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As notícias com Vasco Maldonado Correia.
Boa noite, Alexandra Leitão. Defende-se das críticas de radicalismo, critica a comunicação social por ter descrito a candidatura da coligação que liderou em Lisboa como uma frente de esquerda. A candidata do PS, derrotada na capital nas autárquicas do último domingo, considera que o centro político está cada vez mais virado para a direita, o que faz com que declarações moderadas sejam vistas como radicais à esquerda e posições radicais à direita sejam normalizadas. Dá o exemplo do tratamento midiático da última campanha.
Durante toda a campanha eleitoral em Lisboa, 99% dos órgãos de comunicação social chamavam à coligação PSD, CDS e L, ou coligação, ou coligação alargada, ou, por vezes, aliança. E 99,9% chamavam à coligação PS, Livre, Bloco de Esquerda e PAN, frente de esquerda. O léxico diz tudo. Um era uma coligação, o outro era uma frente de esquerda, um era uma coligação alargada, o outro era um exemplo de frentismo, com todo o peso que a palavra frentismo tem. Eu não estou a procurar, que fique claro, justificações, eu estou só a tentar até generalizar.
A dirigente socialista reconhece a vitória do PSD no último domingo a nível nacional. Considera que o PS está a ser prejudicado pelo crescimento do Chega, que está a conseguir entrar no eleitorado clássico do partido. Ainda assim, avisa que o caminho para este cenário não pode passar por ceder ao populismo. Pede, por isso, que o PS se mantenha moderado e a marcar a agenda midiática.
O PS tem que ser o que sempre foi na sua matriz, que é um partido social-democrata e de socialismo democrático, e manter-se firme e fazer uma coisa fundamental: não deixar, isso é muito difícil, não estou aqui a dar conselhos, porque quem sou eu, mas não deixar ou tentar evitar, é melhor dizer, tentar evitar que seja sempre a extrema-direita a definir a agenda como definiu na história da burca. O Partido Socialista, e agora estou a falar pelo Partido Socialista, mas a social-democracia tem que agarrar nos temas que dizem respeito às pessoas, nem que seja fazendo propostas disruptivas.