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Bem-vinda, Ana Gomes, à Rádio Observador. O que falhou para que o PS se visse relegado a um terceiro lugar pela primeira vez na história da democracia? Aconteceu nestas eleições legislativas, para já ainda taco a taco com o Chega, mas se o círculo da emigração se repetir, se os mandatos atribuídos pelo círculo da emigração, pode mesmo ficar em terceiro.
Olá, boa tarde. Falhou muita coisa, obviamente. É isso que explica a derrota do PS, da esquerda, e a incapacidade de fazer o país entender a natureza dos problemas com que estamos confrontados. São problemas que estão para além dos erros que, sem dúvida, também foram cometidos pela direção de Pedro Nuno Santos no PS. São problemas que têm a ver com políticas públicas erradas, que foram prosseguidas nos anos da governação de António Costa e que aumentaram as desigualdades, os ressentimentos, porque foi isso que se passou.
Quer exemplificar algumas dessas medidas?
São óbvias. Era preciso ter resolvido o conflito com os professores. Era preciso ter resolvido o conflito com os policiais. Era preciso ter resolvido, e nem ter deixado que se desenvolvesse o conflito, por exemplo, com os funcionários do SEF. Não estou a pôr em causa a extinção do SEF, mas é evidente que o SEF não podia ter sido extinto sem ter uma AIMA imediatamente pronta a assumir as mesmíssimas funções, até reforçadamente. Portanto, estes são apenas alguns exemplos, mas que criaram grave desafetação de segmentos muito importantes da própria base de apoio ao PS, que criaram ressentimento e que entregaram muita gente a esse ressentimento e, portanto, aos cânticos sem escrúpulos de uma força antidemocrática como é o Chega.
E os erros do próprio Pedro Nuno Santos, Ana Gomes, quais é que foram?
Naturalmente que houve erros, e é essa reflexão que também importa o PS fazer, mas eu espero que a reflexão serena que o PS tem que fazer se faça, não apenas limitada aos erros de Pedro Nuno Santos, sabendo que este não era o timing de Pedro Nuno Santos. Não era o timing já em 2024, como não era o timing agora em 2025, visto que o próprio Pedro Nuno Santos tinha projetado embarcar o PS num processo de reflexão e de alargamento, que era o dos Estados Gerais. Mas é evidente que os desafios foram se proporcionando e tinham que ser enfrentados pelo PS, e é evidente que não ter feito essa reflexão, essa preparação, e esse alargamento, teve consequências, como se viu. Há muitas coisas que possivelmente os portugueses não compreenderam da mensagem de Pedro Nuno Santos, por exemplo, quando alertou para a gravidade de termos um primeiro-ministro com as características de Montenegro no que toca ao importar de conflitos de interesse para a governação. Isto não foi compreendido, obviamente, mas vai ser um dia, mais tarde ou mais cedo, isso não foi eliminado, não foi resolvido, vai estar aí e eventualmente vai ser compreendido de uma forma bastante mais custosa para todos os portugueses. Eu estou infelizmente convencida que tudo vai piorar antes de começar a melhorar. E tudo vai piorar, porque de há anos para cá têm sido aplicadas políticas, quer pelo PS no governo, quer pela AD, políticas que só têm aumentado as desigualdades e os ressentimentos, que não têm resolvido problemas essenciais para o conjunto da população e, em particular, para os jovens, que obviamente são o futuro, não só de qualquer partido, mas como do país. E portanto, essas questões não têm sido resolvidas, têm sido agravadas.
Embora entre o eleitorado da AD haja uma faixa de jovens que neste momento não vota no Partido Socialista. Esse foi um problema que afetou.
É bem natural, porque o Partido Socialista foi oito anos poder, e foi um poder que assumiu várias políticas, do meu ponto de vista, erradas, do ponto de vista dos princípios e dos valores socialistas, e erradas do ponto de vista dos interesses do país. Políticas essas que até são políticas da direita e que obviamente tenderiam a alienar as pessoas, e os jovens em particular, que têm um agudo sentido da justiça e que ainda por cima sofrem, hoje, dramaticamente as consequências dessas políticas. Por exemplo, no escalar dos preços da habitação ou exatamente nos baixos salários, apesar das qualificações que obtêm, na falta de perspectiva de carreira.
Quer dizer que a culpa é mais de António Costa neste resultado eleitoral do que de Pedro Nuno Santos?
As culpas são de todos, mas obviamente o PS precisa fazer uma reflexão que tem que ser aprofundada, que se calhar tem que ir atrás até de António Costa. Tem que ir, por exemplo, ao tempo de Sócrates, que António Costa foi ministro de Sócrates e depois voltou. Não é por acaso que o PS se achou hoje exatamente numa situação em que é visto como o partido dos pensionistas e não tem jovens.
