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Gravador são 14h. Está a começar o Jornal das Duas, com a edição do Miguel Gato. Miguel, a Direção Geral da Saúde atualizou os procedimentos para casos suspeitos de Ebola e já definiu hospitais de referência para casos suspeitos.

O Curry Cabral e Dona Estefânia em Lisboa e o Hospital de São João, no Porto. De acordo com a DGS, uma pessoa que apresente febre acima dos 38 graus e sintomas como vômitos, diarreia, dor abdominal e hemorragias e que tenha estado em áreas com circulação do vírus, deve ser considerada um caso suspeito de infecção com Ebola. Portugal, como país não diretamente afetado pelo surto que se verifica na República Democrática do Congo, deve, na mesma, reforçar a detecção precoce e a gestão de eventuais casos importados. Isto já tinha sido dito pela DGS há uns dias. Agora a DGS vem reforçar estes procedimentos. A DGS que mantém que o risco de infecção para pessoas que vivem na Europa é muito baixo, dada a reduzida probabilidade de importação e transmissão secundária do vírus do Ebola.

E a Autoridade Tributária alerta para uma série de mensagens fraudulentas que estão a ser enviadas por e-mail a pedir alterações na declaração de IRS.

Sim, a Autoridade explica que são uma tentativa de convencer o destinatário a aceder a páginas maliciosas, carregando nos links sugeridos e efetuar pagamentos e devidos. Num dos exemplos da mensagem divulgada pela Autoridade Tributária, os visados são informados de que foi detetado um pedido de alteração à declaração de IRS, sendo sugerido confirmar ou anular esta alteração através de um link. E esse link, alerta a Autoridade Tributária, é malicioso e, como tal, a entidade avisa que esse tipo de mensagens devem ser ignoradas e que a população deve estar alerta.

E a França pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas depois dos avanços de Israel no sul do Líbano.

Aconteceram nas últimas horas, as forças israelitas tomaram o castelo medieval de Beaufort, um importante ponto estratégico, fica a cerca de 15 km da fronteira com Israel. Ora, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de França sublinha que esta incursão de Israel não pode ser justificada com o direito do país à autodefesa.

"Solicitei uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nada pode justificar o prolongamento das operações militares israelitas no Líbano e a ocupação cada vez mais profunda do território libanês. Este prolongamento das operações militares, este avanço no território libanês, não é só contrário aos compromissos de Israel, uma vez que desde 17 de abril que temos um cessar-fogo no Líbano, como é contrário ao direito internacional e a todas as resoluções que preveem que o Líbano deve dispor da plena integridade territorial, mas é também contrário aos interesses e à segurança de Israel, pois cada aldeia bombardeada, cada civil morto, reforça o Hezbollah a longo prazo."

Nada justifica a ocupação cada vez mais alargada do território libanês. É o que diz o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, que anuncia o pedido de reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.

E Benjamin Netanyahu já reagiu à ofensiva israelita.

Sim, nas últimas horas fala numa mudança dramática no decorrer do conflito, após a conquista do castelo medieval de Beaufort. O primeiro-ministro de Israel diz que a expansão é para manter e que Israel voltou mais forte do que nunca, desde o ano de 2000, que as forças israelitas não detinham o controle deste castelo.

E do outro lado da fronteira, o primeiro-ministro libanês acusa Israel de estar a procurar uma política de terra queimada no sul do Líbano.

O governante diz que as forças israelitas estão a destruir cidades e aldeias no sul do país de forma indiscriminada. Acusa Israel de estar a levar a cabo um castigo coletivo a todos os libaneses, com a justificação de estar apenas a perseguir membros do Hezbollah.

E Miguel, a especialista em Relações Internacionais, Liliana Reis, considera que os novos ataques de Israel no sul do Líbano resultam do ponto em que se encontram as negociações entre Washington e Teerão.

Para Liliana Reis, Israel teme o desfecho dessas negociações. Dá como exemplo o descongelamento dos bens iranianos, uma das condições que são impostas pelo regime de Teerão para negociar com os Estados Unidos.

