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Este é o Som do Youven Sorê das manhãs 360. Já sabe que para além de nos ouvir na rádio, também nos pode ver. É só acompanhar-nos em direto através das nossas redes sociais. E Carla, esta segunda-feira está também conosco a Sara Antunes de Oliveira. A dedução da acusação no processo Tutti Frutti já tem quase uma semana. O que é que mudou? Já vamos ver. Mas esta manhã temos o problema do bom nome e temos também o problema do não bom para as presidenciais. Sara, o Partido Socialista ainda não resolveu este problema.
Não resolveu e a culpa é de Pedro Nuno Santos. Pedro Nuno Santos deve saber disso muito bem. Conseguiu transformar a escolha do candidato a apoiar pelo Partido Socialista numa enorme confusão, mas pior do que isso, numa oportunidade de luta interna no partido, depois daquele pecado original que foi o de avançar nomes numa entrevista na CNN, nomeadamente o de António José Seguro, de que não se falava publicamente e que depois disso, quando falou sobre o assunto, disse que se tinha sentido confortado pela referência do líder do Partido Socialista e, portanto, também sentiu que tinha espaço para avançar. Esse é o pecado original de Pedro Nuno Santos. Ele depois já veio dizer em novembro que estava arrependido de ter feito isso. Imagino que agora esteja mais. Mas depois desse pecado original, parece que Pedro Nuno Santos não conseguiu parar esta reunião deste fim de semana em sinal disso, e é uma reunião que não lhe correu nada bem, porque a imagem que passa é que já ninguém sabe muito bem quem é que o PS quer. Nós até sabíamos. Sabíamos, pelo menos, que Pedro Nuno Santos queria muito Mário Centeno. Depois de Mário Centeno ter feito a desfeita, parece que há ali uma enorme confusão. E o que isto faz, inevitavelmente, é desvalorizar qualquer que seja o candidato escolhido. No final disto tudo, seja um, seja o outro, saberemos com certeza que o PS não tem propriamente enorme entusiasmo nem com um, nem com o outro. O PSD resolveu isso melhor, adiantando-se, depois de haver ali alguns sinais de algumas dúvidas ou de falta de entusiasmo com Luís Marques Mendes. Pelo menos está decidido, vamos em frente. É este o candidato que o PSD vai apoiar e, portanto, agora o partido pode unir-se à volta deste candidato. Estar a atirar as coisas para frente não parece que seja uma boa solução para o PS e o responsável por esta confusão é Pedro Nuno Santos. E daí que a minha nota seja para ele. Tem um oito.
Um oito. José Manuel, também responsabilizas Pedro Nuno Santos por este momento que o PS está a atravessar e a dificuldade que tem em encontrar um candidato presidencial.
Olha, Carla, eu não responsabilizo só Pedro Nuno Santos, eu responsabilizo o próprio Partido Socialista, que neste domínio, há décadas que praticamente nunca consegue entender-se sobre o que é de fazer. Portanto, Jorge Sampaio concorreu contra a direção de António Guterres, ganhou, mas a partir daí, repare, José Sócrates inventou, literalmente, inventou ou não inventou, porque ele também queria, mas a candidatura de Mário Soares para contrariar um dos que o tinha desafiado na luta pela liderança do Partido Socialista, Manuela Alegre, correu muito mal, muito mal mesmo. Tivemos depois também a escolha de Sampaio da Nova, quando existiam socialistas no terreno. E eu acho que isto tem muito a ver com algo que não deixa de ser... Nós às vezes temos ideia que no PSD há sempre guerras. A diferença das guerras do PSD com as guerras do PS é que as guerras no PSD são públicas por regra, mas ao mesmo tempo, há um espírito, eu diria, um espírito de Laranjinha. Aquela gente acha que são todos, é como fazer parte de um clube. Acabam por não ser muito fatais, nem muito mortíferos. Não quer dizer que muitas vezes não causem enormes danos e não haja muito fratricídio dentro do partido. No caso do Partido Socialista, poucas coisas vêm a público, mas percebe-se que há ali várias famílias que se odeiam mutuamente e muitas vezes não conseguimos perceber que isso tenha qualquer coisa a ver com ideologias. Às vezes tem, outras vezes não tem. Apesar de ser um partido onde essa carga é mais presente. E isto é uma situação dessas. António José Seguro portou-se muito bem com o partido desde que foi afastado da liderança, não incomodou ninguém, retirou-se para a sua vida profissional, não andou por aí, não andou a escrever artigos de jornais, não andou a dar entrevistas, mas quando percebeu que havia um vazio e que inclusivamente não era apenas um vazio, era um vazio com as portas abertas, porque as portas foram abertas por Pedro Nuno Santos numa entrevista em que disse que ele era um dos possíveis nomes para ser candidato.
Sim.
