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Tudo pronto para uma nova edição do Gabinete de Guerra. Nos próximos minutos, olhamos para os avanços militares na Ucrânia e, tal como ontem, contamos com a análise e opinião do major-general Isidro Morais Pereira. Bom dia, general, muito obrigada por estar conosco.
Muito bom dia.
Muito bom dia. No terreno, as tropas russas continuam a tentar avançar na cidade de Soledar, a nordeste de Bakhmut. Se conquistarem Soledar, as forças ucranianas correm o risco de ficar cercadas. Zelensky diz que estão a resistir, mas, general Morais Pereira, começa a ser cada vez mais difícil para os ucranianos manter este ponto estratégico importante?
Esta região de Soledar, Bakhmut, tem sido talvez a região onde têm tido lugar as batalhas mais sangrentas até hoje neste conflito, porque já não falta muito, qualquer dia 11 meses. Portanto, a informação que tenho é que as tropas, fundamentalmente tropas da companhia militar privada Wagner, tentaram capturar a região de Soledar, lançaram uma ofensiva com grande vigor. De qualquer forma, esta ofensiva foi parada pelas forças que defendem nesta região. Parece que chegamos a um ponto que esta região, para além de ser uma região naturalmente importante no que concerne à conquista do que falta do Oblast de Donetsk, passa também, neste momento, quase a ter um valor simbólico, porque estão aqui engajadas forças do grupo Wagner, forças também que vieram da região de Kherson, também foram ali reforçar. E agora acontece que a própria Ucrânia também tem reforçado essas linhas, até com forças, com aqueles militares de que tanto se falou, que foram treinados em Inglaterra. Portanto, a última informação que existe é que pelo menos uma brigada de militares ucranianos formados no Reino Unido terá sido empregue para reforçar as linhas defensivas Soledar-Bakhmut.
Mas, general, falou aí no Reino Unido, Zelensky diz que estão a resistir, mas por outro lado, temos o Ministério da Defesa do Reino Unido, que diz que a Rússia e o grupo Wagner já controlam grande parte da cidade. Soledar.
Estamos a falar de Soledar. Não tem nada que ver com aquilo que as próprias fontes russas do Kremlin têm dito. Quer dizer, têm sido pequenos avanços. De fato, tem havido avanços, mas não são os avanços que foram referidos pelo Kremlin. Antes pelo contrário, quer dizer, foram de fato avanços minúsculos e vamos ver se conseguem aguentar. Portanto, Soledar e Bakhmut, como nós sabemos, para além do mais, têm interesse também econômico para o próprio Prigozhin. O Prigozhin, aquilo que se pensa é que tem interesses-
Do grupo Wagner, não é?
Do grupo Wagner. Ele próprio tem interesses econômicos na área, segundo se diz. Porque nesta zona é uma zona onde existem minas, são as conhecidas minas de sal e as minas de gesso. São minas que ele pode ter interesse em explorar. De qualquer forma, aquilo que pensamos é que sendo capturado, Soledar fica a poucos quilômetros de Bakhmut, talvez 15 km, mais ou menos, e faz parte de uma linha defensiva, de uma linha de trincheiras que têm vindo a ser defendidas já desde 2014. Portanto, é uma linha defensiva que se cair, vai obrigar, certamente, a um recuo para a região mais atrás, para a região que está defendida fortemente, entrincheirada também, que a ser conquistada, poderia materializar a conquista do Oblast Donetsk. Não me parece que isso vá acontecer nos próximos dias, nem nas próximas semanas, face àquilo que são as notícias que vamos tendo. Para além do reforço que foi efetuado, as tropas ucranianas reforçaram estas linhas. Vamos ter no dia 20 a reunião de coordenação do grupo de Ramstein e os países foram fazendo algumas afirmações quanto aos próximos materiais a fornecer à Ucrânia. E desta feita, aquilo que eu sou levado a concluir é que os países, neste momento, estão na disposição de começar a conferir à Ucrânia capacidade não apenas para ela se defender, mas também para realizar contraofensivas numa escala muito maior.
E ainda bem que fala nisso, porque tenho aqui a notícia de que a Grã-Bretanha está a considerar fornecer os tanques Challenger 2.
A Grã-Bretanha está a considerar fortemente essa possibilidade.
E se isto acontecer, general, visto que a Alemanha ainda está indecisa quanto ao envio dos Leopard 2, será a primeira vez que um país ocidental envia tanques modernos a Kiev.
