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A direita não conseguiu aprovar o nome que o PSD apresentou, o Partido Socialista apresenta o seu candidato para tentar resolver o impasse, o impasse mantém-se e obviamente não podíamos fazer perdurar um impasse parlamentar, um impasse institucional e, por iniciativa do Partido Socialista, foi apresentada uma proposta para resolver o impasse. Nós tivemos uma reunião, eu tive uma reunião com o líder da AD, não foi apresentada por líder da AD nenhuma solução para o impasse, fomos nós que apresentamos. E eu queria dar-vos nota do nosso posicionamento sobre estas matérias. Da mesma forma que tive a oportunidade de dizer que nunca permitiríamos um impasse constitucional, aprovando moções de rejeição, também não iríamos conviver com um impasse parlamentar e por isso o Partido Socialista, como o partido responsável, quer preservar as instituições democráticas no nosso país, fez uma proposta que nos permitisse resolver e seguirmos com o trabalho parlamentar, com o trabalho político, para verdadeiramente nos concentrarmos nos problemas do país. A AD, aquilo que mostrou, o Primeiro-Ministro indigitado, aquilo que mostrou também neste processo é que não tem uma solução parlamentar estável, nem tem uma solução de governo estável. E neste processo revelou que não tinha também a capacidade de iniciativa e de liderança para resolver impasses como aquele que nós acabamos por sofrer aqui nas últimas 24 horas. E por isso o Partido Socialista, como já vos disse, como partido responsável, apresentou uma solução que nos permitisse seguir em frente. Teremos tempo para as perguntas. Queria também dizer aquilo que é um aspecto muito importante, porque o líder do Chega apresenta-se como tendo uma grande vontade de confrontar o sistema e de mudar o sistema. E é muito importante que nós tenhamos todos consciência, porque as últimas semanas, eu diria mesmo os últimos meses, foi-nos mostrando que o líder do Chega não está verdadeiramente interessado em confrontar o sistema. Está interessado em ser parte do sistema. E é muito importante que todos os portugueses, mas também aqueles que votaram no Chega, tenham consciência disto. O líder do Chega passou as últimas semanas a mendigar um lugar no governo. Não é alguém que quer estar de fora, que quer confrontar o sistema. É alguém que quer estar dentro. E não é só alguém que quer estar dentro, como é alguém que andou vários meses a mendigar, fazer parte de um governo. O Partido Socialista revelou, aliás, na noite eleitoral, um desprendimento em relação ao poder, assumindo desde logo os resultados eleitorais, as consequências desse resultado eleitoral e a derrota no dia 10 de março. Era aquilo que nos cabia. O líder do Chega teve todo o tempo, aliás, usou mesmo a expressão de se ter de humilhar, e foi exatamente isso que foi fazendo ao longo deste tempo para conseguir ter um lugar no governo. E por isso era importante que ninguém se confundisse sobre a atitude com que o líder deste partido se apresenta perante o país. Não é com vontade de confrontar o sistema, é sim com vontade de integrar o sistema. Já lá iremos. Queria também dizer o seguinte: o Partido Socialista será, como aliás eu tive a oportunidade de dizer, oposição à coligação que vai governar o país. E não haja nenhuma confusão sobre isso. Nós faremos o nosso trabalho de oposição, de oposição política, programática. Não era o que estava em causa nesta votação. Nesta votação, não estava em causa nenhuma diferença programática. Estava em causa a resolução de um impasse parlamentar que nós quisemos resolver. Do ponto de vista político, o Partido Socialista continuará a ser oposição. O líder do Chega não é líder da oposição, é chefe da confusão. Nós lideraremos a oposição de forma construtiva, de forma responsável, mas que não haja ilusões sobre o futuro político em Portugal. O Partido Socialista não será suporte de um governo da AD e é bom que isso fique claro para todos. Nós faremos o nosso trabalho na defesa do nosso ideário, na defesa do nosso programa político.

Agora passo para perguntas, difícil de ouvir pela campainha.

Campainha, eu respondo já. Vocês ouvem? Em primeiro lugar, eu recebi um contacto 15 minutos antes de ser comunicado oficialmente o nome do PSD para a presidência da Assembleia da República. Estamos a falar de 15 minutos. E, portanto, não foi propriamente uma tentativa de conciliação ou de acordo, que aliás, a existir, teria, como é natural, ser feito pelo líder do PSD. Não poderia ser de outra maneira. E foi feito, como vos disse, 15 minutos antes dos nomes serem conhecidos. Aliás, espero que não seja esta a forma com que o líder da AD entenda que vai ter de relacionar com os diferentes partidos no Parlamento, nomeadamente com o Partido Socialista. Não é assim. Aquilo que o PSD nos demonstrou com todo este processo é que entende que pode estar simplesmente fixado com os pés no chão e que os outros é que se têm que aproximar. Não funciona assim a democracia. Quando um líder político tem uma solução de governo ou quer governar, tem que procurar soluções. Não foi isso que aconteceu neste caso.

Se o PSD mostrou desrespeito pelo Partido Socialista por não ter contactado atempadamente o líder do PS sobre o nome que foi avançado, o nome de Aguilar Branco.

Eu não estou a queixar de desrespeito, simplesmente nós não fomos contactados para procurar uma solução. Por isso, nós não éramos parte dela. Tinha havido notícias de que havia um entendimento à direita, que depois não se verificou. É só isso. E depois, perante o impasse, o Partido Socialista, e repito, o Partido Socialista apresentou uma solução que permitisse seguir em frente