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Explicador da Rádio Observador, recebemos agora o deputado do CDS, Paulo Núncio, também antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Judite.

Paulo Núncio, bem-vindo. Obrigada por ter aceitado o nosso convite. Deixe-me começar pela sua prestação enquanto candidato à Câmara de Vila Franca de Xira. Ficou abaixo das expectativas? Eu pergunto isto porque ficou em sétimo lugar, abaixo do bloco, com 1,44% dos votos.

Primeiramente, boa tarde a todos. Claramente ficou abaixo dos objetivos e eu assumo responsabilidades. Eu sabia que a corrida a Vila Franca é uma corrida difícil, o CDS nunca tinha eleito um vereador, ainda assim assumi esse compromisso. Sabia que o caminho era difícil, mas entendi como dirigente do CDS para me disponibilizar, para defender as bandeiras do CDS em listas próprias. É um caminho que o partido está a fazer. Eu tenho muito orgulho de ter participado nessa campanha e ter defendido as bandeiras do CDS, mas evidentemente que reconheço que os resultados ficam aquém dos objetivos.

De qualquer forma, Paulo Núncio, o CDS consegue seis presidências de Câmara em todo o país. Isto é algo que entusiasma o CDS? Nuno Melo diz que acaba aqui o ciclo da resistência do partido e começa o ciclo de novo do crescimento. Acredita que esses resultados autárquicos podem ser um novo fôlego para o CDS?

O CDS tem um bom resultado autárquico a nível nacional. Não são seis, são sete presidentes de Câmara que o CDS consegue.

Sete, pronto, fica aqui a correção. É por causa da coligação, não é?

É verdade, mas é presidente CDS. Acresce mais 54 câmaras que vamos governar em coligação com o nosso parceiro, o PSD, e por isso o CDS consegue 61 câmaras em termos de governação. Isso é uma evolução muito positiva face àquilo que tinha acontecido há quatro anos, em que o CDS apenas governava seis câmaras e 42 em coligação. Para além disso, o CDS afirma-se, consolida a sua posição como quarto maior partido autárquico em Portugal, à frente de partidos como o Chega, a Iniciativa Liberal, o Livre, o Bloco de Esquerda ou o PAN. E por isso o CDS afirma a sua vocação autárquica, que está presente desde a sua fundação há 50 anos e que permanece viva na governação, como digo, de 61 autarquias espalhadas pelo país.

Olhando para o PSD e para o CDS, o governo sai destas autárquicas reforçado no apoio eleitoral. Faz essa leitura nacional dos resultados?

Eu acho que sim. Eu acho que essas eleições autárquicas demonstram que a marca AD é uma marca vencedora. Repare, os dois partidos, neste momento, governam o governo da República, governam o governo regional dos Açores, governam o governo regional da Madeira e governam as maiores autarquias do país. Governam Lisboa, governam o Porto, governam Cascais, governam Vila Nova de Gaia, governam Braga, governam Guimarães e governam, como digo, 54 das maiores autarquias do país. Isso significa que a vitória que se obteve em 2024, que foi confirmada em 2025 em termos de eleições legislativas, permitiu que os dois partidos, sozinhos ou em coligação, projetassem essa vitória também nas eleições locais. E eu acho que isso ajuda a estabilidade política e a afirmação do projeto reformista da AD.

Então é agora que vamos ver o ímpeto reformista do governo. Estão reunidas as condições, ou seja, deixa eu fazer a pergunta de uma forma muito coloquial: deixa de haver desculpas ou há?

Os governos da AD não são conhecidos por apresentarem desculpas. Pelo contrário, os governos da AD são conhecidos por governar, por enfrentar problemas e por apresentar reformas que visam resolver os problemas estruturais do país. E é o que o governo da AD está a fazer.

Até agora, do ponto de vista mais sonante, se quiser, da opinião pública, tivemos o dossiê da imigração. Mas pouco mais, não é?

Eu peço desculpa, mas não concordo com a sua análise. Já vamos na quarta redução do IRS no espaço de um ano e meio. Já vamos na segunda redução do IRC. Estamos a fazer um conjunto de reformas noutras áreas e por isso o governo está a governar. Mais, o país está a crescer economicamente e prepara-se para ter o terceiro superávit consecutivo pela primeira vez na história da democracia portuguesa.

Mas continuamos com a saúde no estado em que está, continuamos a ter notícia ainda agora há instantes de mil horários por preencher sem professor nas escolas. Não seria de esperar já neste período que passou entre 2024, 2025, que o governo já tivesse atacado esses problemas?

O governo está a atacar o problema e atacar esses problemas, quer ao nível da saúde, quer ao nível da educação. Agora, o caos que herdamos de oito anos de inação do Partido Socialista, não se consegue resolver num par de meses. O governo começou a governar, o segundo governo há poucos meses. Estamos a enfrentar esses problemas, nós estamos absolutamente convencidos que durante esta legislatura será possível deixar o país numa situação, mesmo nas questões sociais, muito melhor do que aquela que herdamos. E esses avanços têm sido feitos. Eu acho que ao nível da educação, hoje em dia já não temos aquilo que tivemos durante os oito anos de governação socialista, que foi uma guerra civil constante entre professores, pais e alunos, uma instabilidade permanente nas escolas. Neste momento, a escola está muito mais pacificada. Continua a haver problemas, com certeza não estão todos resolvidos.

O nosso tempo está mesmo a chegar ao fim e falta-me fazer-lhe uma pergunta, Paulo Núncio. A abstenção exigente anunciada pelo PS ao Orçamento do Estado vai facilitar a vida ao governo?

Eu próprio, quando reagi ao orçamento, referi que esperava que os maiores partidos da oposição, o Chega e o PS, mostrassem responsabilidade política e sentido de Estado quando o orçamento viesse a ser discutido e votado. E por isso, neste momento, só posso dizer que a posição do PS de viabilizar o Orçamento do Estado deve ser saudada. Mostra, desde logo, responsabilidade e compreensão da mensagem que os portugueses têm dado nas últimas eleições, querem estabilidade e não querem novas eleições. Agora, há um aspecto também para mim absolutamente relevante, é que esta viabilização não responsabiliza o Partido Socialista pela governação, pelo que eu acho absolutamente normal que o Partido Socialista sinalize que um orçamento do PS ou uma governação do PS seriam diferentes da governação da Aliança Democrática. É perfeitamente normal que assim seja. Há um outro ponto também muito importante, é que nós temos que de uma vez por todas perceber que cada orçamento não pode ser uma crise política em potência. A cada discussão de um Orçamento de Estado não pode estar em cima da mesa uma crise ou uma dissolução do Parlamento. O país tem que se habituar a viver com orçamentos aprovados e em estabilidade política. E mais, só para terminar.

Temos que terminar, Paulo.

A posição agora expressa pelo PS vem demonstrar que a estratégia do governo foi a adequada. Repare, um Orçamento de Estado deve ter apenas a previsão das receitas e despesas para o ano, neste caso, para o ano de 2026. Significa que as medidas políticas, designadamente a redução do IRS, do IRC, reforma laboral, a imigração, a lei da nacionalidade, estão a ser discutidos, mas fora do Orçamento do Estado, em diplomas autônomos.

Muito obrigado.

É assim que deve ser e é assim que está a ser.

Muito obrigado, Paulo Núncio, por ter estado aqui em direto na Tarde Política da Rádio Observador. Paulo Núncio, deputado do CDS.