Mas o PS ainda há três anos teve uma maioria absoluta, Ana Gomes.
Pois, mas nas condições que sabemos, também numas eleições que eram perfeitamente dispensáveis. Aliás, essas eleições, e o Presidente da República tem a sua quota-parte de responsabilidade, porque essas eleições eram perfeitamente dispensáveis, não tinham justificação nenhuma e criaram um ambiente que levou muita gente a votar perante uma situação extremada e que deu o resultado que deu. Uma maioria absoluta que ninguém previa, que ninguém queria, a começar por António Costa, de resto, que só estava à espera de um pretexto para se ir embora, que as eleições lhe facultassem, não esperava a maioria absoluta. E que embarcou a seguir num governo de maioria absoluta que foi um desastre, que criou e agravou esses problemas. Portanto, na minha opinião, uma reflexão serena do Partido Socialista para arrepiar caminho, para se regenerar, que obviamente o PS precisa de fazer, e a democracia portuguesa precisa que o PS o faça, nada está perdido, embora é evidente que estas eleições ontem tenham significado uma mudança de ciclo, uma mudança de ciclo muito perigosa para a democracia, pelo poder que dá hoje a um partido que se serve das vias democráticas para perverter a democracia, que não respeita as regras da democracia, estou me referindo ao CHEGA, obviamente, que não vai ter contemplações para continuar a desconsiderar essas regras da democracia para conseguir os seus intentos, que é obviamente de conseguir o poder, e não é para servir a democracia, pelo contrário. E por isso o PS precisa de fazer o seu próprio processo de regeneração e a reflexão tem que passar pelos erros que foram cometidos na direção de Pedro Nunes Santos, mas também mais para trás.
Mona Gomes, e nesse sentido, não acha que Pedro Nuno Santos tentou ontem condicionar a ação futura do PS quando disse no discurso de derrota que o PS não deve dar suporte a um governo da AD?
Não, acho que o Pedro Nuno Santos atuou com perfeita lisura, franqueza e dignidade. Há pessoas que a palavra conta. Há pessoas que não são artistas, que são sérios, e a palavra conta. E, portanto, ele disse: "Eu não tenho condições". Ele percebe que, obviamente, neste momento a situação mudou em face dos resultados de ontem e da derrota fragorosa que o PS teve, percebe que pode ser necessário concertação com o governo do Luís Montenegro, percebe que não tem condições para fazer. E, portanto, retira-se dizendo que não concorda, não tem condições para o fazer e retira-se. Também diz que não vai continuar a desistir, a lutar. Nenhum socialista pode desistir de lutar. Mas não me parece que ele esteja a querer condicionar.
Mas quer dizer que o sucessor de Pedro Nuno Santos-
Para uma alternativa dentro do PS. E sabendo que, de resto, há também outros desafios que o PS tem pela frente e que não são a queda de-
Essa alternativa terá de ser inevitavelmente alguém que possa dar a mão à AD?
Sem dúvida que é nesse sentido que as coisas se encaminham. Eu não sei se é dar a mão ou se dialogar com a AD. Dialogar, diálogo que obviamente tem que saber abstrair do fato de ter pela frente uma pessoa com as características do atual primeiro-ministro, que não teve escrúpulos nenhuns em precipitar eleições no intuito de conseguir o voto popular que branqueasse os conflitos de interesse e os problemas que a sua própria atuação no setor privado importavam para a governação.
Mas é pelo caminho do diálogo entre PS e AD que a Ana Gomes acha que o caminho deve seguir?
Como?
Se a Ana Gomes acha que aquilo que deve ser feito agora nos tempos mais próximos é o Partido Socialista entender-se com a AD no sentido de viabilizar uma governação.
Eu acho que o PS tem que fazer uma reflexão sobre as implicações desse caminho. Portanto, espero que essa reflexão se faça serenamente. Eu sei que é difícil conciliar a necessidade de fazer essa reflexão com os desafios que temos já pela frente, até por causa dos atos eleitorais que aí vêm, designadamente as autárquicas.
Certo.
E depois as presidenciais. Mas essa reflexão tem que ser feita e tem que ser feita de forma alargada a todos os órgãos do Partido Socialista e militantes. Eu, neste momento, só sou militante de cartão, de coração, de valores, de princípios, não tenho nenhuma atividade partidária, não tenho nenhuma presença em nenhum órgão. Dou a minha opinião como cidadã, publicamente, e não me quero substituir. A reflexão tem que ser feita nos órgãos próprios do Partido Socialista, para que ela seja o mais abrangente possível.
Sim, falava há pouco, Ana Gomes, nas autárquicas, Francisco Assis defendeu hoje aqui na Rádio Observador, e não é a voz única no PS, que mais vale escolher o sucessor de Pedro Nuno Santos só depois dessas eleições. Concorda com essa ideia? E já agora, se Carlos César pode assumir essas funções de forma interina.
