vir a ter.
Sim, mas é o quê? E quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta. E eu gosto muito do Manuel João, não só como artista, como músico, como artista plástico.
Também é.
Como escultor, como pintor, etc.
E é filho de um grande pintor.
E é filho de um grande pintor. E é uma personagem, uma personalidade desconcertante e que eu acho que faz muita falta à sociedade portuguesa. Por aí, nada. O problema não é o Manuel João Vieira. Eu acho que o Manuel João Vieira está a fazer o que sempre fez. Aquilo que me tem espantado mais este ano, e a mim chateia-me um bocadinho estas coisas, porque eu sempre fui um fã das bandas indie, alternativas e não sei quê, e depois que me chateava um bocado quando de repente se tornavam mainstream. Normalmente até perdiam sempre um bocadinho de qualidade nos novos álbuns e tal. De repente, toda a gente: "Eu gosto imenso dos não sei das quantas."
Quando enchiam salas com mais de mil pessoas.
É mais ou menos isso. E chateia-me um bocado. Eu já vi os Enapá, pelo menos, e os Irmãos Catita no Santiago Alquimista, na incrível Alma Dance, essas coisas, e chateia-me um bocado. E a minha pergunta é: por quê? O que é que aconteceu? Que de repente o Manuel João Vieira esteja a tocar no Nós Alive ou no Rock in Rio, uma coisa qualquer assim. De onde é que veio esta paixão toda, de repente, pelo Manuel João Vieira? Por que de repente? O tipo que as pessoas achavam só alguma graça e aparecia lá. Em 2001, ou o que foi, também foi a um canal de televisão, à TVI, e deu uma entrevista, e a malta riu-se um bocado. No fundo, traz aqui algum burlesco a tudo isto. Igual há aqui com esta gente toda.
Agora está no "Jornal das 18 horas" e nas cinco notícias também.
Agora há tudo, o Manuel João Vieira está por todo lado. Eu estava a ver o Expresso de hoje, tem o Manuel João Vieira nos altos, que é uma coisa que toda a gente sabe que o Expresso tem pelo menos duas ou três coisas que são minudências, mas contam muito para o circuito que lê o Expresso, que são os altos e o gente. Eu sou fã, são as primeiras coisas que leio.
Vou dizer mais só uma coisa, desculpem interromper.
Meus senhores, temos de avançar.
Os leitores não sabem bem como é que isso é feito. Se soubessem, não valorizavam tanto.
Mas nem sequer percebi. Vou só ler muito rapidamente para continuar com a minha questão.
Temos de acelerar.
"Os mais dados à dialética sabem reconhecer os momentos em que o agora candidato está a falar a sério. Outros, muitos, divertem-se com o objecionismo ou a propalada dissolução dos costumes associado ao amor livre. O que espanta é desde há uma semana ter surgido uma nova categoria: aqueles que consideram o Manuel João Vieira um humorista. É só rir. Como diria o Bocage: 'Eu compro ou não compro os patos?'"
Eu acho que nos desarmar. Bom, já voltamos para a segunda parte de "E o Vencedor É". Arranca a segunda parte de "E o Vencedor É", hoje com Judite França, o António Costa e o Nuno Gonçalo Poças. Também estamos agora em vídeo, no YouTube e nas redes sociais do Observador. Também é possível ver este "E o Vencedor É", e ficaram por dar as notas ao debate entre Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo. Judite França, vamos às tuas notas.
Eu dei um 15 a Cotrim Figueiredo e um 10 a Gouveia e Melo.
Quer justificar?
Está justificado acima, na primeira parte.
Muito obrigado.
Supra.
Quem só pegou no carro às 18h30, ide ouvir em podcast a primeira parte de "E o Vencedor É". E tu, Nuno?
É um 11/10.
11/10?
Sim.
11/10?
Cotrim Almirante?
Sim.
Não, eu estava a sublinhar, ainda por cima para quem não ouviu a primeira parte.
Perdeu uma grande primeira parte.
Exato. Tive a oportunidade de dar a minha opinião deste debate, mas eu queria, sobretudo, sublinhar.
Mas vais obrigar-nos a andar para trás na box ou vais dizer?
