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Jornal das 10, com edição do jornalista André Maia. Duas semanas depois da morte do cidadão cabo-verdiano Odair Moniz, baleado pela polícia, o policiamento de proximidade é um dos temas em destaque no primeiro congresso da Associação Sindical de Profissionais da Polícia.
É um congresso que termina hoje, vai contar com a presença da Ministra da Administração Interna no encerramento. O tema deste congresso não podia ser mais atual, depois dos tumultos causados pela morte de Odair Moniz em vários bairros da região da Grande Lisboa. Ora junta-se a nós, em direto neste Jornal das 10, Cristiano Correia, dirigente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia, a quem agradeço desde já a disponibilidade para estar conosco neste Jornal das 10. Bem-vindo, Cristiano Correia. Este é o primeiro congresso promovido pela Associação Sindical de Profissionais da Polícia. Por que sentiram a necessidade de organizar este evento?
Sim, é verdade. Em primeiro lugar, obrigado pela oportunidade. Sim, é verdade, é o primeiro congresso da ASP, decorridas já várias décadas de intervenção sindical ao longo deste período, realizamos um conjunto de conferências e debates, mas achamos que estava na hora de realizar um congresso e de debater aquilo que é a segurança interna, aquilo que são as questões policiais, a condição policial, aquilo que é a intervenção da polícia e os desafios da intervenção policial num Estado de direito democrático e, como falou e bem, a questão do policiamento de proximidade. E hoje, no último dia, vamos falar naquilo que é o direito à greve, que nós achamos, enquanto sindicato, que devemos lutar e temos que ter direito à greve, como qualquer outro setor e como qualquer outro trabalhador.
Para os nossos ouvintes perceberem também, este congresso já estava marcado antes de toda esta situação que ocorreu nas últimas semanas. Por que também o timing agora de organizar neste momento o congresso?
Este congresso já estava organizado há vários meses. Coincidentemente, surge nesta altura em que a questão do policiamento de proximidade tem sido premente. Mas até lhe diria outra coisa. O modelo de policiamento de proximidade já é um anseio da própria ASP de décadas, e eu até lhe indico que uma das primeiras reivindicações da própria ASP, na sua gênese, era realmente uma polícia mais próxima, democrática e ao serviço do cidadão. Por isso, nós já temos esta perspectiva daquilo que deve ser a intervenção policial há várias décadas e achamos que este é que deve ser o modelo que deve imperar, que é o modelo preventivo, o modelo de proximidade e o modelo de relação com as populações, sem colocar em causa outros setores e outras entidades que devem colaborar e operar relativamente ao serviço social, as instituições, as autarquias, que em rede, todos em conjunto, devem proporcionar condições para haver um sentimento de segurança, de confiança e por essa via entende-se que se deva prevenir a criminalidade muito para além daquilo que é reprimir. Ou seja, queremos claramente ter um modelo preventivo de relação e de confiança nas populações, confiança mútua, confiança da polícia para com as populações e das populações para com a polícia, para que realmente se olhe para a polícia como uma esfera protetora e não repressiva, que foi uma imagem que se calhar ainda carregamos de décadas do passado, que nós achamos que neste momento já não deve fazer qualquer sentido.
E Cristiano Correia, quais é que são as principais conclusões que já foram possíveis de retirar deste congresso que começou ontem?
Sim, repare, nós tivemos a oportunidade de ouvir e ter a participação de sindicatos de outros países, nomeadamente de Espanha, uma estrutura sindical, o SEP de Espanha. Tivemos também um professor brasileiro que também esteve aqui no nosso congresso, polícia no Brasil. E também é importante colher essas perspectivas de outros países e de outras experiências para também percebermos para onde é que devemos caminhar no sentido das políticas de segurança interna e dos modelos de policiamento. Nós reafirmamos aquilo que temos andado a dizer, que é: o investimento nas forças de segurança tem que ser efetivo, não para o modelo repressivo de resposta a ocorrências, mas sim de capacidade de conhecer os problemas para antecipar esses mesmos problemas e para conseguir, mesmo quando acontece algum problema, mitigar as mesmas repercussões de algo que de anormal possa acontecer. Por isso, para lhe responder mais diretamente, nós acabamos, em termos de conclusão do primeiro dia, por reafirmar a urgente necessidade de olhar para a segurança interna, para quem trabalha na segurança interna, para de uma vez por todas se integrar um modelo preventivo, de conhecimento dos problemas, do que depois termos que andar sempre numa perspectiva repressiva e de chamadas a ocorrências, quando já as coisas aconteceram e quando só há quase a capacidade de relatar fatos ao Ministério Público, neste caso, quando nós queríamos era conseguir e ter a capacidade de evitar crimes mais do que estar a comunicar crimes.