E é vontade dele, já agora.
E já agora, é a vontade dele, ela quer. E no meio disto tudo, as alternativas que acabam por estar em cima da mesa, para além de António José Seguro, que o único defeito que tem para muitos socialistas é não ser, nem sei se é se chamar do clube dele ou do quarteirão deles ou da aldeia deles, basicamente é o defeito que ele tem
E a ser moderado.
Quer dizer, e a ser moderado.
É um perigo a ser moderado.
Mas e a ser moderado, também não podemos dizer que o outro preferido, António Vitorino, também não seja moderado.
Não é um não moderado, sem dúvida.
Também é um moderado. A questão não é por aí, é mesmo mais por ódios pessoais, por coisas que são pessoais. Tem muito pouco a ver com a ideologia.
Já agora, quando Seguro, se olharmos para aquilo que se passou há 10 anos, ele é que teria mais razões de queixa. António Costa foi desleal contra ele, não foi o contrário.
Sim, claro. E toda a gente sabe que a vitória pequenina, a vitória pocochinha de António José Seguro se transformou numa derrota dilatada passado pouco tempo depois numa das eleições que em princípio até eram mais favoráveis. Em princípio. Ora bem, e depois disto tudo, temos a possibilidade de recorrer a Sampaio da Nova? Sampaio da Nova? Estamos a falar a sério? Depois da eleição em que já lhe correu mal, é isto que se pretende? É novamente ir buscar uma pessoa, de alguma forma, também fora do sistema dos partidos, acentuando esta tendência para achar tudo o que está dentro daquilo que é o regular funcionamento das instituições, digamos assim, que é os partidos apoiarem candidatos que querem ser e não andarem a forçar candidatos a serem ou então andarem a ir buscá-los ao baú. Tudo isto está a correr muito mal para o Partido Socialista. Não sei se tem já alguma hipótese sequer de acabar bem.
José Manuel, com estes dois nomes, parece que uma terceira via, um terceiro nome, digamos assim, é que poderia eventualmente sarar aqui alguns problemas. Não há Messias.
Para desempatar.
Não creio que António Costa está felicíssimo.
Sim, tem dito que sim. Queria só baralhar um bocado.
Esquece lá a ideia.
Equiparar Augusto Santos Silva à categoria de Messias .
Eu não estava a equiparar, estava só a dizer que há outros nomes.
Claro que há outros nomes. Messias seria António Costa, que está felicíssimo com o que está a fazer e não vai seguramente regressar de Bruxelas para Lisboa. E António Guterres também não me parece nada para aí virado. E é bom não esquecer, António Guterres é pouco mais novo que o Donald Trump. Vamos também por um caminho desses, escolher presidentes com uma faixa etária bastante avantajada, bastante avançada.
Eu acho que é daqueles cargos, só se vai com muita vontade. E tem acontecido isso até agora, nós nunca tivemos presidentes forçados. Do que agarrar alguém pelos cabelos até para fazer um frete ao partido, eu acho que isso tem tudo para correr mal de alguma maneira.
Se nós virmos bem, repara, nós tivemos um Mário Soares que tinha sonhado com isso anos e anos antes.
Estava escrito nas estrelas.
Depois, a seguir, tivemos um Jorge Sampaio, que tem uma história em alguns aspetos parecida com António José Seguro, com a diferença de que ele era presidente da Câmara de Lisboa e portanto tinha lugar público relevante na altura em que se candidatou, mas também tinha sido defenestrado, tal como António José Seguro foi defenestrado pelo seu próprio partido. E depois tivemos um Cavaco Silva, que à primeira vez foi um candidato um bocadinho contra a vontade, quando perdeu para Jorge Sampaio.
Foi para marcar posição, só. E para tirar a sanha.
Não foi só para isso, é porque ele também percebeu que tinha uma dívida para com o seu partido e não podia deixar-se ficar para trás. A forma como ele também criou o tabu e complicou a vida aos seus sucessores já tinha criado feridas suficientes.
Isso na saída do governo, claro.
Na saída do governo, claro. Estamos a falar de 1994, 95. E depois tivemos novamente candidatos. Até os próprios candidatos do Partido Socialista que se apresentaram, queriam, Ana Gomes, vão recordar Maria de Belém, que foi também tão maltratada. Já nem sei o que inventaram contra Maria de Belém, foi o Sampaio da Nova, salvo erro.
Foi o Sampaio da Nova.
Mais uma vez porque Maria Belém não era do clube dentro do partido. O Partido Socialista nisto, quando está no governo, está todo unido, como o PSD nunca está, curiosamente. Parece que outros valores se levantam e eu nem quero falar muito desse outro tipo de valores que se levantam, mas estando no governo ou na oposição, quando para as presidenciais parece que não há forma de ter juízo e só pensa naquilo que é muito mesquinho, que são ódios pessoais, quezília, as guerras antigas, aquelas coisas que nós nem imaginamos que se passam dentro dos partidos, porque há muita coisa que nós nem sequer imaginamos. De vez em quando contam-nos umas histórias, coisas que se passam nas eleições, nos votos.
