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Jornal das 9, com edição de Diana Rosa. E Diana, a Presidente da Câmara de Coimbra alerta para a possibilidade de cheias centenárias na cidade.
Que inclui a baixa da cidade. Um alerta que também já tinha sido deixado esta noite pela Proteção Civil. O ponto de situação está a ser feito em Coimbra por Ana Abrunhosa. Está a ser acompanhado pelo repórter Luís Soares. Nesta altura, fala a presidente da Câmara. Vamos ouvir, à boleia precisamente do nosso repórter, esse briefing da Ana Abrunhosa.
Coimbra já está inundada, o concelho já está em parte inundado. Agora, o que está em causa é a parte mais urbana e, ao todo, nós estamos a falar, porque a zona dos Olivais não vai ficar inundada. Estamos a falar da parte baixa. Mas isso coloca restrições a todo o concelho, a toda a cidade, porque basta uma parte significativa da cidade ficar afetada, os autocarros já não podem passar, já não podem servir a zona do Tozinho, já não podem servir a zona de Celas. Portanto, o que pedimos às pessoas é a máxima compreensão. Amanhã será um dia, vamos vendo, nós vamos comunicando. A Proteção Civil mandará mensagens por telemóvel. Nós já recebemos uma mensagem da Proteção Civil sub-regional. A seguir, vamos mandar uma mensagem adaptada por telemóvel e vamos adaptando as mensagens e vamos adaptando as restrições à medida que a situação evolua.
Ouvimos aqui um pedido para que se resuma a informação que tem sido dada por Ana Abrunhosa.
Então eu pedia silêncio, está bem? Para eu me concentrar, que estou muito cansada. Muito bem. Depois de uma reunião com a APA e depois de uma reunião da Autoridade Nacional de Proteção Civil, veio a verificar-se uma forte possibilidade ou uma possibilidade de em Coimbra voltarmos a ter uma cheia centenária. Isso significa que nós estamos a ter rios de chuva em municípios e em território acima da barragem da Aguieira, que estão a canalizar muita água para a barragem da Aguieira, que atingiu ou está a atingir o seu limite. A partir do momento em que a barragem da Aguieira está a atingir o seu limite, toda a água que receber vai ter que deitar no rio Mondego. Também temos a ribeira de Seira, que está a aumentar o seu caudal. É uma ribeira selvagem. É uma ribeira que ontem teve 1000 metros cúbicos por segundo. A probabilidade no açude ponte, se ultrapassarem os valores limite, que são de 2000 metros cúbicos por segundo, é muito elevada. Nós já estamos nesse valor. A probabilidade de atingirmos os 2500, 3000 é muito grande. Isso significa que a partir daí há o galgamento da água do açude ponte e a água começa a recuar e, portanto, vamos ter, se isso acontecer, inundações na parte baixa do rio Mondego, na parte mais urbana. E aqui estamos a falar da baixa de Coimbra, estamos a falar de Santa Clara, mas a partir do momento em que o rio Mondego também não consegue e aquelas zonas que hoje já estão inundadas vão ficar ainda mais inundadas. Mas nós, em Coimbra, temos um problema das ribeiras urbanas. Essas ribeiras urbanas vão também aumentar os seus caudais, aliás, temos tido e algumas delas vão sair do leito. E, portanto, deixo aqui, rapidamente sinalizo as zonas que nos preocupam e que são as zonas, volto a dizer, as zonas mais ribeirinhas. A zona ribeirinha de Torres do Mondego, a zona ribeirinha do Seira, Conraria e Vendas de Seira, a zona da Portela do Mondego, a Quinta da Portela, o Parque Verde, Rebulinhos, que já estão, o Rossio de Santa Clara, a baixa, também já disse, de direita a esquerda, a ribeira de Cuselas e a ribeira de Eiras, a ribeira de Fornos, a ribeira dos Covões, a ribeira dos Casais. E, portanto, o que pedimos às pessoas é que hoje ponham a salvo animais, os seus bens, a probabilidade de amanhã, às oito, nove horas, nós termos os nossos presidentes de junta, que têm feito um trabalho extraordinário, estarem a avisar as pessoas que devem sair de casa, a GNR, a PSP. Portanto, o que pedimos às pessoas é que estejam atentas às comunicações que nós vamos enviar da Proteção Civil e das autoridades, vão receber nos telemóveis, mas, por favor, aceitem e sigam as orientações das autoridades.