Tanques modernos, que são os tanques mais modernos que existem em Inglaterra. Portanto, o Challenger 2 é um tanque da mesma classe dos Leopard e dos Abrams americanos. E inclusivamente, a peça deste Challenger é uma peça que tem um alcance prático até superior aos dois anteriores que eu referi. A peça do Challenger é uma peça que tem um alcance prático que já vai para os 4,5 km. Tem capacidade eficaz para destruir outras viaturas blindadas ou mecanizadas. Portanto, a acontecer isto, pode ser até não apenas um ato em si importante, não sabemos quantos carros de combate é que serão fornecidos, mas poderão de alguma forma influenciar a decisão alemã, porque sabemos que quer a França, quer a Polónia têm estado nos últimos dias a tentar convencer a Alemanha de uma vez a fornecer o Leopard 2 à Ucrânia. Vamos ver se isso acontece, esperemos que sim. Outra notícia importante, esta foi dada pelo primeiro-ministro da República Checa, pelo Petr Fiala, que vai fornecer ou já forneceu mesmo mais um conjunto volumoso de tanques T-72. Naturalmente, estes ainda são de origem soviética, mas são carros de combate remodelados. Depois temos também uma afirmação que vem dos Estados Unidos. Os Estados Unidos vão fornecer mais armamento defensivo, fundamentalmente virado para o combate a esta grande ameaça que têm sido os drones de fabrico iraniano, que têm sido fornecidos em grande quantidade à Rússia. A empresa L3Harris fez um contrato com o Pentágono no valor de 40 milhões de dólares para fornecer 14 sistemas de mísseis Vampire, que é um sistema altamente eficaz para ameaças aéreas, sobretudo para o combate aos drones. São armas que são apoiadas por um sistema radar muito avançado e guiadas por laser.
E além disso, os Estados Unidos também consideram enviar veículos de combate blindados, os Stryker.
Ora aí está. Temos também a defesa que tinha esse aspeto, ainda há outro. Os Estados Unidos, pela primeira vez, estão a considerar enviar viaturas Stryker. A viatura Stryker, para os seus ouvintes terem a noção, é em tudo semelhante à nossa viatura Pandur, que equipa alguns dos nossos batalhões, nomeadamente o Batalhão de Viseu e de Vila Real. Portanto, são excelentes viaturas, são viaturas modernas que já fazem parte de uma nova geração, de uma geração que a gente chama a digitalização do campo de batalha. E portanto, são viaturas que somadas a tantas outras que têm vindo a ser fornecidas à Ucrânia, a serem fornecidas, poderão somar a um lote de outras que, por exemplo, mais um conjunto volumoso de M113. Temos as viaturas Bradley, temos as viaturas alemãs também que vão ser fornecidas, as viaturas de combate da infantaria alemãs. Este conjunto, tudo somado, o que se pretende é que atinja aquele número que o próprio chefe de Estado-Maior das Forças Armadas ucranianas referiu para levar a cabo uma viatura alemã, como estava a referir, temos que esquecer o nome, trata-se da Marder, como é óbvio. E essas viaturas todas somadas podem chegar àquele número mágico que o Zaluzhnyi referiu, os 300 carros de combate.
Que na altura parecia impossível, não é?
Parecia impossível.
Mas estamos mais próximos disso.
Estamos mais próximos das 700 viaturas de combate da infantaria, barra, viaturas de transporte pessoal da infantaria. Estamos aqui nestes dois lotes. Ele queria chegar às 700 e também falou em mais 500 bocas de fogo. E é sobre isso que eu também queria deixar aqui um apontamento.
30 segundos, major. General.
30 segundos. O primeiro-ministro da Suécia referiu que iria fornecer, estava a considerar fornecer, um sistema de artilharia de 15,5 mm, talvez o sistema mais avançado do mundo desta categoria, que é o sistema Archer. E ele próprio, isto são palavras dele: "A questão não é se vamos fornecer, a questão é quando vamos fornecer". E estará para breve. Portanto, o sistema Archer, só um apontamento para terminar, é um sistema que tem um alcance com munições normais de 40 km, é utilizado por uma guarnição de apenas duas pessoas face a um conjunto de automatismos que possui e com munição Excalibur. Consegue alcances que mais nenhum consegue, que são cerca de 60 km. Portanto, é um sistema altamente eficaz e não é mais utilizado no mundo e a razão é apenas uma, é que é caro. Cada peça desta são 4,5 milhões de euros. Já agora, é um sistema que está montado sobre o chassi de uma viatura grande, uma viatura Volvo. Também é importante referir isto. Toda esta panóplia, isto para terminar e em resumo, está-se a consubstanciar naquilo que podemos chamar a construção de uma capacidade não apenas defensiva, mas também uma capacidade ofensiva cuja finalidade será permitir à Ucrânia, não no imediato, mas pelo menos a partir da primavera, poder então levar a cabo contraofensivas consistentes de forma a libertar o território ucraniano da ocupação das forças invasoras da Federação Russa.
Major-General Ísido Morais Pereira, muito obrigada pela sua análise em mais um "Gabinete de Guerra". Um bom dia para si.
Bom dia.
Obrigada, general.