Não.
Não, vais dizer.
Mas não tenho ganas de dar as mesmas.
Vou dar a Cotrim Figueiredo, não exatamente pelo debate, mas pelo que trouxe ao debate nestas duas semanas e que as sondagens, ou as intenções de voto nas sondagens estão a revelar e a mostrar, e dou um 14, porque é de facto um candidato diferente em relação aos outros. Volto a sublinhar o que sublinhava na primeira parte, que tenha condições ou probabilidades elevadas de passar à segunda volta, apesar do que diz, o que é natural, obviamente, mas acho que aumentaram essas probabilidades, continuando provavelmente a ser, dos cinco, o que tem menos probabilidade de passar à segunda volta. Ainda assim, eu acho que é o que tem probabilidades de passar à segunda volta, porque na verdade, mesmo para terminar este ponto, normalmente nas câmaras municipais dizia-se por um voto se ganha, por um voto se perde, aqui é por um voto se passa à segunda volta, por um voto se fica pela primeira volta. E as margens de erro mostram que Cotrim Figueiredo ainda está suficientemente dentro das margens de erro para poder aspirar a passar. Veremos. Acho que o voto útil vai ser difícil para Cotrim Figueiredo, mas creio que se mantiver a diferenciação que tem trazido ao debate, tem condições efetivas de passar à segunda volta. Eu acho que tem trazido coisas diferentes em relação aos candidatos, eu diria, mais institucionais ou até ao não institucional André Ventura, que também é o que nós sabemos que é.
Estão dadas as notas. Nuno Gonçalo Poças, queres falar? Um dos temas que trazes é o da Ryanair, que a princípio a partir de março deixa de voar para os Açores?
Sim, a Ryanair fez uma espécie de pré-aviso de greve da companhia aérea.
Por causa das taxas.
Sim, por causa das taxas aeroportuárias. E o governo e o governo regional vieram dizer que tinham sido apanhados de surpresa, não estavam nada a contar com isto, e vieram acusar a Ryanair de estar a tentar fazer alguma chantagem para ver se a coisa não baixa, etc. Ou aliás, para ver se as taxas não sobem. E eu acho que têm os dois razão. O governo tem razão quando diz que a Ryanair está a tentar fazer alguma chantagem, e eu acho que a Ryanair tem razão na chantagem que faz. E o meu ponto é esse. Quando li a notícia, a minha primeira questão era: mas se a Ryanair deixar de voar para os Açores, vamos voltar a fazer o quê? Os Açores vão voltar àquilo que tinham antigamente, com viagens caríssimas? O que vai acontecer ao turismo nos Açores? O que vai acontecer à economia local? O que vai acontecer àquela gente? Vamos todos assumir que não precisamos da Ryanair a voar para lado nenhum? E eu acho que esta afirmação de força da Ryanair tem aqui alguma importância, independentemente de as taxas subirem ou não, mas é importante nós discutirmos isto para, de facto, de alguma maneira nós começarmos a pôr isto em cima da mesa de uma maneira séria. Eu também acho que um país não pode viver só de turismo. Um país como Portugal não pode viver só de turismo. A questão é: descobriu-se isto agora muito recentemente. Nós andámos para aí 20 anos a dizer: "Temos que investir no turismo, o turismo é que é, o turismo é que nos vai tirar a todos da miséria" e não sei o quê mais. E depois, de repente, há turismo e agora: "Não, nós não podemos ter só disto, não pode ser só turismo, também temos que ter outras coisas." Certo, se não temos outras coisas e o turismo funciona, então deixem estar o turismo enquanto se preparam as outras coisas. O problema é que nós temos uma espécie de mentalidade masculina coletiva que não consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo. E então isto acaba um bocadinho assim. A Ryanair tem razão Os Açores precisam que as pessoas vão para lá e que consumam nos Açores. E não me parece também que os Açores estejam assoberbados de gente e que seja um sítio onde é insuportável estar, porque aquilo está cheio de gente e trolles a passar por todo lado.
Os aeroportos estão concessionados à Vinci.
Certo.
Dizes obrigar a Vinci a mexer nas taxas?
