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Olá, bem-vindos a mais um "Isto Não Passa na Rádio". Em semana do primeiro aniversário da Rádio Observador, nada como revisitarmos aqueles que são os nossos primeiros discos favoritos. Por isso, sem mais demoras, começamos com ABC, com a canção "Tears Are Not Enough", do álbum "The Lexicon of Love", porque isto não passa na rádio. Os ABC no arranque do Isto Não Passa Na Rádio. Esta semana, em semana de aniversário da Rádio Observador, vamos andar às voltas com as estreias discográficas mais fulgurantes, os primeiros discos que mais marcaram as carreiras das respectivas bandas e também aqueles primeiros discos que são os nossos favoritos. Mas hoje é dia de regresso de Diogo Lopes. Bem-vindo. Honras de abertura por causa disso.
Muito obrigado. Já tinha saudades de contribuir com este disco, ali quase a roçar no manhoso, mas ali mesmo a travar a fundo antes de cair pelo precipício.
Sempre do lado certo da força.
É onde eu tento estar sempre. Mas muito rápido, para falar sobre esta canção que estivemos a ouvir e toda a sua-
Não, Diogo, nós queremos saber é como é que foi o teu tempo fora do Isto Não Passa Na Rádio. Isso é que me interessa.
Ok, tenho todo o gosto.
Muitas saudades nossas.
Muitas saudades, especialmente vossas. Tirando isso, houve muito pouca música, por acaso. Ou melhor, a música que houve foi outra, um bocadinho mais estridente e vinda de um pequeno ser. Mas pronto, a vida é feita de recomeços também e nada como voltar aqui outra vez também na vossa companhia. Tenho sido um ouvinte assíduo. Gostei muito daquilo que foram fazendo enquanto não estive cá e é sempre bom saber também que a chafarica fica entregue em boas mãos, as melhores mãos, diria.
Sim, ficou entregue a mim, Nelson Ferreira, e também ao Gonçalo Correia. Gonçalo, ainda não te disse bem-vindo ao Isto Não Passa Na Rádio esta semana.
Obrigado, Nelson. Não disseste, mas eu sinto-me sempre cumprimentado com a tua abertura. E vamos para outra coisa. Agora, vamos para uma coisa mais antiga.
Mas queria antes dar aqui a oportunidade ao Diogo Lopes de contextualizar a sua escolha para os ABC. O disco de estreia dos ABC marcou-te assim tanto?
Olha, devo dizer que sim, e acho que não foi só a mim, porque numa forma até bastante uniforme, a crítica inglesa na altura quando este disco saiu, e até agora mais recentemente, fala em uníssono quase ao dizer que este "The Lexicon of Love" foi talvez um dos álbuns mais importantes do início da pop inglesa, pelo menos dentro de um género da pop inglesa. A prova disso foi, por exemplo, estes ABC, praticamente só lançaram este disco. Lançaram outros a seguir, mas que nunca ninguém ouviu falar. Mas a verdade é que mesmo assim, em 2009, eles tiveram direito a um concerto de homenagem no Royal Albert Hall, onde tocaram o álbum inteiro, de fio a pavio. Diz-se até com a presença de membros da família real. Isso, se é verdade ou não, fica para os tabloides especularem. Mas eu tenho uma história muito engraçada associada a este disco.
Fica para a secção de lifestyle especular.
Exato, nem mais, exatamente. Mas eu pessoalmente tenho uma história muito engraçada com este disco, porque o meu pai gostava muito deste disco e durante uns tempos eu lembro me de nós termos no carro aqueles leitores de CDs que eram uma espécie de umas caixas que ficavam na bagageira. Nós púnhamos literalmente os CDs lá dentro e escolhíamos. Acontece que assim que tivemos isso, foi uma grande revolução e o meu pai foi logo pôr os discos lá dentro. Este "Lexicon of Love" era um deles, mas a verdade é que o que aconteceu foi que houve um problema na instalação deste aparelhómetro e a verdade é que os discos ficaram lá enclausurados durante um ano porque ninguém os conseguia tirar de lá dentro. Então, durante um ano, sempre que andava de carro com os meus pais, com a minha família, naquele carro, este álbum estava sempre a tocar Juntamente com mais outro, também do Christopher Cross, que também ponderei trazer, mas fica para outras núpcias. Por isso, não sei se me venceu por exaustão, mas a verdade é que ainda hoje não consigo ficar indiferente a isso.
