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É a primeira vez que o governo decreta o estado de contingência por causa do agravamento do risco de incêndio.

Em direto para a Rádio Observador. Estamos junto a um dos principais incêndios no distrito de Leiria.

É constante o barulho dos aviões a sobrevoarem esta zona, Palmela.

A fonte dos bombeiros continua a garantir à Rádio Observador que as moradias não estão em risco.

O repórter André Maia, em direto de Aldeia de Covás, o distrito de Aveiro, a acompanhar mais um foco de preocupação.

Não passam carros entre Leiria e Pombal e também o IC2 está cortado.

Uma pequena povoação com algumas casas e em redor o pinhal de facto ardeu praticamente todo.

Conseguimos ver vários pontos quentes e agora uma enorme labareda que se ergue lá bem ao fundo entre duas pequenas serras.

Rádio Observador. Aconteça o que acontecer. Está no ar o explicador da Rádio Observador. Esta segunda-feira falamos sobre as divergências no Chega. O deputado Gabriel Mithá Ribeiro deixou a liderança do gabinete de estudos do partido e pode passar a deputado não inscrito. Para discutirmos o tema, convidámos para estarem conosco Pedro Pinto, deputado e líder da bancada parlamentar do Chega, e Nuno Afonso, ex-chefe de gabinete do Chega. O explicador das manhãs 360 é moderado pelo jornalista Miguel Vieira.

Debatemos a situação política interna do Chega numa altura em que já se sabe que o líder do partido, André Ventura, vai submeter à consideração dos militantes do Chega uma moção de confiança, sendo que André Ventura assumiu que há entre o partido uma facção descontente com o trabalho da atual direção. Bem-vindos, Pedro Pinto, Nuno Afonso. Começo por si, Pedro Pinto. Enquanto líder parlamentar, falou com Gabriel Mithá Ribeiro nas últimas horas. O deputado vai continuar a representar a bancada do Chega ou já lhe comunicou a intenção de passar a deputado não inscrito?

Bom dia, Miguel. Bom dia também a todos os ouvintes da Rádio Observador. Em primeiro lugar, dizer que eu fui convidado para falar da reentrada política do Chega e dizer que foi uma grande festa que fizemos no Algarve. Uma festa que juntámos mais de 300 pessoas, ao contrário, por exemplo, da Iniciativa Liberal, que não passaram das 40 pessoas, numa festa ao ar livre. Nós fizemos uma grande reentrada, um grande discurso de André Ventura, focado no futuro, a tocar nos problemas essenciais do país, que são esses problemas que nos interessam. O combate ao socialismo é precisamente aquilo que interessa neste momento ao Chega.

Imagino, Pedro, que este também seja um problema que interessa ao partido.

Sim, mas o Miguel convidou-me para isso e é para isso que eu vou falar. E depois falarei também do Gabriel Mithá Ribeiro, obviamente, até porque nós no Chega não fugimos aos problemas que temos. Ao contrário de outros partidos, nós enfrentamos sempre os problemas que temos. Mas o discurso de André Ventura foi um discurso, como disse, focado no futuro, focado nos problemas essenciais do país e sem problema em atacar quem tem que atacar, quem tem que atacar este governo que desgoverna o nosso país, que tem feito um péssimo trabalho ao serviço da nação, e também o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que foi outro alvo, e muito bem, porque Marcelo Rebelo de Sousa não pode passar imune nem impune com o que se está a passar no país, não pode ir para o funeral de José Eduardo dos Santos e deixar o país totalmente à deriva sem chamar a atenção do governo português. Em relação aos problemas internos, particularmente esta questão com o deputado Gabriel Mithá Ribeiro. É um problema que se está a resolver. Nós sabemos que Gabriel Mithá Ribeiro é uma pessoa de bem. Nós no partido queremos o grupo parlamentar unido, como tem sido até aqui. Temos feito um trabalho reconhecido por todos, de grande valia na Assembleia da República e queremos, obviamente, que o deputado Gabriel Mithá Ribeiro se mantenha.

Ainda não têm garantia de que assim vai ser.

Não, mas temos reuniões marcadas, temos conversas para ter. Ele deu uma conferência de imprensa, o nosso líder André Ventura respondeu, e muito bem. E portanto, como pessoas que querem união, que querem trabalhar pelo país, porque nós sabemos que também o professor Gabriel Mithá Ribeiro quer isso mesmo, certamente que tudo vai correr bem.

