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O Observador, é meio-dia. Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do Vasco Maldonado Correia. Vasco, o Ministério da Educação adiou por três dias o calendário dos exames nacionais e o concurso de acesso ao ensino superior. O presidente da Associação de Diretores Escolares tem dúvidas que seja possível cumprir este calendário.

Num comunicado enviado esta manhã às redações, o Ministério de Fernando Alexandre reconhece dificuldades informáticas no processo de correção das provas digitais. Os professores passam a ter até dia 14 para corrigir as provas. As pautas com as notas dos exames já realizadas são afixadas três dias depois, no dia 17. A segunda fase dos exames arranca a 20 de julho. O Filinto Lima diz ter dúvidas sobre o calendário. O presidente da Associação de Diretores Escolares diz que, uma vez que tem informação que os professores continuam a ter dificuldades a aceder à plataforma de correção dos exames de português do 12° ano.

Não faço ideia, o Ministério da Educação na posse de todos os dados, muito mais do que nós, com certeza. Temos conhecimento da situação porque falamos com alguns professores e porque vemos as notícias que vão saindo diariamente, infelizmente, motivado pela situação, nos jornais, nas televisões. Eu não sei se estes três dias serão suficientes. Agora, é o prazo que o Ministério da Educação julgou adequado para que, de facto, no dia 17 deste mês, nós diretores, possamos afixar as pautas nas nossas escolas. Nós tudo iremos fazer para que isso aconteça.

O presidente da Associação de Diretores Escolares, que acrescenta também que prevê um aumento dos pedidos de recurso das provas, o que pode atrasar todo o processo.

Não tenho dúvidas nenhumas. Este ano, os recursos vão aumentar exponencialmente. Por quê? Porque os pais perceberam que este processo começou muito mal, tem tido muitos atropelos, e este muito mal não sou eu que estou dizendo, foi o ministro da Educação, e bem, que já o admitiu na Assembleia da República. Portanto, os pais desconfiados da situação, com certeza que vão usar um direito que já têm há muitos anos, que é o direito de recurso. Este ano, o número de recursos vai subir substancialmente.

Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores Escolares, aqui na Rádio Observador, sobre o adiamento por três dias do calendário dos exames nacionais do 12° ano e o concurso de acesso ao ensino superior.

E o Partido Socialista espera que não seja preciso fazer mais alterações.

Posição transmitida pelo deputado Porfírio Silva, que deixa críticas ao ministro Fernando Alexandre.

Um responsável político, quando vê que as coisas não estão a correr como deveriam correr, não pode refugiar-se em dizer que as críticas, que as denúncias do que está a correr mal são especulações, são coisas das redes sociais. Tem de assumir as suas responsabilidades. Portanto, o que nós esperamos é que o senhor Ministro da Educação perceba que é agindo que se resolvem os problemas, não é atirando as responsabilidades para outros, não é fazendo conta que está tudo a correr mais ou menos bem, quando toda a gente sabe, efetivamente, que as coisas não estão a correr bem. Desejamos sinceramente que esta correção do calendário seja a última correção, seja suficiente.

O socialista Porfírio Silva, em declarações aos jornalistas esta manhã nos Passos Perdidos da Assembleia da República.

E o Instituto Português do Mar e da Atmosfera alargou o aviso vermelho em vigor devido à onda de calor a 12 distritos.

Situação que se vai manter até domingo. O aviso mais grave para o IPMA está hoje ativo nos distritos de Portalegre, Évora, Beja e Santarém, também Viana do Castelo, Porto, Braga, Coimbra e ainda Aveiro, Leiria e Setúbal, sendo que em Lisboa e em Setúbal, a partir das 11 da noite de hoje, esse aviso passa para laranja, o segundo nível mais grave no IPMA.

E, Vasco, o fogo que começou em Vouzela, no distrito de Viseu, já chegou ao distrito de Aveiro.

É o incêndio que mais preocupa as autoridades, uma vez que está a ameaçar habitações, também pelas difíceis condições de combate às chamas. Disso mesmo deu conta a Proteção Civil esta manhã à Rádio Observador, que estão neste momento no terreno mais de 900 operacionais e agora 13 meios aéreos. O fogo já está nestes dois distritos, Viseu e Aveiro, e aproxima-se agora de Águeda. Há um total de quatro feridos, três bombeiros e um civil, que foram transportados para o hospital com queimaduras leves. Além do incêndio no distrito de Viseu, há mais dois fogos significativos e ativos em Portugal continental, em Barcelos e Cinfães, ambos a mobilizar cerca de 100 operacionais cada. O fogo em Barcelos já tem duas frentes combinadas, uma a ceder aos meios, é o que indica a Proteção Civil.

E o presidente da Liga dos Bombeiros afirma que as medidas tomadas para o combate aos incêndios este ano são insuficientes.

Uma posição defendida pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses no explicador esta manhã, António Nunes sublinha que os erros do passado estão a voltar a ser cometidos.

Não houve medidas implementadas, porque quando se chegou ao momento da decisão, fevereiro, março, temos agora mais um verão, não é oportuno alterarmos as estruturas e vamos manter a mesma estrutura. Ora, manter a mesma estrutura quer dizer que os erros do ano passado vão ser cometidos este ano. Isso nós alertamos. Nós gostaríamos que tivessem sido feitas algumas alterações significativas na questão da organização do combate. Mas o combate é a última linha.