Sabes que eu tenho uma história parecida com um carro que meu pai comprou a determinada altura, usado, e que já vinha com esse sistema e trazia os discos do anterior dono lá dentro.
Olha, estás a ver? Uma caixa de surpresas.
Tinha lá algumas coisas. Lembro-me que tinha um CD de uma marca de escovas limpa-para-brisas e era só clássicos.
Compilações.
Tipo Lionel Richie, "Stand By Me", "I Just Called to Say I Love You". Era este tipo de material.
Uma banda sonora que se quer quando se anda de carro.
Claro, mas sabes como é que é, cavalo dado, não se olha o dente.
Exatamente.
Seguimos então para a primeira escolha de hoje do Gonçalo Correia. Gonçalo, foste aqui buscar o primeiro disco do Rodriguez. Há aqui uma questão curiosa com alguns dos discos de que vamos falar ao longo do programa de hoje, se é que são os melhores discos e às vezes são os únicos de determinado artista, não é?
Sim, isso acontece. No caso do Rodriguez, trata-se de facto do primeiro de dois discos. Ele tem dois, tem um disco do ano seguinte. A estreia dele foi com o "Cold Fact", um álbum de 1970. Lançou depois no ano seguinte o "Coming From Reality", mas é uma descoberta relativamente recente, pelo menos na história da música, porque apesar do disco ser de 1970, eu conheci-o e conheci melhor o Rodriguez depois do filme de 2012, o "Searching for Sugar Man", que é um daqueles filmes também que revelam grandes artistas e esse documentário foi um caso desses. A história dele é incrível, é um tipo que nasceu e cresceu nos Estados Unidos, que fez música no final dos anos 60, início dos anos 70, mas que foi completamente esquecido por ali. Mais do que esquecido, foi até ignorado, porque a música não chegou aos ouvintes, não foi uma questão de esquecimento com o tempo. Ele acabou por desistir da carreira profissional, teve depois umas curiosidades, que foi que começou a ter sucesso noutros países, algo surpreendentemente. Aconteceu na Austrália e aconteceu, sobretudo, na África do Sul, onde ele se tornou um músico que vendia muitos discos, que era conhecido pelas canções, mas as pessoas não sabiam nada sobre a vida do tipo que as cantava. Aliás, achavam que o Rodriguez já tinha morrido entretanto, que tinha desaparecido. Na verdade, a filha dele, no final dos anos 90, apercebeu-se de que era um músico realmente muito ouvido na África do Sul, quase uma pop star. Daí para cá, começou a voltar a investir na carreira, fez concertos, digressões na África do Sul, e isso é notório, aparecem imagens no filme. Teve milhares de espectadores a ouvi-lo, teve ali um fenómeno enorme. Este também beneficiou depois na América, não só do filme, como uns poucos anos antes, do relançamento destes dois álbuns que ele tinha lançado em 1970 e 1971. Dizias, Nelson?
Ia dizer que é uma história, de alguma forma, de um homem renegado pela indústria. Acho que podemos dizer mesmo roubado pela indústria e que consegue um ressurgimento já depois de ter desistido dela.
Sim, completamente. Aliás, a editora que lançou estes discos no início dos anos 70, apercebendo-se de que não tinham vendido, e na verdade, podemos também questionarmo-nos porque é que não tinham vendido, provavelmente, porque a qualidade dos discos é muito evidente. Se não tiveram impacto nem sequer naquele nicho mais alternativo, talvez tenha sido também por responsabilidade da editora, que depois acabou por despedir o Rodriguez, acabou por terminar o contrato que tinha com ele, acabou por falir poucos anos depois. Mas de facto é um disco, este "Cold Fact", não tem nenhuma canção má, o que é espantoso. Tem algumas já muito conhecidas, a "I Wonder" e a "Sugar Man", por causa do filme, nestes últimos anos tornaram-se muito conhecidas. Mas eu trago aqui a "Hades Street Dialogue", que mostra bem do que era capaz este rapaz de Detroit quando apareceu, quando lançou o primeiro álbum há muitos anos. A voz é única, as letras são muito mordazes e incisivas, são muito bem escritas e a guitarra vale mesmo a pena ouvir os arranjos também. E portanto, trouxe aqui esta canção desta estreia do Sixto Rodriguez.