Alguma ideia de quando é que possa ser tomada a decisão definitiva sobre a manutenção ou não de Gabriel Mithá Ribeiro como deputado do Chega?

O Gabriel Mithá Ribeiro é deputado do Chega atualmente.

Sim, mas há uma possibilidade que se desenha no horizonte de poder vir a ser deputado não inscrito.

Vamos aguardar serenamente, porque não vale a pena estarmos a criar ondas.

Claro. Eu percebo. A pergunta era só, Pedro, fez uma referência a uma reunião, para quando é que está agendada essa reunião?

Nós vamos começar os trabalhos parlamentares na próxima semana e certamente que vamos reunir todo o grupo parlamentar e obviamente, todo o grupo parlamentar inclui, obviamente, o professor Gabriel Mithá Ribeiro.

A situação ficará clarificada esta semana?

Entendo esta e a semana que vem, acredito que sim. Da nossa parte, não há muito para clarificar. Gabriel Mithá Ribeiro é deputado do Chega e assim esperamos que continue a ser, porque a união do grupo é o mais importante e é o fundamental neste momento.

Nuno Afonso, bem-vindo também a este explicador da Rádio Observador. André Ventura, o líder do partido, anunciou na sequência deste caso que vai apresentar uma moção de confiança. Como é que classifica esta diligência de André Ventura?

Bom dia, Miguel. Bom dia também ao Pedro e bom dia a todos os ouvintes da Rádio Observador. Eu acho que isto é mais uma forma do André Ventura atirar areia para os olhos das pessoas, porque na realidade, ele não explica sequer como é que quer fazer essa moção, como é que quer apresentar essa moção, se será em Conselho Nacional, se vai fazer um congresso para isso.

Na reunião de direção hoje, vai saber.

Pronto. Sim, senhor. Obrigado.

Será anunciado hoje, Pedro, é isso? Pedro Pinto.

O Nuno Afonso certamente recebeu uma convocatória para a reunião de direção que é o que haverá hoje e certamente se for à reunião, vai saber e também tem a oportunidade de dar a sua opinião também.

E gostava de dar a minha opinião aqui também. Eu recebi, de facto, uma mensagem ontem à noite a convocar para uma reunião hoje, que não tem a ordem do dia, portanto, eu não sei quais são os assuntos que vão ser falados A única coisa que diria era sobre um possível Conselho Nacional. Mas voltando ao tema, Miguel, em primeiro lugar, isso tem que ficar clarificado e onde é que será feita essa moção. Mas depois eu acho que essa moção não serve de nada. Há duas formas que o partido tem tomado para calar as pessoas. Todos aqueles que são discordantes são suspensos, inclusivamente expulsos. E são sem sequer terem direito à defesa. Nós tivemos o Hugo Salvaterra que foi expulso sem saber por quê. Tivemos o Martins suspenso por 90 dias com indicação de expulsão, sem saber por quê, ou supostamente depois soube-se que tinha sido porque alguém foi fazer queixa dele, mas sem provas e ele não foi ouvido. Tivemos uma senhora, a Cívelia, em Braga, que foi suspensa porque fez um artigo a falar sobre a censura interna. Tivemos uma senhora de Portalegre que foi suspensa porque apelou ao voto em nenhum partido no dia anterior às eleições. Eu depois fui ver o porquê da senhora ter sido expulsa e a senhora partilhava coisas minhas.

Há falta de liberdade de expressão, nesta altura, no seio do partido Chega?

Inclusivamente o próprio deputado Gabriel Mithá Ribeiro disse isso na sua conferência de imprensa. O doutor Pedro Rocha, que foi mandatário das últimas eleições, também nos artigos que tem escrito, tem falado sobre isso. Portanto, isso é evidente, não sou eu que o digo, são várias pessoas a dizer, cada vez são mais.

Mas é um problema novo no partido? É um problema que já vem de trás? Houve uma inversão naquilo que tem sido a atuação da direção do partido? Mudou alguma coisa, Nuno?