Não, mas eu acho que a Ryanair pode fazer essa chantagem. O meu ponto é esse. Eu acho que tem razão na chantagem que faz.
António.
Sim, eu acho que os açorianos, os portugueses e os estrangeiros que vão aos Açores devem olhar para a Ryanair da forma utilitária como a Ryanair olha para os seus negócios.
Claro.
Isto é, a Ryanair se entende que as taxas são desadequadas para o seu modelo de negócio.
Então não vou.
Não voa. Agora, vamos lá ver. A ANA, a Vinci.
Já não é a primeira vez que a Ryanair faz isto.
Não.
Não, mas por isso é que eu disse, o governo tem razão, claro que é um mecanismo.
O mecanismo está formado e não é-
A SATA não respira saúde também nesta altura
Não, não tem grandes alternativas.
Exato.
Mas outras companhias aéreas concorrentes da Ryanair estão a olhar para aquele mercado. Também não é preciso dizer, os Açores não dependem apenas da Ryanair, embora a Ryanair tenha sido muito importante nos últimos anos no turismo e na economia açoriana, que infelizmente, pela dimensão, pela ultraperiferia, muito mais difícil que a da Madeira, por razões óbvias, não tenha muitas condições para ter uma economia de alto valor acrescentado, por exemplo, junto ao mar, e não é apenas aquele turismo mais básico, mas o turismo que é caro até, e tem feito esse caminho, mas a verdade é que precisa de gente que lá vá, precisa ser transportado. A ANA, a Vinci, dona da ANA, que é concessionária, o que vai ter que avaliar é se face aos preços, realmente as taxas que está a pôr em cima da mesa, se perde negócio ou não, porque isto também é uma perda de negócio para a própria ANA, porque se deixar de ter companhias a voar para lá, também pode ter taxas que depois não tem a receita recorrente das taxas. Portanto, este vai ser um processo muito especial.
O negócio também não tem corrido nada mal à Vinci, não é?
Não, não tem, mas nós também sabemos, também não vale a pena estarmos a reescrever a história. Pior que os monopólios públicos, são os monopólios privados, de facto, são terríveis. Nós também sabemos que a ANA foi vendida em circunstâncias muito especiais. A Vinci ofereceu, vou dar números grossos, como isto ainda por cima agora é gravado, para não ser comprometido, vou ter que reconfirmar, mas eu creio que ofereceu, à data, um valor cerca de 1000 milhões de euros superior à segunda proposta apresentada por concorrentes à ANA, na altura. As circunstâncias eram aquelas que eram, o país precisava de vender, era mais fácil, obviamente, era mais adequado, com o tempo, vender em concorrência e dizer a um operador que tem o Porto ou que tem o Portifario ou que tem Lisboa. Portanto, criava-se aqui uma certa concorrência e obviamente nos arquipélagos também. O tempo e a necessidade de dinheiro não davam para outra coisa. Agora, estamos num momento diferente e nós não sabemos, por exemplo, muito rapidamente, se não vamos mudar de operador nos próximos dois anos. Por quê? Porque a Vinci tem a oportunidade de construir o novo aeroporto, se não quiser, rasga, no sentido não literal.
No jurídico.
Não jurídico, o acordo, mas tem direito a receber os valores do resto do contrato, portanto, tem que haver um encontro.
A concessão é por umas dezenas de anos.
Exatamente. E portanto, a construção do novo aeroporto pressupõe um acordo financeiro. Se não houver acordo, a Vinci pode dizer: "Eu não aceito os termos deste acordo". Como tinha um contrato para mais 20 ou 30 anos, tem que me pagar o que era suposto no contrato. E o Estado português pode fazer as contas e dizer: "Olha, aqui está uma grande oportunidade. Vamos pagar o que temos que pagar à ANA, ela vai-se embora, vamos pôr isto a concurso para o novo aeroporto e até em concorrência". Não temos muito tempo, que toda a gente diz que o novo aeroporto já vai tarde e vai demorar 10 ou 12 anos.
Já ouvi isso dito também.
Rapidamente, eu acho que estão a fazer, como tu dizes e bem, cada um o seu papel, veremos o que isto vai dar.
