Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Muita chuva que é esperada nas próximas horas representa ameaça para a bacia do Tejo, os rios, as barragens, os solos estão cheios de água. Há avisos da Proteção Civil para a possibilidade de cheias rápidas e a região de Lisboa e Vale do Tejo é uma das regiões que pode ser afetada por esta subida mais repentina das águas. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França, que é o nosso convidado. Judite.

Rodrigo Melo Gonçalves, vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa. Bem-vindo, obrigada pela disponibilidade. Quais são os maiores receios para as próximas horas?

Boa tarde, muito obrigado pelo convite. Nós, em Lisboa, temos todo o nosso sistema de monitorização acionado, aliás, temos tido ao longo dos últimos dias, e o que se perspectiva face àquilo que é o aviso meteorológico do IPMA e os alertas por parte da Proteção Civil, é o risco de cheias rápidas. Basicamente, é disso que estamos a falar.

Nalguma zona em especial da cidade, Alcântara?

Alcântara é uma zona que costuma ter inundações, mas nas últimas chuvas fortes nem teve muitas. Tivemos um caso, sobretudo, mais complicado na zona da Baixa, no fim de semana passado, no sábado de manhã, que houve uma inundação rápida, obrigou, inclusive, ao corte de circulação nalgumas ruas da Baixa, mas que de uma forma muito rápida, os serviços da Câmara conseguiram repor a situação e foi cerca de 30 minutos em que as vias estiveram cortadas e depois a situação foi normalizada, fruto dessa intervenção rápida dos serviços da Câmara e também de um comportamento de prevenção que nós estamos a ter no terreno em permanência, que tem, sobretudo, a ver com a limpeza de sarjetas e sumidouros. Aqui também com as equipas das diferentes juntas de freguesia, que são essenciais para que a água possa ir escoando e evitar essa situação de cheias rápidas quando as sarjetas estão entupidas com folhas ou com lixo. Portanto, havendo esse trabalho todo de prevenção que tem sido feito desde que estas intempéries começaram, o risco de cheias rápidas reduz-se substancialmente.

E agora para as próximas horas, para a maré alta, como às vezes dizemos, será por volta da meia-noite. Será que por estas horas mais tardias da noite e madrugada que se concentram as maiores preocupações em relação à possível subida do rio?

Não diria que temos grandes preocupações, porque a maré tem estado mais baixa. Portanto, desse ponto de vista, não temos especial preocupação com isso, nem sequer voltámos a fazer condicionamentos na zona ribeirinha, porque a avaliação da situação é diferente daquilo que tivemos no passado e, portanto, não houve essa necessidade identificada.

Já agora-

De qualquer forma, nós temos o nosso centro de coordenação operacional municipal em permanência, em mobilização, com as equipas dos bombeiros, da Proteção Civil, da Higiene Urbana e dos Espaços Verdes, para ir monitorizando em permanência no terreno. E em relação a esta questão das cheias rápidas, também Lisboa desenvolveu um sistema de sensores, designadamente em diferentes túneis da cidade, como Alcântara, Campo Grande, Entrecampos, João XXI, Campo Pequeno, que assim que o nível da água começa a subir, disparam alertas e imediatamente nós procedemos ao corte de circulação, se tal for necessário.

O vento também deverá soprar forte. Há meios mobilizados, à espera exatamente de rajadas de vento mais fortes?

Sim, nós temos o aviso amarelo para vento a partir de hoje, das 21h até às 3h do dia 14. É o que vem no aviso do IPMA. Nós temos o nosso centro operacional municipal em permanente monitorização da cidade e com as equipas em prontidão para reagir assim que necessário. Portanto, no caso de eventuais quedas de árvores, as equipas do nosso Regimento de Sapadores Bombeiros, os próprios bombeiros voluntários, a equipa dos Espaços Verdes da Câmara também em prontidão para avançar para o terreno e resolver as situações que forem acontecendo.

Lisboa tem sido, felizmente, a cidade mais poupada nesta situação que o país está a atravessar. Isto é uma sequência de alguma política concreta? Estamos com o plano geral de drenagem, que ainda não está concluído, ou tem sido um acaso?

Não, eu acho que tem sido a conjugação de dois fatores. Por um lado, as questões meteorológicas, e portanto, não atingiram a cidade de Lisboa com tanta severidade como atingiram outros pontos do país. E a questão concreta da cidade de Lisboa, em que nós temos, de facto, excelentes equipas profissionais, equipadas e, neste caso, mobilizadas para responder às ocorrências que forem surgindo. Portanto, aqui o nosso Regimento de Sapadores Bombeiros, as equipas da própria Câmara, aqui também com uma articulação muito próxima com as juntas de freguesia, que também têm as suas equipas de espaços verdes e limpeza e higiene urbana. Portanto, a conjugação dessas equipas, esta coordenação que nós fazemos ao nível do nosso centro de coordenação operacional municipal, é fundamental para que os serviços da autarquia, e quando eu digo aqui autarquia, digo Câmara e juntas de freguesia, possam responder de uma forma rápida e eficaz às ocorrências que forem surgindo, ainda também com a questão da política preventiva, por exemplo, naquilo que é a limpeza de sarjetas e sumidouros da cidade.

Já agora, só para terminar, conselhos à população para as próximas horas?

Sim, evitar deslocações desnecessárias, evitar também zonas em que tradicionalmente ocorrem esses episódios de cheias rápidas. Convidar também aqueles que circulam nas vias a circular com precaução redobrada devido à chuva e ao vento.

Obrigado, Rodrigo Melo Gonçalves, o vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Lisboa. Está prevista muita chuva para as próximas horas, agora durante a noite e madrugada, e há o risco de cheias rápidas. A região de Lisboa e Vale do Tejo é uma das regiões que correm esse risco.