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Jornal das 9:00 na Rádio Observador, com edição da Beatriz Félix. E a começar pela Operação Marquês. Beatriz, na resposta à queixa de Sócrates no Tribunal Europeu, o Estado português nega qualquer violação de direitos humanos.

No último dia do prazo, o Estado respondeu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, isto no âmbito da queixa movida no tribunal pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates. O Estado português considera não ter ocorrido qualquer violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Esta notícia, avançada em primeira mão pela SIC, dá ainda conta do envio de meios de prova considerados pertinentes. Recordo que em julho do ano passado, José Sócrates recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para apresentar uma queixa contra o Estado português pela alegada violação de direitos no processo da Operação Marquês. O pedido de esclarecimento do tribunal foi considerado por José Sócrates como uma vitória judicial.

E da Justiça para a política, Beatriz, o governo diz estar disponível para acolher as exigências do PS sobre a revisão constitucional e a Segurança Social.

Ao que o Observador apurou, o governo não terá dificuldade para responder a duas das maiores exigências do PS para o Orçamento do Estado. O Executivo preferia que o PS não misturasse a negociação de questões setoriais com o orçamento, mas fonte da AD garante que Luís Montenegro sempre quis incluir os socialistas num projeto de revisão constitucional. Também na Segurança Social, apesar do relatório pedido ao economista Jorge Bravo, a ministra já disse que não está prevista nenhuma mudança estrutural nesta legislatura, pelo que Montenegro pode dar garantias ao PS de que não vai haver mexidas nesta área. As outras duas exigências estão relacionadas com lei de bases na saúde e com a resposta que o governo deve dar à recuperação dos territórios mais afetados pelas tempestades no início deste ano.

E seguimos com declarações de André Ventura, que faz críticas, Beatriz, aos partidos por não exigirem mais esclarecimentos ao Ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Depois do anúncio de uma comissão parlamentar de inquérito, o presidente do Chega criticou, já durante a tarde, o Partido Socialista e foi no Porto que André Ventura disse que há partidos reféns de poderes ocultos.

O Partido Socialista, além de conhecer muito bem o que são investigações de corrupção e de desvio de dinheiros, tem um critério seletivo, que é só fala de quem não lhe convém. Ou seja, fala se não forem do Partido Socialista ou ligados ao Partido Socialista. O Partido Socialista já falou de muitos outros casos e já exigiu explicações. O que se tornou gritante aqui foi perceber que com todos os elementos que vinham a público, o Partido Socialista continuava em silêncio. E isso levanta uma suspeita, francamente, honestamente, com toda a transparência, de achar que os partidos em Portugal estão reféns de poderes ocultos. E em Portugal não podem existir poderes ocultos para lá do poder do povo.

André Ventura, em declarações recolhidas pela CNN Portugal. O presidente do Chega, que garante também que a comissão de inquérito não tem como objetivo fragilizar a PJ. Já o PS acusa precisamente André Ventura de querer prejudicar a Polícia Judiciária e relaciona esta intenção de abrir o inquérito parlamentar com as investigações da polícia a movimentos de extrema-direita.

E em declarações à Rádio Observador, o antigo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, pede a Luís Neves que se apresse a explicar, Beatriz, as polémicas dos últimos dias.

Eduardo Cabrita, que desempenhou as mesmas funções de Luís Neves, diz que para o bem do prestígio da Polícia Judiciária e também do Estado, o ministro deve responder rapidamente às dúvidas que se levantaram nas últimas semanas.

Eu pediria ao doutor Luís Neves, para bem dele, mas sobretudo para bem do sentido de autoridade do Estado, que neste momento está posto em causa, e também para o prestígio da Polícia Judiciária, que não voltasse a dizer que é amanhã ou que é daqui a uns dias, e que com a máxima urgência, aí associo-me ao pedido feito pelo Duarte Pacheco, preste todos os esclarecimentos necessários.

Eduardo Cabrita no Explicador da Rádio Observador, em que o antigo deputado do PSD, Duarte Pacheco, também a participar, admite que o comportamento do Luís Neves está a dar espaço à indignação do Chega.

Se viesse à praça pública dar as explicações, não dava azo a que o Chega fizesse esse tipo de comportamento. O doutor Luís Neves teve uma ação muito importante, até ainda como diretor da Polícia Judiciária, de evidenciar que aquela grande mensagem do Chega, que associava a imigração à criminalidade, não era correta, mas agora está precisamente a fortalecer o Chega pela sua ausência de esclarecimentos.

Declarações de Eduardo Pacheco, que ainda assim admite que é contra a banalização das comissões de inquérito.

E na reação ao anúncio de André Ventura, Luís Neves agradece pela oportunidade, Beatriz, de poder esclarecer tudo.

Luís Neves fala numa oportunidade para esclarecer todas as questões e para mostrar o legado que deixou na Polícia Judiciária. O ministro diz não ter medo e até agradece a oportunidade.

Ainda bem. Conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia Judiciária. Portanto, conforme já disse, no meu tempo próprio, prestarei os esclarecimentos, cá para pouco me foi colocada aqui a questão pela RTP, que os portugueses merecem.

Foi a reação de Luís Neves ao anúncio do Chega para avançar com um inquérito parlamentar, já no mês de setembro.