Tutti frutti.
Não estou só a falar de tutti frutti.
Já lá vamos.
É aquilo que a gente vai sabendo. Há muitas outras coisas que não chegam ao nível do tutti frutti, aquelas carrinhas
Fotos como nós uma vez filmamos aqui no Observador.
De alguma forma está relacionado, porque são os poderes cristalizados nos partidos, depois ninguém consegue remover.
Exatamente. E poderes que são invisíveis e que nos últimos anos têm dado cabo da vida localmente, quer ao PS, quer ao PSD, e aberto imenso espaço para outras figuras emergirem, algumas com sucesso, como é o caso do Rui Moreira.
Ainda assim, agora focando o José Manuel.
Focando e indo à nota, eu vou acompanhar a Sara.
Vais dar um oito.
Deu um oito. Estou a ser generoso. Eu isso habitualmente iria um pouco mais para baixo, mas não quero começar mal a semana.
Então pronto. Um oito é uma ótima maneira de começar a semana. Falavas, Paulo, do caso Tutti Frutti como um dos exemplos de algumas coisas que se passam dentro dos partidos e já lá vai quase uma semana desde a detenção do Ministério Público.
E é só fazer um ponto de ordem àquilo que foi ou ao que está a ser a reação dos próprios, dos implicados, dos acusados. Já estamos na fase da acusação, atenção, não são só arguidos. Isto é, o Ministério Público, depois de os constituir arguidos, de ter investigado, achou que havia matéria para acusar, levar a tribunal estas cerca de 60 pessoas, por suspeita de crimes que estão expostos, e agora o juiz decidirá, salvo error na abertura da instrução, obviamente, muitos devem fazê-lo, haverá o juiz agora que vai decidir se há julgamento ou não, e depois então processa-se o julgamento e ou são condenados, ou são ilibados. Estamos na fase da acusação. Uma semana depois, o que é que nós vemos? Que sobretudo o PSD, tem aqui mais pessoas implicadas, pelo menos mais pessoas com cargos internos do partido e com cargos de eleição, que não há aqui uma regra para aquilo que se deve fazer neste caso. O último desenvolvimento foi a renúncia ao mandato do presidente da Junta do Areeiro, Fernando Brancamp, em Lisboa, que é do PSD. Este vai renunciar ao mandato ou já renunciou, mas há outros dois que se mantêm. Isto é, também são presidentes de juntas, também estão implicados, mas mantêm-se nestes cargos e não há sinais de quererem renunciar ao mandato. Falamos de Luís Newton, que é presidente da Junta da Estrela, e de Vasco Morgado, presidente da Junta de Santo António. Qual é a lógica disto? Não haverá nenhuma lógica. A notícia do Observador diz também que Fernando Brancamp está com alguns problemas de saúde. Esperemos que ele obviamente recupere, mas que isto não seja só uma renúncia mais motivada por isso do que pelo caso Tutti Frutti. Depois é assim, Luís Newton suspendeu o mandato de deputado. Ele está implicado neste caso, não é pela sua função de deputado, mas presidente da junta, mas mantém-se presidente da Junta da Estrela. Qual é a lógica nisto? Nenhuma lógica nisto. Carlos Eduardo Reis, por exemplo, vai renunciar também ao mandato de deputado do PSD, não tem mais cargos e portanto aqui até faz sentido a questão dos deputados, mas nota-se que há aqui uma tática que o cargo de deputado, como tem mais exposição, ele próprio disse a Luís Newton que renuncia para não contaminar a bancada da AD e o governo. Portanto, é uma questão tática, não há aqui moralidade nenhuma. Depois, Ângelo Pereira suspendeu o mandato de vereador da Câmara de Lisboa, mas mantém-se líder da distrital de partido. Passando agora para os cargos do partido. Ângelo Pereira, mais um implicado, continua líder da distrital de partido. Luís Newton, além de presidente da Junta da Estrela, também continua como presidente da Concelhia de Lisboa do PSD. E o que é que estes dois estão a fazer, por inerência até das suas responsabilidades no partido? Estão obviamente a coordenar a corrida autárquica do PSD em Lisboa. São eles que obviamente vão participar nas decisões de candidatos, quem é que se candidata, quem é que não candidata, para onde, em que listas, isto para a câmara, quer para as juntas de freguesia. A liderança do PSD está confortável com isto? Luís Montenegro não tem nada a dizer sobre isto? É que veja, vai sendo tempo da liderança do partido dizer qualquer coisa, se concorda com estes critérios, com estes métodos, com esta lógica ou falta de lógica, e pôr um ponto de ordem na casa, porque isto não pode ficar só a sabor dos próprios, como se vê. E portanto, há aqui um mando e uma voz de partido que está a faltar. Luís Montenegro já devia ter dito qualquer coisa. Olhemos para o PS. O problema não é tão extenso, mas também existe. Rui Paulo Figueiredo é deputado municipal do PS, mantém o cargo. Inês Drummond, vereadora da Câmara de Lisboa, renunciou ao mandato e fez muito bem. Também aqui há a dualidade. E portanto, num caso destes, que mostra uma teia de interesses, de cruzamentos e de tráfico de influências e de prejuízo de dinheiros públicos, com raízes tão grandes num partido, ou essencialmente num partido, no PSD, numa zona muito localizada que é a zona de Lisboa, eu acho impressionante como é que a direção do partido ainda não veio pôr um ponto de ordem, dizer quais são os critérios, no fundo, indicar a porta de saída desta gente toda, quer dos cargos eletivos, quer dos cargos partidários, dos cargos públicos, quer dos cargos partidários, que é para ver se de uma vez por todas começam a encarar isto com alguma seriedade.