Esta é a música de Rodriguez. Esta semana no Isto Não Passa na Rádio estamos dedicados aos primeiros discos. Primeiros discos de bandas que nos marcaram, estreias discográficas auspiciosas. Nalguns casos, não significaram grande coisa para o resto da carreira dessas bandas. E depois também há aquele caso, amigos, em que um primeiro disco de sucesso dá sempre muito trabalho depois ao segundo álbum, não é?
Sim.
Há quem fale mesmo na maldição do segundo álbum. Que as expectativas ficam de tal maneira elevadas com a estreia, que logo a seguir é muito difícil manter a mesma bitola. O que acaba por ser um bocado injusto, porque é muito difícil conseguires ter álbuns incríveis uns atrás dos outros. Por isso, às vezes não está muito mal tu teres um álbum médio-bom ou médio, só a seguir a uma grande estreia, faz parte. Não estamos todos sempre inspirados da mesma forma.
Muito bem. Eu tenho uma sugestão para aquele que eu considero ser um dos melhores álbuns de estreia de sempre, o "Homework", dos Daft Punk. A banda franco-brasileira que se forma no início dos anos 90, ali por volta de 1993, anda durante algum tempo entre demos e cassetes a tentar mostrar a editoras. E o primeiro disco acaba só por sair em 1997. O "Homework" ainda assim, tem uma série de canções que se tornaram icónicas e se, de facto, o disco já foi um sucesso mesmo nessa altura, em 1997, acho que é passado alguns anos que o disco mais cresce ou melhor envelhece. A influência que este disco teve na música eletrónica, principalmente na chamada French Touch e no house, não só britânico, é inegável, mas foi também inspiradora de muitos outros projetos franceses e não franceses. E acho que os Daft Punk foram muito importantes e icónicos, muito por culpa deste disco, o "Homework", que tinha no alinhamento o "Around the World", terá sido o maior sucesso da banda, mas depois há outras canções. Há uma que eu gosto muito chamada "Revolution 909", que tem um belíssimo videoclipe. À volta de uma nódoa de tomate numa camisola, é quase a premissa para esse videoclipe de uma das canções do disco de estreia dos Daft Punk. Ainda assim, fui buscar uma outra que não passa na rádio propriamente, e que é esta "Da Funk" dos Daft Punk, em 1997, com "Homework", seguramente um dos discos de estreia mais importantes das últimas décadas. Os Daft Punk com "Da Funk", é uma das canções do disco de estreia da dupla franco-brasileira, o "Homework", que saiu em 1997, e é para mim, ainda hoje, uma das estreias discográficas mais impressionantes. Como é que olham hoje em dia para estas primeiras canções dos Daft Punk? Acham que elas envelheceram bem ou de alguma forma vos soam demasiado datadas?
Por acaso acho que não. Não me espantaria se isto fosse lançado por uma banda qualquer hoje em dia. Não acho que se quer assim uma décalage muito grande, até porque é um género que quem não conhece muito, como eu, pode dizer: "soa tudo ao mesmo, parece tudo a mesma coisa". Sendo que obviamente que não é isso, mas para a grande maioria da população pode ser isso, se calhar isso facilitaria essa noção de: "ok, está bem, fosse agora, fosse na altura, está ok".
Sim, eu não conheço muito bem a fase inicial do Charles Banks, mas, por exemplo, este tema acho que mexeria com muitas pistas de dança e muito bem. Boas pistas de dança.
Melhor que muita música que hoje em dia passa nas pistas de dança.
Ora bem.
Antigamente é que era.
Estou a falar a torto, porque eu não sei como é que são as pistas de dança atualmente. Principalmente, há três meses que não sei como é que é uma pista de dança.
Eu depois levo-te, Nelson, quando tiver condição de te levar.
Ok. Tens conhecimento de festas irregulares onde possamos incorrer em ilegalidades ou não?
Falamos quando desligarmos o programa. Estou a brincar.
Combinado. E Diogo Lopes, se fores rápido, ainda tens honras de fecho do Isto Não Passa na Rádio. Trinta segundos para a tua próxima sugestão.
A começar agora, falta dizer. Vamos então para o Brasil, falar de um senhor que se chama Roberto de Melo Santos, que é mais conhecido como simplesmente Di Melo, que lançou o seu disco de estreia homônimo, onde brilhou nele uma canção em específico chamada "Quilário", que é uma história sobre o dia a dia numa quinta, uma coisa simples.
Uma quinta ou numa fazenda?
