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E o Observador. Jornal do Meio Dia com o André Maia. Começamos em Espanha. O primeiro-ministro espanhol diz que a tempestade Dana é a pior da história recente do país. Ainda assim, Pedro Sánchez não declara situação de emergência nacional.
Em declaração ao país, feita a partir do Palácio da Moncloa, em Madri, numa altura em que o número de mortos sobe para 211. O chefe do governo espanhol garante que o executivo nacional está a mobilizar todos os recursos e que vai continuar a fazê-lo durante o tempo que for necessário para ajudar a população e também as comunidades autónomas afetadas por esta catástrofe natural.
"A Dana desta semana provocou o maior desastre natural da história recente do nosso país. É já a segunda inundação que mais vítimas mortais fez na Europa. O governo de Espanha está a assistir aos pedidos das comunidades autónomas e está a atuar no terreno, sendo que a principal prioridade é a de salvar vidas".
No entanto, mantém-se o nível dois de emergência da Proteção Civil em Espanha, o que faz com que os comandos das operações continuem sob o domínio das regiões autónomas, passando para o nível três de emergência nacional. Era o governo central que assumiria essas diligências. Pedro Sánchez anuncia também que o pedido da Comunidade Valenciana vai ser atendido e entre hoje e amanhã vai chegar ao terreno um reforço de 10 mil efetivos, 5 mil membros das Forças Armadas e ainda 5 mil polícias. O chefe do governo espanhol fala no maior dispositivo de sempre das Forças Armadas em tempos de paz.
Pedro Sánchez, que pede um país unido para ultrapassar este flagelo.
Diz que há apenas um inimigo a combater neste momento, os efeitos da tempestade.
"Há que esquecer as nossas diferenças, pôr as ideologias e discrepâncias de lado e atuar como um país unido, na diversidade contra a adversidade. Temos apenas um inimigo a combater, a destruição causada por esta catástrofe. E temos que fazê-lo juntos, porque estão em causa muitas vidas dos nossos compatriotas, a dignidade das pessoas que faleceram, o prestígio do nosso país e o futuro de municípios inteiros."
Pedro Sánchez, esta manhã, numa declaração institucional do governo espanhol, o chefe do Executivo faz ainda uma homenagem, presta condolências às famílias dos falecidos, diz que vai pedir a Bruxelas o mecanismo de solidariedade.
O presidente português voltou a expressar solidariedade ao monarca espanhol Felipe VI pelas consequências das inundações no país, André.
Foi uma mensagem divulgada no site oficial da Presidência da República na internet. Marcelo Rebelo de Sousa enaltece a resposta notável da população e reforça a solidariedade do povo português perante as mais recentes notícias que chegam de Espanha. Na quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha enviado uma mensagem a Felipe VI, exprimindo solidariedade e condolências. Também do Reino Unido, o rei Carlos III apresenta as condolências ao monarca espanhol pela perda trágica de tantas vidas na tempestade em Espanha. O monarca britânico destaca os laços fortes e pessoais entre o Reino Unido e também Espanha.
Continuamos a falar sobre Valência. As autoridades concentram-se na busca de sobreviventes, mas também nas operações de limpeza.
Contam com a ajuda de milhares de voluntários. Muitas pessoas responderam ao apelo, dirigiram-se à Cidade das Artes e das Ciências de Valência, onde ficaram à espera de serem chamadas para se dirigirem para os locais mais afetados. Para isso, foi organizado um primeiro grupo de voluntários com 2500 pessoas. Aos restantes, foi pedido para que regressem nos próximos dias. Também a caminho de Paiporta, a localidade mais afetada, estão muitos voluntários com mantimentos ou utensílios para ajudar na limpeza. É o que regista a enviada especial do Observador, Joana Moreira.