Netanyahu começa a observar com alguma preocupação é que há uma redução das ambições estratégicas iniciais relativamente ao acordo entre os Estados Unidos e o Irão. Neste momento, em relação ao acordo, aquilo que nós começamos a observar é que está demasiado concentrado na questão do desenvolvimento do programa nuclear, mas também o do Estreito de Hormuz. Se houver efetivamente um passo maior para este memorando de entendimento, naturalmente que o Irão vai receber também os ativos que estão congelados. A libertação dos fundos iranianos significa mais recursos financeiros para Teerão, maior capacidade de apoiar os aliados regionais, nomeadamente os proxies, e mais margem para construir capacidades militares, nomeadamente de apoio aos proxies.

Análise da especialista em Relações Internacionais, Liliana Reis, no gabinete de guerra desta manhã.

E o Papa Leão XIV pede o fim dos discursos polarizadores e o desrespeito pela diversidade.

No Vaticano, o líder da Igreja Católica diz que são dois dos motivos que levam à destruição das sociedades. Na mensagem habitual de domingo, feita hoje, o Papa Leão XIV defende que a fé é uma forma de promover diálogos entre os povos e rejeita esses discursos polarizadores e também o desrespeito pela diversidade. O Papa Leão XIV, que inicia na próxima semana, entre os dias 6 e 12 de junho, uma visita apostólica aqui ao país vizinho, a Espanha.

E em França, uma pessoa morreu durante os festejos do título europeu do PSG na última noite.

A informação é avançada pelo Ministério Público de França, que revela que a morte aconteceu na sequência de um acidente de moto em Port-Maillot. Segundo o jornal Le Parisien, o condutor da moto colidiu com uma das barreiras de betão colocadas pela polícia nas estradas. Mais de 200 pessoas ficaram feridas durante as celebrações do título europeu do Paris Saint-Germain, a grande maioria com ferimentos leves. Há a registar, no entanto, oito feridos graves até o momento. Entre as autoridades, quase 60 polícias ficaram feridos. Pelo menos um está em estado grave, mas não corre risco de vida. Na última noite, em todo o país, foram detidas quase 800 pessoas depois da conquista do bicampeonato europeu, a Liga dos Campeões, pela segunda vez consecutiva por parte do Paris Saint-Germain. Só em Paris foram feitas cerca de 300 detenções.

E nos Estados Unidos é apresentado um ensaio clínico na luta contra o câncer. É um tratamento desenvolvido pela Johnson & Johnson que apresenta resultados sem precedentes.

É essa a expressão utilizada por alguns médicos que foram contactados pelo jornal britânico The Guardian. O tratamento consiste numa injeção tripla com capacidade para, nalguns casos, erradicar por completo tumores. É o que demonstram os estudos internacionais realizados em 11 países, que são apresentados numa importante conferência mundial sobre o câncer. O jornal The Guardian partilha o testemunho de um dos participantes no ensaio clínico, uma história que agora nos é contada pelo jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.

Carl Walsh tem 56 anos. Em maio de 2024 recebeu o diagnóstico: tinha câncer da língua. A quimioterapia e a imunoterapia revelaram-se ineficazes no tratamento da doença. Foi aí que lhe apresentaram um tratamento experimental. Conta que antes tinha dores, inchaço e dificuldades para comer e falar. Agora, no 17º ciclo de tratamento, diz ter uma vida normal. Ao todo, em mais de 10 países, foram 102 os doentes que integraram o estudo clínico, todos com cânceres avançados na cabeça e no pescoço, que resistiram às terapêuticas convencionais. Em mais de um terço dos casos, os tumores reduziram em poucas semanas. Quinze dos doentes viram mesmo os tumores deixar de ser visíveis nas avaliações clínicas. O tratamento é administrado a cada três semanas através de uma injeção subcutânea, o que o torna mais rápido e prático para os pacientes e muito mais fácil de administrar. Combate o câncer de três formas: bloqueia proteínas que ajudam o tumor a crescer e a resistir ao tratamento e reforça o sistema imunitário para lutar contra a doença. A injeção mostrou resultados semelhantes em doentes com câncer do pulmão e está agora a ser testada em cerca de 60 ensaios clínicos para vários outros tipos de tumores. Além do pulmonar, está a ser também estudada para tratar o câncer do cérebro, do estômago e do cólon e reto.

Hugo Fortunato de Oliveira, com este testemunho partilhado pelo jornal britânico The Guardian sobre este sinal de esperança na luta contra o câncer.

É o ponto final no Jornal das duas que teve a edição do Miguel Gato.