É um problema que tem sido agravado, Miguel. Não é um problema novo, mas não era tão intenso há uns tempos atrás. Mas já existia, muitas destas pessoas que têm sido suspensas já há quase um ano. E depois há outro tipo de intervenções que levam a pensar isso também. Eu dou-lhe um exemplo da minha candidatura a Sintra. Nós não tivemos o André Ventura em Sintra quando foi a apresentação dos candidatos. O André Ventura tinha ficado de ir três vezes a Sintra, depois passou para duas e depois acabou por ir só uma e teve que ficar apenas no comício final durante meia hora. Portanto, há várias formas de boicotar certas pessoas dentro do partido. Não há nada publicado meu no site do partido ou nas redes sociais do partido, desde as eleições autárquicas. E isso não acontecia antes, eu até era dos que mais partilhava artigos. Portanto, há várias formas de boicotar e de haver essa falta de liberdade de expressão, ou de a fazer ser mais evidente.

Pedro Pinto, não há espaço no Chega para correntes de opinião diversas do presidente André Ventura?

Olha, não, Miguel. Há espaço no Chega para todas as correntes de opinião divergentes de André Ventura. O que não há espaço no Chega é para ofensas pessoais, para entrar na vida privada de cada pessoa, para perfis falsos atacarem e denegrirem a imagem daqueles que estão ao lado de André Ventura. Isso é aquilo que não há lugar no Chega, nem há espaço no Chega. Eu acho curiosa esta crítica do Nuno Afonso, quando ele está nas reuniões da direção nacional, e lá não faz crítica nenhuma em relação a isto. E agora quando falou, por exemplo, que na convocatória para a reunião de hoje não vai lá nada. Vem. Único ponto na agenda, pedido de convocatória do Conselho Nacional. Certamente que aí haverá tempo para falarmos e haverá tempo para discutirmos as situações. Agora, nós não podemos é numa reunião de direção estar calados e depois vir cá para fora e dizer mal. Isso é aquilo que nós não podemos fazer. E em relação à crítica de Sintra, é totalmente infundada. Sintra foi o local do país, talvez exceto a de Lisboa, que teve mais outdoors, e o Nuno Afonso sabe que é verdade.

Fui eu que os paguei, Pedro?

Foi tu que os pagaste? Não é bem assim.

Sintra pôs mais outdoors que Sintra, que pagou em Cascais, que pagou em Loures. Tu sabes perfeitamente que isso não é verdade, Pedro.

Nuno, eu sei que tu preferes agora entrar nesse tipo de política. Eu não vou entrar nesse jogo, nem vou entrar nesse tipo de política. As pessoas já perceberam.

Qual tipo de política? O de dizer a verdade.

Quem é que se vende.

Isso aí, tu não vais entrar no jogo.

Nuno, foste dar uma entrevista à SIC, quando a SIC é o canal que mais tem atacado o partido. E tu tiveste a coragem de dar uma entrevista vergonhosa. Se tivesses vergonha, já nem estavas no Chega. Essa é que é a grande diferença.

Ainda bem que tu não fazes ataques pessoais. Acabaste de dizer que não há espaço para ataques pessoais e estás a dizer que a entrevista foi vergonhosa. Pedro, nós sabemos perfeitamente que não há liberdade de expressão no partido, que há censura no partido.

Nuno e Pedro. Agora quem vai censurar-vos sou eu, porque senão não nos vamos conseguir entender. E quem nos está a ouvir e que presumo que seguramente terá interesse em ouvir o que dois importantes militantes do Chega têm para dizer, tendo em conta também a expressão eleitoral que o Chega tem, pedia-vos que falassem um de cada vez. Não é que não possam entrar em diálogo, mas falarem durante um minuto um em cima do outro, não vai dar.

Não vou falar por ninguém, eu bem sei.

Não vamos conseguir perceber. Pedro, pedia-lhe então para concluir.

Não, para dizer que esta direção foi legitimada num congresso a 26 de novembro. Onde é que estava a oposição interna a 26 de novembro? O congresso correu tudo bem. Sabe por que correu tudo bem, Miguel?

Por quê?

Correu tudo bem, porque as listas de deputados não tinham saído ainda. E quando saíram as listas de deputados, foi quando começou a aumentar a oposição interna.

A oposição e estas divergências têm que ver com uma luta por lugares, luta por poder.

Obviamente, porque dizem que não queriam lugares, mas assim que saíram as listas, foi quando começou o problema e a oposição interna a aumentar. Essa é a grande verdade, que nós não podemos fugir.

Nuno, é disso que se trata?

Obviamente que não, e o Pedro sabe perfeitamente que não. Aliás, o Pedro sabe perfeitamente que eu inclusivamente fui convidado para ser candidato a deputado. Então mas posso falar ou não?

Quando é que estivemo no congresso?

Agora é o Nuno, Pedro.