Cristiano Correia, para terminar a nossa conversa, ontem a Subintendente que coordena as equipas de policiamento de proximidade de 11 divisões do Comando Metropolitano de Lisboa, defendeu que a PSP tem de fazer as pazes com os bairros. Como é que isso se pode fazer, essas pazes?
Eu acho que a questão das pazes é forte, é verdade, tem uma carga simbólica. Eu acho que, como eu disse há pouco, a polícia tem que ter uma atuação e a capacidade de ir ao encontro dos problemas da sociedade. Não só problemas criminais, mas Situações até sociais que podem depois desenvolver dinâmicas criminais. Não tem que ser a polícia claramente a fazer esse trabalho, mas pode ser a polícia a identificar alguns fenômenos que depois podem se desenvolver em fenômenos criminais. As parcerias iam muito bem com as escolas. O projeto Escola Segura é um projeto muito importante, estruturante naquilo que é a relação da polícia com o ensino, com a educação, e é por essa via, pela via da educação, pela via da consciência para aquilo que é a segurança, com uma relação muito forte com a comunidade escolar, que nós achamos que se pode evitar e se pode consciencializar os jovens, as crianças, para aquilo que é a importância da segurança. Veja-se a questão da segurança rodoviária, as políticas que se desenvolveram na segurança rodoviária, o uso do cinto, a questão do telemóvel. Ou seja, foi uma questão de consciencialização que fez com que nós olhemos agora para a segurança nesta dimensão, estou a dar como exemplo, entendemos que é uma necessidade que todos olhem para a segurança, cada um com a sua responsabilidade. A polícia terá uma, mas cada cidadão deve estar também consciente da sua responsabilidade social relativamente àquilo que é a segurança individual e coletiva. Evidentemente que se alguém cometer um crime, a polícia aí está para fazer o seu trabalho e comunicar com outras entidades no cumprimento da lei, que é aquilo que está estipulado. Mas achamos que é sempre a própria educação para a segurança, a percepção daquilo que é o papel da polícia, será o caminho para batermos então essa tal paz, voltando à expressão, que nós todos necessitamos.
Cristiane Correia, agradeço a disponibilidade para ter estado em direto conosco neste jornal das 10. Dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, que está hoje em congresso. Daqui para uma hora, a ministra da Administração Interna participa precisamente na sessão de encerramento deste primeiro congresso da ASPP.
E o CHEGA, André, critica o comportamento de Marcelo Rebelo de Sousa face aos tumultos que marcaram a última semana na Grande Lisboa. Fala numa atuação lamentável.
E por isso o partido quer entregar um protesto formal em Belém. Em comunicado, o partido liderado por André Ventura anunciou que este protesto formal também vai dar entrada na Assembleia da República. O CHEGA acusa o chefe de Estado de parcialidade. Refere o partido que não foi feita qualquer visita aos polícias envolvidos ou às vítimas da violência. É uma reação que surge depois da Presidência da República ter divulgado ontem que Marcelo Rebelo de Sousa esteve sexta-feira no bairro do Zambujal, na Amadora, onde visitou a esquadra da PSP e conversou também com os familiares de Odair Moniz. Numa outra nota, o presidente adianta que também contactou com a mãe do motorista da Carris, que ficou ferido no ataque ao autocarro que conduzia para se inteirar do estado de saúde do condutor.
Olhamos agora para a resposta do INEM, depois da denúncia de dois mortes por causa de alegadas falhas no atendimento. O Instituto Nacional de Emergência Médica reconhece atrasos e admite a necessidade de analisar em pormenor essas situações.