Uma das primeiras é a prevenção, diz António Nunes, que tem de ser feita de forma mais ativa através do acompanhamento da limpeza das áreas florestais de forma centralizada.

E o Parlamento debate hoje a reconfirmação da pena acessória da perda de nacionalidade, isto depois do chumbo do Tribunal Constitucional.

Sendo que dos partidos que aprovaram o diploma nessa fase inicial, apenas o Chega mantém a intenção de contornar a decisão dos juízes do Palácio Ratton. Ora, vamos em direto até à Assembleia da República. No hemiciclo está a esta hora a Teresa Freire. Teresa, boa tarde. O ministro da Presidência pareceu desvalorizar um eventual chumbo desta pena acessória.

A abertura do debate parlamentar coube ao ministro António Leitão Amaro, que admitiu concordar com as alterações que hoje são debatidas. No entanto, desvalorizou o possível chumbo desta pena acessória de perda de nacionalidade, por considerar que em matéria de nacionalidade, o essencial já foi feito.

O essencial está feito, que a nacionalidade voltou a ser o que nunca devia ter deixado de ser. O que hoje discutimos é um passo adicional, acessório e, reconheçamos, que se estima ser de rara aplicação. Depois de termos feito a lei da nacionalidade, que se aplica a centenas de milhares de casos, hoje discute-se a perda por crimes, que, como demonstra a prática internacional, é de potencial aplicação a umas dezenas. A sanção acessória de perda de nacionalidade por prática de crimes muito graves é um mecanismo útil, mas não tem, nem de perto, a importância e o impacto que teve a mudança da lei da nacionalidade que já fizemos.

O ministro da Presidência, no início da sessão plenária desta manhã. Quanto às posições dos partidos, apenas o Chega insiste firmemente nesta alteração. Já o PSD e o CDS aceitaram a redução do leque de crimes. A IL demarcou-se tanto do decreto requerido agora pelo Chega, como pelas posições do PSD e do CDS. Já o PS e a restante esquerda voltaram a defender que esta alteração não seja aprovada e criticou o PSD por estar a entrar no jogo do Chega.

Debate no Parlamento acompanhado pela repórter Teresa Freira. Além deste debate, os deputados elegem hoje a nova Provedora de Justiça. Depois do chumbo no último mês, PS e PSD voltam hoje a propor o nome de Luísa Neto.

E no Mundial de Futebol, Portugal tem encontro marcado esta segunda-feira contra a vizinha Espanha e a imprensa espanhola diz que a vitória portuguesa da última madrugada foi injusta.

Portugal prepara-se para a rendição dos oitavos de final do Mundial 2010, altura em que a Seleção Nacional perdeu por 1 x 0 contra a equipe que viria a ser campeã do mundo. O jogo está a gerar algum entusiasmo em Espanha, sobretudo porque, apesar da vitória, não há muitos elogios a fazer à equipe de Roberto Martínez, Carlos Pedro.

O jornal "A Marca" não tem dúvidas de que a vitória portuguesa foi injusta. A equipe de Roberto Martínez não merecia vencer, escreve o jornal espanhol, que fala ainda no final de jogo mais louco e polêmico do mundial. Aliás, "A Marca" dá logo na primeira página do site oficial, destaca uma manchete da imprensa croata que critica a arbitragem do encontro. Diz, e passo a citar: "Se Matanović fosse careca, o gol teria sido validado." Isto numa referência ao gol anulado à Croácia já em cima do apito final. No diário "AS", a equipe portuguesa é descrita como formidável, mas não perfeita. O maior destaque vai mesmo para a exibição de Cristiano Ronaldo, considerada quase como banal. O "AS" diz que o capitão da Seleção Nacional mal entrou no jogo e, além disso, esteve longe de ser decisivo na área. Em contrapartida, é realçada a entrada no 11 de Rafael Leão, que, dizem os desportivos espanhóis, beneficiou o jogo português. O entusiasmo com o duelo ibérico da próxima fase é grande neste jornal, que vem ao bicho, escreve o "AS" na antecâmara do reencontro com Cristiano. Certo é que, apesar das críticas, Ronaldo marcou o primeiro gol, de pênalti, venceu o prêmio MVP e também por isso os jornais espanhóis se mostraram algo incrédulos. Na Catalunha, o "Mundo Deportivo" diz que se há algum português que merecia esta distinção era Diogo Costa, com o jornal espanhol a sublinhar as cinco defesas notáveis do guardião do Futebol Clube do Porto. Quanto a Ronaldo, fala-se no MVP mais estranho do Campeonato do Mundo.

Carlos Pedro, com o que diz a imprensa espanhola sobre o Portugal 2, Croácia 1. Segue-se a Espanha, encontro marcado já para segunda-feira. Há ainda uma notícia a dar neste mundial. Julian Nagelsmann, o selecionador alemão, demitiu-se do cargo depois do país ter sido eliminado nos 16 avos de final pelo Paraguai.

E assim termina o Jornal do Meio-Dia.