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Na Rádio Observador. Jornal das 10, edição da jornalista Diana Rosa. E Diana, começamos-

Com António José Seguro que pede o fim da cultura de desorganização e do jogo de culpas na política.

Num discurso, numa iniciativa do jornal ÉCO, no Centro Cultural de Belém, o chefe de Estado defendeu que o país precisa de mudanças de mentalidade que promovam a confiança dos portugueses. Seguro apontou ainda o dedo à constante procura de culpados, considerou que também os meios de comunicação têm responsabilidade, uma responsabilidade a que não se podem esquivar, palavras do presidente. Considera António José Seguro que o modelo de cobertura privilegia o conflito, assim como a troca de acusações.

E seguimos com a denúncia da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto. São frequentes os casos de grávidas que veem o atendimento nos hospitais recusado pela falta de contato com a linha SNS 24.

Acusações a pretexto do caso do Hospital de Faro, que na sexta-feira não atendeu uma grávida que se deslocou às urgências sem ligar previamente para a linha SNS 24. A mulher de 37 anos teve de percorrer 70 km para outro hospital. Sara do Vale, presidente da associação, garante que este tipo de situações é recorrente.

São dezenas, isto já acontece há algum tempo. Uma senhora chegou a estar duas horas à espera, com parto prematuro e contrações, na sala de espera, e não foi atendida. Acabou por desistir e ir para o privado. O que as pessoas de facto relatam é que chegam, não têm o SNS, e são obrigadas a ligar muitas vezes em frente ao guichê da triagem.

A presidente da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto considera que este tipo de casos viola o mais básico dos direitos, que é o acesso à saúde.

E Diana, mantém-se ativo o incêndio em Arouca. As chamas mobilizam a esta hora perto de 120 operacionais.

Um incêndio que deflagrou numa zona florestal por volta das 17h30. Chegaram a estar a combater as chamas seis meios aéreos, mas com o cair da noite tiveram de deixar de operar. De acordo com a Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto, à Rádio Observador, o fogo está localizado em Vila Chã, na freguesia de Escariz, Arouca. De acordo com o comando metropolitano, não há neste momento indicação de casas em risco, nem estradas cortadas.

E todos os distritos do país, com exceção de Faro, estão sob aviso amarelo por causa das temperaturas elevadas.

O tempo quente vai manter-se em Portugal continental até quinta-feira, estando praticamente todo o território sob uma onda de calor. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê para os próximos dias várias regiões do país sob perigo de incêndio muito elevado. Hoje, por exemplo, em Mora, no distrito de Évora, foram registados 39,2 graus, é um recorde para esta altura do ano.

E o comandante regional do Norte da Proteção Civil admite estranheza nas ignições que aconteceram durante a noite.

Que acontecem, não aconteceram, mas acontecem normalmente, Rita, ainda que desconheça negócios ilícitos associados à prevenção ou combate de incêndios rurais. É a garantia deixada por Carlos Alberto Alves na Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios. O comandante regional do Norte da NPC foi ouvido hoje durante aproximadamente hora e meia pelos deputados. Disse estranhar a quantidade de ignições em período noturno, mas reafirmou várias vezes que desconhece a existência de qualquer suspeita quanto a negócios, quer com a compra de material e equipamentos, quer com ignições deliberadas. Carlos Alberto Alves defende mais investimento na vigilância e na prevenção.

E na política, Luís Montenegro quis afastar-se esta tarde das polémicas com o SIRESP e desviar-se dos puxões de orelhas do Presidente da República.

Hoje foi dia de debate quinzenal. Com a ajuda de Hugo Soares, o primeiro-ministro desvalorizou a polêmica com a escolha do presidente do SIRESP e tentou mostrar que os recados de António José Seguro já fazem parte da estratégia do PTRR. Tudo isto num debate com recurso a muitas figuras animadas. Miguel Vítor Dias.

Foi um debate em modo banda desenhada.

Olho para o deputado André Ventura e faz-me lembrar o Lucky Luke e do outro lado, olho para o Partido Socialista, o deputado José Luís Carneiro, faz-me lembrar o Speedy Gonzales.

Mas logo André Ventura respondeu a Hugo Soares.

O Espulinha era aquele que nunca trazia nada de novo, nem fazia nada de novo, mas queria sempre sair o maior da rua dele. Queria sempre fazer tudo para desviar a atenção dos outros, inclusive roubar coelhos.

André Ventura não se esqueceu dos coelhos, depois do líder parlamentar do PSD ter tentado antecipar os tiros da oposição, a começar pelo relatório da Presidência da República, que aponta falhas na resposta às tempestades.