Dito.
Eu acho que a Ryanair faz bem em pressionar, porque pode e porque o mercado funciona mesmo assim. E portanto, pressiona aquilo que pode, até não poder mais, porque há outras companhias aéreas, como dizia o António, e portanto, a dada altura, se for para continuar com este tipo de pressão, o governo regional pode arranjar aqui um belo negócio com outra companhia aérea. É como tudo na vida. Se for bluff, vamos ver quem é que aguenta até o fim.
Vamos continuar a falar de aviação, António, porque queres falar sobre o negócio da TAP.
Sim, hoje é um dia importante. Na verdade, só termina amanhã, formalmente amanhã, mas hoje já são conhecidos três candidatos à privatização da TAP. Enfim, são os óbvios, são os grupos internacionais mais importantes, da Lufthansa, o KLM Air France e da IAG, que tem a British e a Ibéria. Veremos se até amanhã não surgem, eu diria, dois, estou na expectativa, e seria bom para a concorrência pelo preço, desde logo. Uma companhia turca e de alguma companhia asiática, eventualmente até da Arábia Saudita, veremos, eles estão tão ativos, veremos se não aparecem por aí.
Os Emirados.
Sim, exato. Portanto, três já se apresentaram. Ainda estamos numa fase em que não apresentaram preço nenhum. cumprem os critérios definidos pelo Governo, neste caso por este Governo, pelo Estado, para concorrerem à TAP. Há um primeiro ponto que é importante e que eu acho que é positivo, foi definido que não poderiam aparecer fundos, não seriam aceitos uns riders para comprar a TAP, tinham que ser companhias aéreas com licença de aviação e com volume de negócios superior a 5 mil milhões de euros, o que atira para companhias aéreas já com dimensão, obviamente. Nos próximos dois meses, eu diria até fevereiro, março, vão aparecer as primeiras propostas não vinculativas e vamos ter um ponto importante, que é saber quanto é que vale a TAP. Toda a gente se pergunta quanto é que vale a TAP. Nós gostamos muito da TAP. Há quem viaje muito na TAP e não goste tanto, mas nós gostamos da companhia de bandeira. Eu prefiro que a TAP, mais do que ser de bandeira, que preste um bom serviço e ser realmente importante. E creio que os desenvolvimentos desta semana, coincidência, pura coincidência, foi mais uma investigação a um caso com umas buscas logo na semana em que termina esta primeira fase de privatização.
É o Mercúrio retrógrado.
Exato. Mostra que é importante que se venda a TAP e que aquilo passe para privados, obviamente, pelo melhor preço possível e garantindo, na medida do possível, porque esta coisa do contrato-
Já só temos um minuto para o Nuno e para a Dulce.
Mas portanto, olha, a TAP-
Para vender a TAP.
Eu prefiro a Kenya Airways, que tem os melhores cajus.
Dulce.
Não quiseste experimentar?
Eu não tenho nada tão giro para dizer sobre isto.
Estás a dizer que o Nuno está a vir aqui dizer coisas giras?
Depois disto, o que é que eu posso dizer? Vou dizer uma coisa séria depois disto?
Não, eu acho que a explicação do-
Dá uma nota.
Sim, claro.
Vou subscrever isto, como é óbvio.
Dá uma nota, antes, António.
Para a sincronicidade, mais uma vez, das buscas e da venda da TAP, é um 4.
Nuno, tens alguma nota, além dos cajus?
Não, vou dar aqui um 10 de expectativa ao valor da TAP.
António.
Pois, eu dou um 2 ao processo. Está a avançar. Alguma coisa que avance, isto está a avançar.
Estão dadas as notas. Amanhã há mais "E o Vencedor É?", nas manhãs de fim de semana da Rádio Observador. É às 10h30, ao fim de semana um pouquinho mais tarde, durante a semana é às 08h30, ao fim de semana é às 10h30. Estou a falar para aquela câmera, porque agora é isto. Isto agora parece as televisões. Estamos a falar para a câmera porque o "E o Vencedor É?" também está disponível em vídeo, no YouTube e, claro, em podcast. Bom fim de semana.