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Observador. Começa agora o Jornal das 9, edição do jornalista Miguel Cordeiro. E Miguel, começamos em Oeiras. O Chega apresentou uma moção de censura contra Isaltino Morais.

Isaltino foi formalmente acusado pelo Ministério Público, juntamente com mais 22 responsáveis da autarquia, acusados de desviar €150 mil para refeições, álcool e tabaco. A moção de censura apresentada pelo grupo municipal do Chega é assinada por vários membros do partido. Francisco O'Neill é um dos assinantes desta moção e diz à Rádio Observador que tem de haver consequências políticas deste caso. E acrescenta que o grupo municipal do Chega apresenta esta moção sem apoio dos restantes partidos por uma questão ética.

Esta moção de censura vai além da vertente jurídica. É também em razão da ética em si, que é mais do que a juridicidade em si da norma. É uma pessoa que não oferece garantias pelo seu historial, é uma pessoa que já foi presa, é uma pessoa que já foi condenada até várias vezes no Tribunal de Contas pela sua gestão e é alguém que não oferece credibilidade, nem tem vocação pública para gerir o dinheiro público de quem quer que seja.

Contactado pela Rádio Observador, Isaltino Morais não quis reagir. Ao final da manhã, o autarca já tinha defendido que os almoços de trabalho fazem parte do dia a dia das câmaras municipais.

E de dentro do município de Oeiras surgem mais reações a este caso, reações contra a conduta de Isaltino Morais.

Diz o PS de Oeiras que as acusações contra Isaltino Morais são graves e lamenta também o impacto mediático que está a ter este caso. Quem diz isto é a vereadora socialista Ana Sofia Antunes, falou à Agência Lusa e recorre à memória para lamentar o surgimento deste novo caso a envolver o município.

Tenho francamente pena que uma vez mais o nome de Oeiras esteja a vir a público pelas piores razões. E as razões são sempre estas, são sempre as mesmas, que é este tipo de suspeitas, de práticas ilegais, de eventuais ilícitos criminais.

Ana Sofia Antunes admite que é possível aceitar que um vereador ou um presidente de câmara possa pagar algum almoço quando está em representação do município, mas que disso não deve ser feita uma regra. Diz também que não conhece todos os detalhes deste processo e, portanto, diz que vai esperar pela avaliação da Justiça.

E o movimento Evoluir Oeiras considera que a acusação contra o autarca tem ampla prova documental.

Falou nesse caso Carla Castelo, líder do movimento e antiga vereadora da Câmara Municipal de Oeiras, lembra que nesse mandato pediu a recolha de faturas e de mapas de despesa e que já nessa altura tinham sido identificados e denunciados vários abusos. Faturas de elevados valores, faturas ilegíveis, faturas sem a discriminação dos produtos ou até sem identificação de quem estava a usufruir da refeição.

E em Albufeira, o presidente da Câmara diz que as buscas de que foi alvo hoje são inaceitáveis e garante que ninguém o vai calar.

Rui Cristina é o autarca eleito pelo Chega e é suspeito de crimes de discriminação racial e incitamento ao ódio por causa de uma declaração que fez sobre a comunidade cigana numa reunião da Assembleia Municipal. A declaração foi esta:

Comigo não. Peço imensa desculpa. Eu não vou gastar dinheiro com a etnia cigana, enquanto eu tenho aqui os alfeirenses com necessidades que casam. Peço desculpa, isto é duro estar-vos a dizer isto. Podem-me chamar xenófobo, podem-me chamar o que vocês quiserem. Primeiro somos nós que pagamos impostos e temos necessidades. E depois está estas comunidades. Desculpem lá, isto é tão simples como eu estou aqui a dizer, preto no branco.

Estas declarações no encontro da Assembleia Municipal levaram a deputada eleita pelo PSD e CDS a fazer denúncias ao Ministério Público, sendo que Rui Cristina também já apresentou uma queixa contra Helena Simões, acusa-a de difamação agravada e denúncia caluniosa. Certo é que hoje o Ministério Público fez buscas e Rui Cristina reagiu nas redes sociais.

O que aconteceu hoje na Câmara Municipal de Albufeira é inaceitável e revolta qualquer pessoa de bem. Montou-se um espetáculo à volta de declarações que apenas afirmam um princípio básico de justiça. E não me calarão, não me intimidarão e não me farão recuar. Fui eleito para por fim interesses instalados, enfrentar injustiças e defender uma verdadeira igualdade de oportunidade para todos.

Entretanto, André Ventura também já reagiu, diz que quer esclarecimentos das autoridades e do Ministério Público sobre o que motivou estas buscas feitas à Câmara Municipal de Albufeira e acusa o Poder Judiciário de estar a perseguir o que considera ser mera liberdade de opinião.

O presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial afirma que a proposta do governo sobre o gasóleo agrícola é ofensiva para o setor.

O ministro da Agricultura anunciou hoje um novo desconto para o gasóleo agrícola, que serve também para o setor das pescas. É um desconto de €0,10 que vai ser aprovado na sexta-feira em Conselho de Ministros. O presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial mostra-se incrédulo. Relembra que em Espanha o apoio é de €0,20 e deixa, por isso, um apelo ao governo português.