São um contributo muito válido, que está praticamente todo incluído naquele que é o desenho e neste momento já a implantação do PTRR.

Luís Montenegro acrescentou ainda que o pagamento das reconstruções está atrasado devido às autarquias que estão exauridas e depois das tempestades, a polêmica com o SIRESP.

Uma coisa que não devemos perder o foco. O foco aqui é corrigir aquilo que não funcionou no passado.

André Ventura não ficou satisfeito e insistiu.

Tem ou não conhecimento de um e-mail da adjunta do Ministério da Administração Interna a procurar alterar as conclusões de um relatório?

Não tenho.

Não me parece que esteja a dizer a verdade ao Parlamento, nem que não saiba efetivamente do que é que estamos a falar.

A troca de palavras entre ambos, com Luís Neves irritado na bancada do governo. Sobre o SIRESP, o PS nada disse, depois de ter defendido o nome escolhido pelo ministro. O líder socialista apontou

Falhas na saúde e aumento do custo de vida.

As pessoas e as suas vidas estão cada vez pior, senhor primeiro-ministro, e estão pior por causa do custo de vida.

Também Paulo Raimundo, do PCP, acusou o Executivo de governar só a pensar nos mais ricos, mas mostrou-se solidário com o chefe do Governo.

É o ataque brutal, com o pensamento no século XIX, com o pacote laboral. Se não houvesse ritmo, então o que seria de nós?

Paulo Raimundo a fazer referência ao reparo de Pedro Passos Coelho sobre a falta de ritmo do Governo, num debate em que o Livre voltou a pedir para que o Executivo abandone a reforma laboral, que o Bloco apelidou de zumbi legislativo.

A reportagem do Miguel Viterbo Dias. O primeiro-ministro volta a enfrentar a oposição no dia 16 do próximo mês.

E noutros temas, Luís Montenegro responde ao repto deixado por Vladimir Putin. O primeiro-ministro português concorda que a Rússia e a Europa devem negociar diretamente.

O presidente russo mostrou-se disposto a conversar com a Europa, ainda que com a possibilidade de haver um mediador. Para Luís Montenegro, o Bloco Europeu deve ser independente dos Estados Unidos no processo de negociações.

Um processo de paz na Ucrânia carece também de sentar à mesa a Rússia. E a Europa não pode estar eternamente dependente da intermediação de responsáveis que, com todo o empenho, seguramente, e com todo o mérito, têm diligenciado no sentido de garantir uma paz justa e duradoura na Ucrânia. A Europa deve tomar a iniciativa de fazer o estabelecimento desse diálogo com as partes envolvidas, com a Ucrânia, naturalmente, é um acompanhamento que é permanente, e também com a Rússia.

Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no Parlamento, depois do debate quinzenal.

E no futebol, depois da derrota na final da Taça de Portugal, Frederico Varandas deixa críticas aos jogadores do Sporting.

É a primeira reação do presidente do clube à derrota contra o Tondela. Fala em falta de vontade, de ambição no plantel leonino.

O Sporting perde aquela final porque simplesmente não competiu, porque simplesmente não teve a atitude de quem quer ganhar um título nacional. O Sporting respeita e quer jogadores que tenham como objetivo jogar Champions League, participar num Campeonato do Mundo com as suas seleções. Mas o Sporting também exige que os seus jogadores tenham essa mesma ambição de ganhar, de jogar competições internas, nomeadamente contra equipas de escalão inferior.

E numa altura em que está sob pressão a continuidade do treinador Rui Borges, Varandas assegura que sim, é para continuar.

E agora com nove minutos para lá das 10 da noite, que outras notícias marcam a atualidade, Diana?

Dois passageiros de um voo da TAP entre Bruxelas e Lisboa sofreram hoje ferimentos devido a uma turbulência forte, notícia adiantada pelo Correio da Manhã. Os dois passageiros foram assistidos à chegada ao aeroporto de Lisboa. Um deles sofreu um golpe na cabeça e outro um pequeno corte. Foram transportados para um hospital na capital. O assistente pessoal do ator Matthew Perry foi condenado a três anos e cinco meses de prisão pela morte do ator. Kenneth Iwamasa declarou-se culpado por ter administrado várias doses de estamina ao ator sem qualquer formação médica. De acordo com os procuradores, o assistente continuou a injetar estas substâncias em Matthew Perry, apesar de o ator ter ficado inconsciente pelo menos duas vezes.

E terminamos por aqui o Jornal das 10, edição da jornalista Diana Rosa. Até já, Diana.

Até já.