Eu não sei, como digo, não tenho militância ativa no PS, neste momento, desde, de resto, que saí do Parlamento Europeu. E não sei, não estou em posição, não quero estar a prejudicar o debate que tem que ser feito nessa matéria. Admito que esse é um caminho, e que é um caminho possível e que eventualmente permitirá conciliar todos os desafios que o PS tem pela frente, designadamente aqueles de se organizar para ir imediatamente, obviamente, à liça nas eleições autárquicas, que é a próxima etapa.
Em todo caso, a Ana Gomes ontem, na SIC Notícias, acabou por antever que provavelmente daqui a um ano estamos de novo em eleições. Agora passadas algumas horas, acha que o Partido Socialista deve ajudar a evitar uma nova crise política ou acha que esse deve ser o caminho para tentar que o Partido Socialista recupere nas próximas eleições daqui a um ano?
Tudo vai depender exatamente da reflexão que o PS faça sobre qual é o caminho que tem a seguir, sobre se quer ser de fato muleta, digamos, da AD Ou se opta por ser uma oposição séria, democrática, mas claramente na oposição. Isso deixa o campo da oposição aberto.
Mas isso torna inevitável o entendimento entre a AD e o Chega. É esse o caminho que acha que, do ponto de vista do PS-
Não acho que seja bom para ninguém, mas eu acho que o PS vai ter que fazer essa reflexão. Agora, isso nunca prejudicou o diálogo, que tem que se fazer, obviamente, entre as várias forças políticas democráticas e sem dúvida, o diálogo entre o PS e a direita democrática nunca deve ser posto em causa. O que eu prevejo é que isso está para além da posição que o PS queira ter. Não foi o PS que derrubou o governo neste momento, foi o Luís Montenegro que decidiu ir para eleições, que tinha a fisgada há muito tempo, que pensou executá-la quando foi do orçamento, que não pôde executá-la no orçamento porque Pedro Nuno Santos justamente viabilizou o orçamento e que a fez na oportunidade em que se achou entalado, pensando que era uma maneira de justamente fugir a prestar explicações. E portanto, não será o PS que vai criar condições para uma derrube da AD, que aliás sabemos que não pode ser feito durante o próximo ano e ainda com a atual presidente em funções. Será já num período subsequente. Não será o PS que o fará. Agora, é impensável que se atire para debaixo do tapete as questões que precipitaram estas eleições, porque isso não está nas mãos nem do PS controlar, nem de nenhuma força política.
A verdade é que o eleitorado não atribui grande valor a essas questões.
Tem a ver com o papel de escrutínio dos media, ou vocês estão a me dizer que os media vão deixar de fazer o seu papel de escrutínio? Ou vocês estão a me dizer que a justiça vai ficar amordaçada e não vai fazer o seu trabalho, porque não é politicamente conveniente? Se isso for assim, então estamos a dar mais armas às forças antidemocráticas para capitalizarem e para fingirem que têm uma agenda anticorrupção, que não têm, e para ganharem mais apoios e no fundo, reforçarem o seu caminho antidemocrático.
E o PS deve insistir na comissão de inquérito ao caso Spinoviva?
Essa é uma discussão que o PS tem que fazer, exatamente no quadro da reflexão que importa fazer. Agora, isso está para além do próprio PS, como eu digo. Não foi o PS que trouxe a público as revelações sobre a Spinoviva, foram os jornalistas, no seu trabalho de jornalistas. Não foi o PS que precipitou eleições, foi o Luís Montenegro, porque queria fugir a prestar declarações sobre a Spinoviva.
Olha Gomes, mas agora passado este tempo.
Apontar o dedo ao PS, porque não foi o PS que foi responsável por elas.
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta que tem que ver com isso. Passado este tempo e as eleições, olhando para trás, não teria feito melhor o PS tendo aprovado a moção de confiança e entretanto avançado com a tal comissão de inquérito e nesta altura, provavelmente, a situação seria bem diferente? Até do ponto de vista do peso político de Luís Montenegro.
Os políticos têm várias caras. Não têm problema nenhum de hoje dizer: "Jamais apoiarei uma moção de confiança, não me provoque aí." E depois no dia seguinte fazem exatamente o contrário. Ou gente que é político de várias caras, artistas, se acham que isso serve à democracia, pois continuem por esse caminho. Eu acho que isso não serve à democracia. Isso é que dá armas aos que querem destruir a democracia, que até se armam em eles próprios, em gente decente, em gente que quer servir o povo e que procura a verdade e o combate à corrupção. Nós precisamos ter políticos que têm uma cara e quando escolhem um caminho, assumem as consequências desse caminho. E foi o que fez Pedro Nuno Santos, escolheu um determinado caminho, assumiu as responsabilidades. Ontem pediu a demissão e o PS tem um caminho a prosseguir.