Se um governo que apoia o setor, e publicamente já afirmaram várias vezes, eu não acredito que o governo vá criar uma medida discriminatória em termos concorrenciais entre a frota portuguesa e a frota espanhola. Portanto, no mínimo dos mínimos, o apoio terá que ser igual ao governo espanhol.

Palavras de Miguel Cunha, presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial, declarações à Rádio Observador sobre este desconto anunciado para o gasóleo agrícola, que abrange também o setor da pesca

E no Médio Oriente, o Irão afasta negociações com os Estados Unidos e vai continuar a resistir.

É o que diz o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano. O diplomata refere que abrir negociações de paz com os Estados Unidos da América, nesta fase, seria reconhecer uma derrota. E avisa que a República Islâmica do Irão prefere continuar a resistir. Na primeira reação oficial de Teerão à oferta das conversações por parte de Washington, Abbas Araqchi, este ministro, disse na televisão estatal que a República Islâmica do Irão não planeia nenhuma negociação sobre o conflito desencadeado por Estados Unidos da América e Israel. O ministro iraniano acrescenta também que o Irão pretende terminar a guerra nos próprios termos e quer criar condições para que nunca mais se repita.

E o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, acredita que ainda não estamos numa fase concreta de negociações entre os Estados Unidos e o Irão.

Ouvido no gabinete de guerra da Rádio Observador, para escutar na íntegra ao longo da próxima hora, Miguel Baumgartner admite que os Estados Unidos da América podem estar a vencer militarmente a guerra, mas avisa que do ponto de vista político, os objetivos não foram concretizados. Não conseguiram destruir por completo o programa nuclear, nem trocar o regime político no Irão. Sobre o plano de paz apresentado pelos norte-americanos e a resposta por parte do Irão, este especialista acredita que ainda estamos numa fase pré-negocial.

Aliás, não é negociação. Digamos que isto é uma pré-negociação. É mais ou menos para saber se há disponibilidade, em que pontos é que há disponibilidade para negociar. E nós sabemos que é o Paquistão que tem estado a forçar as duas partes a sentarem-se à mesa, até ultrapassando aqui uma posição que há pouco tempo nós pensamos que poderia ser a Turquia. Não há ainda um acordo direto de negociação, ou seja, não está formada uma base.

Miguel Baumgartner diz também que Donald Trump está a tentar passar ao máximo a mensagem de que está a fazer tudo para tentar negociar, principalmente para os eleitores norte-americanos.

Oito minutos para lá das 21h, vamos ao noticiário local, Miguel.

Em Sintra, a Lusíadas Saúde vai investir 30 milhões de euros num hospital na Quinta da Beloura. A nova unidade vai empregar 500 pessoas e a abertura está prevista para o primeiro semestre deste ano. Começou hoje o julgamento do rapaz de 14 anos acusado de matar a mãe, vereadora da Câmara Municipal de Vagos, Susana Gravato, em Aveiro. O jovem vai ser julgado pelo tribunal coletivo, composto por um juiz de carreira e dois juízes sociais. A Polícia Judiciária deteve um homem de 33 anos, suspeito de provocar um incêndio numa moradia em Pombal, no distrito de Leiria. O fogo aconteceu na localidade de Granja, destruiu parte da habitação, deixou três pessoas desalojadas. A cidade de Santarém vai registrar condicionamentos de trânsito durante esta sexta-feira e também no sábado. Em causa está a realização de cerimônias militares de apresentação das Forças Armadas ao presidente da República. No Porto, o Festival de Leitura da Maia vai celebrar literatura e pensamento crítico no mês de abril. Esta é uma iniciativa que promove a troca de histórias e recomendações entre leitores. Afonso Cruz, Dino Santiago, Martin Sousa Tavares e Inês Menezes são algumas das presenças já confirmadas entre os dias 17 e 20 do próximo mês. A Biblioteca Municipal do Seixal vai ter sessões gratuitas de leitura em grupo. Começam no sábado, das 16h30 às 18h, e acontecem até o dia 18 de abril. As sessões convidam os leitores a juntarem-se para explorar novos livros e autores. A participação é gratuita e requer inscrição prévia. Para fechar, uma notícia que nos chega de Guimarães. Começa hoje a Roboparty. É um evento pedagógico, e é um evento que reúne equipes de quatro pessoas para ensinar a construir robôs móveis autônomos de uma forma simples e descontraída.

Então, e como é que funciona o processo de construção dos robôs?

Os participantes começam por receber uma curta formação. Isso é o que acontece primeiro. Depois, cada equipe recebe um kit robótico para ser montado durante o evento. No final, podem até levar o robô pra casa.

Entendi. E diz que o evento começou hoje e dura até quando?

Realiza-se no campus de Azurém da Universidade do Minho e termina na sexta-feira. Os participantes são convidados a dormir no recinto e podem aproveitar, entre outras atividades, desporto, música e jogos. Mas lá está, têm de construir um robô.

E assim fechamos o Jornal das Nove, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Já a seguir, nova edição da Guerra Traduzida.