É a reação do INEM depois da denúncia feita pelo presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Duas pessoas terão morrido em três dias devido a atrasos no atendimento na linha 112. Em comunicado enviado à redação do Observador, o INEM confirma que houve atraso no atendimento a uma pessoa que morreu ontem em Gondela, mas nega os alegados 40 minutos de espera. Já na situação da passada quinta-feira em Bragança, o instituto também confirma o atraso no atendimento, justifica com o volume de chamadas. O INEM defende ainda uma análise pormenorizada das situações para se perceber todas as circunstâncias em que decorreu a assistência a estes dois utentes que acabaram por morrer. Sublinha ainda que decorre neste momento um concurso para um reforço de 200 profissionais e acrescenta que o atual contexto de greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar às horas extraordinárias também acaba por ter impacto no funcionamento. O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, diz que as condições de atendimento na linha 112 continuam a agravar-se por causa da escassez de profissionais e acusa o governo de não tomar medidas concretas.
São situações frequentes que se têm vindo a agravar ao longo do tempo. Mais estranho torna que este governo, volvidos mais de seis meses depois de tomar posse, não tenha adotado nenhuma medida, apesar das nossas propostas e apesar de nós termos explanado logo no início da tomada de posse deste Ministério da Saúde, o estado em que o sistema de emergência médica se encontra.
E quais são as medidas mais urgentes, na vossa opinião, do sindicato?
As soluções que apresentámos foi sobretudo a valorização destes profissionais, da sua carreira, mas também do seu índice remuneratório. Dizer que são estes operacionais responsáveis pelo atendimento em exclusividade de todas as chamadas nas centrais do INEM. São também estes profissionais que operam a esmagadora maioria dos meios de emergência médica que o INEM tem. O quadro do INEM devia comportar 1480 técnicos. Nós somos hoje pouco mais de 700.
Situações de Rui Lázaro, reivindicações à Rádio Observador. O INEM admite atrasos no atendimento, promete uma análise pormenorizada das situações para perceber em pormenor todas as circunstâncias em que decorreu a assistência a estes dois utentes.
E em Espanha, André, o rei Felipe VI e a rainha Letizia visitam hoje as zonas mais afetadas pela tempestade da passada terça-feira, em Valência.
A Casa Real adianta que nessa visita os reis de Espanha vão estar acompanhados pelo presidente do Governo e pelo presidente da Generalitat Valenciana. De resto, Pedro Sánchez já presidiu à reunião do comitê de crise desta manhã no Palácio da Moncloa, antes de acompanhar a visita dos reis a Valência. Amanhã de manhã, o rei vai presidir à reunião do comitê de crise que está a seguir os efeitos da tempestade, uma reunião que vai ter lugar no quartel-general da Unidade Militar de Emergências. Os reis decidiram ainda suspender toda a agenda de atividades previstas para a próxima semana. Prometem continuar a seguir com atenção os efeitos das fortes inundações na região de Valência. A Agência Estatal de Meteorologia Espanhola pede cautela, já que prevê para hoje aguaceiros e tempestades fortes ou muito fortes e persistentes nas regiões da Catalunha, Comunidade Valenciana, Múrcia e também nas Ilhas Balneares. Na última hora, subiu para vermelho o aviso na província de Almeria por causa da previsão de chuvas fortes.
Nos Estados Unidos e a dois dias das eleições presidenciais, os candidatos vão passar por eventos nos estados decisivos da Pensilvânia, Carolina do Norte, Geórgia e Michigan.
O candidato republicano Donald Trump vai começar o dia na Pensilvânia, naquele que é considerado o mais crítico dos estados decisivos e onde as sondagens têm mostrado um empate técnico, mas com ligeira vantagem para Kamala Harris. Trump regressa depois à Carolina do Norte, termina com um comício no estado da Geórgia. É um dos estados que em 2020 foi ganho pelo democrata Joe Biden e que ditou a derrota dos republicanos. Do lado democrata, Kamala Harris vai falar no Michigan, um estado essencial nas contas do partido, já que a última sondagem lhe atribuiu 51% das intenções de voto, contra 48% de Donald Trump. A enviada especial d'O Observador, Cátia Bruno, está a acompanhar a par e passo estes últimos dias de campanha e ontem, Cátia, a candidata democrata participou num conhecido programa de humor norte-americano.
Esta noite de sábado ficou marcada pela aparição de Kamala Harris, a candidata democrata, no Saturday Night Live, o famoso programa de comédia de Nova Iorque. A candidata apareceu olhando para um espelho em que do outro lado tinha Maya Rudolph, a atriz que a tem imitado nesse programa ao longo das últimas semanas. E Kamala disse: "É bom ver-te, irmã", e disse também: "É bom ver alguém que abre portas", numa mensagem política que os democratas quiseram frisar ao longo desta noite.