No congresso, pelo que eu sei, houve uma lista contra a lista apresentada pela direção. Mas houve muitas coisas que se passaram no congresso, e o Pedro sabe muito bem. E o Pedro disse uma coisa que é muito verdade: as listas de deputados ainda não tinham saído. Por isso é que toda a gente estava muito ligada ao André Ventura, e aquilo foi quase uma cerimônia religiosa. E houve aquela questão, por indicação de alguém ali muito próximo do André, e o Pedro sabe muito bem quem foi, de várias pessoas virarem as costas à deputada que foi discursar. Houve muitas coisas muito feias que se passaram no congresso. E houve uma ainda mais feia, Miguel, que o Pedro devia falar também. É que o André Ventura pediu carta-branca, e por isso é que isso passou tudo tão bem e foi tudo tão bonito. É que o André Ventura pediu carta-branca para a escolha dos deputados, dizendo que a sua premissa seria a qualidade dos deputados. E foi o próprio André Ventura, não sou eu que digo, que depois das escolhas estarem feitas, que mudou a premissa, que já não escolheu os melhores, e escolheu os que eram mais leais. Portanto, ele pediu uma carta-branca sobre uma premissa que depois mudou. Ele mentiu aos membros.

Mas não tem qualidade os deputados do Chega?

É este tipo de coisas que faz com que as pessoas percam a credibilidade.

Nuno, parafraseando aqui a pergunta do Pedro, não tem qualidade o grupo parlamentar do Chega?

Eu posso dizer isto: eu acho que o Chega, e eu estou na gênese do Chega, entramos em 2018, quando começamos a preparar isto, o Chega vinha para credibilizar a política, Miguel. E credibilizar a política não se faz da forma como se tem feito. Não se faz a ameaçar deputados de outros partidos, não se faz a ameaçar pessoas de outros partidos, não se faz nessas supostas ou alegadas agressões entre deputados do mesmo partido. Os políticos, e sobretudo os nossos deputados, nossos e todos, não só os do Chega, têm que dar alguma credibilidade. Também fora da AR e dentro da AR, e as suas posturas pessoais e fora da AR, também fazem parte da credibilização da política. Mas sobre a qualidade, Miguel, eu posso lhe dizer o seguinte: nós tivemos dois, três exemplos muito concretos da forma pouco séria com que se faz política. Tivemos um debate sobre imigração há pouco tempo, onde se podia ter falado das leis de alteração à Lei da Nacionalidade, que foi votada pela esquerda, com o apoio da Joacine Katar Moreira e da Cristina Rodrigues, que agora trabalha no gabinete do Chega. Podia ter falado do pacto de imigração, que foi assinado às escondidas, o acordo de mobilidade com a CPLP, estes atestados de residência falsos que se andam a passar aqui em Lisboa, de permissão à imigração ilegal, e em vez disso optaram por falar de cigano e subsídio de dependência. Perdeu-se aqui uma oportunidade de falar de um tema que é muito caro ao partido, é muito caro a todos aqueles que votaram no partido, e perdeu-se uma oportunidade por falta de audácia.

A questão da imigração. Isto entrou em agenda.

O segundo exemplo que eu lhe dou é o da TAP. Eu, enquanto chefe de gabinete, marquei reuniões com várias pessoas ligadas à TAP, com sindicatos, com trabalhadores. Tivemos mais de duas horas em reunião a tentar explicar aquilo que se devia falar. E quando se falou na Assembleia da República sobre isto, o tema que se levou foi as maçãs, o que se podia poupar com retirar uma maçã do menu. E eu depois recebi telefonemas a perguntar assim: "Eu não estou lá duas horas para isto." E a verdade é esta: a política tem que ser feita de forma séria.

Muito bem, Nuno. Nuno, não temos mais tempo. Tenho que passar ao Pedro, para que possa também retorquir e contestar a argumentação que agora acabou de invocar, tendo em conta também que o Pedro é líder da bancada parlamentar do Chega. Não tem havido um aproveitamento no Parlamento do trabalho feito na retaguarda?

