O Presidente russo, Vladimir Putin, avisou que o país vai responder a eventuais ataques por parte da Europa, mas prometeu não atacar nenhum país. Ao mesmo tempo, pediu aos europeus para estarem “plenamente conscientes” da posição russa e fazerem a “distinção” em relação aos Governos nacionais.
“Não pretendemos atacar ninguém em 2029, em 2030 ou 2050, mas se formos atacados, teremos que responder”, afirmou durante um discurso na reunião anual do think tank Clube Valdai. O líder russo citou os preparativos europeus para uma guerra contra a Rússia no final desta década, as constantes manobras da NATO no Báltico e as interceções de navios russos, atos que classificou como uma escalada.
Putin on Europe:
We don’t intend to attack anyone in 2029, in 2030, or 2050, but if we are attacked, we will have to respond.
Citizens of the European countries should be fully aware of that. pic.twitter.com/Dt95kpZvor
— Clash Report (@clashreport) October 1, 2026
Putin defendeu também o conteúdo que constava numa carta enviada pela Rússia à NATO. No documento, a Rússia ameaçava usar todo o tipo de armas, incluindo as nucleares, se a aliança atlântica tentasse isolar o enclave russo de Kaliningrado, no Báltico. O líder do Kremlin sublinhou que as declarações feitas nos últimos dois dias pelos diplomatas russos sobre o tema são absolutamente corretas, embora tenha precisado que ninguém mencionou “as armas nucleares”.
“Se chegarmos a um ataque direto contra a Federação Russa, e refiro-me a Kaliningrado, mas isto também pode acontecer em qualquer outro território, é claro que a questão do uso, por parte da Rússia, de todo o armamento ao seu alcance figurará inevitável e imediatamente na agenda. Isso é inevitável”, prometeu.
Este aviso surge num momento em que as tensões vão aumentando em torno de Kaliningrado, a antiga Konigsberg da Prússia Oriental, anexada pela União Soviética em 1945 e que não tem fronteira direta com a Rússia, fazendo fronteira com a Polónia, a Lituânia e o mar Báltico.
Nos últimos meses, os países da NATO realizaram vários exercícios militares nas fronteiras de Kaliningrado, o que levou Moscovo a enviar-lhes um documento em que condena um “aumento sem precedentes da atividade militar da Aliança” ao longo das “fronteiras ocidentais”.
Também se têm registado incidentes por parte do lado russo a partir deste enclave, como a violação do espaço aéreo polaco por parte de um helicóptero militar russo na semana passada.
Rússia “forçada” a invadir a Ucrânia para “proteger” população russófona
O Chefe de Estado russo garantiu que pretende terminar com o conflito com a Ucrânia, mas acusou Kiev e os aliados europeus de “culpar” Moscovo pelo conflito e pelo falhanço nas negociações. Admitiu ainda que os ataques da Ucrânia a refinarias russas foram responsáveis pela queda do PIB russo em 1%.
Sobre as “origens” do conflito, o Presidente russo afirmou que o país não foi responsável pelo início da guerra da Ucrânia, e que foi “forçado” a atacar Kiev para se “defender” e proteger a população russófona que, segundo Putin, estaria a ser alvo de perseguição.
“Qual é a verdade? A verdade é que não fomos nós que começámos a guerra, mas a guerra foi iniciada contra nós”, justificou. “Eles não deveriam ter encorajado o nacionalismo agressivo e a russofobia na Ucrânia, a fim de transformá-la numa ferramenta na luta contra a Rússia”, acrescentou.
Putin garantiu também que as Forças Armadas russas cumprem as diretivas do direito internacional sobre a guerra, apesar de terem sido registados episódios em sentido contrário, como o massacre de Bucha, em março de 2022, que sempre foi negado por Moscovo. Além disso, os alvos russos dos ataques têm sido maioritariamente infraestruturas civis, como prédios de habitação, escolas e equipamentos energéticos.
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