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Não se fala de outra coisa: um creme que prometia aumentar o volume do peito e dos glúteos em duas semanas. Compraram?
Magia.
Compraram?
Em duas semanas?
Sim.
Normalmente não é o contrário? Não é cremes para adelgaçar?
Não, aqui é para tornar mais voluptuosa. E já para emagrecer, gomas que garantiam o crescimento do cabelo em três meses, apostas desportivas com a promessa de lucro garantido, formações estéticas ditas gratuitas e branqueamento dentário.
Andas a ver coisas esquisitas, Maria João.
É o meu algoritmo. Estes foram alguns dos produtos promovidos por Maëva Ghennam, não é assim que se diz, provavelmente. Não é porque é francesa. Uma conhecida figura da televisão francesa, influencer com milhões de seguidores nas redes sociais, que foi esta sexta-feira condenada a um ano de prisão com pena suspensa e uma multa de €150 mil por práticas comerciais enganosas, ou seja, por enganar mais de três milhões de seguidores nos últimos três anos. O tribunal diz que cada vídeo podia render até €1.500 e que houve meses em que os ganhos da influencer ultrapassaram os €60 mil. Isto é um sinal de alerta para quem promove estas coisas nas redes sociais. A Justiça sublinhou ainda que Ghennam não anunciava de forma clara a intenção comercial destas publicações. Ela tem 28 anos, vive no Dubai, não foi a tribunal porque aparentemente devido a uma alegada proibição de saída dos Emirados Árabes Unidos. Depois do julgamento, Maëva reagiu no Instagram, diz que está escandalizada e que todas as promoções em causa foram feitas por uma antiga agência com quem tinha trabalhado, uma agência rodeada de juristas responsáveis. Diz que confiou nesses profissionais, como qualquer outra influencer teria feito. Diz que nem sequer teve tempo para preparar a defesa. O advogado pediu o adiamento de julgamento, mas foi recusado e como está sob proibição de viajar, não conseguiu deslocar-se. O tribunal decidiu julgá-la sem poder se defender. Isto é o que ela diz, portanto aqui a vitimizar-se. Seja como for, de certeza que não volta a promover cremes que aumentam o peito e os glúteos em duas semanas. Isto é muito importante para quem anda a comprar coisas nas redes sociais. Falsas promessas.
É, não acreditem em tudo que veem na net.
Um ano de pena suspensa e €150 mil de multa.
Olha, pumba! Eu vou falar do que muita gente continua a falar, que é dos resultados das autárquicas. Vou pegar no artigo que está no Observador do Tiago Caeiro e que fala de 10 factos curiosos, 10 curiosidades acerca destas eleições autárquicas, que nós acompanhamos também por isto. Eu, pelo menos, sempre gostei de acompanhar para ver estas curiosidades, estes resultados mais estranhos ou mais curiosos de alguma forma. Sabiam que a maior vitória eleitoral nestas autárquicas foi no Conselho de Sernancelhe, ou seja, o conselho em que o partido mais votado teve a maior porcentagem de votos, foi o PSD. Num conselho que tem apenas 5 mil eleitores, o PSD alcançou 78,47%, para ser mais preciso, dos votos. O Chega ficou em segundo com apenas 8,83%. Foram 2952 votos contra 332. Foi, de facto, o conselho onde a diferença foi maior. E foi dos primeiros a fechar, que foi dos primeiros que eu dei na televisão.
Já estás a ver, também foi fácil fazer a contagem. Outra das curiosidades foi logo referida na noite eleitoral por João Ferreira. Os partidos de esquerda que se coligaram em Lisboa tiveram menos votos do que esses partidos que concorreram por si em 2021. No caso, em 2021, PS e Livre concorreram juntos, mas juntando os votos de Bloco de Esquerda e PAN, em 2021 tinham tido mais votos do que a coligação agora teve, o que demonstra que às vezes não vale a pena fazer soma simples, aritmética, dos votos para tentar projetar resultados. Não é assim que funcionam. Os eleitores depois também são influenciados por estas coligações, pela forma como os partidos se unem e aqueles, até do outro lado, que não estariam muitas vezes tentados a votar, vão votar para enfrentar um adversário em que todos se juntam. Muitos têm falado sobre os resultados do Chega, se são bons, se são maus, o que representam. O Chega venceu 13 juntas de freguesia, o que é significativo, tendo em conta a curta história autárquica do partido. Mas mesmo assim, por exemplo, continua muito atrás do CDS-PP, que tem 43 juntas de freguesia e, por exemplo, o PCP ou CDU, se quisermos, que ainda conquistou 97 juntas de freguesia. Do outro lado, Bloco de Esquerda e PAN não elegeram ninguém.
Ninguém, zero.
Zero, nas autárquicas. O PAN também já não tinha conseguido eleger ninguém há quatro anos, mas Bloco de Esquerda e PAN, de facto, não conseguem nenhuma representação autárquica, o que também demonstra a fraca capacidade de implantação no território que estes partidos, nomeadamente o Bloco de Esquerda, nunca conseguiram ter. Eu digo o Bloco de Esquerda, porque o Bloco de Esquerda teve momentos de grande sucesso eleitoral a nível nacional, mas nunca conseguiu replicar isso a nível autárquico. Menos abstenção foi no Conselho de Castelo de Paiva, uma abstenção de 40,74%. Há 17 câmaras que desde 1976 nunca mudaram de cor.
Ainda resistem.
O Paulo ainda há pouco falava da questão das grandes mudanças no mapa eleitoral. Ora, aqui estão as exceções que confirmam esta regra da mudança, porque, por exemplo, na margem sul, Seixal e Palmela, que são câmaras relevantes, nunca deixaram de ser da CDU, do PCP. O PS tem ainda seis bastiões: Alenquer, Campo Maior, Olhão e Portimão. E o PSD é o que tem o maior número de câmaras que nunca mudaram, ou seja, sempre foram do PSD. São sete, incluindo Arcos de Valdevez e Câmara de Lobos. Em Santiago do Cacém houve uma mudança, e aí tínhamos também uma câmara que tinha sempre da CDU, do PCP, mas para que houvesse mudança, PS e PSD tiveram de se juntar e apoiar uma candidatura que pudesse derrubar o predomínio da CDU. Há outras curiosidades nisso.
Por acaso, aqui nesta câmara, penso que quem ganhou foi o Bruno Gonçalves Pereira, que faz rádio na Antena 1, curiosamente.
É?
É, exatamente.
É a força da rádio. Há aqui outras curiosidades acerca destas eleições autárquicas, para quem gosta de acompanhar os resultados e fazer estas leituras um bocadinho mais diferentes do habitual. Fala-se disto e fala-se de outras coisas, mas isto é o mais importante.