Estamos a poucos quilómetros do centro de Valência. Estamos neste momento a caminhar por estradas que estão cortadas. Caminhamos agora sobre uma ponte que passa por cima da autoestrada V30, aqui na zona de Valência. Centenas, talvez milhares de pessoas caminham neste momento até Paiporta, a chamada zona zero das cheias que assolam o sul e o leste de Espanha. Muitas pessoas caminham neste momento de galochas, com instrumentos de limpezas, trazem sacos com garrafões, água potável, também mantimentos. Vemos muita comida, enlatados, fruta e muitas vassouras e objetos que permitirão tirar às comunidades mais afetadas toda a lama que entrou pelas suas casas. Muita gente aqui mobilizada, muita gente que vem em grupos, que se organizaram de diferentes povoações que foram menos afetadas e que estão aqui a tentar ajudar quem não tem ajuda e onde as autoridades ainda não chegaram. As pessoas vêm em conjunto, organizaram-se e deixaram os carros nas zonas circundantes a estas povoações e caminham por trajetos que podem chegar até a uma hora, uma hora e meia. Dirigem-se quase todas para Paiporta, uma das zonas mais afetadas pelas cheias da tempestade Dana, que assolam Espanha.
Relato da Joana Moreira, enviada especial do Observador a Valência, juntamente com o fotojornalista João Porfírio.
Na atualidade nacional, o presidente da República falou com a mãe do motorista da Carris, ferido com gravidade durante os distúrbios na área metropolitana de Lisboa.
Numa nota publicada esta manhã, a Presidência da República diz que Marcelo Rebelo de Sousa confirmou ontem com a mãe do motorista a evolução positiva do estado de saúde. Acrescenta ainda que o presidente tem estado desde o início a acompanhar os desenvolvimentos na saúde do funcionário da Carris. No meio dos distúrbios que se têm vivido na região de Lisboa e depois da morte a tiro pela PSP de Odair Muniz, na Cova da Moura, um motorista de 42 anos ficou gravemente ferido. Um grupo de pessoas incendiou o autocarro que conduzia na madrugada do dia 24 de outubro, o que causou queimaduras graves. Numa outra nota emitida ontem, Marcelo Rebelo de Sousa fez saber que visitou os familiares de Odair Muniz, o homem morto a tiro pela PSP no passado dia 21 de outubro. O presidente da República esteve a visitar vários bairros da Amadora, como o bairro do Zambujal e a Cova da Moura, visitas que aconteceram sem a presença da imprensa e que decorreram fora da agenda oficial do presidente.
Passam sete minutos do meio-dia, André Maia. Antes do Cinco Continentes, vamos a outras notícias que estão a marcar a atualidade.
Kemi Badenoch foi confirmada como nova líder do Partido Conservador britânico. Vai suceder a Rishi Sunak, antigo primeiro-ministro do Reino Unido. Kemi Badenoch obteve quase 54 mil votos, contra 41 mil de Robert Jenrick. A dirigir-se ao Congresso do partido, a nova líder dos conservadores sublinha que a primeira tarefa vai ser pedir contas ao governo trabalhista. A segunda vai ser preparar o partido para voltar à governação. Na Sérvia, o número de vítimas mortais por causa da queda do telhado de uma estação de comboios subiu para 14. O incidente ocorreu por volta de ontem, ao meio-dia, na cidade de Novi Sad. Várias pessoas ficaram debaixo dos escombros, a maioria crianças. As equipes de emergência foram logo enviadas para a estação no centro da cidade, concluíram hoje os trabalhos de resgate. O presidente da Sérvia declarou o dia de hoje como dia de luto nacional, apelou à punição dos responsáveis pelo desabamento. Já teve alta o homem que foi baleado esta madrugada no bairro da Cova da Moura, na Amadora. Fonte da PSP explica que a vítima de 38 anos foi ferida por um homem que passou de carro e disparou contra o homem na rua principal do bairro, por volta das 6h00. A vítima foi transportada para o Hospital São Francisco Xavier com ferimentos na coxa direita. Já teve alta. Fechamos com motorizados. O piloto espanhol Jorge Martin, da Ducati, venceu hoje a corrida sprint do Grande Prêmio da Malásia de MotoGP, a 19ª e penúltima prova da temporada. Martin beneficiou da queda do italiano Francesco Bagnaia, também da Ducati, para ficar mais perto do título. Uma prova em que o português Miguel Oliveira não participou devido à lesão contraída na Indonésia. Jorge Martin assumiu o comando desde cedo ao bater Bagnaia na travagem para a primeira curva.
Ponto final no Jornal do Meio-Dia, edição do André Maia.