Fica à vontade de quem ouvir. Pode ser uma quinta, pode ser uma fazenda, enfim, escolham vocês e escolham o som desta belíssima canção que de certeza que vai pôr muita gente a bater o pé.
Vamos a isso. Sejam bem-vindos. Está no ar a segunda parte do Isto Não Passa Na Rádio. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Gonçalo Correia e o regressado Diogo Lopes. Mantêm-se todos aí, amigos?
Cá estamos.
Cá continuamos.
Ótimo. Esta semana, semana de primeiro aniversário da Rádio Observador, resolvemos dedicar-nos àqueles que são os discos de estreia que mais nos marcaram. E fechaste, Diogo Lopes, a primeira parte do programa com uma viagem ao Brasil. Gonçalo, diria que esta escolha do Diogo está na pole position para ser declarada vencedora mais à frente.
Sem dúvida.
Eu gosto muito de revisitar este universo meio tropical ou funk para animar o vosso dia. Só para completar um bocadinho aquela informação que dei assim um bocado de raspão, esta música chamada "Quilário", atenção, porque tem um til no O, faz parte do disco homônimo chamado Di Melo, que foi editado em 1971.
Um til ou um acento circunflexo?
Calma, espera lá que eu confundo sempre os dois. Esta dislexia tem andado espetacular.
O circunflexo é o chapéu.
Então é um chapéu.
Então é um chapéu!
Então não é um til.
Isto está muito bom.
Sempre a mentir, o Diogo. Diogo sempre a mentir-nos.
Este está muito forte hoje. Peço desculpa desde já, qualquer coisinha.
Muita atividade familiar.
Mas pronto, só para dizer um pormenor engraçado que o senhor que cantou isto nos anos 90 teve um grave acidente de mota, mas que sobreviveu de uma forma miraculosa e continuou a fazer música daí para a frente, tanto que eles, na altura, até lhe atribuíram uma alcunha, que era do gênero "o imortal", alguma coisa assim.
Por um momento pensei que ias dizer que o seu Jorge lhe tinha dedicado o mais recente sucesso Motoboy. Não é o caso.
Isto como está a correr bem, não me quero atravessar. Não sei. Está aqui, encontrei. Eles chamavam-lhe o Imorrível.
É lá!
Vejam bem, Imorrível.
Quem dera.
Di Melo, o Imorrível. Quando inventam uma palavra para ti, é porque sabes que estás no caminho.
Há um Di Melo no Brasil que eu não conhecia e que foi aqui trazido pelo Diogo Lopes. Já em Portugal há um Melo Di.
Pois é.
Estás a ver? Espetacular. Deviam fazer um featuring.
Vamos avançar antes que isto descambe mais do que já está a descambar. Gonçalo Correia com a próxima sugestão, com aquela que é uma das minhas bandas favoritas de sempre, aproveito já para revelar.
Que bom saber, Nelson. A banda a que o Nelson se está a referir são os Doors, ou The Doors, na versão em estrangeiro, não sei qual é que gostam mais.
Eu gosto quando as pessoas juntam as duas coisas, que é os The Doors.
Os The Doors. Isto tem um ponto, porque nós também não traduzimos Doors, e a banda nem sempre aparece com o "the" antes, mas quando aparece, significa que faz parte do nome da banda e que não é só uma forma de nos referirmos. Mas isso é complicado. Vamos antes para a música. Acho que é inevitável falar da estreia deles, o primeiro álbum homônimo que os Doors editaram em 1967, que há de ter sido, acho eu, uma iniciação, uma porta de entrada para muita gente que gosta de música hoje em dia, para vir a descobrir muito mais coisas. Há ali canções míticas, "Light My Fire", "Break On Through", "The End", esse final épico, a "Back Door Man", uma série de canções míticas dessa estreia discográfica dos Doors em 1967. No meu caso, e sendo isto também um programa sobre as estreias discográficas, os primeiros discos de alguém que nos marcou ou de alguma banda que nos tenha marcado, este disco é muito caro porque, dizias Nelson, que é uma das tuas bandas preferidas. Eu hoje em dia não oiço muito regularmente os Doors, por falha minha, mas houve uma altura, sobretudo adolescência e pós-adolescência, em que foi a banda sonora de muitos momentos muito bons da minha vida, que recordo com grandes saudades.
Estou a ficar cada vez mais curioso. Senti um sorriso malandro nessa tua explicação.