Ouvimos aqui os conselhos de Ana Abrunhosa, que está a fazer este ponto de situação em Coimbra. Ouvimos aqui à boleia do nosso repórter do Observador, Luís Soares, que está também ele a tirar notas e a fazer perguntas neste briefing aos jornalistas. Dizia Ana Abrunhosa que o concelho já está inundado, agora há também preocupações na parte urbana. Lembra que se inundar a baixa da cidade, há várias atividades que vão ficar condicionadas, também, naturalmente, os transportes. A barragem da Aguieira está a atingir o limite, como ouvimos aqui a autarca a referir, e a partir daí a água vai ser conduzida para o Mondego, também ele já numa situação limite, sendo que há a possibilidade, de acordo com a autarquia, de rupturas noutras zonas do dique. Também a Proteção Civil Nacional fez um balanço esta noite. Ficou o alerta para cuidados redobrados na Grande Lisboa e Península de Setúbal nas próximas horas. Vem chuva intensa e nevoeiro. O risco de cheias é elevado.
Os efeitos expectáveis são cheias em cursos d'água. Neste momento, com o fenómeno previsto para a zona da Grande Lisboa e Península de Setúbal, o impacto será, sobretudo, de cheias rápidas e, portanto, a precipitação poderá causar cheias rápidas e o comportamento, todos nós já sabemos, com inundação, por exemplo, de garagens e outros espaços que fiquem abaixo da cota.
As atenções estão viradas para as bacias do rio Sado e do Tejo. Ainda assim, há outros locais que estão a preocupar a Proteção Civil.
Com risco de inundação, o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana. Estes rios normalmente têm subidas bastante rápidas e, portanto, é preciso estarmos alerta, evitando com isto o risco de podermos ter problemas referentes a estas inundações.
Mário Silvestre alerta ainda para a possibilidade de deslizamentos de terras. O apelo à população mantém-se. A Proteção Civil pede que sejam evitados comportamentos de risco. Também o vereador da Proteção Civil de Lisboa, Rodrigo Melo Gonçalves, deixa recomendações à população. As pessoas devem restringir-se só às tarefas básicas nas próximas horas.
Evitar deslocações desnecessárias, evitar também zonas em que tradicionalmente ocorrem esses episódios de cheias rápidas. Convidar também aqueles que circulam nas vias a circular com precaução redobrada devido à chuva e ao vento.
A Câmara Municipal de Lisboa assegura que o sistema de monitorização está totalmente operacional. O vereador explica o trabalho de prevenção que tem sido feito.
Tem, sobretudo, a ver com a limpeza de sarjetas e sumidouros. Aqui também com as equipes das diferentes juntas de freguesia, que são essenciais para que a água possa ir escoando e evitar essa situação de cheias rápidas, quando as sarjetas estão entupidas com folhas ou com lixo e, portanto, havendo esse trabalho todo de prevenção que tem sido feito desde que estas intempéries começaram, o risco de cheias rápidas reduz substancialmente.
Vereador da Proteção Civil, Rodrigo Melo Gonçalves, entrevistado na tarde política. E o presidente da República mostra-se satisfeito com a decisão do primeiro-ministro. Vem um plano de recuperação e resiliência dedicado à reconstrução do país. Luís Montenegro ordenou que todos os ministérios comecem a desenvolver propostas para este plano. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha alertado várias vezes para a dimensão do problema e para a necessidade de muito dinheiro para a reconstrução. Elogia, por isso, este passo dado pelo Executivo e realça que os ministérios vão ter de trabalhar em conjunto.
E bem, foi pedido, porque isto é uma questão interministerial, quer dizer, cobre todos os setores. Não é só administração interna, é economia, é finanças, é assuntos sociais, é a participação da Defesa Nacional, é consequências no domínio educativo. Tudo isso passa por vários ministérios. E o primeiro-ministro, permanentemente, e a presença do Conselho de Ministros, a fazer uma coordenação e a pedir aos vários ministérios: "Dêem-me elementos para um programa que possa cobrir tudo".
Vemos aqui Marcelo Rebelo de Sousa. Já o primeiro-ministro, quando fez o anúncio, adiantou o nome deste novo plano de resiliência dedicado a reerguer o país.
Nós teremos um PTRR, um Programa de Recuperação e Resiliência português, exclusivamente português, para podermos sair desta sucessão de intempéries mais fortes, mais resilientes, recuperados socialmente, recuperados do ponto de vista da dinâmica econômica.
