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Temos também já em linha o Gabriel Alves, é comentador de futebol do Observador. Gabriel, boa tarde, bem-vindo e obrigado pela disponibilidade. O que lhe vai na alma, Gabriel?
Estou triste. Eu tive um bom contacto com o Fernando Gomes ao longo da carreira dele, muito particularmente quando ele se retirou. Convidei-o e ele aceitou de forma extremamente amável e agradável para comentar futebol na Antena 1, onde eu, ao tempo, à época, tinha a responsabilidade do departamento de desporto. E foi, de facto, muito bom tê-lo, como digo, companheiro de equipa integrado naquela equipa da Antena 1 ao tempo, em meados dos anos 90. Quanto a jogador, quanto àquilo que ele foi como futebolista, ele era, de facto, o que se pode dizer um killer. Mas era um killer elegante, era um jogador elegante no campo. Aquela maneira como ele surgia a pentear a bola, digamos quase, e a colocá-la no primeiro poste, e a colocá-la em antecipação aos guarda-redes, era de facto uma maravilha de observar. Marcou gols lindos e toda a sua postura dentro das quatro linhas. Era um ponta de lança moderno, vivo, de grande leitura daquilo que eram as posições que eram ocupadas dentro das quatro linhas e a forma como ocupava os espaços, como se movimentava e como se integrava nos movimentos e nas combinações traçadas. Mas não através do previsível. Não, ele era aquilo que se pode dizer intempestivo, irreverente e quando aparecia, aparecia sempre, não só com a elegância que já referi, mas também com uma qualidade técnica fora de série. Isto é a saudade que se tem e é evidente que há vídeos e há imagens dessa época a mostrar o Fernando Gomes goleador de cabeça e não só, porque o seu futebol de cabeça era lindo.
Essa é uma imagem importante, porque para as gerações mais novas será um pouquinho difícil, porventura, de perceber exatamente o que é que significou Fernando Gomes para o futebol português, significou para o Porto e também para a Seleção Nacional, Gabriel.
Sim, ele não só para o Porto. É um futebolista marcante, é uma figura marcante, é um ícone, ponto, parágrafo. É um senhor que faz parte da vida da instituição para sempre. E em relação à Seleção Nacional, obviamente que sim, também porque ele foi internacional e foi sempre um jogador de boa integração e, acima de tudo, era um jogador de uma delicadeza, estou a falar já na parte humana, da educação, da forma como se apresentava, na forma como dialogava, na forma como convivia no relacionamento. Que o foco pôs um pouco mais apertado, mais íntimo, quando ele se tornou, ao tempo, como já disse, comentador na Antena 1, de desporto, o que fez sempre com grande qualidade, grande conteúdo e grande, direi mesmo, grande autoridade.