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Em primeiro lugar, queria lhe perguntar se foi surpreendido pela qualidade e pelo empenho das candidaturas, os trabalhos que apareceram nestas candidaturas, ou se era expectável que isso acontecesse.

A minha opinião, acho que o mais impressionante foi a qualidade e a diversidade daquelas soluções que nos foram apresentadas. Isto é, eu tive a oportunidade de ver projetos que têm uma forte base tecnológica, mas que colocaram o foco em realidades humanas que são complexas, como, por exemplo, a integração dos migrantes, o que, na minha opinião, mostra que cada vez mais esse ecossistema dos unicórnios e das tecnologias está cada vez mais consciente para a responsabilidade social.

Ou seja, já não estamos a falar só de um certo deslumbramento com a tecnologia pura e dura, mas com a aplicação que isso tem para melhorar a qualidade de vida das pessoas, nomeadamente pessoas em situação de vulnerabilidade.

Sim, exatamente. Iniciativas como esta, que é do Lisboa Innovation, eu diria que, para mim, no meu caso concreto, acho que são fundamentais, porque elas, no fundo, permitem canalizar inovação para as áreas onde ela é mais urgente. E como disse muito bem, a inclusão social, o acesso à saúde, à educação e a integração de migrantes. Portanto, esse tipo de prêmios ou de iniciativas, se quiserem dizer, podem ser um catalisador, porque mobilizam talento e, ao mesmo tempo, criam soluções que são práticas e eu diria que, acima de tudo, aproximam a tecnologia daquelas que mais dele precisa.

E a nível da tecnologia, quer me explicar um pouquinho mais concretamente como é que este tipo de tecnologia pode apoiar? Porque eu o ouvi falar durante a apresentação destes trabalhos, por exemplo, no apoio à aprendizagem da língua, pode ser um recurso bastante útil, mas há mais situações em que isto se verifica?

Sim. Vamos a uma coisa. O projeto que ganhou, neste caso, o projeto Equivalent, só para dar este exemplo, que é aquilo que ganhou. Os migrantes, muitas vezes, quando migram, enfrentam aquilo que nós chamamos de um apagão curricular. Isto é, muitas vezes as competências que têm, não têm a forma de as comprovar ou até de as traduzir para o contexto local. Portanto, o projeto Equivalent, tanto quanto eu pude perceber pela apresentação da referida app, atua quase como um tradutor do talento. Isto é, reconhece, por um lado, o valor da experiência informal que todos nós temos e desenvolvemos, seja lá onde nós estivermos, verifica os dados de uma forma segura e tenta criar aquilo que são as pontes entre que seja o passado profissional da pessoa e as exigências do mercado atual. Isso tem, obviamente, um impacto muito direto na empregabilidade, mas também na própria autoestima da pessoa e na inclusão da própria pessoa. Portanto, este é um exemplo de como é que a tecnologia pode ser usada, desde que seja usada com responsabilidade e com foco humano, pode aproximar, pode simplificar processos burocráticos, pode personalizar respostas e, obviamente, dar soluções a algo que muitas vezes estava dependente de outro. Portanto, o que eu digo sempre é que, no caso até concreto deste projeto, a Equivalent, é que eu procurou sempre ser inclusivo desde a concepção. Isso é o que eu vi sempre nesta iniciativa e portanto é muito importante que ela, ainda bem que ganhou, e espero que tenha esse impacto na vida das pessoas migrantes.