Também em Conselho de Ministros, foi aprovado o aumento do montante global da linha de crédito para as empresas, passa de €500 para €1000 milhões. E, afinal, Diana, os trabalhadores afetados pelo mau tempo, que estejam em lay-off, vão receber menos do que se pensava. Só vão ter, Filipa, dois terços do salário, em vez de 100%. Num esclarecimento, o governo explica que o pagamento pelo Estado vai ser de 80% e só dura dois meses. Depois disso, aplica-se o que está na lei: 70% pagos pelo Estado e 20% pela entidade empregadora. Diana, vamos também atualizar as notícias de âmbito local. Em Sesimbra, foram resgatados esta manhã dois pescadores depois de ter entrado água dentro da embarcação onde seguiam. De acordo com a Autoridade Marítima Nacional, este barco estava a cerca de 15 km a sudeste de Sesimbra Foram ativados os tripulantes da Estação Salva-Vidas e elementos da capitania do porto e do comando local da Polícia Marítima de Setúbal, que encontraram os homens de 43 e 49 anos em dificuldades. No entanto, não houve necessidade de assistência médica. Em Porto de Mós, as oficinas municipais estão a funcionar como um centro logístico de apoio da região de Leiria, de apoio na zona sul do distrito. O presidente da Câmara, que é também presidente da Comunidade Intermunicipal da região de Leiria, Jorge Vala, destaca a onda de solidariedade. Diz que tem sido emocionante. De acordo com o jornal regional, o Portomoense, este local está em funcionamento das 08h00 às 16h00, recebe telhas de vários tipos, mas também lonas, e são precisas painéis, cimento, tijolos e outros materiais de construção. Em Aveiro, foi cancelado o Carnaval da Ria. Ainda ontem demos essa notícia da realização, hoje houve uma alteração da decisão. É um evento importante na cidade, já contava com mais de 300 participantes inscritos. Inclui habitualmente um desfile náutico e um baile comunitário no Mercado do Peixe, mas a Câmara Municipal de Aveiro considerou que não estão reunidas as condições de segurança necessárias para a realização do evento. Já garantiu que vai depois avançar com uma nova data, nos canais de Ria, um evento adaptado que vai depois realizar-se. Em Famalicão, o Bloco de Esquerda pede uma justificação ao governo sobre as condições que considera inaceitáveis no posto da GNR. O partido enviou um documento ao Ministério da Administração Interna. De acordo com o jornal O Amarense, Fabian Figueiredo diz que está em causa a segurança e as condições de trabalho dos militares. Garante também que em dias de chuva mais intensa, várias áreas do posto de comando ficam inoperacionais. Há relatos de que chove nestas instalações da GNR, as paredes têm sinais evidentes de umidade prolongada. Em Leiria, uma sugestão para tentar esquecer o mau tempo. Surma e outros artistas atuam não só em Leiria, mas também em Pombal, para as famílias afetadas. Este sábado, este mini festival faz parte do projeto Tempo Delas, do maestro e músico Micael Faustino. Além da música, há teatros, contos, oficinas de pintura, também workshops de instrumentos musicais, tudo destinado a crianças e a famílias. O objetivo é aliviar um pouco a população depois dos tempos difíceis que têm vivido. Oeiras, Lisboa e Cascais vão encerrar 15 km da frente ribeirinha para celebrar o Dia Mundial da Atividade Física. Acontece no dia 12 de abril, entre as 09h30 e as 14h00. Todo o percurso entre Alcântara e São Pedro do Estoril vai estar fechado ao trânsito. Estão planeadas várias atividades ao ar livre, demonstrações de diferentes modalidades desportivas, aulas de palco e rastreios de saúde. A iniciativa é da responsabilidade das câmaras municipais, em parceria com clubes, coletividades e entidades na área do desporto e da saúde. A entrada é gratuita. Filipa, tens aqui duas sugestões ótimas para ti. Uma delas, um festival de música, onde tu podes ir mostrar a tua bela voz e dar uma boa cantoria. Se calhar estás muito bem. E depois, Lisboa, Oeiras, Cascais, Dia da Atividade Física, também.
É só ótimas duas sugestões.
Estás ali perto, é só ires dar uma corridinha até à Marginal e pronto.
E nessa altura já estará bom tempo. É isso mesmo, esperemos que sim. É assim que fechamos também este jornal da Nova. Até já, Diana.