Já sobre educação, Livre, Bloco de Esquerda e PCP estão a pressionar o PS para avançar com uma comissão de inquérito à classificação dos exames nacionais.

Posições vincadas esta tarde numa manifestação convocada pelos estudantes junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, onde se pedia a demissão do ministro Fernando Alexandre. O primeiro a manifestar a abertura para uma comissão de inquérito foi o dirigente comunista António Filipe, que defende que devem ser usados todos os mecanismos regimentais para apurar responsabilidades.

Esta questão tem que ser levada muito a sério para a Assembleia da República e usar os mecanismos regimentais de que dispõe para que o Governo assuma as responsabilidades que tem que assumir perante o Parlamento e perante o país. Portanto, aquilo que foi anunciado, a realização de um inquérito, obviamente, que não é de descartar e que pode fazer sentido. Para já, é preciso que o governo não fuja aos esclarecimentos que são necessários sobre este problema, que não faça como tem feito até aqui, que é procurar atirar as responsabilidades para todos, menos para o próprio governo, que é o verdadeiro responsável pela situação que está criada.

A posição do PCP, pela voz de António Filipe, também Rui Tavares, do Livre, admitiu apoiar uma comissão de inquérito e acusa o governo de ter criado um problema onde não existia nada de errado.

Acompanhamos, porque nos parece que se trata de uma questão que é uma questão transversal ao Ministério da Educação, a criação de um caos onde não havia. Quer dizer, nós estamos habituados a outras dificuldades na educação, seja na colocação de professores, seja no início do ano letivo. O que este ministro conseguiu fazer foi inventar um caos novo no Ministério da Educação, que é de facto uma coisa inédita e que tem que ser explicada e não vai lá com auditorias por empresas privadas.

Rui Tavares, do Livre. Já do Bloco de Esquerda, o pedido é o mesmo. Entretanto, o PS acenou hoje com a possibilidade de avançar com inquérito parlamentar, apenas se Fernando Alexandre não der respostas sobre o processo de classificação até setembro.

O Partido Socialista espera que essa resposta venha até ao início do mês de setembro e se a resposta não vier ou não for esclarecedora, a resposta a esse conjunto de questões, terminado que esteja o processo de acesso ao ensino superior, o Partido Socialista tomará a iniciativa de lançar uma comissão parlamentar de inquérito no Parlamento.

É o aviso deixado por Eurico Brilhante Dias na sede nacional do Partido Socialista.

Nove minutos para lá das nove. Aproveitamos a capicua nesta edição para atualizar a informação de âmbito local, Beatriz, que está a marcar esta sexta-feira.

E começamos na Câmara Municipal do Seixal, que informa que vai haver um corte de trânsito na freguesia de Fernão Ferro entre os dias 30 de julho e 2 de agosto. O corte acontece devido à realização de festas populares e vai afetar as ruas circundantes à Associação de Moradores dos Redondos. Segundo a autarquia, o corte vai estar em vigor entre as 17h e as 2h, mas o acesso aos moradores vai estar assegurado. Algumas empresas da região de Leiria e Oeste financiaram 34 bolsas a estudantes do Politécnico de Leiria. A iniciativa realizou-se no âmbito do programa Mais Indústria 2025/2026 e teve um investimento global de cerca de €33 mil. A cerimónia de entrega distinguiu estudantes de 15 cursos de licenciatura e mestrado. Já em Sintra, os Serviços Municipais de Água e Saneamento apanharam em flagrante uma deposição ilegal de resíduos na freguesia de Rio de Mouro. Os autores do delito foram surpreendidos por uma operação de fiscalização dos serviços do Conselho. Esta intervenção resultou na aplicação de uma multa aos infratores, que ainda foram obrigados a recolher os resíduos abandonados. A autarquia refere que esta prática é um exemplo da tolerância zero do município contra crimes ambientais. Em Santarém, o município de Salvaterra de Magos associa-se à campanha nacional de sensibilização da ValorMed. A campanha pretende alertar para a correta deposição de medicamentos que já não são utilizados e contribuir assim para a proteção do ambiente e saúde pública. A Câmara Municipal de Salvaterra de Magos junta-se a esta iniciativa e apela à participação de todos. Em Santa Maria da Feira, o festival Fora dos Eixos inicia hoje a nona edição com uma programação que reúne oito companhias dedicadas ao teatro de marionetas. O festival vai durar quatro dias e destaca-se pela estreia de uma companhia da Turquia e pela presença inédita do fado na programação. O Fora dos Eixos reforça assim o compromisso com a divulgação da arte da marioneta, com entrada gratuita para todos os espetáculos. E fechamos na Feira Nacional de Artesanato, que regressa amanhã a Vila do Conde. A feira acontece nos Jardins da Avenida Júlio Graça e vai assumir uma dimensão especial com homenagem às expressões culturais reconhecidas pela UNESCO. O certame dura duas semanas e reúne as práticas e as tradições identitárias da região com potencial para uma candidatura internacional.

Ponto final nesta edição das 9:00. As notícias estão de regresso às 09:30 com a Beatriz Félix, que já a seguir nos traz a edição desta sexta-feira da Guerra Traduzida. Um abraço, Beatriz. Até já!

Até já!