Que nota dá?
Para já, mantém-se especialista, dou um seis ao silêncio da direção do PSD, esperando que haja um bocadinho de bom senso nos próximos dias e que ponham ordem na casa.
Ora, falando em pôr ordem na casa, Bruno, o Bloco de Esquerda está a alterar estatutos por indicação do Tribunal Constitucional. Por que queres chamar aqui o assunto?
Sim, porque eu pensei que o respeito pela Constituição fosse suficiente para estabelecer aqui normas de conduta dos militantes dos partidos. Afinal, é preciso estatutos. Vá-se lá saber e vá-se lá compreender a necessidade de tantas alíneas e tantos estatutos. E nesta alteração dos estatutos, o Bloco de Esquerda Estabelece uma obrigação para os militantes de não comprometer o bom nome do partido. E o que é o bom nome do partido? Podemos perguntar, eu pergunto, o que é o bom nome do partido? Isto é demasiado amplo.
O Bloco de Esquerda diz que é uma determinação do Tribunal Constitucional e que o Partido Socialista também tem este tipo de estatutos.
O Tribunal Constitucional, a censura que fez aos estatutos do Bloco de Esquerda é que não previu um catálogo de deveres com a densidade necessária para que os aderentes possam deduzir os tipos de conduta susceptíveis de consubstanciar infrações disciplinares. Esta é a mensagem do Tribunal Constitucional. Para simplificar, isto significava que estava tudo muito em aberto para que os aderentes, os militantes do Bloco de Esquerda pudessem perceber o que estava em causa ou que tipo de conduta seria passível de sanção de acordo com os estatutos. Mas não vejo que tenha melhorado muito com esta ideia de se abster de conduta que acarrete sério prejuízo ao bom nome do partido. Acho que continua muito em aberto e não permite deduzir que tipo de conduta é que está em causa. Luís Fazenda, que é um dos fundadores e apoia esta revisão dos estatutos, um dos fundadores do Bloco de Esquerda, disse que esta alteração visa proteger o partido de pessoas que eventualmente pratiquem crimes graves. Mas pode acarretar sério prejuízo ao bom nome de um partido, nem é preciso ser ao bom nome do partido, pode haver condutas que prejudiquem o partido e que não são crimes graves. E então por que os estatutos não preveem a prática destes crimes graves como suficiente para estas sanções? E usou também o argumento que há outros partidos que têm esta formulação. Recorreu ao argumento sobre o PS, mas no PS a formulação é idêntica, provavelmente o Bloco de Esquerda até poderia ser acusado de plágio, porque prevê conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do partido, pode determinar a perda dessa qualidade. Só que nos estatutos do PS, estamos a falar de simpatizantes e não de militantes do partido. É uma diferença em relação ao Bloco de Esquerda. Mas eu também percebo, e isso já motivou críticas da oposição interna do Bloco de Esquerda, eu percebo que neste momento, tudo aquilo que envolva o Bloco de Esquerda está em grande ebulição e suscita logo muito nervosismo por parte da oposição interna. Mesmo assim, eu acho que isso não vai acalmar neste momento essa oposição, pelo contrário, vem ainda estimular mais a oposição e vou dar um sete ao Bloco de Esquerda por não conseguir pôr ordem na casa, como dizias de início.
E pronto, a semana começou com muitas negativas. Enfim, tudo está bem quando é normal. Amanhã vamos ter mais um evento.
Era isso que eu ia dizer, não sei qual era a tua surpresa.
Pois não, nenhuma. Foi uma coisa que me passou pela cabeça e corrigi rapidamente. Até já.