Exato. Não, acho que só os tempos de adolescência e pós-adolescência, aquelas alturas de faculdade e tudo mais, em que estamos a descobrir imensas coisas do mundo.
Vamos deixar isso para a imaginação.
Vamos deixar isso. Mas de facto, apesar de falar aqui de uma série de canções míticas, ainda hoje muito conhecidas dos Doors, ainda hão de passar, se não na rádio, pelo menos em muitos bares de rock e por aí, durante as noites. Mas eu trago uma das canções menos conhecidas e famosas do disco, até porque isto não passa na rádio. Mas acho que vale a pena ouvir, é "I Look at You". Uma canção que aparentemente é muito simples, sobre o tipo que olha para a rapariga, a rapariga que olha para o tipo, e está tudo certo, já não há nada a fazer e vai acontecer. Mas tem aqui um significado implícito, que na verdade, aparentemente, é até o mais forte, que é este "I look at you", este "you" a quem o Jim Morrison se está a declarar como um amante que tem uma paixão assolapada, é, na verdade, as drogas e os ácidos que ele consumia por aqueles tempos, portanto, as viagens psicadélicas que fazia à conta desse vício e dessa paixão que andava a ter por aqueles tempos. Talvez, como isto é um programa também para todas as idades e que é saudável e que segue todas as recomendações da Direção Geral de Saúde.
Sem dúvida.
Talvez seja melhor ficarmos pelo entusiasmo febril, mais saudável da paixão humana, da paixão entre pessoas, desses encontros, mesmo quando são fortuitos ou muito breves. Acho que já é um ganho comparado com estes outros encontros que podem ser subentendidos aqui, que fizeram, por exemplo, o Jim Morrison ter uma vida muito acidentada, que acabou terminando como membro daquele malogrado grupo dos 27. Os génios que morreram com 27 anos de idade. Mas a canção é muito boa, vale a pena ouvir, do primeiro disco dos Doors. Chama-se "I Look at You" e é a minha escolha.
Fomos ao disco de estreia dos Doors, uma das estreias favoritas no mundo da música do Gonçalo Correia. Gonçalo, dizias-me que os Doors de alguma forma também marcam a tua adolescência, pós-adolescência. Tu chegaste a ver o filme "O Doors: Mito de uma Nova Geração", do Oliver Stone?
Vi posteriormente. E vi outro filme também dos Doors, que já não me lembro o nome, mas penso que era narrado pelo Johnny Depp. Mas vi os dois. Vi também esse do Oliver Stone. Houve uma altura em que eu gostava mesmo muito dos Doors.
Sim, também já me aconteceu. Vamos seguir em frente no "Isto Não Passa na Rádio", agora para uma banda que também tem um grandessíssimo disco de estreia, mais recente que os Doors. Estou a falar dos neozelandeses Fat Freddy's Drop, "Based on a True Story" é o primeiro álbum de estúdio deste coletivo da Nova Zelândia. O disco sai em 2005 e devo confessar que na altura em que o álbum foi lançado, eu também o gastei. Basicamente rompi este disco, porque todas as canções parecem tão bem alinhadas. Todo aquele alinhamento faz-me sentido daquela forma, e eu fiquei apaixonado por uma sonoridade que até ali não era muito usual, a mistura de reggae, dub, mas também jazz, funk, soul, a voz do Joe Dukie como vocalista dos Fat Freddy's Drop. Eles que de alguma forma também foram assolados por esta pandemia, porque tinham um concerto no Campo Pequeno em abril. Há dias a promotora anunciou que os Fat Freddy's Drop regressam a Portugal em 2021, julho do próximo ano, 6 de julho de 2021. Estamos a mais ou menos um ano do regresso a Portugal dos Fat Freddy's Drop, que se nunca viram ao vivo, deviam fazê-lo. É um megacoletivo com secção de sopros e canções que ora são dançáveis, ora introspectivas. Os Fat Freddy's Drop dizem-vos alguma coisa ou nem por isso?
Eu penso nisso e imagino logo o nome de um festival que acaba com Summerfest e penso sempre em cenas reggae um bocado manhosas e perco a atenção completa. Por favor, não leves a mal, mas vocês sabem da minha posição em relação ao reggae, não é sempre a mais favorável. E pode ser um preconceito estúpido e completamente infundamentado. Por isso estou aqui para ouvir a tua sugestão, Nelson, e para ser convencido do contrário.