E Cátia, do lado de Trump, qual é que foi o foco dos republicanos?
Enquanto os democratas tentavam marcar pontos na televisão nacional, Donald Trump esteve num comício na Carolina do Norte e disse: "Vamos ganhar este estado e vamos ganhá-lo com uma grande margem", deixando também claro que considera que se não for o vencedor na noite eleitoral de 5 de novembro, é porque houve uma grande batota. E ele disse: "Deixem-nos fazer batota, nós vamos ser vencedores à mesma", dizendo até: "Esta vai ser uma das noites eleitorais mais interessantes da nossa história". O que deixa aberta a possibilidade de que caso Donald Trump não seja o vencedor, de acordo com as sondagens à boca das urnas na próxima terça-feira, se irá reconhecer o resultado desta eleição. Teremos mesmo de esperar para ver, para perceber o que pode acontecer. Aquilo que temos visto por eleitores com quem temos falado aqui no estado do Ohio, onde estamos, é que muitos dos apoiantes de Trump têm dúvidas sobre a legitimidade da votação que está a decorrer e que levantam ainda a possibilidade de haver uma insurreição até nos dias a seguir.
Cátia Bruno, editora de Internacional do Observador, enviada especial também do Observador aos Estados Unidos, com o fotojornalista Diogo Ventura. A candidata democrata Kamala Harris ganhou, entretanto, mais um apoio, o ator Harrison Ford, numa série de vídeos publicados ontem. O ator conhecido pelos papéis em "Indiana Jones" ou "Star Wars" deixou críticas a Trump, mencionando comentários contra o antigo presidente feitos por antigos membros da administração republicana. Afirma que vota em Kamala Harris porque entende que a candidata dos democratas vai ser uma presidente que trabalha para todos.
Passam 16 minutos das 10h. André Maia, vamos a outras notícias em destaque a esta hora.
O Futebol Clube do Porto defronta hoje o Estoril Praia. Jogo a contar para a jornada 10. O técnico dos Dragões deixa avisos. Vítor Bruno alerta para um adversário que trouxe dissabores na época passada. Recorda as três derrotas na época passada frente aos Canarinhos. Já o técnico do Estoril, Ian Cato, desvaloriza os resultados da época anterior. É um jogo que está marcado para as 19h30 com relato em direto aqui na Rádio Observador. Os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão realizaram hoje exercícios militares trilaterais a sul da península coreana. Foi uma resposta ao lançamento por parte de Pyongyang de um novo tipo de míssil intercontinental. De acordo com o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, as manobras incluíram um teste conjunto de um bombardeiro de longo alcance norte-americano com caças sul-coreanos e jatos japoneses. Na Moldávia decorre hoje a segunda volta das eleições presidenciais, uma votação que é vista como um teste decisivo para a futura direção do país, que está hesitante entre uma adesão à União Europeia ou uma reaproximação à Rússia. Na primeira volta, Maia Sandu, apoiante da adesão ao grupo dos 27, venceu por uma margem pequena. E a fechar, João, não sei se és fã da Guerra dos Tronos, mas há um filme a caminho.
Não sou muito fã, mas sei que tenho muitos amigos que adoram. E consigo perceber o fascínio.
Eu posso dizer que nunca vi Guerra dos Tronos.
Nunca viste. Eu já dei uma oportunidade, mas não sou muito fã.
É mais porque sei que há muita coisa para ver e não tenho capacidade.
Já te deixa cansado.
É isso. Mas olha, depois da série original e do spin-off, agora temos o filme, é o que avançam os meios especializados como The Hollywood Reporter ou a Deadline. A série da HBO, como sabemos, tornou-se um fenómeno cultural global de audiências. 59 prêmios Emmy ao longo de oito temporadas. Apesar de os criadores terem tentado mostrar à Warner o potencial cinematográfico deste universo, parecia que ia ficar pelo caminho.
Mas não, há mais.
Agora vamos ter mesmo o filme.
Há sempre mais, não é? Quando as coisas correm bem.
É isso. E quando há dinheiro a cair.
Exato. Também aí, portanto. Ponto final no Jornal das 10, edição do André Maia.