E esse caminho a prosseguir, há pouco admitia-
Há demasiado tempo que o PS não reflete.
Há pouco admitia que o PS pode ter de conversar com a AD. José Luís Carneiro será a melhor pessoa para assumir esse papel?
Há várias pessoas, mas é o Luís Carneiro é sem dúvida uma pessoa perfeitamente capaz e o fato de já ter sido candidato à liderança do PS no passado, naturalmente que o põe razoavelmente na linha da frente para dispor a ser incumbido da liderança do PS.
Mas há mais alguém?
Possivelmente. Vamos ver que outras candidaturas surgirão.
Miguel Prata Roque também parece disponível.
Vamos ver que outras candidaturas surgirão. Certamente que o PS, quanto mais candidaturas, do meu ponto de vista, melhor, mais sinal de que há vitalidade no PS e que haverá uma reflexão séria no PS, que bem precisaria, como digo, há muito tempo. Eu acho que desde o fim dos governos de José Sócrates, com tudo o que soubemos de José Sócrates, que não se fez uma reflexão no PS para que exatamente um caso Sócrates não voltasse a repetir-se. E essa reflexão tem que ser feita. E tudo o que se somou a seguir, e está aqui a falar uma pessoa que foi apoiante da geringonça e continua a achar que valeu a pena a geringonça. O que não valeu a pena foi deitar abaixo a geringonça para se obter aquela maioria absoluta de tão nefastas consequências para o PS e para a democracia portuguesa.
Ana Gomes, há pouco falou do papel que o Presidente da República também teve neste caminho que foi trilhado nos últimos anos na vida política portuguesa. Estamos também à beira de umas eleições presidenciais, de resto, o Partido Socialista, que tem vários protocandidatos, mas ainda nenhum avançou, e agora com esta situação, isso pode também complicar-se a escolha do Partido Socialista. O que é que espera ou o que é que acha que é indispensável que traga o próximo Presidente da República?
Eu espero que o próximo combate que o PS precisa de ter no horizonte é, obviamente, o das autárquicas, que é o que está mais perto, onde há candidatos no terreno e onde o PS tem especiais responsabilidades e possibilidades de corresponder ao que a população precisa. A questão presidencial depende das candidaturas estarem no terreno. Algumas já estão e outras ainda não estão, e há muito tempo para elas estarem. Eu fui uma das pessoas que não sei como absolutamente extemporâneo aquele debate que começou a haver em finais do ano passado sobre as presidenciais e que obviamente serviam determinadas candidaturas e do meu ponto de vista não servia os interesses nem do PS nem do país. As eleições presidenciais só serão em janeiro, portanto haverá muito tempo depois das autárquicas para, face às candidaturas que estiverem no terreno, o PS tomar uma posição sobre quem é o seu candidato ou se apoia algum candidato, porque obviamente são candidaturas que sabemos que são pessoais e em que cabe aos partidos, em particular ao Partido Socialista, apoiar dentro das várias figuras que se posicionarem apresentando a sua candidatura.
Álvaro Beleza garantia hoje à Antena um que António José Seguro vai avançar.
Muito bem, é certamente uma boa candidatura. Há outras no terreno.
Mas seria importante o PS unir-se em torno de uma só, até tendo em conta agora esta hecatombe que sofreu eleitoralmente.
Até pela minha própria experiência pessoal, o que é inaceitável é que o PS não tome posição e não apoie uma candidatura democrática.
Ana Gomes, só uma última questão. Que futuro para Pedro Nuno Santos? No discurso ontem à noite disse: "Até breve", e disse que não ia desistir.
Com certeza. Qualquer socialista à sério não desiste. Alguém desiste do país. E o PS é um instrumento fundamental para governar o país, para essa expressão democrática do país. Portanto, qualquer socialista sério não desiste. É evidente que há diferentes formas de intervenção em diferentes momentos, mas não se desiste. E não tenho dúvidas nenhumas que Pedro Nuno Santos, até pela sua idade e pela sua experiência e pela sua dedicação à causa pública, e eu não tenho a mais pequena dúvida que Pedro Nuno Santos é um homem dedicado à causa pública, que anda aqui por dedicação à causa pública, encontrará o meio de intervir no quadro do PS, na própria Assembleia da República, onde espero que assuma o seu lugar de deputado.
Disse que ainda vai avaliar.
E há muitas marés.
Em política há sempre muitas marés. Ana Gomes.
Muitos regressos de pessoas que não se superariam e em que a experiência, incluindo a experiência de derrotas, é sempre enriquecedora.
Ana Gomes, muito obrigada por ter vindo ao Explicador da Tarde Política, aqui com esta ideia de que certamente pode ser no sentido de conversar com a AD que o PS pode caminhar nos próximos tempos.