Há uma coisa que te pode safar em relação aos Fat Freddy's Drop, é que eles não são de todo reggae, apesar de usarem alguns elementos dessa estética, há muito mais para lá. Exatamente, aquilo é um megacoletivo que mistura vários géneros e muitos géneros de que tu, Diogo Lopes, também gostas muito. Por isso, convido-te a escutar a discografia dos Fat Freddy's Drop de forma mais atenta, mas se queres começar, começa pelo início e por esta que é uma das estreias, para mim também, mais interessantes na discografia de uma banda. O "Based on a True Story" dos Fat Freddy's Drop em 2005, que tinha esta "Flashback" no alinhamento. E que tal este reggae, amigos? Gostam?
Bom, ótimo.
Médio.
Sim.
OK. Não conseguiram vencer-nos com os Fat Freddy's Drop.
Eu acho piada. Eu até tenho ouvido coisas recentes deles, inclusivamente. Obviamente, já pouco. E nem sequer conhecer tão bem a discografia inicial, que é o que os tornou mais conhecidos, mas é sempre boa onda, é sempre simpático.
Estamos a caminhar para o final do programa desta semana. E agora o Diogo Lopes ainda tem aqui uma sugestão de um artista que eu gosto muito, o Subtract.
É verdade, para encerrar trago aqui este senhor também com o seu nome civil, Aaron Jerome, é um músico e produtor inglês muito ligado à música eletrónica, essencialmente. E este Subtract, que basicamente é só um conjunto de letras, não é a palavra completa, é um S, um B, um T, um R, um K e um T, que forma a palavra Subtract, como se fosse uma mensagem de texto. É um projeto que desde cedo ficou um pouquinho na retina, porque eu diria que foi se calhar um bocado aquilo que me introduziu um pouquinho nas sonoridades relativamente mais eletrónicas. Ele tem ligações ao continente africano, parte da família dele, salvo erro, acho que é queniana. Daí ele também atuar com umas máscaras muito características, que parecem umas coisas tribais, quase que são desenhadas de propósito para ele, são apenas inspiradas nesta cultura tribal africana. E ele é um tipo muito antissocial, muito tímido. E todo este seu projeto, diz ele, espelha um pouco isso, já que o seu nome, Subtract, é escolhido porque ele quer se subtrair da equação e quer que as pessoas se concentrem apenas na música e não tanto nele. E a escolha da máscara como sua imagem foi também um pouquinho por isso, ele não quis que as pessoas soubessem quem ele era para poder andar na rua à vontade sem grandes problemas. A verdade é que quem quer passar despercebido não usa uma máscara gigante com uma série de cores e padrões em cores fluorescentes. Mas pronto, isso são outras teorias. O disco de estreia chama-se "Subtract", é autointitulado, saiu em 2011. Todo o trabalho dele é muito marcado pelas colaborações, sendo que ele tem um trio com quem costuma trabalhar mais, que é com o Sampha, que já falámos dele aqui, com o Jesse Ware, de quem também gosto muito, e a Little Dragon também, uma das grandes canções deste primeiro álbum, é precisamente com a Little Dragon, chama-se "Wildfire".
É lindíssima essa canção.
É mesmo. Mas a que eu vos trago aqui hoje é a "Pharaohs", que também chegou a ser um single, acho que não foi o primeiro, mas deve ter sido o segundo ou terceiro, acho eu, já não lembro bem.
Acho que foi o terceiro.
É capaz, sim. E é uma parceria também com uma rapariga chamada Roses Gabor, que entretanto também teve uma carreira relativamente modesta, não fez grandes coisas, mas também o próprio Subtract há muito tempo que também não faz nada de grande, pelo menos discos novos. Talvez só em 2016, com o "Save Yourself", mas desde então só lançou uma música. Olha, por acaso lançou uma música em junho deste ano, mas tirando isso, pouco ou quase nada tem acontecido. Por isso acho que terminamos aqui com uma tonalidade mais eletrónica da coisa.
Terminamos com Subtract, escolha do Diogo Lopes. O Isto Não Passa na Rádio de hoje foi dedicado àqueles primeiros discos que nos marcaram, primeiras estreias discográficas que nos marcaram. Um tema que também é de alguma forma relacionado com o primeiro aniversário da Rádio Observador, assinalado esta semana. Eu sou o Nelson Ferreira e para a semana regresso com o Gonçalo Correia e com o Diogo Lopes. Estamos combinados?
Combinadíssimos.
Um abraço e até para a semana.
Vamos nisso.