Miguel, o Nuno disse que ia apresentar três ideias, apresentou só duas. Mas em relação àquilo que ele apresentou, eu tenho total repúdio sobre o que ele está a dizer. Aliás, quem critica o trabalho dos companheiros de partido publicamente, não está cá a fazer nada. E percebemos perfeitamente que o Nuno Afonso não queira, ou que não goste, desta maneira do Chega fazer política, mas nós fazemos política assim. E se não gosta, olha, a Iniciativa Liberal está de portas abertas. Aliás, já falou da TAP, que é um tema sempre muito caro também à Iniciativa Liberal. Certamente que o Chega não irá mudar a sua linha. Nós vamos continuar a fazer política assim, vamos apresentar moções de censura quando temos que apresentar, para censurar este governo. Aliás, que o Nuno Afonso criticou nas suas redes sociais essa moção de censura que nós fizemos. Nós vamos enfrentar Santos Silva e o poder instalado quando tivermos que enfrentar. Aliás, que aqui agora o próprio Nuno Afonso voltou a criticar isso. Ou seja, tudo o que nós fazemos naquele Parlamento, somos criticáveis por elementos do partido. Então o que é que esses elementos do partido querem? Querem dizer que são melhores que os outros. O Nuno apenas está a querer dizer que: "Eu fazia melhor." Não sabe se fazia melhor, sabe lá se fazia melhor. Ele nunca foi deputado, sabe lá se fazia melhor. O que está aqui em causa é: os 12 deputados do Chega têm feito um enorme trabalho reconhecido pela sociedade. Os portugueses que foram votar em nós, os 400 mil portugueses que votaram no Chega, sabem que não foram enganados, porque sabem que foi para isto que votaram em nós. Para sermos um partido que enfrente este governo, que enfrente este poder instalado e que enfrente esta maioria socialista. E nós não nos calaremos e não nos veriremos. Era isso que o Nuno Afonso devia dizer, porque se é elemento do partido, e se ainda faz parte da direção nacional, devia estar ao lado dos seus colegas de partido. Não era só criticar. Criticar por criticar, isso é a crítica barata. Para isso, já temos o Bloco de Esquerda, o PCP, o Partido Socialista, a Iniciativa Liberal. Agora, dentro do partido, o que temos é que defender os nossos e defendê-los até ao fim. E às vezes até podemos estar errados. Mas temos que dar a mão e temos que estar juntos. Só assim é que o partido pode ser a terceira força política como é neste momento, e chegar ao governo de Portugal. Não é com o Nuno Afonso, nem com estas conversas.

Fica clara a sua mensagem. Deixe-me só fazer-lhe uma última pergunta, Nuno Afonso, sente-se a mais no partido? Sente-se a mais no Chega?

Deixe-me responder também àquilo que o Pedro disse. Quando ele fala que ninguém deve criticar os colegas, eu lembro ao Pedro o que é que o André Ventura fez ao doutor Rui Rio quando ainda estava no PSD. Portanto, é muito fácil o André Ventura falar em censuras.

Há órgãos para isso, Nuno.

Pois há, há órgãos para isso, mas o André também não usou esses órgãos, fez um movimento. Eu não fiz movimento nenhum. Eu estou a dar a minha opinião quando sou convidado pelos media.

Nuno, tendo em conta o teor do seu discurso e da análise que faz do atual momento do Chega, sente-se a mais no partido?

Não, não me sinto a mais, porque eu fui um dos criadores do partido e eu acho, e acredito profundamente nisto, que faz falta em Portugal um partido com as ideologias, com a ideologia e com os valores que o Chega defendia em 2019. O que eu acho é que está havendo uma divergência. O que eu acho aqui estranho é que o Pedro diz que estão a fazer oposição ao Partido Socialista, mas acabaram por ser o partido que mais votou propostas socialistas no Orçamento do Estado.

Exatamente como a Iniciativa Liberal. Mente como a Iniciativa Liberal.

Pedro, deixa-me falar.

Nuno, vamos mesmo... Nuno e Pedro.

Ainda bem que vão a ataques pessoais. É engraçado também este tipo de postura. Miguel, eu digo-lhe outra coisa. Todas as pessoas que vão às minhas festas de anos, que partilham as minhas publicações, os meus artigos, acabam por ser perseguidas. Nós temos pessoas.

Já que expressou essa ideia, eu agradeço, Nuno Afonso, Pedro Pinto. Não temos mesmo mais tempo e já que expressou essa ideia de que são perseguidas as pessoas que partilham as suas opiniões, agradeço a Pedro Pinto e a Nuno Afonso. Pedro Pinto que nega, Nuno Afonso que diz que sim, e é assim, neste clima de total desarmonia, que terminamos o explicador desta segunda-feira da Rádio Observador. Nuno, Pedro, obrigado.