Acompanhe o nosso artigo em direto sobre conflitos internacionais 

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou esta quarta-feira para uma possível “redistribuição das esferas de influência” entre as três maiores potências mundiais, referindo-se diretamente ao eventual encontro entre os líderes dos Estados Unidos, Rússia e China.

Zelensky disse que receia que o encontro de alto nível entre Donald Trump, Vladimir Putin e Xi Jinping se transforme numa nova versão do encontro de Ialta de 1945.

A Conferência de Ialta, realizada na Crimeia em fevereiro de 1945 entre os líderes dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Soviética, serviu para organizar o pós-Segunda Guerra Mundial, redesenhando fronteiras e resultando na divisão da Europa em dois blocos.

O acontecimento ficou marcado na História contemporânea como símbolo de poder das grandes potências contra o destino de nações mais pequenas.

Recentemente, Moscovo indicou que está a ser articulada uma reunião entre os líderes dos Estados Unidos, da Rússia e da República Popular da China, à margem da cimeira da APEC (Cooperação Económica da Ásia-Pacífico), prevista para meados de novembro.

O chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, já se manifestou favorável ao encontro de alto nível com os homólogos russo e chinês.

Há vários anos que a Rússia tenta obter dos Estados Unidos um acordo abrangente sobre a arquitetura de segurança na Europa e mais concretamente o fim da expansão da Aliança Atlântica no leste europeu.

Neste sentido, Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia deseja a realização do encontro e, por isso, alertou para que seja recusado a Moscovo o que descreveu como uma “nova vantagem” diplomática.

Paralelamente, está prevista para novembro, nos Emirados Árabes Unidos, uma reunião entre diplomatas russos, ucranianos e norte-americanos para retomar os esforços de paz em relação à Ucrânia e que estão paralisados desde o início do ano.

Para o chefe de Estado ucraniano a reunião de Abu Dhabi deveria realizar-se antes do encontro de líderes à margem da cimeira da APEC, em Shenzhen, Cantão, República Popular da China, em novembro.

Kiev espera, sobretudo, obter um cessar-fogo para garantir a segurança das exportações de cereais por via marítima — atualmente prejudicadas pelos ataques russos no Mar Negro —, bem como uma trégua em relação aos ataques contra as centrais de energia.

A Rússia rejeitou qualquer pausa nos combates antes de ser alcançado um acordo de fundo.

As forças de Moscovo invadiram a Ucrânia em 2014, anexando a Península da Crimeia e lançaram uma ofensiva de grande escala contra todo o país em fevereiro de 2022.